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Ter, Mar

Amazônia

  • A virada avança e mais artistas declaram voto em Haddad; confira

    A cantora Maria Bethânia postou em seu Instagram foto segurando uma camiseta com inscrição "Haddad e Manu 13" juntamente com a cantora e compositora Mart’nália. Este sábado (27), véspera da eleição mais importante dos últimos, anos traz surpesas boas.

    A jornalista Monalisa Perrone, apresentadora do Hora um, da Rede Globo também declarou seu voto. "Tenho visto muita coisa e ficado calada, sem me posicionar politicamente, mas, não há outra saída. Não vou apoiar a volta do militarismo. Pela democracia, irei em Fernando Haddad e Manuela D'Ávila", disse.

    Alceu Valença também declarou voto em Fernando Haddad. "Em nome da democracia, da ecologia, da diversidade, da solidareidade, do humanismo, voito em Haddad", disse.

    Inclusive, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo pediu voto em Haddad. Ela afirmou que "na véspera do segundo turno da eleição presidencial no Brasil, todo o meu apoio ao meu amigo Fernando Haddad. Conheci Fernando quando era prefeito de São Paulo. Ele é um homem de valor, um defensor da democracia, competente e corajoso".

    Veja o voto de Alceu Valença 

    Já Luciana Barcellos, chefe de redação do Jornal da Record, pediu demissão na semana passada e afirmou que "o Haddad não foi o meu candidato no primeiro turno. Mas agora o que está em jogo aqui é maior do que nossas primeiras escolhas. É a democracia, é o que queremos para nossos filhos, sobrinhos, netos, amigos, para todos os nossos afetos. É o que queremos de bom também para quem a gente nem conhece pessoalmente” e declarou seu voto em Haddad.

    Quem diria, mas até o anti-petista radical Marcelo Tas via votar em Haddad. A virada de votos avança. “O meu voto vai contra a posição de um candidato em relação à Amazônia, às minorias”, disse Tas. “Não me identifico com armas para resolver os problemas”, por isso, Tas diz votar contra o “candidato que tem péssimas idéias para o Brasil” e declara voto em Fernando Haddad, mesmo com críticas ao PT.

    Assista Marcelo Tas 

    Posição parecida tem o vocalista do grupo Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, também anti-petista conhecido, declarou voto em Haddad. “Voto a favor da tolerância, do diálogo e principalmente da democracia”, afirmou.

    Acompanhe Dinho Ouro Preto 

    O cartunista e escritor Ziraldo, de 86 anos, que há pouco deixou o hospital, fez questão de gravar vídeo pedindo para salvar o Brasil e votar em Haddad, pela democracia. Mônica Iozzi, que não queria se posicionar, fez um vídeo muito emocionada por causa do espancamento de um amigo por seguidor de Bolsonaro, motivado por LGBTfobia.

    Emocionada Mônica Iozzi denuncia espancamento de amigo e pede consciência no voto deste domingo 

    As pessoas que têm real preocupação com o Brasil e com os direitos humanos e com a liberdade estão se posicionando claramente. Caso de Paulinho da Viola. “Há tempos resolvi não mais declarar meu voto, por motivos que não caberiam neste espaço. Porém, o momento que vivemos é diferente. Sinto a necessidade de juntar a minha voz a de inúmeros colegas, artistas, intelectuais e demais cidadãos brasileiros que acreditam na importância de valores fundamentais para a nossa sociedade e para a nossa democracia. Não podemos pensar um futuro sem valores básicos” e declara voto em Haddad.

    paulinho da viola

    Chico Buarque fez um pronunciamento emocionado no Ato da Virada, nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, na terça-feira (23). Ele pergunta onde essa violência vai parar e afirma que nós “não queremos mais mentiras, queremos paz, queremos alegria, queremos Fernando e Manuela”.

    Chico Buarque acredita que as pessoas das periferias neste segundo turno e votarão a favor de si mesmas, contra o retrocesso e a violência

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Bolsonaro faz cruzada contra a "agenda da esquerda" da Igreja Católica

    O Planalto se prepara para uma nova cruzada – e o alvo não é nem a Previdência, nem a criminalidade. Desta vez, o governo quer conter o suposto avanço da Igreja Católica na liderança da oposição a Jair Bolsonaro, no vácuo da derrota dos partidos de esquerda. Na avaliação da equipe do presidente – com ares de “teoria da conspiração” –, a Igreja é uma tradicional aliada do PT e está se articulando para influenciar debates antes protagonizados pelo partido no interior do País e nas periferias.

     “A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso", afirmou o general Heleno Augusto, ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

    O alerta ao governo, cheirando a paranoia, veio de informes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e dos comandos militares. Os informes relatam recentes encontros de cardeais brasileiros com o papa Francisco, no Vaticano, para discutir a realização do Sínodo sobre Amazônia, que reunirá em Roma, em outubro, bispos de todos os continentes. Durante 23 dias, o Vaticano vai discutir a situação da Amazônia e tratar de temas considerados pelo governo brasileiro como uma “agenda da esquerda”.

    Índios e clima

    O debate abordará a situação de povos indígenas, mudanças climáticas provocadas por desmatamento e quilombolas. “Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que comanda a contraofensiva.

    Com base em documentos que circularam no Planalto, militares do GSI avaliaram que os setores da Igreja pretenderiam aproveitar o Sínodo para criticar o governo Bolsonaro e obter impacto internacional. Tais setores seriam aliados a movimentos sociais e partidos de esquerda, integrantes do chamado “clero progressista”. Segundo Heleno, “isso é interferência em assunto interno do Brasil”.

    Escritórios da Abin em Manaus, Belém, Marabá, no sudoeste paraense (epicentro de conflitos agrários), e Boa Vista (que monitoram a presença de estrangeiros nas terras indígenas ianomâmi e Raposa Serra do Sol) estão sendo mobilizados para acompanhar reuniões preparatórias para o Sínodo em paróquias e dioceses. O GSI também obteve informações do Comando Militar da Amazônia, com sede em Manaus, e do Comando Militar do Norte, em Belém.

    Com base nos relatórios de inteligência, o governo vai procurar governadores, prefeitos e até autoridades eclesiásticas que mantêm boas relações com os quartéis, especialmente nas regiões de fronteira, para reforçar sua tentativa de neutralizar o Sínodo. O GSI planeja envolver até o Itamaraty (para monitorar discussões no exterior) e o Ministério do Meio Ambiente (para detectar a eventual participação de ONGs e ambientalistas).

    Com pedido de reserva, outro militar da equipe de Bolsonaro afirmou que o Sínodo é contra “toda” a política do governo para a Amazônia – que prega a defesa da “soberania” da região. “O encontro vai servir para recrudescer o discurso ideológico da esquerda”, avaliou ele.

    Conexão

    Assim que os primeiros comunicados da Abin chegaram ao Planalto, os generais logo fizeram uma conexão com as críticas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a Bolsonaro durante a campanha eleitoral. Órgãos ligados à CNBB – como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) – não economizaram ataques, que continuaram após a eleição e a posse de Bolsonaro na Presidência.

    A Pastoral Carcerária, por exemplo, distribuiu nota na semana passada em que critica o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Na campanha, a Pastoral da Terra divulgou relato do bispo André de Witte, da Bahia, que apontou Bolsonaro como um “perigo real”. As redes de apoio a Bolsonaro contra-atacaram espalhando na internet a bravata de que o papa Francisco era “comunista”.

    Como resultado, Bolsonaro desistiu de vez da CNBB e investiu incessantemente no apoio dos evangélicos. A princípio, ele queria que o ex-senador e cantor gospel Magno Malta (PR-ES) fosse seu candidato a vice. Eleito, nomeou a pastora Damares Alves, assessora de Malta, para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

    Histórico

    A relação tensa entre militares e Igreja Católica começou ainda em 1964 e se manteve mesmo nos governos de “distensão” dos generais Ernesto Geisel e João Figueiredo, último presidente do ciclo da ditadura. A CNBB manteve relações amistosas com governos democráticos, mas foi classificada pela gestão Fernando Henrique Cardoso como um braço do PT. A entidade criticou a política agrária do governo FHC e a decisão dos tucanos de acabar com o ensino religioso nas escolas públicas.

    O governo do ex-presidente Lula – que era próximo de d. Cláudio Hummes, ex-cardeal de São Paulo – foi surpreendido, em 2005, pela greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio. O religioso se opôs à transposição do Rio São Francisco. Já com a chegada de Dilma Rousseff, a relação entre a CNBB e o PT sofreu novos abalos. A entidade fez uma série de eventos para criticar a presidente, especialmente por questões como aborto e reforma agrária. A CNBB, porém, se opôs ao golpe do impeachment, alegando que “enfraqueceria” as instituições.

    “Entrar a fundo”

    O ministro Heleno afirmou que já existe uma “preocupação” do Planalto com as reuniões e os encontros preparatórios do Sínodo sobre a Amazônia, que ocorrem nos Estados. “Há muito tempo existe influência da Igreja e ONGs na floresta”, disse.

    Mais próximo conselheiro de Bolsonaro, Heleno criticou a atuação da Igreja, mas relativizou sua capacidade de causar problemas para o governo. “Não vai trazer problema. O trabalho do governo de neutralizar impactos do encontro vai apenas fortalecer a soberania brasileira e impedir que interesses estranhos acabem prevalecendo na Amazônia”, afirmou. “A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso.”

    Tanto o ministro Augusto Heleno quanto o ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas, hoje na assessoria do GSI e no comando do monitoramento do Sínodo, foram comandantes militares em Manaus. O vice-presidente Hamilton Mourão também atuou na região, à frente da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira.

    Fonte: Portal Vermelho, com informações do Estadão

  • Bolsonaro levou aos Estados Unidos uma agenda de traição à Pátria, não de soberania

    Por Joaquim de Carvalho, no DCM

    Bolsonaro embarca para Washington, com uma agenda que não atende aos interesses da Nação brasileira

    Um dos assuntos que Jair Bolsonaro tratará com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é a Amazônia, que faz parte do território brasileiro.

    Os detalhes da pauta não foram divulgados, mas assessores de Bolsonaro adiantaram que fará parte das conversas a atuação das ONGs na região.

    Por que Bolsonaro levará ao líder de uma potência estrangeira assunto que caberia ao Brasil resolver, soberanamente?

    A resposta, ele mesmo deu durante a campanha, quando, em mais de um encontro, disse que Amazônia não é território brasileiro.

    Em um vídeo postado hoje nas redes sociais, ele afirmou:

    “Tenho me aproximado do governo americano, sim. Já tive reuniões com embaixadores. O que eu tratei? A Argentina falou que as Malvinas eram deles em 1982 e… perderam! A Amazônia é nossa? Com todo respeito, só uma pessoa que não tem qualquer cultura fala que é. Não é mais nossa.”

    Em outro encontro, na Federação das indústrias do Rio Grande do Norte, ele destacou:

    “Temos que nos aproximar — infelizmente, eu tenho que falar para os senhores isso — belicamente nuclear e democrático. Não tem outro caminho.”

    E repetiu o discurso da Argentina, que, soberanamente, reivindicou a propriedade das Malvinas.

    “Como começar a reverter isso? Como eu disse, vamos nos aproximar de países bélicos, nuclear, democrático, uma potência, e há interesse por parte desse país e nosso, podemos buscar parcerias. E não adianta dar uma de machão e levantar a espada e dizer: ‘A Amazônia é nossa’. Não é. Com muita tristeza, eu digo isso, como capitão do Exército brasileiro, como cidadão, como patriota, mas é uma realidade. E temos como explorar, em parceria, esta região”, discorreu.

    Na época, Bolsonaro era candidato, cidadão sem as prerrogativas de presidente, e nessa condição poderia, numa interpretação extrema, ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional — de 1983, sancionada no período da ditadura militar.

    Diz a legislação, em seu artigo 9o., que constitui crime contra a segurança nacional:

    “Tentar submeter o território nacional, ou parte dele, ao domínio ou à soberania de outro país.”

    A pena prevista: reclusão, de 4 a 20 anos.

    Como presidente da república, se levar adiante essa intenção, Bolsonaro comete crime de responsabilidade, como define o artigo 5o., inciso 2, da lei 1.079 de 1950:

    “Tentar, diretamente e por fatos, submeter a União ou algum dos Estados ou Territórios a domínio estrangeiro, ou dela separar qualquer Estado ou porção do território nacional.”

    No pacote que levará a Trump, Bolsonaro também tratará do arrendamento da Base de Alcântara, no Maranhão, o local privilegiado para lançamento de satélites, outra medida que foi tentada no governo de Fernando Henrique Cardoso e foi rejeitada pelo Congresso Nacional, por representar ameaça à soberania do país.

    Bolsonaro também avança o sinal quando cogita oferecer a Trump o ingresso de cidadãos ao território brasileiro sem visto — com a concordância de que aos brasileiros que tentarem o caminho inverso será mantida a restrição.

    A medida, em si, é vexatória, mas não ilegal. Porém, somada a outras declarações dele, dadas durante a campanha, podem representar outra violação da lei que define os crimes de responsabilidade, o de atentar contra a dignidade do Brasil (artigo 5o, inciso 6: celebrar tratados, convenções ou ajustes que comprometam a dignidade da Nação).

    Em uma das ocasiões em que anunciou a convite que faria aos Estados Unidos para ajudar a explorar a Amazônia, ele atacou os brasileiros, ao dizer que o Brasil é um lixo.

    “Eu vejo imbecis dizendo: Olha a França que coisa linda, uma seleção multirracial. Vamos colocar 10 milhões aqui de venezuelanos ou do pessoal do norte da África para ser campeão, quem sabe, em 2022 ou 2026. Que legal, hein? A gente bota mais 20 milhões aqui dentro, como encheram de haitianos aqui em São Paulo. Lá no plenário um petralha gritou: ‘Se fosse da Suécia, você não estava criticando. Ô imbecil, tu acha que o da Suécia vai querer esse lixo aqui”.

    A seu lado, Eduardo Bolsonaro, atualmente presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, aplaudiu.

    Eduardo Bolsonaro adaptou o discurso do pai hoje, já em Washington, quando declarou, como se fosse da Comissão de Relações Exteriores dos Estados Unidos, e não do Brasil:

    “O brasileiro que vem para cá de maneira legal é bem-vindo. Brasileiro ilegalmente fora do país é problema do Brasil, é vergonha nossa”.

    A comitiva liderada por Jair Bolsonaro, que falará em nome do Brasil diante das autoridades americanas, não se comporta como representante de um país soberano.

    Não é exagero dizer que fazem o papel de traidores da Nação brasileira.

    Isso, sim, é uma vergonha.