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Qui, Jun

Apeoesp

  • A vice-prefeita Nádia Campeão, do PCdoB, assumiu nesta sexta-feira (3) a Secretaria Municipal de Educação, em São Paulo, em substituição a Gabriel Chalita, do PDT. “Com isso o prefeito Haddad dá sinalização importante de que os investimentos em educação não serão cortados, como está fazendo o governo golpista”, explica Teresinha Chiappim, a Têca, dirigente do Sindicato dos Profissionais em Educação do Município de São Paulo.

    “Temos uma concepção de educação pública, gratuita, de qualidade social, inclusiva e democrática. Defendemos combater as desigualdades neste país e nesta cidade com a garantia do acesso à educação”, se compromete Nádia.

    Responsável por quase um milhão de estudantes, ela garante que vai continuar o trabalho da administração municipal em defesa de uma educação democrática e de qualidade.

    “A educação é reveladora de potencialidades. Então nós temos que garantir o acesso, da creche à universidade, para todos em todo território da cidade. Esta é a nossa obsessão: não deixar ninguém para trás”, afirma o prefeito Haddad.

    nadia campeao educacao sp

    Já Têca acredita que ter “Nádia Campeão na Educação é a garantia de mais avanços nessa área estratégica para o desenvolvimento de qualquer cidade, ainda mais de uma metrópole como São Paulo e de qualquer país que queira ter desenvolvimento autônomo e livre”.

    Em sua despedida, Chalita agradeceu a rede municipal pela colaboração na construção das políticas públicas. “Todos os projetos nasceram da construção coletiva com a rede, do respeito a cada professor, a quem está no chão da escola. A sala de aula é um espaço sagrado”, disse o ex-secretário.

    “A educação municipal ganha com Nádia. Ela representa um forte compromisso com as causas do povo, é defensora dos serviços públicos, em especial da educação pública. Reúne experiência e competência administrativa”, defende Francisca Seixas, diretora da Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual de ensino público paulista).

    Têca acredita que, “essa escolha se contrapõe ao que está acontecendo no cenário nacional, onde o ministro da Educação recebe Alexandre Frota, um ator pornô, como conselheiro da educação e promete acabar com a escola pública, pondo fim ao sonho dos mais pobres estudarem, assim como no estado, onde há o escândalo da merenda e salas superlotadas e ensino de péssima qualidade”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Em plena terça-feira (5), cerca de mil pessoas de todas as cores e orientações sexuais “tomaram a Praça Roosevelt”, como disse a atriz Ana Petta, uma das apresentadoras do Sarau das Mulheres pela Democracia, que aconteceu no centro da capital paulista, a partir das 17h.

    “Estamos aqui para repudiar esse ataque covarde que a revista IstoÉ promoveu à presidenta Dilma. Numa reportagem insidiosa e mentirosa”, afirma Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP).

    “Estamos nas ruas com toda essa alegria, contando com a irreverência da juventude para barrar esse golpe contra o país e o povo brasileiro e dizer à mídia golpista que quando atacam a Dilma, atacam a todas nós, mulheres guerreiras brasileiras”, diz a sindicalista.

    Representando a Unão Nacional LGBT, Valéria Rodrigues afirma que a UNA-LGBT está nas ruas para defender os direitos de todas as pessoas por uma vida digna. "É fundamental que nós, da comunidade LGBT, estejamos aqui nessa praça linda, defendendo nossos direitos".

    Coordenado por inúmeros coletivos culturais de São Paulo, o sarau foi transmitido ao vivo na internet pela Fundação Perseu Abramo e pelos Jornalistas Livres. “As mulheres sempre estiveram na frente da batalha pela liberdade e por direitos iguais neste país”, diz a militante veterana Liége Rocha, da União Brasileira de Mulheres (UBM).

    A nefasta matéria de capa da revista IstoÉ foi lembrada todo o tempo. "Quando ofendem a Dilma, ofendem cada uma de nós, mulheres brasileiras”, fala Juliana Borges, secretária da Mulher do Partido dos Trabalhadores de São Paulo.

    As apresentações artísticas foram se sucedendo no palco e nas imediações da praça. "O espaço público está sendo ocupado por uma juventude que pede avanços à jovem democracia brasileira", diz Cláudia Rodrigues, da UBM-SP. É o caso da Marina Veneto, presente no ato: "Toda mulher tem o coração guerreiro e, por isso, nós somos a democracia”.

    Coletivos culturais da periferia se apresentaram. Rappers da Frente Nacional Feminista do Movimento Hip Hop cantaram e encantaram com poesias fortes contra o machismo e a misoginia (ódio às mulheres). “Os caras não têm se segurado porque não suportam o fato de termos hoje uma mulher no poder”, realça Preta Rara.

    A secretária municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo, Denise Mota Dau, lembrou que outras publicações fizeram a mesma coisa que a revista IstoÉ em diversos países onde as mulheres ocupam o cargo de mandatária. "Estamos nas ruas para denunciar todas as manipulações dessa mídia partidária, para defender a democracia e para superar todas as desigualdades”, defende Denise.

    A ativista feminista Rachel Moreno fez questão de participar do sarau. "Eles pensaram que estávamos dormindo ou que sua ladainha midiática faria nossas cabeças, mas estamos bem acordadas e ligadas nos acontecimentos em tempo real”.

    Logo a seguir, a presidenta da Apeoesp (sindicato das educadoras e educadores da rede pública estadual de São Paulo) Maria Izabel Noronha, a Bebel, afirmou: "Não aceitaremos nenhum golpe contra a nossa jovem democracia. Permaneceremos nas ruas até enterrarmos de vez essa sanha golpista midiático-jurídica infame”.

    Gicélia lembra que “o bicho homem é o único animal que agride a sua companheira”. Ela conta que, antigamente, sarau era feito pela burguesia e as mulheres eram vistas como adornos. "Agora fazemos este sarau para mostrar à burguesia que não aceitaremos nenhum direito a menos”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy – Foto: Mídia Ninja

  • A União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes) promete mobilizar toda sua força para se unir às educadoras e educadores da rede pública estadual de São Paulo em assembleia na Praça Roosevelt, centro da capital, a partir das 14h.

    “A situação da educação na rede pública em nosso estado está degradante. Não tem merenda e ninguém sabe quando vai voltar a ter. As salas de aula estão superlotadas e os alunos e alunas são colocados em escolas distantes, além de faltar estrutura mínima necessária para um aprendizado com qualidade’, afirma Ângela Meyer, presidenta da Upes.

    Já Francisca Seixas, secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp (sindicato das trabalhadoras e trabalhadores da educação pública estadual) contesta a proposta de reajuste de 2,5% feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

    apeoesp assembleia roosevelt 8 de abril

    “ O último reajuste que tivemos foi em julho de 2014. E nesses quase 2 anos, acumulamos uma perda de 16%, então fica difícil aceitar essa proposta indecorosa”, diz. O governador volta com sua política de bônus para “premiar” a “meritocracia”. Segundo Francisca, Alckmin promete gastar R$ 500 milhões em bônus.

    A Apeoesp rejeitou essa proposta porque 2,5% não repõe nem a inflação do período. A Secretaria Estadual de Educação diz ter feito uma consulta interna e a maioria preferiu aceitar o bônus.

    “Na nossa opinião, esse tipo de atitude, é um desrespeito ao sindicato, legítimo representante da categoria”, reforça Francisca. Ela explica que “o dinheiro que falta para o reajuste está no desvio de R$ 17 bilhões da educação e no caixa 2 do PSDB com o roubo da merenda”.

    Ângela concorda com ela e conta que os estudantes derrotaram a “reorganização escolar nas ruas e ocupando as escolas, com amplo apoio de toda a sociedade, aí começa o ano letivo e o governador fecha quase 2 mil salas de aula, despeitando até ordem judicial”.

    “A situação está precaríssima e por isso amanhã teremos reunião do Conselho Estadual de Representantes, seguido de assembleia da categoria para definirmos o calendário de luta para este ano”, conclui Francisca.

     Serviço:

    O que: Assembleia estadual da Apeoesp com paralisação
    Onde: Praça Roosevelt, centro, São Paulo
    Quando: Sexta-feira (8), às 14h

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Francisca Pereira da Rocha Seixas

    As professoras e os professores de todo o país se mobilizam para realizar a Greve Geral da Educação, comandada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). No dia 15 de maio a aula será de cidadania e de liberdade, pelas ruas e praças de todo o país. Em São Paulo, a Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo tem assembleia nesta sexta-feira (26).

    Os docentes se mobilizam contra a ofensiva ultraconservadora que ataca incessantemente a educação pública e os profissionais da área. Porque os projetos de Jair Bolsonaro (PSL) no país e de João Doria (PSDB) em São Paulo visam privatizar o ensino médio e superior com enorme prejuízo para as camadas mais pobres da população. Para as filhas e filhos da classe trabalhadora preconizam apenas o ensino fundamental no máximo. O suficiente para conseguirem lidar com trabalhos menos qualificados e para que tenham menos consciências de seus direitos e portanto não reivindiquem.

    O próprio Bolsonaro disse recentemente que amissão de seu governo é formar jovens sem pensamento político, ou seja, sem pensamento nenhum. O projeto desses setores mais conservadores da sociedade, além de elitista, visa criar um exército de robôs com uma grande reserva de desempregados para o mercado de trabalho conseguir mão de obra barata e a juventude aceitar qualquer condição de trabalho.

    E o magistério foi escolhido como inimigo para minar a resistência aos cortes efetuados e a entrega das escolas aos barões da educação. Em São Paulo, não é diferente. A rede oficial de ensino público do estado vem sendo sucateada há mais de 20 anos, com os sucessivos governos do PSDB. Doria promete piorar ainda mais. O sonho dos tucanos é acabar com as universidades públicas estaduais e com o ensino médio gratuito. Já cortou pela metade o programa Escola da Família.

    Por isso, a Apeoesp realiza nesta sexta-feira (26) sua segunda Assembleia Estadual com paralisação e com o objetivo de organizar ainda melhor a luta contra o sucateamento das escolas estaduais. A assembleia ocorre no vão do Masp, na avenida Paulista, em São Paulo, às 14h.

    A nossa Campanha Salarial já inicia forte e deve crescer porque a insatisfação do corpo docente é muito grande. O salário das professoras e professores está entre os piores do país. O piso salarial no estado mais rico da nação é de R$ 2.223,01 (fevereiro/2018) para O Professor de Educação Básica (PEB) 1, por 40 horas semanais e R$ 2.585,00 para PEB 2. Como parâmetro, basta lembrar que o piso salarial do magistério maranhense é de R$ 5.384,26, mais que o dobro do piso paulista.

    Em nossa assembleia na Paulista, reivindicamos 14,54% de reajuste salarial, escolas bem estruturadas e não caindo aos pedaços como ocorre atualmente, salas com o máximo de 25 alunos, pondo fim à superlotação, novos concursos públicos para suprir a demanda preenchida por contratos temporários (Categoria O), que não têm as mesmas condições dos concursados, embora realizem a mesma função.

    Estaremos no vão do Masp também contra a reforma da previdência. Porque acaba com a Previdência pública e acaba com a aposentadoria de todas e todos. Mas as professoras e professores estão entre os mais atingidos por essa verdadeira deforma da previdência. Teremos que trabalhar dez anos a mais para receber o valor integral de nossos benefícios, perdendo a aposentadoria especial de 25 anos de trabalho, com uma perda substancial, porque, pelo projeto de Bolosonaro, deixaremos de receber o salário integral das servidoras e servidores da ativa.

    A participação de todas e todos, portanto é essencial para barrarmos o neoliberalismo no país e pela valorização da educação como área estratégica para o desenvolvimento nacional. Por esse entendimento, a CNTE marcou a Greve Geral da Educação (15 de maio) com objetivo de mostrar a disposição de resistência das professoras e professores da educação básica, ensino fundamental e médio.

    Nesse dia, a aula será de cidadania nas ruas de todo o país. As trabalhadoras e os trabalhadores da educação mostram a sua capacidade de luta numa voz unificada contra os cortes nessa área fundamental para a classe trabalhadora e para a nação. Queremos mais livros e menos armas, mais escolas e menos prisões, mais liberdade e menos perseguição. A escola deve ser democrática e inclusiva para transmitir conhecimento e com a comunidade construir o novo e dar perspectiva de vida e sonho para a juventude.

     

    Francisca Pereira da Rocha Seixas é secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da APEOESP e secretária de Saúde dos/as Trabalhadores/as em Educação da CNTE

  • As aulas estão próximas de recomeçar na rede pública estadual de São Paulo, mas os problemas enfrentados pelos quase 245 mil profissionais da Secretaria de Educação do estado mais rico do país se avolumam.

    Desde 1995 no poder, os sucessivos governos do PSDB vêm detonando a educação pública, desvalorizando o corpo docente e sucateando as mais de cinco mil escolas de ensino fundamental e médio do estado.

    A notar pela primeira resolução da Secretaria de Educação, publicada no Diário Oficial do Estado, na sexta-feira (18), as lutas do magistério paulista exigirão muita unidade e perseverança.

    Pelo artigo 2º, a resolução mostra como o governo Doria pretende sacrificar ainda mais o magistério estadual. “Para o atendimento prioritário aos alunos, em sala de aula, todos os docentes que se encontrem designados como vice-diretor de escola e professor coordenador, bem como os docentes que atuam na salas/ambientes de leitura ou professor mediador e comunitário deverão, em sua unidade escolar de exercício, reger classe ou ministrar aulas, livres e/ou em substituição, a título eventual, que se encontrem disponíveis em virtude de inexistência de docente, até que as mesmas sejam atribuídas”.

    Ele propõe uma sobrecarga de trabalho a esses profissionais, sem a menor preocupação com a qualidade do ensino. Tudo para suprir a lacuna deixada pela falta de concurso público para a efetivação de novos profissionais.

    Para maquiar o problema, o governador João Doria joga mais uma vez o peso da desvalorização da educação pública nas costas das professoras e professores.

    Quer garantir “o efetivo atendimento educacional aos alunos” sem oferecer as mínimas condições de trabalho e de estrutura para haver qualidade no ensino em todos os níveis.

    Mantém a sua marca de autoritarismo e pouco caso com a coisa pública. Com essa resolução os problemas aumentam, porque ninguém pode dar aulas de Matemática, Língua Portuguesa, História, Língua Estrangeira, por exemplo. Justamente porque cada um tem a sua formação numa disciplina específica.

    Isso num governo que vem fechando salas de aula sucessivamente – somente de 2015 a 2018 foram 9.300 salas a menos para atender a demanda da juventude que quer estudar.

    As conseqüências dessa “reorganização” diminuindo a oferta de salas são salas de aula superlotadas com até 50 alunos por turma, causando enorme prejuízo ao andamento dos trabalhos e consequentemente uma piora na qualidade.

    Para se somar a essa política de sucateamento, os prédios escolares necessitam de manutenção, faltam funcionários e há muito pouco material para o desenvolvimento do processo de ensino.

    O governado deve mostrar seu compromisso com a valorização dos profissionais da educação, dizendo ao Supremo Tribunal Federal que reúne condições de pagar os 10,15% de reajuste parado no STF pelo não pronunciamento do governo de São Paulo.

    O governo se preocupa com a quantidade de aulas, mas não menciona a qualidade do ensino em nenhum momento, indiferente à necessidade de uma educação pública de qualidade, Fundamental para o desenvolvimento do país e para a formação de cidadãs e cidadãos conscientes e capazes construirmos uma nação mais igual e justa.

    *Francisca Pereira da Rocha Seixas é secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp e Secretária de Saúde dos/as em Educação da CNTE.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) inicia sua campanha salarial com uma grande assembleia, a partir das 14h, na Praça da República, onde fica a sede da Secretaria Estadual de Educação, no centro da capital paulista.

    Os professores e as professoras reivindicam um aumento emergencial de 16,6%, para repor a inflação acumulada de 2 anos, período no qual os docentes paulistas estão sem nenhum reajuste. De acordo com a Apeoesp a defasagem salarial dos profissionais da educação está em pelo menos 75,33%.

    A assembleia também debaterá a efetivação do Plano Estadual de Educação, sobre a equiparação salarial dos docentes com outras categorias que tenham nível superior. Por isso, a implementação da Meta 17 está na pauta.

    Asssista protesto bem humorado de estudantes contra a Escola sem Partido em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo, ocorrida nesta quinta-feira (25): 

    Para Francisca Seixas, secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp, “essa assembleia marca o início de uma campanha que pode fortalecer a nossa luta em defesa de uma educação pública com mais qualidade no estado”.

    Exatamente por isso, depois da assembleia haverá apresentação do documentário “A Escola Toma Partido”, do cineasta Carlos Pronzato, com posterior debate sobre o projeto reacionário “Escola sem Partido”, que tramita no Congresso Nacional.

    a escola toma partido cartaz

    “Esse projeto agride todos os níveis de bom senso e de inteligência na educação”, destaca Seixas.

    Estarão no debate a Bebel (Maria Izabel Noronha), presidenta da Apeoesp; Angela Meyer, da direção executiva da União da Juventude Socialista; Madalena Guasco Peixoto, coordenadora-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino; Débora Goulart, professora doutora da Universidade Estadual Paulista e Carlos Pronzato.

    O debate também poderá contar com a presença da convidada de honra, Nita Freire, viúva e sucessora legal da obra do pedagogo Paulo Freire.

    Pronzato destaca o importante apoio da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil nesse filme, assim como na obra anterior "Acabou a Paz, Isto Aqui Vai Virar o Chile, Escolas Ocupadas em São Paulo".

    Serviço:

    A Escola Toma Partido

    Ficha Técnica:

    Direção, Produção e Roteiro: Carlos Pronzato
    Edição: Renato Bazan
    Câmera e Entrevistas: Carlos Pronzato
    Consultoria: Severino Honorato
    Assistência de Produção: Teo Cháves
    Pesquisa: Nil Azevedo
    Designer: Ricardo Malagoli
    Assessoria de Imprensa: Carola Beresi González
    Ano: 2016
    Duração: 50 minutos
    Realização: La Mestiza Audiovisual
    www.lamestizaaudiovisual.blogspot.com

    Sobre Carlos Pronzato

    Argentino residente no Brasil, Carlos Pronzato é poeta e cineasta dedicado especialmente a temas sociais e políticos. Suas obras audiovisuais e literárias destacam-se pelo compromisso com a cultura, a memória e com o protagonismo popular. Dentre seus mais de 50 documentários destacam-se "O Panelaço, a rebelião argentina", "Bolívia, a guerra do gás", "A Bahia de Euclides da Cunha”, "Buscando a Salvador Allende", "Carabina M2, uma arma americana, Che na Bolívia", “Madres de Plaza de Mayo, verdade, memória e justiça”, "Marighella, quem samba fica quem não samba vai embora", “A Rebelião dos Pinguins, estudantes chilenos contra o sistema”, "Pinheirnho, tiraram minha casa, tiraram minha vida", "Mapuches, um povo contra o Estado", "A partir de Agora, as Jornadas de Junho 2013", "Dívida Pública Brasileira, a Soberania na Corda Bamba". Entre outras importantes distinções recebeu, em 2008, o prêmio da Clacso (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais) e em 2009, na Itália, o prêmio Roberto Rossellini.

    Portal CTB

  • Ao comentar reportagem sobre a situação das escolas paulistas, feita pela rádio CBN, das Organizações Globo, Francisca Pereira da Rocha Seixas, secretária de Assuntos Educacionais e Culturais do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), assinala que a situação é de “total precariedade”.

    De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), um profissional da rede estadual paulista ganha em média, R$ 3,1 mil por mês, enquanto a média nacional das redes estaduais se aproxima dos R$ 3,4 mil mensais.

    E o piso salarial da categoria, em São Paulo, é de R$ 2,2 mil mensais, constatado pela reportagem, Francisca conta ainda que as escolas estão em “completo abandono, principalmente na periferia, onde a demanda por vagas é muito maior”.

    Ela questiona também como pode “o estado mais rico da nação pagar tão pouco às educadoras e educadores?” Outro problema muito grave, segundo a sindicalista, é a superlotação de salas.

    Logo após o vitorioso movimento de ocupação de escolas pelos estudantes secundaristas paulistas em 2014 e 2015, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) fechou 2,8 mil salas de aula no estado, segundo a Rede Escola Pública e Universidade.

    Para piorar a situação do magistério da rede pública estadual, os profissionais que têm jornada de 20 horas semanais recebem R$ 1,1 mil por mês. De acordo com a reportagem da CBN, Há vinte anos, o professor recebia entre cinco e seis salários mínimos. Hoje, não passa de dois. A inflação do período foi de 240%, mas o salário subiu cerca de 150%”.

    A reportagem cita um levantamento do Instituto Locomotiva, de 2016, mostrando que “mais de 50 mil professores do estado se afastaram por transtornos psíquicos”, sendo que, “metade deles já foi vítima de agressão verbal ou física”.

    O professor de Geografia, Gabriel Freitas conta que é obrigado a “tomar estabilizante de humor, antidepressivo e fazer psicoterapia para dar uma aliviada em toda essa carga”, por causa da jornada de trabalho exaustiva e ao grande numero de alunos.

    Francisca, que também é secretária de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), confirma que a sobrecarga de trabalho, os baixos salários e a violência a que as educadoras e educadores estão expostos, vem causando adoecimentos.

    Em 2017, a Apeoesp encomendou uma pesquisa ao Instituto Locomotiva. Pelo levantamento, 51% dos profissionais da educação pública estadual disseram já ter sido vítimas de violência física ou verbal.

    Segundo a Secretaria Estadual de Educação, existem 3,7 milhões de estudantes em São Paulo e 244,9 mil educadoras e educadores, em 5,4 mil escolas estaduais.  O problema, informa Francisca, é que “as escolas estão deterioradas, têm salas superlotadas e faltam profissionais, porque ninguém mais quer ser professor nessas condições precárias e o governo não realiza concursos”.  

    De acordo com a sindicalista, o governo contrata temporários para suprir a falta de profissionais concursados, mas “eles trabalham em situação ainda mais precária, sem os mesmos direitos dos profissionais efetivos”.

    O governo de São Paulo afirma que já pagou R$ 4 bilhões em bônus às educadoras e educadores e que negocia um reajuste de 10%. Mas, diz Francisca, “em 2017, conquistamos na justiça um aumento de 10,15% e o governo não pagou. Como confiar se nem o já conquistado nós recebemos?”

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Por Marcos Aurélio Ruy*

    No dia 17 de abril de 2016, um domingo, a Câmara dos Deputados, de maneira espalhafatosa, admitia o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Foram 367 votos favoráveis e 137 contra.

    A presidenta Dilma foi afastada, em 12 de maio, do cargo para o qual foi eleita, acusada de ter promovido as famosas “pedaladas fiscais”. O seu vice, Michel Temer assumiu interinamente, mas agiu como se fosse para ficar.

    Os discursos favoráveis ao afastamento de Dilma, alegavam votar “em nome de Deus”, muitos saltitaram pelo Sim “contra a corrupção”, o então deputado federal Jair Bolsonaro prestou homenagem a Brilhante Ustra, um dos mais pérfidos torturadores da ditadura (1964-1985) e o espetáculo de horror seguiu a noite toda até alcançar os 342 votos necessários para a aceitação do pedido de impedimento.

    Para a presidenta Dilma, “o principal objetivo do golpe foi o enquadramento do Brasil na agenda neoliberal, que, por quatro eleições presidenciais consecutivas havia sido derrotada nas urnas. Para tanto, uma das primeiras ações dos interessados no golpe foi a formação de uma oposição selvagem no Congresso. Seu objetivo era impedir o governo recém-reeleito de governar, criando uma grave crise fiscal”.

    O processo foi encaminhado ao Senado, que aprovou o afastamento em definitivo da presidenta no dia 31 de agosto. O golpe estava consumado. Começou o ataque ao movimento sindical e aos movimentos sociais, cortes no orçamento de setores estratégicos para o desenvolvimento soberano do país.

    “A implementação da agenda neoliberal começa a todo vapor e os dois anos de Temer na Presidência marcaram enormes retrocessos com cortes nas áreas sociais”, afirma Francisca Seixas, secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp - Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo.

    Francisca recorda que uma das primeiras medidas foi tirar a prioridade da Petrobras para a exploração do pré-sal e em seguida “tiraram a destinação dos royalties do pré-sal e do Fundo Social do Petróleo da educação e da saúde, com isso esses setores perderam bilhões de reais”, diz ela, que também é secretária de Saúde da Confederação Nacional dos/as Trabalhadores/as em Educação (CNTE).

    “Foram dois anos de uma volúpia contumaz da elite para cortar direitos”, analisa Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB. A reforma trabalhista (Lei 13.467) foi aprovada pelo Congresso em julho de 2017 e entrou em vigor em 11 de novembro daquele ano. “Essa lei representa o maior ataque à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) de toda a história e a classe trabalhadora viu importantes conquistas irem para o ralo”, acentua.

    Com amplo apoio do sistema financeiro nacional e internacional, da mídia comercial e de amplos setores da elite tupiniquim, o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro foi eleito em 2018.

    Em pouco mais de três meses no governo, ele acabou com a Política de Valorização do Salário Mínimo, proibiu a realização de concursos públicos, corta verbas da educação, promete acabar com o SUS e trabalha para a aprovação da reforma da previdência.

    “O golpe foi perpetrado em nome do combate à corrupção e todo dia se vê denúncias de corrupção dos integrantes do atual governo, mas pouco ou nada é feito”, ressalta Francisca. “Vivemos um Estado de exceção com total desrespeito à Constituição e aos direitos humanos.

     

    *Marcos Aurélio Ruy é jornalista