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Ter, Mar

censura

  • Artistas iniciam movimento contra a censura às artes. Assista aos vídeos!

    Artistas de todo o país e de diversas áreas se unem contra a censura liderada por setores reacionários da sociedade às expressões artísticas. A campanha está no ar na página do Facebook do movimento 342Artes.

    O primeiro ato público contra a censura ocorreu nesta segunda-feira (9), em Belo Horizonte. A exposição do artista mineiro Pedro Moraleida “Faça você mesmo sua Capela Sistina”. atraiu centenas de pessoas, inclusive, Caetano Veloso que faz show com os três filhos na capital mineira.

    Artistas contra a censura  

    Aliás, o compositor baiano é um dos ativistas em favor da cultura. Em uma entrevista disse que “esse negócio de MBL, sinceramente, só gente idiota acredita que aquilo é pra valer”. Em outro vídeo Caetano afirma que “a arte é uma forma de liberdade”.

    Diversos artistas acusam o MBL de estar a serviço do desgoverno Temer para desviar o foco da crise que se aprofunda e das inúmeras acusações de atos ilícitos que Temer vem sofrendo. Em diversos vídeos eu viralizam na internet, os artistas convocam a população a resistir.

    Preste atenção à fala de Fernanda Montenegro 

    Fernanda Montenegro, 87 anos, entra com tudo na campanha. “Tudo é cultura, inclusive a cultura da repressão”, diz a maior atriz brasileira. “Mas só há um tipo de cultura que realmente constrói um país, a cultura da liberdade”.
    Para a diva da dramaturgia, o país precisa sim de “educação com cultura e cultura com educação e liberdade. Não existe nação sem liberdade”. E Caetano complementa ao se ir no indignar em ter que “discutir no século 21, censura às artes”.

    “O Brasil quer se ver livre da Intolerância. As vozes que se levantam contra a censura e a difamação, são as que acreditam no respeito, na diversidade e no amor. Não aceitaremos que um falso moralismo, oportunista e eleitoreiro, contamine a sociedade para fortalecer os interesses políticos dos fundamentalistas”, diz texto de apresentação do movimento dos artistas.

    Entenda

    Tudo começou com o encerramento antecipado, pelo Santander Cultural da exposição “Queermuseu - Cartografia da Diferença na Arte Brasileira” por pressões do Movimento Brasil Livre (MBL). Os fascistas acusaram a exposição de incitar à “pedofilia” e “zoofilia”, porque havia uma parte LGBT na mostra e pinturas com nus.

    Caetano Veloso detona em entrevista 

    Recentemente foi a vez do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), da igreja Universal do Reino de Deus, vetar a exposição na capital fluminense. Com as mesmas absurdas acusações Crivella impediu que o Museu de Arte do Rio levasse a exposição para os cariocas.

    A reação dos artistas veio de imediato. Porque existe um “processo forte de criminalização da arte e dos artistas e que nós teremos que enfrentar com bastante veemência”, afirma Gaudêncio Fidélis, curador da exposição Queermuseu, que teve as obras censuradas expostas em Nova York recentemente.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Artistas protestam contra censura na Virada Cultural de Belo Horizonte

    “Fora Temer” e “Fora Lacerda” (prefeito de BH) foram as palavras de ordem mais mencionadas na quarta edição da Virada Cultural de Belo Horizonte. O fato ganhou maior dimensão devido à cláusula 8, pela qual a prefeitura quis proibir que os artistas se manifestassem politicamente.

    virada cultural bh fora globo

    “Fica terminantemente proibida, antes, durante e após a apresentação artística, qualquer manifestação e propaganda de cunho político-partidário, bem como placas, faixas, propagandas em geral, camisetas, citações”, diz a cláusula 8. A multa para quem desrespeitasse essa imposição seria a perda de até 100% do cachê.

    "Essa lei não existe, ela fere o 5º artigo da Constituição sobre Liberdade de Expressão”, disse o rapper mineiro Flávio Renegado, além de gritar “Fora Lacerda, Fora Temer”.

    Discurso de Flávio Renegado

     

    Já a secretária de Formação e Cultura da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Celia Arêas, criticou o prefeito Márcio Lacerda por impor essa cláusula contratual. “Essa atitude representa uma tentativa de censurar a expressão artística e cultural, o que é inadmissível”.

    Celina explica que a CTB defende a liberdade de pensamento e expressão e que a Constituição, promulgada em 1988, garante esse direito. “As artes podem desenvolver-se muito melhor com liberdade”, conclui.

    Segundo os organizadores, a virada deste ano contou com 500 atrações gratuitas, com espetáculos em toda a capital mineira, entre o sábado (9) e o domingo (10). Mas, mesmo com a proibição, diversos artistas ecoaram os gritos de “Fora Temer”, que vieram do público, além de faixas e cartazes.

    Criolo na Virada de BH

     

    Além de falar contra o golpe, o paulista Criolo denunciou a homofobia, o racismo e o machismo. “O povo brasileiro é lindo e maravilhoso”, disse. “Cada canção é uma oração para atingir um homem que faz documentos que faz vários dos nossos irmãos sofrerem”. Criolo, inclusive, vestiu uma camiseta de Goma, um dos pichadores presos em Belo Horizonte recentemente.

    Já o teatrólogo José Celso Martines Correa, o Zé Celso, ao seu estilo contundente interagiu com a plateia que gritava "ei, Lacerda, seu governo é uma merda", durante a apresentação da sua peça “Para Dar um Fim no Juízo de Deus”, no Teatro do Sesc Palladium.

    Zé Celso disse ao jornal “O Tempo” que "nos momentos de crise e golpe, o artista tem que falar ao inconsciente. E o inconsciente é insurrecional". Também mostrou sua veia revolucionária ao querer que a Virada de BH virasse "pelo avesso".

    Apresentação de Zé Celso

     

     

    Renegado fez um discurso inflamado ao afirmar que “A periferia hoje discute política sim”. E mais adiante falou: “não vão calar a voz do povo”. O cantor usou uma camiseta escrito “Fora Temer” nas costas e “cláusula 8” na frente, em protesto contra a proibição.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy, com informações do jornal O Tempo

  • Bolsonaro ampliará financiamento de mídia alinhada com extrema direita

    Confirmando a sinalização dada ainda durante a campanha eleitoral, o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) confirmou que fará redução drástica na distribuição de verbas publicitárias direcionadas ao veículos de comunicação tradicionais, alguns deles que, inclusive, apoiaram a sua eleição.

    A decisão segue o modelo inaugurado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que quando eleito passou a privilegiar sites, blogs e ações nas redes sociais alinhados à extrema direita no EUA.

    De acordo com informações da coluna do jornalista Lauro Jardim, de diário O Globo, haverá "uma desidratação do montante hoje empregado para anúncios em jornais, revistas, TVs e rádios", mas "serão mantidos os patamares atuais para sites e será mantido ou ampliado o gasto com redes sociais". 

    Ministério

    Para comandar a Secretaria de Comunicação Social (Secom) ao longo de seu governo, Bolsonaro indicou o general da reserva Floriano Peixoto Vieira Neto. Entre suas atribuições estão a administração das relações com a mídia e revisão dos contratos de publicidade vigentes.

    Portal CTB - Com informações do O Globo

  • Chico Buarque é censurado pelo jornal O Globo ao comentar a condenação de Lula

    Acostumado a enfrentar a censura da ditadura civil-militar (1964-1985), o cantor, compositor e escritor Chico Buarque foi censurado pelo jornal O Globo, da família Marinho. A assessoria do artista conta que a redação do diário carioca encomendou uma declaração de Chico sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo juiz Sergio Moro.

    Ironicamente, Chico enviou por e-mail a frase “O Globo faz a diferença” e acrescentou “quero que publiquem”. Os editores entenderam o recado. Não publicaram a frase do artista por perceber a alusão feita ao prêmio anual “Quem faz diferença”, do jornal dos Marinho.

    Isso porque em 2015, o juiz curitibano de primeira instância ganhou como a Personalidade do Ano, justamente por seu trabalho na operação Lava Jato. Com essa fina ironia Chico Buarque condena a atuação de Moro e de O Globo, totalmente partidários contra o ex-presidente.

    A declaração de Chico sairia publicada nesta sexta-feira (14), juntamente com as de Beth Carvalho, Zé Celso, Kleber Mendonça Filho e Silvia Buarque, entre outros. “Um absurdo que isso aconteça nesse mesmo momento em que perdemos as conquistas de Getúlio Vargas para os trabalhadores. Lula foi condenado sem provas, não querem que ele seja candidato a presidente, sabem que ele vai ganhar a eleição”, diz a cantora Beth Carvalho.

    Um recado de Chico Buarque a ditadores de plantão: 

    Já o cineasta Kleber Mendonça Filho, afirma ser “uma vergonha, mais uma num país que desrespeita cada vez mais a cidadania”. Enquanto o teatrólogo José Celso Martinez Correa afirma que “para realizar seu grande sonho – ou melhor, seu marketing –, Moro decreta a prisão de Lula, justamente quando é julgado o Fora Temer, e a maioria do povo brasileiro quer Diretas Já”.

    O cineasta Luiz Carlos Barreto também critica o fato de Moro ter declarado a sentença no dia seguinte à aprovação da reforma trabalhista, que já configura um golpe muito duro contra o povo brasileiro. “No dia seguinte em que se aprova a reforma trabalhista, que fez o Brasil regressar à era pré-Revolução Industrial da Inglaterra, condenar sem provas o maior líder popular do país é um complô de agitação para jogar o Brasil numa convulsão social”.

    Para a atriz Silvia Buarque, filha de Chico, “é uma condenação que já estava prevista por conta do golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência”.

    O jornal O Globo tentou mostrar “isenção” ouvindo artistas que condenam o modus operandi do juiz Sergio Moro, mas a sagacidade de Chico Buarque, mais uma vez desmontou essa farsa.

    Durante a outra ditadura Chico inventou muitas maneiras de enganar a censura e denunciá-la, agora denuncia a censura de quem vive falando em “liberdade de expressão”, quando o assunto é democratização dos meios de comunicação.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com Brasil 247, O Cafezinho, Portal Vermelho e O Globo. Foto: Mídia Ninja

  • Facebook censura página de Fernando Morais, que é contra o impeachment

    O jornalista e escritor Fernando Morais teve sua página do Facebook bloqueada na noite em que ocorria a votação da admissibilidade do pedido de impedimento da presidenta Dilma pela Câmara dos Deputados no domingo (17).

    Veja a página de Fernando Morais aqui.

    “A censura imposta desde domingo à noite ao ‘foicebook’ foi suspensa há poucos minutos”, escreveu Morais em sua página da rede social hoje (18). Ele afirma ainda que “um diretor do Facebook me ligou para informar que a censura tinha sido imposta a partir de uma denúncia de postagem de nudez”.

    Por isso, cresce a suspeita de que grupos defensores do impeachment tenham organizado uma onda de denúncias contra Morais e, quando isso acontece, a pessoa fica impedida de mexer em suas publicações por 30 dias.

    Tudo porque o funcionamento do Facebook se dá por algorítmos e, portanto, não se individualiza e não se dá chance de defesa aos denunciados. Então, com um certo número denunciantes a página fica suspensa para averiguações, segundo a rede social.

    O ativismo político e as ideias comunistas podem ter influenciado o bloqueio pela rede social de Mark Zuckerberg. Além disso, Morais acompanha o ex-presidente Lula em suas palestras para escrever um livro e tem sido voz constante nos atos contra o impeachment de Dilma.

    De acordo com o escritor, a revogação de sua pena aconteceu depois de interferência de Keffin Gracher, responsável pela comunicação digital do governo federal. “A revogação da censura é, estou certo, resultado da gritaria feita aqui mesmo, no Facebook”, reforça em sua página já de volta.

    Autor de importantes livros como “A Ilha” (1976), “Olga'' (1985), “Chatô: o Rei do Brasil'' (1994), “Corações Sujos” (2000) e “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” (2011), Morais se diz “ de novo, um branco forro”, alforriado para exercer o que sabe fazer bem: escrever. E além disso, denunciar as mazelas de golpistas de plantão.

    Ele reclama do ocorrido: “O episódio encheu muito o meu saco”. Além de relatar que conviveu com a censura "da noite de 13 de dezembro de 1968, quando foi editado o Ato-5, até o dia 2 de junho de 1976, quando os censores deixaram as redações da grande imprensa”.

    Assim, acentua que “não tenho mais idade nem paciência para censor. Para evitar novos dissabores talvez eu tenha que seguir o conselho de amigos e começar a migrar do Facebook para um blog”.

    E para que ninguém se esqueça, ele conclui, bem ao seu estilo, o texto com um PS: “Só para não esquecer. A família Marinho e as Organizações Globo são inimigas do Brasil e dos brasileiros e assim devem ser tratadas”.

    Bruno Torturra também é bloqueado

    Contrário ao impeachment da presidenta Dilma, o jornalista Bruno Torturra também teve sua página nessa rede social suspensa por “suspeita de ser uma conta falsa”. Torturra teve mais sorte que Morais, sua conta foi liberada no mesmo dia.

    A página de Torturra aqui.

    Ele reclama de não ter sido “consultado previamente” e acha errado isso ocorrer “sem a chance de defesa prévia” porque “essa dinâmica protege caluniadores”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Fenaj entrará com ação contra censura prévia da Globo a jornalistas

    Sindicatos e associações de profissionais consideram que, por proibir a jornalistas da casa quaisquer manifestações em seus perfis pessoais nas redes sociais que possam "comprometer a percepção" de que o Grupo Globo é "isento", é um tipo de cerceamento da liberdade de expressão.

    A atualização aos Princípios Editoriais da empresa, divulgados pela primeira vez em 2011, ocorreu por meio de uma carta do presidente do Conselho Editorial do Grupo, João Roberto Marinho. No documento, Marinho justificou as diretrizes como necessárias para evitar que a isenção da profissão seja comprometida, ou a imagem da empresa, manchada.

    Entre as diretrizes, por exemplo, estão a proibição de compartilhar mensagens que revelem posicionamentos políticos, partidários ou ideológicos, até mesmo em mensagens privadas no Whatsapp; de curtir postagens realizadas por figuras políticas; e até mesmo de criticar publicamente marcas ou produtos, como hotéis e restaurantes.

    Por fim, as diretrizes estabelecem que, em caso de dúvida, a única solução para o jornalista é "consultar sua chefia".

    Censura prévia

    Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) destacou que repudia a ação do Grupo Globo, por afrontar os direitos e garantias fundamentais da Constituição Federal referentes à liberdade de manifestação de pensamento.

    "Ao impor as novas 'diretrizes', o Grupo Globo amordaça os seus profissionais, estabelecendo a censura prévia. As 'diretrizes' aparecem como 'recomendações', mas fica evidente que quem não segui-las será responsabilizado e sofrerá consequências", destaca o texto.

    De acordo com Maria José Braga, presidenta da Fenaj, a assessoria jurídica da organização já está produzindo uma ação para apresentar ao Ministério Público e à Procuradoria Geral do Trabalho.

    "A Constituição Brasileira preza pela democracia e pelas liberdades individuais e coletivas, asseguradas inclusive nas cláusulas pétreas. Então as empresas têm que observar esses direitos antes de baixarem suas normas. Seus trabalhadores são, antes de mais nada, cidadãos brasileiros", ressaltou.

    Para Marcos Urupá, coordenador do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social, ao estabelecer tais diretrizes, o Grupo Globo cria uma confusão entre a vida profissional e privada dos jornalistas.

    "O profissional jornalista, regido pelo seu próprio código de ética, já tem o compromisso de divulgar com máxima precisão, objetividade e apuração os fatos narrados e apurados jornalisticamente. Isso não se confunde com a opinião privada do profissional. Compreendemos que essa posição é completamente equivocada, não se aplica às atuais estruturas sociais com acesso à internet e conexões móveis. É uma contradição com o atual mundo que vivemos e uma penalização do profissional que não tem nada a ver com o que a empresa pensa", disse.

    Tendência

    Nos últimos tempos, diretrizes do tipo vêm sendo colocadas por outros veículos de imprensa. Em outubro do ano passado, o jornal Folha de S.Paulo divulgou um código de normas que foi acrescentado ao Manual da Redação, afirmando que revelar preferências partidárias ou futebolística e escolher lados em situações "controversas" "tende a reduzir a credibilidade do jornalista e da Folha".

    O comunicado da Folha foi divulgado logo após a demissão do jornalista Diego Bargas, por ter realizado "perguntas inconvenientes" ao apresentador Danilo Gentili em uma entrevista, e, logo em seguida, ter sido perseguido pelos fãs de Gentili nas redes sociais por conta de seus posicionamentos políticos.

    Em dezembro de 2017, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) também aprovou um código de conduta que dita regras que vão desde como os funcionários devem se vestir até a forma como devem se comportar em seus perfis nas redes sociais, e foram duramente criticadas pelos seus funcionários.

    Segundo Gésio Passos, Coordenador Geral do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e Funcionário da EBC, a empresa tem realizado uma perseguição política dos funcionários que divergem de nova linha editorial imposta pelo governo golpista de Michel Temer (MDB).

    "A EBC tenta castrar seus empregados a partir de punições mas ela, de fato, sem um processo administrativo, não pode demitir os empregados. Não chega a esse cúmulo que a Globo está fazendo. Lá, a tentativa de censurar os jornalistas faz parte de uma nova política da empresa de impedir que os empregados tenham opiniões diversas de sua linha editorial, e com isso, criando polêmica sobre sua própria cobertura que ela afirma ser isenta, e a gente sabe que não é, como a de nenhum veículo", destacou.

    Maria José Braga destacou também situações em que ações sindicais foram bem sucedidas contra veículos que tentaram cercear a liberdade de seus empregados. Foi o caso do jornal O Povo de Ceará, que recebeu um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público do Trabalho (MPT), durante as eleições de 2016, após colocar diretrizes para o comportamento de seus jornalistas.

    "Não é a primeira vez que isso ocorre nem uma exclusividade do Grupo Globo, mas o que chamou a atenção nesse caso é que as restrições são muito amplas, e são colocadas para a vida privada de um jornalista. Nunca tinha havido uma restrição tão grande", pontuou.

    Procurada, a assessoria de imprensa do Grupo Globo afirmou que não conseguiria responder às denúncias até a publicação desta reportagem.

    Fonte: Brasil de Fato, por Júlia Dolce

  • Folha de S.Paulo pede investigação às ameaças feitas a jornalistas por Bolsonaro

    O jornal Folha de S.Paulo fez uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedindo que a Polícia Federal investigue ameaças feitas a três de seus jornalistas e um diretor por causa da reportagem que revelou a doação de empresários para a campanha do candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, para a disseminação de milhões de notícias falsas (fake News) pelo aplicativo WhatsApp ainda no primeiro turno das eleições.

    Para o jornal paulista, há "indícios de uma ação orquestrada com tentativa de constranger a liberdade de imprensa". Segundo a direção da Folha, depois da publicação da reportagem da jornalista Patrícia Campos Mello, na quinta-feira (18), um dos números de WhatsApp do jornal recebeu mais de 220 mil mensagens, por meio de mais de 50 mil contas do aplicativo.

    Inclusive, o WhatsApp de Patrícia foi hackeado. Parte das mensagens mais recentes dela foi apagada e mensagens pró-Bolsonaro foram disparadas para alguns dos contatos da agenda telefônica da jornalista.

    Muitas mensagens ameaçando Patrícia e seus colegas Wálter Nunes e Joana Cunha, que colaboraram com a reportagem. O diretor-executivo do Datafolha, Mauro Paulino, também recebeu ameaças pelo Messenger e em sua residência. 

    Saiba sobre a reportagem da Folha que provovou a ira dos Bolsonaro aqui.

    A brutalidade de seguidores de Bolsonaro já causa inúmeras vítimas. As notícias se espalham pelo mundo e o candidato cai nas pesquisas. Emmanuel Colombié, diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na América Latina, afirmou que "os ataques do candidato Jair Bolsonaro e de seus apoiadores  contra o jornal Folha de S.Paulo são inaceitáveis e indignos de um partido que pretende governar o país".

    Para Raimunda Gomes, Doquinha, secretária de Comunicação da CTB, “o candidato insufla o ódio com seus discursos beligerantes”. Isso porque no domingo (21), em São Paulo, Bolsonaro disse que vai varrer o país das pessoas que não concordam com ele. Qualquer semelhança com Hitler não é mera coincidência.

    O editorial do jornal Valor Econômico desta quarta-feira (24) também repudia a ação dos seguidores do candidato que afirmou recentemente que vai exterminar quem pensa diferente dele.

    Para o Valor a ação dos extremistas e o discurso de Bolsonaro “lembra a utilizada pela ditadura militar, defendida pelo candidato do PSL ao longo de seus obscuros 27 anos de mandato como deputado federal”.

    O candidato que não comparece a debates porque tem medo do contraditório, de acordo com o jornal destinado a empresários, “hostilizou e ameaçou vários órgãos de imprensa e no domingo (21) nomeou a Folha de S.Paulo como fonte de fake news, indigna de receber verbas da publicidade oficial”.

    O editorial afirma ainda que “Bolsonaro tem pouco apreço pela democracia, como demonstrou em seguidos discursos públicos a favor da ditadura e da tortura. As instituições democráticas, construídas após 21 anos dessa ditadura, poderão ser tensionadas se Bolsonaro for eleito e governar com o mesmo espírito com que disputou as eleições”.

    Doquinha reforça a necessidade de união de todas as forças democráticas para virar o voto nesta eleição e espantar essa ameaça ao país. “Todos juntos por Haddad para até poder criticar o seu governo depois se julgar necessário”. 

    Portal CTB

  • Renata Mielli: a censura a serviço do adestramento social

    “Não escute o mal, não fale o mal, não veja o mal.” Arte de Keith Haring

    Um dos dispositivos mais efetivos para exercer controle sobre a sociedade é o cerceamento à liberdade de expressão.

    A restrição das manifestações culturais, das ideias, opiniões e informações que circulam na sociedade pode se dar de várias formas: pela concentração dos meios de comunicação na mão de grupos que compartilham dos mesmos valores e interesses, pelo ocultamento das divergências, das lutas e expressões culturais, pelo uso da violência para impedir a livre manifestação do pensamento, pela censura jornalística e cultural, pela perseguição ideológica.

    Todos estes elementos estão presentes na sociedade moderna, em alguns momentos de forma mais latente, em outros de forma mais explícita, a depender do contexto político de cada período histórico.

    A construção de uma sociedade democrática é a busca de um equilíbrio entre as várias estruturas de poder nela existentes: mídia, judiciário, economia, política, cultura, religião.

    A convivência racional entre estas esferas da sociedade – na busca de uma harmonia entre as diferenças, que se chocam dentro de um relativo contexto de respeito e tolerância – é o que permite o Estado Democrático de Direito e, consequentemente, a vigência da democracia.

    No entanto, quando por motivos econômicos e políticos esse equilíbrio é desfeito, quando uma ou mais destas estruturas de poder passa a se sobrepor ou determinar as regras sociais, a democracia se vê ameaçada. A quebra deste equilíbrio, que antes se dava pela força bruta, agora se dá através de instrumentos aparentemente democráticos para lhe conferir uma legitimação.

    E é exatamente esta situação que o Brasil vive hoje. O sistema da Justiça e a mídia passaram a atuar de uma forma mais aberta para deslocar o equilíbrio social, usando um das competências jurídicas, e outro do monopólio do discurso para interromper um processo político e social que vinha sendo construído no país.

    Essa construção se dava pela escolha livre e soberana dos governantes, pelos instrumentos de participação social criados para garantir que a sociedade pudesse contribuir com a construção de políticas públicas e com a ampliação, mesmo que precária, do debate público.

    Nesse processo, Justiça e Mídia criam um ambiente de supressão de direitos, mesmo que sob a forma de defesa destes, que levam à restrição da democracia.

    Isso é fundamental para controlar a reação da sociedade às medidas de retirada de direitos sociais, trabalhistas, de desmantelamento do Estado, com as privatizações e a desnacionalização da economia.

    Neste ambiente, a liberdade de expressão é um dos primeiros direitos a serem comprometidos. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) tem alertado, desde o golpe que tirou Dilma Rousseff da Presidência da República, para o preocupante aumento nos casos de violações à liberdade de expressão.

    Percebendo que num contexto de ruptura da soberania do voto popular, o governo que assume o país não têm qualquer compromisso com os interesses sociais e há inevitavelmente uma suspensão da democracia, o FNDC lançou em outubro de 2016 a campanha Calar Jamais!, para receber e dar visibilidade às denúncias de violações à liberdade de expressão.

    Em um ano de campanha, divulgamos mais de 70 casos de violações. Praticamente uma denúncia a cada três dias úteis entre 18 de outubro de 2016 a 18 de outubro de 2017. Estes casos são alguns dos que foram noticiados, denúncias e dos quais a sociedade pôde, de alguma maneira, tomar conhecimento. Mas não seria demais afirmar que possivelmente mais de uma centena de outros casos devem ter ocorrido e, dos quais, não tomamos conhecimento.

    Esse quadro mostra que, sem um Estado garantidor de direitos, a democracia fica asfixiada. E este quadro não poderia ser diferente, uma vez que o aparato público está a serviço da supressão de direitos para impôr uma agenda política e econômica que representa os interesses de uma minoria contra a ampla maioria do povo.
    Nestes momentos, ganham mais espaço exatamente as agendas conservadoras, que são em sua essência punitivistas e cerceadoras das liberdades. O que temos visto no campo da Cultura, com os ataques à exposições em museus, o discurso moralista contra o corpo e sua representação, a discussão da “Escola Sem Partido” e o exacerbamento dos preconceitos é fruto deste desarrajo na harmonia entre as estruturas de poder.

    Essas posturas não se dão por acaso. Elas são conscientemente construídas para dar um sentido cultural e social para o período de restrição democrática. Não são as “carolas” que precisamos combater para enfrentar esse quadro de cerceamento das liberdades, é o discurso organizado das estruturas de poder que querem impôr um modelo político, econômico e social.

    A questão que precisamos enfrentar é que a supressão de direitos fundamentais – entre os quais a liberdade de expressão – se dá a partir de instrumentos aparentemente legais e de proteção.

    Afinal, o ataque à Cultura está se dando pelo discurso de que é preciso “proteger a infância”, a repressão aos protestos se dá pelo viés da manutenção da ordem (lema autoritário resgatado pelo presidente imposto), a censura contra comunicadores, jornalistas e veículos de comunicação se dá pelo argumento do combate à injúria, calúnia e difamação, e assim vai se construindo uma simbologia legal e socialmente aceitável para atacar a democracia e os direitos.

    Para enfrentar este cenário é preciso muita luta, denúncia e diálogo. Insurgência social para reestabelecer o interesse público, para retomar nas mãos do povo os mínimos instrumentos de democracia formal. Denúncia das violações aos direitos fundamentais.

    Precisamos usar todos os canais existentes para denunciar as violações à liberdade de expressão, para mostrar para o mundo os retrocessos civilizatórios que estão impondo à sociedade – retorno do trabalho escravo, perseguição a cultura e à educação, impedimento do livre exercício do pensamento, livre circulação de ideias, opiniões e informação na sociedade. E diálogo com o povo. O povo precisa sair da hipnose catártica em que está imerso, precisamos discutir com as pessoas, das mais simples as mais ilustradas, o sentido dos movimentos conservadores e das ações do governo.

    O FNDC, além de sua luta histórica pela democratização da comunicação, busca dar a sua contribuição neste momento através da Calar Jamais!. Reunimos em um relatório – divulgado no último dia 17 de outubro, em Salvador, nos marcos das atividades da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação – 66 casos de violações à liberdade de expressão recebidas pela campanha no último ano.

    Como diz a apresentação do relatório, o objetivo do FNDC foi “transformar estatísticas em pessoas, olhar caso a caso os abusos e as violações que tomaram conta do nosso país no esteio do avanço do conservadorismo e da negação de direitos constitucionais conquistados com muita luta há 30 anos”.

    Dar voz aos Eduardos, Matheus, Edvaldos, Caios, Madalenas, Teresas, Alessandras, Reinaldos e, a partir desses casos, tentar impedir que essa escalada de violações continue no nosso país.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Colunista da Mídia Ninja às quintas-feiras.

  • Um Trem de Alegria contra a censura da ditadura

    Censura. No dicionário censura é: 1.ato ou efeito de censurar. 2. análise, feita por censor, de trabalhos artísticos, informativos etc., ger. com base em critérios morais ou políticos, para julgar a conveniência de sua liberação à exibição pública, publicação ou divulgação.

    Com esse substantivo explicado, vamos ao tema central do texto, o documentário “Trem da Alegria – Arte, Futebol e Ofício”, com direção de Francis Vale.

    Com pouco mais de 80 minutos o filme conta a história da equipe de futebol idealizada por Afonso Celso Garcia Reis, o ex-jogador de futebol, Afonsinho, 69 anos de idade. O nome, Trem da Alegria, segundo o próprio Afonsinho, neto de ferroviários que hoje é médico na Ilha de Paquetá no Rio de Janeiro, é uma homenagem à Garrincha, a “alegria do povo”. O time misturava músicos, jogadores profissionais (muitas vezes sem clube), “atletas de fim de semana”, poetas e quem mais se aproximasse com disposição para compor o elenco do Trem.

    Era futebol com música ou música com futebol? A pergunta não precisa ter resposta. Fato é que a mistura deu certo e os que puderam participar afirmam por mais de uma vez durante o filme que aquele foi o “melhor momento de suas vidas”, embora os tempos fossem difíceis. O diretor Francis Vale conta que “Afonso começou a agregar vários jogadores. Ou porque não tinha clube ou porque estavam em fim de carreira, isso incluiu também o Garrincha”.

    A ideia surgiu em 1975, a partir de um show com direito a partida de futebol disputada na USP. Paulinho da Viola conta com detalhes sobre esse evento durante o documentário. Mas a equipe só estreou mesmo com o nome de Trem da Alegria no dia primeiro de maio de 1976, em um jogo organizado por uma Usina em Sertãozinho (interior de São Paulo), e a partir dai começam a rodar o Brasil.

    “Era um momento em que estava tudo disperso por conta da ditadura, todo mundo com medo de se aproximar, o time funcionou como um aglutinador. A experiência do Trem deixa essa mensagem de se agregar, de se juntar, para de alguma forma resistir à opressão”, relembra Vale, e continua, “em relação à política não existia uma coisa explícita, estávamos na ditadura, mas aparecia nos papos que rolavam na mesa do bar, depois dos jogos”.

    Fagner, Moraes Moreira, Paulinho da Viola, Gonzaguinha, todos eles jogaram bola com a camisa do time. Afonsinho, Ney Conceição (que também atuou no Botafogo-RJ) e até o Garrincha, todos eles também tentaram arranhar algum instrumento antes e depois das partidas. Registros? Quase nada, a repetição de poucas fotos e recortes de jornal durante o documentário parecem reforçar a todo momento a sombra da censura dos anos de chumbo que pairava sobre a aparente liberdade dos que participavam do Trem da Alegria. “Até o João Gilberto andou por ali”, comenta Francis.

    A participação de um dos maiores jogadores de todos os tempos, Garrincha, chama atenção, e sobre isso o diretor conta que “juntou um pessoal e foram lá chamar o Garrincha na casa dele pra ser o técnico, e ai ele falou: 'técnico não, eu quero jogar, a camisa 7 é minha' e lá foi ele jogar”. Sobre a organização, um certo improviso é mantido desde o início das atividades, “o Trem, que tem o hino composto pelo João Nogueira, até hoje não tem nenhuma ata, não tem diretoria não tem nada, o Afonso pegava a agenda ligava para quatro pessoas, que ligavam pra mais quatro e de repente estava formado o time”, recorda Francis.

    “O filme busca trazer à tona a discussão sobre a estrutura do futebol, temos a herança da ditadura ainda muito presente no futebol brasileiro. Ainda são os mesmos dirigentes, foram buscar um presidente militar para a CBF durante a Copa”, aponta Francis Vale.

    O diretor ainda comenta que muitas iniciativas dentro do futebol tiveram influência do projeto de Afonsinho, como por exemplo “o movimento do Sócrates no Corinthians, a Democracia Corintiana”. Não por acaso, após a morte do ex-jogador e também médico, Sócrates, Afonsinho substituiu o “doutor” como colunista na revista Carta Capital.

    O documentário será exibido na 40ª Mostra de Cinema de São Paulo desse ano na próxima segunda-feira (31), às 15 horas no Cinesesc, localizado na Rua Augusta.

    E para quem quiser conferir pessoalmente e jogar uma partida com o Trem da Alegria, Francis dá a dica “no dia primeiro de maio, todos os anos, tem uma festa lá em Paquetá”. Em tempos de luta pela democracia, o Trem continua a rodar!

    Fonte: Portal Vermelho, por Thiago Cassis, jornalista e coordenador do Coletivo Futebol, Mídia e Democracia do Barão de Itararé