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23
Sáb, Mar

Chico Buarque

  • “Quem manipula a mídia que manipula a gente?”, questiona o músico Criolo

    Antes de subir no palco de uma casa de shows em Londres, Inglaterra, o cantor e compositor Criolo deu entrevista ao repórter Thiago Guimarães, da BBC Brasil. O músico não teve papas na língua sobre o momento político vivenciado no país.

    Ele afirma que “cada corrupto que se dá bem é um moleque da minha quebrada que é assassinado, que se envolve com o que não tem que se envolver. Quando morre um, ninguém está lá com a mãe, descendo o caixão para a vala”.

    O secretário da Juventude Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Vítor Espinoza concorda com o músico. “Cada corrupto que bem-sucedido, tira dinheiro da educação pública ao mesmo tempo em que o político corrupto faz leis para reprimir os jovens pobres, negros e moradores da periferia”, acentua.

    Ouça o CD "Nó na Orelha" completo:

     

    Para o rapper, as manobras em votações importantes feitas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mostra que essa gente é capaz “de tudo para proteger seus interesses, até parar o país e fazer com que as pessoas se matem na rua".

    Em referência ao clima de ódio, discriminação e violência desencadeado pela falta de compromisso da mídia comercial com a verdade dos fatos. Para ele, “A questão não é limpar o país da corrupção”. Porque Cunha “é o primeiro parlamentar citado na Lava Jato", afirma.

    "Um ambiente de ódio, de rancor, tão absurdo que as pessoas passam por cima e parece que não estão vendo uma construção de fortalecimento, que algumas pessoas sugerem, de homofobia, xenofobia, racismo, de achar normal esse abismo social que a gente vive", diz Criolo.

    De acordo com ele, "a gente fala que a mídia manipula, mas quem manipula a mídia que manipula a gente? Vamos falar de impeachment, mas (qual) o porquê real desse impeachment e de todas as pessoas que estão gritando contra a corrupção? O que andaram fazendo e agora vêm com essa?"

    Ele fala ainda que "eles criam um monte de situação, vedam nossos olhos para eles mandarem cada vez mais”.

    Já Espinoza lembra que “a juventude está sendo assassinada por uma polícia branca, elitista que visa proteger somente o capital em detrimento da vida das pessoas”. Para ele, a corrupção tira dinheiro das “políticas de inclusão da juventude no mercado de trabalho em boas condições de trabalho e de vida”.

    Além de “faltarem políticas públicas que possibilitem acesso à cultura, ao esporte, ao lazer, que juntamente com a educação contribuem para o desenvolvimento pleno dos jovens para garantir-lhes um futuro mais digno”, reforça.

    Criolo questiona o processo de impeachment em andamento. "Se o interesse é acabar com a corrupção, quantos por cento das pessoas que participaram daquela votação deveriam estar na cadeia?” É necessário refletir sobre “quais são os porquês dessa situação".

    Mas o compositor encerra a entrevista à BBC com um voto de fé. "Essa fé no ser humano, essa fé nas coisas boas, essa fé em quem quer de verdade algo bom, isso não pode morrer, cara, isso tem que ser fortalecido a cada momento".

    Saiba um pouco mais sobre Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo

    Filho de cearenses e criado na zona sul de São Paulo, iniciou a carreira como rapper em 1989 com o nome artístico Criolo Doido. Apesar de anos de estrada, somente em 2006, conseguiu gravar o álbum “Ainda Há Tempo” e fundou a Rinha dos MC's.

    Ouça a versão de Cálice feita por Criolo:

     

    Seu segundo álbum, “Nó na Orelha” só foi lançado em 2011, gratuitamente pela internet. No mesmo ano, tirou o sobrenome artístico Doido e ficou somente Criolo. Outra novidade foi a miscelânea de sons, misturando rap com MPB, samba, forró, entre outros gêneros. Em 2013, gravou uma nova versão de “Cálice” (Chico Buarque e Gilberto Gil) e ganhou aplausos dos autores.

    Leia a entrevista inteira aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • #DemocraciaSim: artistas, empresários e intelectuais assinam manifesto contra Bolsonaro

    Contra o fascismo, pessoas de pensamentos completamente diferentes assinam o manifesto “Pela democracia, pelo Brasil”. O documento foi divulgado neste domingo (23) e já conta com centenas de assinaturas de importantes representantes da cultura e do empresariado brasileiro. Todos contra o candidato fascista, Jair Bolsonaro.

    "É um chamado para quem vota em quem quer que seja, mas está dentro do campo democrático", diz à Rede Brasil Atual, o advogado José Marcelo Zacchi. Para ele, é fundamental que todos se unam para “repudiar um projeto que nos parece contrário aos princípios democráticos”.

    Já assinam o manifesto: Chico Buarque, Caetano Veloso, Patrícia Pillar, Camila Pitanga, Fernanda Torres, Arnaldo Antunes, Wagner Moura, Gregório Duvivier, Antonio Nobre, Alice Braga, Andreia Horta, Mano Brown, Ana Mozer, Walter Casagrande Júnior, Juca Kfouri, Luiz Felipe Alencastro, Lilia Schwarcz, Maria Victória Benevides, Esther Solano, Milton Hatoum, Fernando Morais, Renato Janine Ribeiro, Laerte, Clemente Ganz Lucio, Maria Alice Setúbal, Bernard Appy e Andrea Calabi, Guilherme Leal e Drauzio Varella, entre muitos outros.

    “Vivemos um momento delicado na história do país”, diz Vânia Marques Pinto, secretária da Políticas Sociais da CTB. “Devemos nos unir às manifestações das mulheres contra o ódio e a violência, neste sábado (29) e dar um chega pra lá no machismo e no autoritarismo”.

    Ganha força a hashtag #EleNão para “impedir o crescimento das ideias propaladas pelo candidato que votou a favor da reforma trabalhista e pretende acabar com a aposentadoria”, define Vânia. “Ele pretende aprofundar ainda mais as maldades feitas por Michel Temer e acabar com a educação pública e com o SUS (Sistema Único de Saúde)”.

    Trecho do manifesto afirma: “É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós”.

    Assine o manifesto “Pela democracia, pelo Brasil” você também aqui.

    Portal CTB. Foto: Mais Goiás

  • #EleNão: artistas convocam a população a lotar as ruas neste sábado (29) pelo direito de viver em paz

    Não dá mais par segurar. As mulheres tomaram conta da política nesta eleição. O movimento feminista assumiu a oposição ao candidato Jair Bolsonaro e suas propostas fascistas.

    “A campanha do #EleNão ganhou uma dimensão gigantesca porque as mulheres entenderam que a hora é agora para barrar o avanço das propostas contra os interesses do país e do povo brasileiro”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Letícia Sabatella, Daniela Mercury, Anitta, Linniker, Chay Suede, Pabllo Vittar, Carolina Abras, Maria Ribeiro, Bete Carvalho, Teresa Cristina, Bruna Linzmeyer, MC Carol, Camila Pitanga, Caetano Veloso, Chico Buarque e muitos outros artistas dizem #EleNão.

    A cantora paraense Júlia Passos deu a sua contribuição gravando um dos hinos do movimento; confira o talento

    O movimento começou pelas redes sociais na internet, principalmente com a página Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que na sexta-feira (14) foi invadida por hackers bolsonaristas e chegou a ser removida pelo Facebook. Já no domingo (16) estava de volta. Ganhou impulso maior ainda e já conta com mais de 3 milhões de integrantes.

    Várias artistas dão o seu recado; assista 

    Artistas que já se posicionavam contra as propostas fascistas do candidato da extrema-direita, já vinham se mobilizando em defesa da democracia, se unem às mulheres pela democracia e pelos direitos humanos. Vídeos começaram a circular e a cantora baiana Daniela Mercury gravou falando contra Bolsonaro e desafiou a carioca Anitta a se posicionar.

    As artistas garantem presença nos atos contra Bolsonaro em todo Brasil; no sábado 

    Nasceu a campanha #DesafioUnidasNasRuas e as artistas começaram a desafiar as suas colegas a se engajarem no movimento. A defesa da liberdade e dos direitos da classe trabalhadora ultrapassou fronteiras e se espalhou pelo mundo. A manifestação do sábado já está garantida em ao menos 50 países e conta com apoio de inúmeros artistas internacionais.

    O jovem ator Chay Suede também se posiciona e mostra que os homens que respeitam as mulheres também são contra Bolsonaro; confira 

    “Elas estão no front, mas muitos homens caminham junto”, assinala Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB. “O mais interessante desse movimento é que ele uniu pessoas de pensamentos muito diferentes com o objetivo comum de barrar os retrocessos e pôr novamente o Brasil no caminho do desenvolvimento com justiça social”.

    Centrais sindicais, artistas, empresários, intelectuais, torcedoras e torcedores de futebol, religiosos, as pessoas do campo popular e democrático sentem a necessidade de se posicionarem contra a candidatura do retrocesso.

    Pabllo Vittar gritou Ele Não no Prêmio Multishow; veja 

    Várias artistas foram agredidas pelas redes sociais ao gravarem vídeos ou postarem textos favoráveis à campanha #EleNão. Caetano Veloso prestou solidariedade à atriz Marília Mendonça, que excluiu seu vídeo, após ela e sua família receberem ameaças.

    Assista o depoimento de Caetano Veloso 

    “Esse movimento é irreversível e promete unir a nação brasileira para termos uma eleição limpa”, sintetiza Celina. “A volta da democracia depende do nosso engajamento com candidaturas que defendam a liberdade e a justiça. Todas e todos às ruas no sábado (29)".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • A alegria se espalha pelo Brasil: o samba "Não Mão Grande Não" ataca o golpe

    "Treze anos de conquistas sociais, milhões de brasileiros ganharam dignidade", cantam os músicos da Portela, o samba "Na Mão Grande", de Edyney Vieira, da ala de compositores da escola de samba carioca.

    Na poesia de Edney são lembrados, além da presidenta Dilma, o ex-presidente Lula e Chico Buarque. Portela, acrescentou mais uma composição à coleção que não para de crescer de músicas que denunciam o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. O samba “Na mão grande não" é oferecido para Dilma, homenageia Lula e saúda Chico Buarque. As conquistas sociais, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e outras importantes políticas de distribuição de renda e de oportunidades para todos e todas.

    A Rede Golpe de Televisão (antiga Globo) não fica de fora da crítica bem humolrada. “E a rede Globo tentando fazer de bobo, qual é a sua plim, plim?”, cantam os sambistas da democracia.

    Delicie-se com mais este samba contra o golpe, interpretado pelo autor Edyney Vieira e Grupo Família:

     

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • A cultura bombou neste ano em defesa da democracia, dos direitos e da liberdade

    Os artistas se engajaram na luta contra o golpe. Nomes consagrados e novatos da classe artística saíram a campo contra o governo golpista de Michel Temer. Nenhum artista que ama o Brasil e a justiça esteve fora dessa campanha.

    Contra o obscurantismo se levantaram diferentes vozes para reforçar a importância de consolidação da democracia no país. Com isso, as redes sociais ferveram a favor e contra os artistas engajados na luta pela liberdade.

    Acompanhe alguns eventos de 2017 que mostraram a necessidade da cultura na vida das pessoas:

    O brilhantismo de Caetano Veloso de graça no Largo da Batata neste domingo (10), em São Paulo

    João Bosco ataca ação da PF na UFMG e não admite utilização de sua música

    Artistas iniciam movimento contra a censura às artes. Assista aos vídeos!

    Che Guevara: “Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”

    Violeta Parra representa a força da mulher latino-americana contra a cultura do estupro

    Railídia Carvalho lança o seu primeiro disco em Belém do Pará nesta sexta (15)

    Chico Buarque chacoalha a hipocrisia e a ignorância com sua caravana musical

    Gibi sobre Lei Maria da Penha quer formar novos homens e mulheres para acabar com violência

    MPB perde uma das mais valiosas pérolas com a morte de Luiz Melodia

    50 anos: o tropicalismo rompeu barreiras e chacoalhou as estruturas da cultura e da vida

    Rafael Braga ganha exposição no Instituto Tomie Ohtake em defesa de sua liberdade

    Gilberto Gil completa 75 anos brilhando na cultura brasileira

    Artistas homenageiam classe trabalhadora no 1º de maio com postagens contra a reforma trabalhista

    "Era o Hotel Cambridge" mostra a gana do capital em construir e destruir para lucrar

    Assédio sexual não combina com a alegria do carnaval. Saiba como cair na folia sem agredir

    O filme “Eu, Daniel Blake” é um chamamento à ação revolucionária

    Portal CTB

     

     

  • A virada avança e mais artistas declaram voto em Haddad; confira

    A cantora Maria Bethânia postou em seu Instagram foto segurando uma camiseta com inscrição "Haddad e Manu 13" juntamente com a cantora e compositora Mart’nália. Este sábado (27), véspera da eleição mais importante dos últimos, anos traz surpesas boas.

    A jornalista Monalisa Perrone, apresentadora do Hora um, da Rede Globo também declarou seu voto. "Tenho visto muita coisa e ficado calada, sem me posicionar politicamente, mas, não há outra saída. Não vou apoiar a volta do militarismo. Pela democracia, irei em Fernando Haddad e Manuela D'Ávila", disse.

    Alceu Valença também declarou voto em Fernando Haddad. "Em nome da democracia, da ecologia, da diversidade, da solidareidade, do humanismo, voito em Haddad", disse.

    Inclusive, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo pediu voto em Haddad. Ela afirmou que "na véspera do segundo turno da eleição presidencial no Brasil, todo o meu apoio ao meu amigo Fernando Haddad. Conheci Fernando quando era prefeito de São Paulo. Ele é um homem de valor, um defensor da democracia, competente e corajoso".

    Veja o voto de Alceu Valença 

    Já Luciana Barcellos, chefe de redação do Jornal da Record, pediu demissão na semana passada e afirmou que "o Haddad não foi o meu candidato no primeiro turno. Mas agora o que está em jogo aqui é maior do que nossas primeiras escolhas. É a democracia, é o que queremos para nossos filhos, sobrinhos, netos, amigos, para todos os nossos afetos. É o que queremos de bom também para quem a gente nem conhece pessoalmente” e declarou seu voto em Haddad.

    Quem diria, mas até o anti-petista radical Marcelo Tas via votar em Haddad. A virada de votos avança. “O meu voto vai contra a posição de um candidato em relação à Amazônia, às minorias”, disse Tas. “Não me identifico com armas para resolver os problemas”, por isso, Tas diz votar contra o “candidato que tem péssimas idéias para o Brasil” e declara voto em Fernando Haddad, mesmo com críticas ao PT.

    Assista Marcelo Tas 

    Posição parecida tem o vocalista do grupo Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, também anti-petista conhecido, declarou voto em Haddad. “Voto a favor da tolerância, do diálogo e principalmente da democracia”, afirmou.

    Acompanhe Dinho Ouro Preto 

    O cartunista e escritor Ziraldo, de 86 anos, que há pouco deixou o hospital, fez questão de gravar vídeo pedindo para salvar o Brasil e votar em Haddad, pela democracia. Mônica Iozzi, que não queria se posicionar, fez um vídeo muito emocionada por causa do espancamento de um amigo por seguidor de Bolsonaro, motivado por LGBTfobia.

    Emocionada Mônica Iozzi denuncia espancamento de amigo e pede consciência no voto deste domingo 

    As pessoas que têm real preocupação com o Brasil e com os direitos humanos e com a liberdade estão se posicionando claramente. Caso de Paulinho da Viola. “Há tempos resolvi não mais declarar meu voto, por motivos que não caberiam neste espaço. Porém, o momento que vivemos é diferente. Sinto a necessidade de juntar a minha voz a de inúmeros colegas, artistas, intelectuais e demais cidadãos brasileiros que acreditam na importância de valores fundamentais para a nossa sociedade e para a nossa democracia. Não podemos pensar um futuro sem valores básicos” e declara voto em Haddad.

    paulinho da viola

    Chico Buarque fez um pronunciamento emocionado no Ato da Virada, nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, na terça-feira (23). Ele pergunta onde essa violência vai parar e afirma que nós “não queremos mais mentiras, queremos paz, queremos alegria, queremos Fernando e Manuela”.

    Chico Buarque acredita que as pessoas das periferias neste segundo turno e votarão a favor de si mesmas, contra o retrocesso e a violência

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • As estrelas brilharam no Festival Lula Livre e no céu do Rio de Janeiro na noite de sábado; assista

    A mídia burguesa ignorou por completo, mas o Festival Lula Livre, neste sábado (28), levou aos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, mais de 80 mil pessoas para gritar a plenos pulmões por Lula Livre e pela restauração da ordem democrática através de eleições limpas em outubro.

    Foram mais de 40 artistas a emocionar o público presente ou que assistia pela transmissão, um tanto quanto precária, da TVT ou online, com as apresentações de grupos, cantoras e cantores, da Venezuela, Argentina e Cuba, além de brasileiros de todos os estilos, idades e regiões, num espetáculo estrelar e único.

    Assista ao Festival Lula Livre completo

    As apresentações musicais eram intercaladas com a leitura de textos sobre a biografia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril pela “inquisição” da Lava Jato, liderada pelo juiz de primeira instância Sergio Moro, biografia da vereadora Marielle Franco assassinada em 14 de abril, sendo que a polícia ainda não conseguiu determinar quem matou e, menos ainda, quem mandou matar Marielle, além de diversos textos lidos com emoção por atrizes a atores em defesa da liberdade.

    Marcante foi ver o veterano ator Herson Capri visivelmente emocionado ao ler uma carta escrita por Lula em agradecimento ao evento. “A gente ainda vai festejar, e muito. A alegria, a liberdade e a justiça de um povo que não tem medo e que não se entrega não”, escreveu Lula, levando a plateia ao delírio.

    As apresentações foram se sucedendo com funk, rap, MPB, samba, rock, tudo bem ao estilo brasileiro amplamente diversificado. A apoteose foi com as apresentações de Chico Buarque e Gilberto Gil, que cantaram algumas canções juntos, dentre elas Cálice, de autoria deles, 45 anos depois de terem sido censurados pela ditadura (1964-1985).

    O cantor e compositor argentino, Bruno Arias cantou: “De pé, cante/que vamos ter sucesso/Avance agora/sinalizadores da unidade”, da canção O povo unido jamais será vencido, de Quilapayún e Sergio El Checo Ortega.

    Quase no final, Jards Macalé cantou Juízo final, de Nelson Cavaquinho. Essa música ilustra também o espírito de resistência necessária para se derrotar o golpe de Estado de 2016. Os últimos versos dizem: “Quero ter olhos pra ver/A maldade desaparecer”.

    No final, Gilberto Gil chamou a cantora Beth Carvalho e juntamente com Chico Buarque começaram a cantar Deixa a vida me levar, de Eri Do Cais e Serginho Meriti. Todos os artistas subiram ao palco e o espetáculo se encerrou com as estrelas brilhando nos Arcos da Lapa, tanto no céu quanto na terra. Esse espetáculo mostra que a unidade das forças populares e progressistas é possível.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Ricardo Stuckert

  • Assédio sexual não combina com a alegria do carnaval. Saiba como cair na folia sem agredir

    Diversas campanhas contra o assédio às mulheres e meninas acontecem na maior festa popular do país. Para Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), essas campanhas são fundamentais.

    “Mas devem ter continuidade o ano todo”, diz. “Um dos problemas é que o governo golpista abandonou todas a políticas públicas a favor dos direitos da mulher”. Para ela, "devemos insistir para que o debate das questões de gênero façam parte do currículo escolar".

    Pereira ataca também a mídia burguesa que "acaba reforçando a visão sexista e de dominação sobre o corpo da mulher, tornando-a objeto do desejo masculino, o que contribui para a violência".

    O site Azmina lança a hashtag #UmaMinaAjudaAOutra. Isso “é sobre não concordar e lutar contra qualquer tipo de assédio, abuso ou tentativas. É sobre oferecer companhia. É sobre prestar ajuda, do jeito que for e pra quem for”, explica a jornalista Amanda Negri.

    A deputada estadual do Rio Grande do Sul, Manuela D’Ávila, do PCdoB, gravou o vídeo “Coisas para fazer no carnaval sem ser um babaca”. Didaticamente, a deputada ensina aos homens como foliar sem assediar. Afinal, beijar sem consentimento “é beijo forçado e isso não pode”.

    Acompanhe o vídeo com a aula de Manuela D’Ávila 

    O governo da Bahia lançou a campanha “Respeita as Mina” com “objetivo de conscientizar a população e combater a violência contra as mulheres”, diz Julieta Palmeira, secretária de Políticas para as Mulheres do estado.

    Para Tereza Bandeira, secretária da Mulher, do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações da Bahia, “é incrível que em pleno século 21, ainda tenhamos que fazer campanhas para exigir respeito, combater a violência e acabar com o assédio nas ruas”.

    Pule com “Se Você Quiser”, de Pedro Abramovay e Gustavo Moura, mote da campanha Respeita as Mina 

    Já em Belo Horizonte, capital de Mina Gerais, Renata Chamilet e Raissa Bettinelli criaram “Tira a Mão: É Hora de Dar um Basta”, contra investidas inconvenientes, com base em um levantamento da ONG ActionAid, no qual 98% das mulheres disseram já ter sofrido assédio no carnaval. 

    Divirta-se com a marchinha da campanha e não ponha a mão em ninguém sem consentimento 

    Acompanhe a mensagem da cantora Brisa Marques 

    A secretária de Formação e Cultura da CTB, Celina Arêas, acredita que as expressões culturais são importantes para ajudar na mudança de comportamentos e mentalidades. “A cultura é essencial para que as pessoas reflitam sobre tudo na vida. Essas campanhas e as marchinhas podem ajudar no combate à violência contra as mulheres para que possamos viver sem medo o ano inteiro, não somente no carnaval”.

    Mas afinal é carnaval. “Deixa o dia raiar, que hoje eu sou. Da maneira que você me quer. O que você pedir eu lhe dou. Seja você quem for. Seja o que Deus quiser!”... “Noite dos Mascarados”, de Chico Buarque).

    Veja vídeo de Noite dos Mascarados (Chico Buarque, que canta com Elis Regina) 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Maurício Araújo

  • Atendendo a pedidos, o Portal CTB seleciona mais canções sobre a alma feminina. Acompanhe!

    Na sexta-feira (3), o Portal CTB selecionou oito canções do rico repertório da música popular brasileira para homenagear as mulheres pelo 8 de março – Dia Internacional da Mulher (veja aqui). Agora repete a dose para atender a inúmeros pedidos. Nas duas publicações são 16 canções da mais fina flor da MPB.

    O cancioneiro brasileiro sempre encantou o imaginário popular, com profunda ligação aos temas candentes da sociedade. As questões da mulher não fogem à regra e fazem parte da nossa música com intrínseca ligação entre os anseios femininos de igualdade, liberdade e justiça.

    A temática evolui conforme ocorre evolução da luta emancipacionista promovida pelas feministas, que não nasceu hoje, tem história. Mas a MPB acompanha com muita poesia cantada como só os poetas conseguem vislumbrar.

    Essas canções ajudam mulheres e homens a construir o mundo novo, onde ninguém precise viver com medo de nada.

    Deleite-se com essas pérolas. E não seja moderada:

    Desinibida (Tulipa Ruiz e Tomás Cunha Ferreira) 

    A Mulher do Fim do Mundo (Alice Coutinho e Romulo Fróes)  

    Eu Sou Neguinha? (Caetano Veloso)  

    Cor de Rosa Choque (Rita Lee e Roberto de Carvalho)  

    Eduardo e Mônica (Renato Russo) 

    Lei Maria da Penha (Luana Hansen e Drika Ferreira) 

    Beatriz (Chico Buarque e Edu Lobo) 

    Explode Coração (Gonzaguinha) 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

     

  • Ato em defesa da liberdade e da justiça une as forças progressistas no Rio de Janeiro

    Unidade Popular contra o fascismo (Foto: Ricardo Stuckert)

    Para espantar o fantasma da ditadura fascista, partidos democráticos se unem no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (2), dois dias antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar o pedido de Habeas Corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para evitar a sua prisão, mesmo sem provas.

    A análise do STF sobre o pedido da defesa de Lula, ocorre nesta quarta-feira (4), não sem intensa pressão da mídia golpista e de empresários acusados de liberar e de até pagar seus funcionários para sair às ruas pedindo a prisão do ex-presidente. 

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    Circo Voador tomado pela democracia na noite de segunda (2), no Rio de Janeiro (Foto: Mídia Ninja)

    O general de Exército da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa ameaça o STF com intervenção militar no país. Diz que “Se acontecer tanta rasteira e mudança da lei, aí eu não tenho dúvida de que só resta o recurso à reação armada. Aí é dever da Força Armada restaurar a ordem”, sobre a possibilidade de ser acatado o pedido da defesa de Lula. 

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    Movimentos organizam vigílias e atos pelo país em defesa de Lula e da democracia; confira agenda

    Assista ao Ato pela Democracia completo 

    Unidade popular

    A reação das forças populares cresce ao mesmo tempo em que aumentam as ameaças. O Circo Voador no Rio de Janeiro, palco de tantas e históricas lutas pela liberdade, mais uma vez ficou lotado na noite desta segunda-feira em defesa da liberdade e dos Direitos Humanos.

    Os partidos progressistas e de esquerda se unem contra a onda fascista que assola o país e ameaça a vida das pessoas. O próprio Lula sofreu atentado a tiros em sua caravana pelo Sul do país. Representantes do PSB, PDT, PT, PSOL, PCdoB e PCO ergueram a voz pelo direito de Lula ser candidato a presidente e ter um julgamento de acordo com a Constituição Federal.

    Muitas vozes se erguem para combater o avanço do fascismo e da ditadura. Chico Buarque, Carlos Minc, Marcelo Freixo, Manuela D'Ávila, Celso Amorim, Lindbergh Farias, Jandira Feghali, Jean Wyllys, Fernando Haddad, Eduardo Suplicy e Marcia Tiburi falaram da importância de unidade das forças democráticas.

    Também destacam a necessidade de uma imprensa comprometida com os fatos e denunciam, mais uma vez, os assassinatos de Marielle Franco, Anderson Gomes, os cinco jovens executados na Chacina de Maricá (RJ), por acreditarem na possibilidade de transformar o mundo num lugar bom para se viver.

     “O que nos une é a luta pela liberdade”, ressalta Manuela D’Ávila. Isso porque “todos queremos as mesmas coisas, a liberdade, a igualdade, a soberania para defender o pão do povo”, complementa Celso Amorim.

    Mônica Tereza Benício, viúva de Marielle, afirma que o assassinato da vereadora do PSOL e do motorista Anderson Gomes também foi um atentado à democracia. Os Jornalistas Livres lembram os diversos assassinatos que têm ocorrido no país pós-golpe de Estado.

    Veja o discurso de Lula 

    Freixo defende a necessidade de as forças democráticas conversarem com sinceridade “olho no olho” porque “seja qual for a nossa diferença, ela é menor do que a luta de classes”. Já Lula denuncia o desmonte que está sendo feito da indústria nacional e dos cortes orçamentários das áreas sociais.

    Conclui o ato afirmando que “a luta é longa, mas vale a pena” para pôr o Brasil novamente nos trilhos do desenvolvimento soberano e com distribuição de renda.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações dos Jornalistas Livres e Mídia Ninja

  • Chico Buarque chacoalha a hipocrisia e a ignorância com sua caravana musical

    Chico Buarque lança o seu 30º álbum solo - “As Caravanas” -, onde esmiúça a alma do país, cantando a negritude e a fundamental influência que os seres humanos escravizados tiveram na formação social e cultural do Brasil.

    Como poeta do cotidiano, Chico desfere um simbólico soco na cara da intolerância e do preconceito. E mais frontalmente à hipocrisia e à ignorância, que geralmente andam juntas e detratam o que não entendem.

    Como se fosse um romance, onde cada música fosse um capítulo tudo parece intrinsecamente ligado para o enredo da história do Brasil, cantada em versos delicados, repletos de citações e fortes como um texto épico.

    As Caravanas  (Chico Buarque)

    Versos que parecem ter sido escritos para dissecar a formação da nação e do povo brasileiro e denunciar a falta de sobriedade de uma sociedade que vive séculos atrás e sonha com a escravidão. A gritaria ensandecida da intolerância. Sem espaço para o respeito e para o amor. Perde a vida.

    Mas Chico veio resgatar e mostrar que o tempo da delicadeza, da poesia e da música ainda podem predominar e trazer o novo tempo, superando a insanidade bárbara de quem nem sabe o que esperar do futuro.

    “Lembrar a meninice é como ir/Cavucando de sol a sol/Atrás do anel de pedra cor de areia/Em Massarandupió/Cavuca daqui/Cavuca de lá/Cavuca com fé/Oh, São Longuinho/Oh, São Longuinho/Quem sabe/De noite o vento varre a praia/Arrasta a saia pela areia/E sobe num redemoinho” (Massarandupió, com Chico Brown).

    Em Blues pra Bia o poeta denota a homossexualidade para cantar que todas as formas de amar devem ser aceitas. “Que no coração de Bia/Meninos não têm lugar/Porém nada me amofina/Até posso virar menina/Pra ela me namorar”.

    Massarandupió (Chico Buarque e Chico Brown) 

    Mas sobrou crítica ácida para Tua Cantiga, a primeira deste disco a ser divulgada na internet. A parceria com Cristóvão Bastos soa antiga e moderna. Uma ode ao amor, mesmo “quando teu coração suplicar/Ou quando teu capricho exigir/Largo mulher e filhos/E de joelhos/Vou te seguir”.

    O disco “As Caravanas” mostra que aos 73 anos, Chico Buarque canta a profusão da alma da sociedade brasileira dominada por sentimentos sem sentido de ódio e violência. Mas "que o Chico Buarque de Hollanda nos resgate”, como diz Caetano Veloso na sua bela Língua.

    Com participação especial do rapper Rafael Mike, do Dream Team do Passinho, Chico canta em As Caravanas que “essa zoeira dentro da prisão/Crioulos empilhados no porão/De caravelas no alto mar/Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria/Filha do medo, a raiva é mãe da covardia”Babam de ódio os fascistas.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Chico Buarque e Caetano Veloso participam de ato para virar o voto e eleger Haddad, no Rio

    A capital fluminense estará colorida nesta terça-feira (23), a partir das 17h, nos Arcos da Lapa para o Ato da Virada de Fernando Haddad e Manuela D’Ávila. “Este ato mostra que ainda dá tempo de votar na democracia e no futuro. Retrocesso nunca”, diz Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ.

    A campanha Vira voto, da candidatura progressista avança. Marina Silva, da Rede, já declarou apoio a Haddad, assim como Fernando Henrique  Cardoso, do PSDB. O ato já tem a presença confirmada de Caetano Veloso e Chico Buarque e mais dezenas de artistas e personalidades da vida brasileira. Gilberto Gil que está no exterior enviará um vídeo de apoio.

    Vários artistas assinam um manifesto pela democracia. “A hora é agora, a hora é já. Não se trata de uma ameaça no horizonte: a ameaça está ao alcance da mão. É urgente unirmos nossas forças e intensificar nossos esforços. Mais do que nunca, é preciso união. Afinal, os riscos que este país corre são infinitamente maiores do que as distâncias e divergências que nos separam”, diz trecho do documento.

    Canto de um povo de um lugar, de Caetano Veloso 

    Além dos artistas e intelectuais, representantes de vários partidos políticos estarão no ato por uma Frente Ampla e Democrática contra a ameaça de retrocesso e ditadura no país. Além de PT, PCdoB e Pros, o ato terá a participação da militância do PSD, PSB, PDT, PV, PSOL, Rede, PCB, PSTU e de “todas as pessoas que acreditam na liberdade e na justiça”, diz Kátia.

    Fantasia, de Chico Buarque 

    O manifesto dos artistas afirma ainda que “não se trata apenas de defender uma candidatura: trata-se de defender o nosso país, o nosso futuro, o futuro dos nossos filhos e netos.”

    Leia o documento na íntegra:

    A hora é agora, a hora é já. Não se trata de uma ameaça no horizonte: a ameaça está ao alcance da mão.

    É urgente unirmos nossas forças e intensificar nossos esforços. Mais do que nunca, é preciso união. Afinal, os riscos que este país corre são infinitamente maiores do que as distâncias e divergências que nos separam.

    Não se trata apenas de defender uma candidatura: trata-se de defender o nosso país, o nosso futuro. Defender a democracia, defender cada um de nós.

    Ou nos unimos com urgência absoluta, ou naufragaremos todos no breu de um mar sem fundo.

    Diante da intolerância, da incitação ao autoritarismo e à violência, do racismo, da misoginia, da homofobia, da mentira, mais do que opção, a união de todas as forças verdadeiramente democráticas é um dever.

    Não há espaço nem tempo para a omissão. Ser omisso diante do perigo que nos ameaça significa, em termos concretos, concordar com essa ameaça. Significa resignar-se por antecipado a tempos de breu que serão trazidos pelas mãos de quem defende a quartelada, renega os horrores da ditadura, aplaude a tortura.

    Ainda há tempo de recuperar o que perdemos e tornar a avançar rumo ao futuro. Depende de nós, de nossa capacidade de compreender e transmitir as dimensões tremendas do perigo que nos ameaça.

    Sim, sim, a hora é agora, a hora é já: vamos nos manifestar pelo Brasil afora, defendendo uma vitória da democracia, defendendo nosso futuro.

    Serviço

    O que: Ato da Virada Haddad/Manuela

    Quando: Terça-feira (23), às 17h

    Onde: Arcos da Lapa, centro do Rio de Janeiro

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Chico Buarque e Leci Brandão concorrem ao Prêmio da Música Brasileira 2018, nesta quarta

    Nesta quarta-feira (15), acontece a entrega da 29ª edição do Prêmio da Música Brasileira, às 20 horas, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A premiação é anual e nesta edição presta homenagem a Luiz Melodia (1951-2017).

    A deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP), pelo CD "Simples Assim", concorre com Ana Costa ("Do Começo ao Infinito") e Sandra Portella ("Banho de Fé") ao prêmio de Melhor Cantora de Samba. "Ana Costa e Sandra Portella são grandes cantoras. Então a felicidade já me pegou só pela indicação”, diz Leci.

    CD completo "Simples Assim", de Leci Brandão 

    Ela conta que o seu mais recente CD recebeu o título “Simples Assim”, porque "tudo foi feito com muita simplicidade e a gente tem que agradecer a Deus por esse resultado”.

    Além de homenagear o cantor e compositor carioca Luiz Melodia, o Prêmio da Música Brasileira 2018 já tem Chico Buarque como o vencedor de Melhor Canção. E não se trata de nenhum exercício de adivinhação.

    As três músicas indicadas são de sua autoria: “As Caravanas”, “Massarandupió”, em parceria com o neto Chico Brown e “Tua Cantiga”, com Cristóvão Bastos. As três fazem parte do seu disco mais recente “Caravanas", que também concorre como Melhor Álbum de MPB.

    Álbum "Caravanas", de Chico Buarque, completo 

    Homenageado

    O autor de “Pérola Negra”, “Magrelinha”, “Farrapo Humano” e “Ébano”, entre centenas de outras canções, recebe merecida homenagem um ano após a sua morte. Criado no morro de São Carlos, bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, Luiz Melodia criou um estilo ímpar e com muita criatividade misturou samba, MPB, rock, blues e soul.

    Ébano, de Luiz Melodia 

    História do prêmio

    Nasceu como Prêmio Sharp de Música, em 1987 e foi com esse nome até 1998. A premiação parou de 1999 a 2001. Em 2002, passou a se chamar Prêmio Caras de Música e no ano seguinte virou Prêmio Tim de Música, até 2008, no ano seguinte recebeu o nome de Prêmio da Música Brasileira, mantido até hoje.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Chico Buarque retira sua música do programa Roda Viva e nova trilha viraliza na internet

    Entre as comemorações dos 30 anos do programa Roda Viva, da TV Cultura, de São Paulo, estava a “entrevista” com o presidente golpista Michel Temer. Para entrevistá-lo no Palácio da Alvorada, em Brasília, foi escolhido um time da mais fina flor do jornalismo serviçal.

    O Roda Viva convidou para entrevistar Temer, Willian Corrêa, diretor de jornalismo da TV Cultura, João Caminoto, diretor de jornalismo do Grupo Estado, Sérgio Dávila, editor executivo da Folha de S.Paulo, Eliane Cantanhêde, colunista de O Estado de S. Paulo e Ricardo Noblat, colunista de O Globo.

    Não deu outra. Com esse renomado time o que deveria ser uma entrevista para esclarecer a opinião pública virou peça de propaganda para Temer. Fui tudo tão escancarado que o compositor e escritor Chico Buarque não aguentou e encaminhou uma notificação extrajudicial pedindo a retirada de sua música da trilha sonora do programa.

    Roda Viva (Chico Buarque) 

    Apesar de a direção da emissora afirmar que a retirada da canção Roda Viva não diz respeito ao pedido do autor da música e da peça homônima, de 1967, o artista falou aos Jornalistas Livres sobre o assunto e divulgou a notificação, assinada por seu advogado.

    “A Lei 9.610/98, também conhecida como Lei de Direitos Autorais, determina, no seu artigo 22, que ‘Pertence ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou’. Reconhece a melhor doutrina que ao autor a lei reserva prerrogativas de natureza patrimonial ou econômicas e moral. As prerrogativas morais, também conhecidas por direitos morais do autor, integram a categoria dos direitos da personalidade”, diz trecho da notificação (leia a íntegra aqui).

    Inclusive circula pelo site Avaaz uma petição pedindo a retirada da música do programa. “Ao romper descaradamente com a democracia e o compromisso com a informação, assumindo o papel de agência de publicidade, o programa não merece mais carregar como nome de batismo o título, e como música de abertura a ilustre canção de um artista que jamais virou as costas para a democracia e os interesses do povo brasileiro: Chico Buarque”, diz trecho do abaixo-assinado (assine aqui).

    Com toda essa polêmica vazou nas redes sociais a nova trilha sonora do ex-programa de jornalismo, que está no ar na emissora pública do estado de São Paulo desde 1986. Ouça abaixo a nova música, muito mais afeita ao caráter do programa apresentado por Augusto Nunes.

    Nova trilha sonora do programa da TV Cultura (Amigos do peito, música do grupo infantil Balão Mágico) 

    A música e a peça Roda Viva foram escritas no conturbado ano de 1967 e viraram uma guinada na carreira de Chico Buarque. Em um ensaio da peça dirigida por José Celso Martinez Correa, o elenco viu o teatro ser invadido por extremistas fascistas do Comando de Caça aos Comunistas para surrá-los. A música e a peça certamente não combinam com a maneira como está sendo conduzido o programa homônimo.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Rio News

  • Chico Buarque veta a Claudio Botelho a utilização de suas obras

    Neste domingo (20) acabou a temporada da peça “Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos”. O compositor e escritor carioca tirou a autorização da utilização de suas obras em trabalhos de Claudio Botelho, ator e codiretor da peça, que iniciou temporada em 2014.

    Tudo porque Botelho acrescentou texto à encenação sugerindo a prisão de Lula e Dilma de “ladra”. A reação da plateia foi imediata e espontânea. Aos gritos de “não vai ter golpe” e “Chico”, a apresentação foi encerrada no Sesc Palladium, em Belo Horizonte. E com a decisão de Chico para sempre.

    Vídeo do entrevero:

     

    O assessor de imprensa de Chico Buarque, Marcio Canivello, disse ao Estado de Minas que ele não dará nenhuma declaração, “mas pode registrar que ele reagiu primeiro com espanto e, depois, com grande desagrado ao saber da postura do ator.

    Na internet, vários fãs de Chico Buarque mostram sua indignação com Claudio Botelho. A hashtag #vetachico tomou conta das redes sociais.

    Em áudio gravado em seu camarim e “vazado” na internet, o ator destila mais ódio ao PT e à esquerda. E passa a ser acusado também de racismo ao dizer que "eles são neofascistas, neonazistas, são petistas, são o que há de pior no Brasil. O ator quando entra em cena é um rei, não pode ser peitado por um negro filho da puta que sai da plateia”.

    Ouça o áudio pelo link https://soundcloud.com/midia-ninja/claudio-botelho

    O ator tentou se explicar ao jornal “Folha de S.Paulo” afirmando que usou a palavra negro querendo falar nêgo, que na gíria significa alguém. No áudio a atriz Soraya Ravenle, também na peça diz não concordar com ele e que ele não é sozinho na peça e ele responde que é o dono.

    Todos os musicais

    O musical estreou em 2014 para as comemorações dos 70 anos de Chico Buarque, sendo composta por trechos e histórias da obra de Chico no cinema e no teatro, sobretudo da década de 1970, dentre eles “Roda viva” (1967), “Ópera do malandro” (1978), “Calabar” (1973), “Quando o Carnaval chegar” (1972) e “Para viver um grande amor” (1983).

    O chilique reacionário de Botelho deu-lhe de presente o encerramento do musical.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com agências

  • Chico Buarque, Wagner Moura e Fernando Morais lançam manifesto e convocam para ato dia 11

    Ao divulgar um manifesto contra a trama golpista da direita reacionário, Chico Buarque, Wagner Moura, Eric Nepomuceno, Fernando Morais e Leonardo Boff convocam a todos e todas a participar de ato em defesa da liberdade nesta segunda-feira (11), no Rio de Janeiro.

    Palco histórico de grandes atos pela democracia, a Fundição Progresso, no bairro da Lapa, recebe esse ato, às 17h, para acompanhar a votação do parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) da Comissão Especial da Câmara dos Deputados, que analisa o pedido de impeachment contra Dilma.

    O relator promete ler seu parecer nesta quarta-feira (6). E como a pressa tomou conta dos deputados, eles prometem varar madrugadas e trabalhar sábado e domingo para o relatório ser votado a partir das 17h na segunda (11).

    Nesse ritmo, os deputados têm até a sexta-feira para pedir vistas ao parecer e o presidente da comissão, Rogério Rosso (PSD-DF) pretende iniciar a discussão já na sexta, fazendo o mínimo de cinco sessões. E se a maioria dos 65 integrantes da comissão aprovarem, o relatório irá a Plenário, onde o pedido de impedimento necessita de ao menos 342 votos.

    Assista vídeo da CTB Não Vai Ter Golpe:

     

    “Estamos reunidos para defender o presente. Para espantar o passado. Para merecer o futuro. Para construir esse futuro. Para merecer o tempo que nos foi dado para viver”, dizem os cinco que assinam o manifesto contra o que chamam de “golpe de Estado”, movido pelos “ressentidos da história”.

    Figuras exponenciais da cultura brasileira, Chico Buarque, Wagner Moura, Eric Nepomuceno, Fernando Morais e Leonardo Boff defendem o aprofundamento na democracia “que não seja apenas o direito de votar, mas de participar, abranger, enfim, uma democracia completa, sem fim. Em que cada um possa reivindicar o direito à terra, ao meio-ambiente, à vida. À dignidade".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Leia a íntegra do manifesto abaixo:

    "O que vivemos hoje no Brasil é uma clara ameaça ao que foi conquistado a duras penas: a democracia. Uma democracia ainda incompleta, é verdade, mas que soube, nos últimos anos, avançar de maneira decidida na luta contra as desigualdades e injustiças, na conquista de mais espaço de liberdade, na eterna tentativa de transformar este nosso país na casa de todos e não na dos poucos privilegiados de sempre.

    Nós, trabalhadores das artes e da cultura em seus mais diversos segmentos de expressão, estamos unidos na defesa dessa democracia.

    Da mesma forma que as artes e a cultura do nosso país se expressam em sua plena – e rica, e enriquecedora – diversidade, nós também integramos as mais diversas opções ideológicas, políticas, eleitorais.

    Mas nos une, acima de tudo, a defesa do bem maior: a democracia. O respeito à vontade da maioria. O respeito à diversidade de opiniões.

    Entendemos claramente que o recurso que permite a instauração do impedimento presidencial – isso que em português castiço é chamado de ‘impeachment’ – integra a Constituição Cidadã de 1988.

    E é precisamente por isso, pelo respeito à Constituição, escudo maior da democracia, que seu uso indevido e irresponsável se constitui em um golpe branco, um golpe institucional, mas sempre um golpe. Quando não há base alguma para a sua aplicação, o que existe é um golpe de Estado.

    Muitos de nós vivemos, aqui e em outros países, o fim da democracia.

    Todos nós, de todas as gerações, vivemos a reconquista dessa democracia.

    Defendemos e defenderemos, sempre, o direito à crítica, por mais contundente que seja, ao governo – a este e a qualquer outro.

    Mas, acima de tudo, defendemos e defenderemos a democracia reconquistada. Uma democracia, vale reiterar, que precisa avançar, e muito. Que não seja apenas o direito de votar, mas de participar, abranger, enfim, uma democracia completa, sem fim. Em que cada um possa reivindicar o direito à terra, ao meio-ambiente, à vida. À dignidade.

    Ela custou muita luta, sacrifício e vidas. Custou esperanças e desesperanças.

    Que isso que tentam agora os ressentidos da derrota e os aventureiros do desastre não custe o futuro dos nossos filhos e netos.

    Estamos reunidos para defender o presente. Para espantar o passado. Para merecer o futuro. Para construir esse futuro. Para merecer o tempo que nos foi dado para viver.

  • Comemoração dos 42 anos da Revolução dos Cravos manifesta-se contra o golpe no Brasil

    Portugal comemora nesta segunda-feira (25) a Revolução dos Cravos, que trouxe a tão esperada liberdade, ceifada por 48 anos de ditadura fascista, comandada por Antônio Oliveira Salazar, que quase levou o país à bancarrota, pelos desmandos e terror.

    E para festejar esse feriado, símbolo da liberdade, da Justiça e da igualdade, os portugueses promovem desfile em Lisboa. Neste ano um grupo estará prestando solidariedade à presidenta Dilma e à democracia brasileira.

    Em 25 de abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, juntamente com populares e a fundamental liderança do Partido Comunista Português (PCP), o governo salazarista foi deposto e uma nova Constituição erigida no país.

    "A revolução de abril é patrimônio do povo e é patrimônio do futuro. Patrimônio construído pela luta dos trabalhadores e do povo e que nós comunistas nos orgulhamos de ter dado uma contribuição inigualável, não apenas na longa e heroica resistência, mas em todos os momentos decisivos da sua construção", afirma Jerônimo de Sousa, secretário-geral do PCP.

    A senha para o início da revolução foi a execução da música “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso, proibida pela censura salazarista. Um trecho da bela canção diz:

    “Em cada esquina, um amigo
    Em cada rosto, igualdade
    Grândola, vila morena
    Terra da fraternidade

    Terra da fraternidade
    Grândola, vila morena
    Em cada rosto, igualdade
    O povo é quem mais ordena”

    Assista o clipe e ouça Grândola Vila Morena (Zeca Afonso):

     

    O nome Revolução dos Cravos veio porque a população saiu às ruas em comemoração distribuindo cravos, a flor nacional, aos soldados rebeldes. Eles colocavam as flores na ponta de seus fuzis.

    O movimento revolucionário foi saudado pelos democratas e partidos de esquerda do mundo todo. Muitos celebraram a novidade de ver um Portugal livre, assim como proporcionou a liberdade às suas colônias. Era a vida e a solidariedade vencendo o ódio e a violência.

    Chico Buarque rendeu a sua homenagem à revolução. A canção “Tanto Mar” acabou censurada pela ditadura brasileira por ver ligação com o ideal de liberdade e igualdade da Revolução dos Cravos. Escreveu Chico:

    “Sei que está em festa, pá
    Fico contente
    E enquanto estou ausente
    Guarda um cravo para mim”

    Assista clipe de Tanto Mar (Chico Buarque): 

    Como escreveu Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios, na sua poesia “Cravos de Abril” (leia a poesia na íntegra aqui):

    “Portugal que criou a ciência dos mares,
    Vê Lisboa alagada pela esperança,
    Vê, novamente, nos punhos cerrados do povo
    A bravura de quem venceu a fúria dos oceanos,
    E a selvageria dos tiranos”.

    Assista depoimento que a deputada Joana Mortágua fez na Assembleia de Portugal, contra o golpe em marcha no Brasil. 

     

    No final os cravos foram recolhidos, mas a democracia prevaleceu. Mesmo porque “esqueceram a semente em algum canto do jardim”, como canta Chico Buarque, e os sonhos dos portugueses do 25 de abril de um mundo mais igual persiste.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Consciência Negra: lutar contra o racismo e por uma sociedade igualitária ao mesmo tempo

    Em 20 de novembro de 2017 completam 14 anos que foi instituído o Dia Nacional da Consciência Negra. Muito se avançou, mas há muito por se fazer. Como na música de Arnaldo Antunes, quando estava nos Titãs, “tudo ao mesmo tempo agora, uma coisa de cada vez”.

    Assim se coloca o combate ao racismo na visão de Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “As negras e os negros brasileiros vêm combatendo a desigualdade e o preconceito desde que os seres humanos escravizados foram trazidos à força para o país”.

    A data foi escolhida para homenagear Zumbi, morto em 20 de novembro de 1695, pela coroa portuguesa. Ele foi o último líder do mais longo quilombo da história do Brasil, na Serra da Barriga, na região onde hoje é Alagoas.

    “Zumbi e sua companheira Dandara são heróis do povo brasileiro, mas a história 'oficial' visava escondê-los com intuito de invisibilizar a herança cultural, social, política e de formação da nação e do povo brasileiro dos povos que foram arrancados da África para serem mão de obra escrava no Brasil", afirma Custódio.

    Ouça "A Carne", de Seu Jorge 

    Ela explica que o Brasil possui uma das maiores populações negras do mundo. “De acordo com o IBGE somos mais da metade da população”. Lembra também as mulheres representam 52% da população, mas têm aproximadamente 10% de representação no Parlamento. "É muito pouco para mudarmos este país como ele precisa”.

    Mesmo assim, “a população negra é invisível para a nossa sociedade e com o governo golpista de Michel Temer a situação está retrocedendo há décadas passadas”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. Em relação às mulheres a sindicalista mineira afirma que a situação é idêntica, mas para as “mulheres negras existem muitos agravantes”.

    Custódio realça que o assassinato de negras cresceu 54% nos últimos anos e como mostram os índices do Ligue 180 (feito para denúncias de violência de gênero), elas são as maiores vítimas de violência doméstica, representando 58,8%.

    Nos atendimentos prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), as denúncias de racismo são aviltantes. No caso de violência obstétrica, as negras são 65,9% das vítimas, como aponta a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

    Arêas lembra ainda que no mercado de trabalho as mulheres negras que representam 25% da população brasileira, estão na base da pirâmide e exercem as funções de menor qualificação. “Mesmo com o aumento do nível de escolaridade, a população negra continua indesejada pelo mercado de trabalho”.

    Zumbi, de Jorge Benjor 

    Como mostra o levantamento da Oxfam Brasil - “A distância que nos une” – as negras e os negros recebem 50% a menos que as brancas e os brancos. E, explica Custódio, “ainda somos quem perde o emprego primeiro e temos mais dificuldade de recolocação”.

    O relatório da Oxfam aponta ainda que no ritmo atual a população negra somente conseguirá equivalência salarial com a população branca em 2089. "A gente fez um cálculo da média da equiparação salarial entre negros e brancos de 1995 a 2015 e projetou o resultado para saber em quanto tempo, seguindo o ritmo desses 20 anos, se chegaria à igualdade de salários", explica Rafael Georges, cientista político e coordenador de campanhas ONG.

    Mas celebra-se o Dia Nacional da Consciência Negra “num momento em que o país atravessa uma de suas maiores crises. Onde o racismo estrutural se reapresenta com formato moderno de flexibilização das leis trabalhistas, tornando-nos praticamente escravos da ganância do capital sobre o trabalho, que visa lucro acima de tudo”, complementa Evandro Vieira, do Coletivo da Igualdade Racial da CTB.

    Já Cláudia Vitalino, dirigente da CTB-RJ afirma que, por isso, “a consciência negra deve desacorrentar a alienação do ‘não ser’. Consciência que gira na auto-afirmação e do auto-reconhecimento de cada um de nós, tendo um valor histórico que vai de encontro a toda ideologia que nos foi empurrada goela abaixo durante 500 anos de nossa história”.

    As Caravanas, de Chico Buarque 

    Custódio conclui que as manifestações das negras e dos negros acontecerão em todo o país para denunciar a opressão. Neste Dia Nacional da Consciência Negra “estaremos refletindo sobre a sociedade que almejamos. Uma sociedade sem discriminações, igualitária, onde qualquer pessoa possa ser o que quiser ser, possa sonhar e realizar seu sonho. Onde não haja miséria, nem intolerância de espécie alguma, onde a juventude tenha seu espaço e onde possamos viver e amar sem medo”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Criolo questiona: “quem manipula a mídia que manipula a gente?”

    Antes de subir no palco de uma casa de shows em Londres, Inglaterra, o cantor e compositor Criolo deu entrevista ao repórter Thiago Guimarães, da BBC Brasil. O músico não teve papas na língua sobre o momento político vivenciado no país.

    Ele afirma que “cada corrupto que se dá bem é um moleque da minha quebrada que é assassinado, que se envolve com o que não tem que se envolver. Quando morre um, ninguém está lá com a mãe, descendo o caixão para a vala”.

    O secretário da Juventude Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Vítor Espinoza concorda com o músico. “Cada corrupto que bem-sucedido, tira dinheiro da educação pública ao mesmo tempo em que o político corrupto faz leis para reprimir os jovens pobres, negros e moradores da periferia”, acentua.

    Ouça o CD "Nó na Orelha" completo:

     

    Para o rapper, as manobras em votações importantes feitas pelo presidente Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mostra que essa gente é capaz “de tudo para proteger seus interesses, até parar o país e fazer com que as pessoas se matem na rua".

    Em referência ao clima de ódio, discriminação e violência desencadeado pela falta de compromisso da mídia comercial com a verdade dos fatos. Para ele, “A questão não é limpar o país da corrupção”. Porque Cunha “é o primeiro parlamentar citado na Lava Jato", afirma.

    "Um ambiente de ódio, de rancor, tão absurdo que as pessoas passam por cima e parece que não estão vendo uma construção de fortalecimento, que algumas pessoas sugerem, de homofobia, xenofobia, racismo, de achar normal esse abismo social que a gente vive", diz Criolo.

    De acordo com ele, "a gente fala que a mídia manipula, mas quem manipula a mídia que manipula a gente? Vamos falar de impeachment, mas (qual) o porquê real desse impeachment e de todas as pessoas que estão gritando contra a corrupção? O que andaram fazendo e agora vêm com essa?"

    Ele fala ainda que "eles criam um monte de situação, vedam nossos olhos para eles mandarem cada vez mais”.

    Já Espinoza lembra que “a juventude está sendo assassinada por uma polícia branca, elitista que visa proteger somente o capital em detrimento da vida das pessoas”. Para ele, a corrupção tira dinheiro das “políticas de inclusão da juventude no mercado de trabalho em boas condições de trabalho e de vida”.

    Além de “faltarem políticas públicas que possibilitem acesso à cultura, ao esporte, ao lazer, que juntamente com a educação contribuem para o desenvolvimento pleno dos jovens para garantir-lhes um futuro mais digno”, reforça.

    Criolo questiona o processo de impeachment em andamento. "Se o interesse é acabar com a corrupção, quantos por cento das pessoas que participaram daquela votação deveriam estar na cadeia?” É necessário refletir sobre “quais são os porquês dessa situação".

    Mas o compositor encerra a entrevista à BBC com um voto de fé. "Essa fé no ser humano, essa fé nas coisas boas, essa fé em quem quer de verdade algo bom, isso não pode morrer, cara, isso tem que ser fortalecido a cada momento".

    Saiba um pouco mais sobre Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo

    Filho de cearenses e criado na zona sul de São Paulo, iniciou a carreira como rapper em 1989 com o nome artístico Criolo Doido. Apesar de anos de estrada, somente em 2006, conseguiu gravar o álbum “Ainda Há Tempo” e fundou a Rinha dos MC's.

    Ouça a versão de Cálice feita por Criolo:

     

    Seu segundo álbum, “Nó na Orelha” só foi lançado em 2011, gratuitamente pela internet. No mesmo ano, tirou o sobrenome artístico Doido e ficou somente Criolo. Outra novidade foi a miscelânea de sons, misturando rap com MPB, samba, forró, entre outros gêneros. Em 2013, gravou uma nova versão de “Cálice” (Chico Buarque e Gilberto Gil) e ganhou aplausos dos autores.

    Leia a entrevista inteira aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Deixa a festa rolar... É Carnaval!

    Historiadores afirmam que a folia do Carnaval já corria solta já muito antes de Cristo, feita por camponeses para favorecerem suas colheitas. Nos dias de Carnaval, quase tudo era permitido, até a participação das mulheres.

    Tamanha força adquiriu que a igreja Católica cooptou e adequou a folia ao seu calendário. Por isso, o Carnaval ocorre sempre no período anterior à Páscoa. Trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses, essa festa pagã ganhou feições brasileiras e se transformou numa paixão nacional assim como o futebol.

    Começou elitista com os bailes de máscaras da corte portuguesa, mas ganhou as ruas e o imaginário popular. Veio a repressão contra os cordões de Carnaval, constituídos de negros e negras.

    Cantada em prosa e verso, a magia do Carnaval consistia - e consiste - num tempo com predominância de uma certa igualdade e solidariedade, até se acabar na Quarta de Cinzas, quando os foliões purificam seus pecados. E aí tudo volta ao normal.

    Mas não existe Carnaval igual ao do Brasil. O casamento com o samba - gênero musical genuinamente brasileiro - deu uma cara nova à festa que ganhou as ruas definitivamente com os blocos e as escolas de samba, que surgiram no Rio de Janeiro na década de 1920.

    Não sem repressão e polêmicas. As escolas de samba se transformaram em grandes empreendimentos e o Carnaval carioca virou colossal, um espetáculo a céu aberto, que move comunidades o ano inteiro. Mais do que isso o Carnaval de Rua a cada ano cresce com muitos blocos levando milhões de foliões ás ruas.

    A alegria e a irreverência do reinado de Momo - durante o Carnaval - trouxeram outra pérola, que só existe aqui: as marchinhas de Carnaval. A primeira foi “Ô Abre Alas”, composta por Chiquinha Gonzaga em 1909.

    Mas o Brasil é gigante e a festa tem a suas nuances. Em Pernambuco casou com o frevo – outro gênero musical genuinamente brasileiro. Já Na Bahia surgem os trios elétricos, criados por Dodô e Osmar. Os trios elétricos atraem milhões de pessoas do mundo todo. Essas são festas que arrastam mais foliões no país.

    Mas o nosso samba ainda é na rua, longe das festas de gala de uma elite carcomida. Contra tudo isso, milhões de foliões tomam as ruas para festejar. Mulheres, homens e homossexuais pulando e cantando para espantar os fantasmas da opressão.

    Então, não dê bola para o que falam as más línguas, brinque, mas brinque com muito respeito. Sem assédio sexual e sem violência. Todas as pessoas querem brincar e voltar para casa sãs e salvas. A festa é de todas e todos.

    Portanto, “Deixa a festa acabar, deixa o barco correr. Deixa o dia raiar”... ("Noite dos Mascarados", de Chico Buarque).

    Noite dos Mascarados, de Chico Buarque, num raro momento cantando com Elis Regina:

    Marcos Aurélio Ruy é jornalista.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

     

  • Dez músicas para comemorar com muita reflexão os 10 anos da CTB

    No dia 12 de dezembro de 2007 nascia a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), para mostrar a força da classe trabalhadora num ritmo bem brasileiro, classista, de luta, democrático e repeitando a diversidade do país. São 10 anos de um caminho trilhado pelos interesses da nação e do povo que trabalha rumo a um sociedade mais justa e mais igual.

    Abaixo dez músicas do cancioneiro popular brasileiro que representam uma face da vida do país, da classe trabalhadora e da luta por liberdade, direitos iguais e uma vida digna para todos. CTB é a central que veio para ficar e mostrar que trabalhadores e trabalhadoras devem lutar de braços dados contra a opressão e a injustiça.

    Velha Roupa Colorida, de Belchior

    "Você não sente nem vê
    Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
    Que uma nova mudança em breve vai acontecer
    E o que há algum tempo era novo jovem
    Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer"

     

    E Vamos à Luta, de Gonzaguinha

    "Aquele que sabe que é negro
    O coro da gente
    E segura a batida da vida
    O ano inteiro
    Aquele que sabe o sufoco
    De um jogo tão duro
    E apesar dos pesares
    Ainda se orgulha
    De ser brasileiro
    Aquele que sai da batalha"

    Um Satélite na Cabeça, de Chico Science

    "Eu sou como aquele boneco
    Que apareceu no dia na fogueira
    E controla seu próprio satélite

    Andando por cima da terra
    Conquistando o seu próprio espaço
    É onde você pode estar agora"

     

    Refavela, de Gilberto Gil

    "A refavela
    Revela o salto
    Que o preto pobre tenta dar
    Quando se arranca
    Do seu barraco prum bloco do BNH"

    Hoje, de Taiguara

    "Hoje
    Homens de aço esperam da ciência
    Eu desespero e abraço a tua ausência
    Que é o que me resta, vivo em minha sorte" 

    Homem Primata, de Titãs

    "Desde os primórdios
    Até hoje em dia
    O homem ainda faz
    O que o macaco fazia
    Eu não trabalhava
    Eu não sabia
    Que o homem criava
    E também destruía" 

    Porta Estandarte, de Geraldo Vandré

    "Por dores e tristezas que bem sei
    Um dia ainda vão findar
    Um dia que vem vindo
    E que eu vivo pra cantar
    Na Avenida girando, estandarte na mão pra anunciar" 

    Dias de Luta, Dias de Glória, de Charlie Brown Jr.

    "A vida me ensinou a nunca desistir
    Nem ganhar, nem perder, mas procurar evoluir
    Podem me tirar tudo que tenho
    Só não podem me tirar as coisas boas
    Que eu já fiz pra quem eu amo" 

    Rancho da Goiabada, de João Bosco e Aldir Blanc

    "Os bóias-frias quando tomam umas biritas
    Espantando a tristeza
    Sonham , com bife à cavalo, batata frita
    E a sobremesa
    É goiabada cascão, com muito queijo, depois café
    Cigarro e o beijo de uma mulata chamada
    Leonor, ou Dagmar" 

    Primeiro de Maio, de Chico Buarque e Milton Nascimento

    "Hoje a cidade está parada
    E ele apressa a caminhada
    Pra acordar a namorada logo ali
    E vai sorrindo, vai aflito
    Pra mostrar, cheio de si
    Que hoje ele é senhor das suas mãos
    E das ferramentas" 

    Afinal são 10 anos de pessoas juntas nas ruas, nas redes sociais, em todos os estados, na cidade e no campo, pessoas determinadas a construir o mundo novo, onde os meios de produção passem para as mãos da classe trabalhadora e a desigualdade desapareça de vez do planeta. Dez anos parecem poucos, mas basta olhar para trás para ver o quanto já se caminhou. A CTB faz aniversário, mas a festa é sua. Só não esqueça que existem direitos para recuperar e um país para reconstruir.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy. Foto: Manoel Porto

  • Edil Pacheco mandou dizer que a Bahia 'tá viva ainda lá

    Edil Pacheco (ao centro, de camisa verde) com uma parte dos músicos e o produtor Paulinho Timor (de vermelho)

    Pense você nos principais nomes da música brasileira e, sem medo de errar, afirmo que a música do baiano Edil Pacheco tocou a todos. Clara Nunes, Chico Buarque e João Nogueira gravaram obras dele, que continua comovendo gerações. O percussionista e compositor paulista Paulinho Timor produziu em outubro uma temporada do baiano em São Paulo. A figura de Edil se agigantou em shows e rodas de samba, recuperando parte da memória da música da Bahia...que tá viva ainda lá.

    O Portal Vermelho conversou com Edil no dia seguinte à última apresentação dele em São Paulo na roda de samba do grupo Inimigos do Batente, do qual Paulinho Timor é fundador. Acessível e com aquele sotaque comovente, Edil está com os cabelos branquinhos nos seus 71 anos.

    Explicou que o Timor fez uma coisa inédita: um show só com músicas de Edil e parceiros. “Paulinho confiou no meu taco e me trouxe pra são Paulo. Eu gostei muito porque o show montado foi uma coisa específica relacionada ao meu trabalho de compositor. A iniciativa dele me deixou muito contente”, contou Edil.

    Timor tem 34 anos e desde os 14 anos frequenta rodas de samba, ambiente responsável pela formação dele de batuqueiro e compositor. Passa algumas temporadas na Bahia, onde se tornou amigo do lendário músico Riachão. E foi ano passado em uma homenagem a Riachão na democrática Cantina da Lua que conheceu Edil. Um parêntese para a Cantina da Lua, bar e espaço cultural antológico do não menos popular e carismático Clarindo Silva. Edil foi visitar Clarindo e conheceu Timor. Foi um pulo pra São Paulo.

    O show “Edil Pacheco: Afro, Afoxés e Outros sambas” aconteceu no Espaço Cachuera no dia 7. Ele foi acompanhado pelo grupo Os Bambas de Sampa, que reúne uma geração de jovens músicos que preservam a tradição das rodas de samba e da canção brasileira. São eles e elas: Paula Sanches, Flora Popovicc, Mariana Furquim, Paulinho Timor, Trio Gato com Fome, Marcelo Homero, Caê Rolfsen, Alann Abaddia, Cacá Sorriso, André Piruka, Miró Parma, Fabricio Alves e Koka Pereira.

    Time armado, Edil tocou e cantou em São Paulo um repertório de rara beleza, entre elas Ara-keto (c/ Paulo César Pinheiro), Ijexá, Coração Valente (c/ Roque Ferreira), Siriê (c/ Paulo Diniz), Terreiro de Jesus (c/ João Bosco e Francisco Bosco) e Na Paz do Congá (c/ Canário). É descomunal a força de Edil interpretando as próprias canções.

    Edil é cria de uma escola que gerou na Bahia Batatinha, Riachão e Ederaldo Gentil. Conheceu todos eles e se emociona, sobretudo, quando fala do sambista baiano Ederaldo Gentil, falecido em 2012 após um longo período afastado da carreira artística.

    “Ninguém escreveu melhor que Ederaldo: O Ouro e a Madeira, De menor, Impressão digital, Identidade: são obras-primas. Ederaldo era genial, era um compositor fantástico, um amigo maravilhoso. Ele tem uma música chamado cimento fraco, que é uma maravilha”, se derramou Edil. “Teve um ano que Ederaldo fez nove sambas enredos pra todas as escolas”.

    A música da Bahia, Edil (na foto à esquerda) sabe de cor e salteado. E não só. Quem esteve no Ó do Borogodó no dia 11 de outubro presenciou o jogo de cintura de Edil (foto) na roda de samba. Quando se fala do repertório de Paulinho da Viola, o baiano se derrete.

    O sambista carioca e Edil se conhecem desde o final dos anos 60 e mantém amizade até hoje. Edil lembrou que naquele tempo quando Paulinho ia a Salvador ficava na casa dele. “Tinha terminado de comprar o apartamento e não tinha box. Eu saí cedo para trabalhar e um dia quando voltei o Paulinho tinha comprado uma cortina de plástico”, divertiu-se Edil.

    A recepção paulista deixou Edil tão feliz e querendo retribuir. Disse que vai levar "uma enxurrada de paulistas" para as comemorações que ele organiza em torno do dia 2 de dezembro, dia nacional do samba.

    Ano passado, quando completou 70 anos, Edil lançou o sétimo disco da carreira com o título de Mel da Bahia, a música é parceria com João Nogueira. Em São Paulo mostrou estar em grande forma, no canto e no violão. Quem esteve no Espaço Cachuera ou nas rodas do Samba do Sol e dos Inimigos do Batente pôde se assombrar com o carisma do homem. Edil é a música brasileira que vive na Bahia. Axé!

    Assista a Música Ara-Keto, interpretada por Edil Pacheco e Os Bambas de Sampa no Espaço Cachuera em São Paulo no dia 7 de outubro

    Fonte: Vermelho, por Railídia Carvalho

  • Especial Consciência Negra: o sociólogo Robson Camara analisa os 130 anos da Abolição

    O Portal CTB lança a partir desta segunda-feira (12) uma série especial de artigos e reportagens para marcar o Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi, o principal líder do Quilombo dos Palmares, o mais longevo e conhecido da história do Brasil.

    Leia também: A criminalização da pobreza e dos movimentos sociais 

    Abre este especial uma entrevista com o professor Robson Camara sobre os 130 anos da Abolição da escravidão no Brasil. Camara é doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), com pesquisa na área de Sociologia do Trabalho e da Educação e secretário de Formação da CTB-DF. Ele destaca a marginalização em pleno século 21 pelos descendentes dos seres humanos escravizados, vindos da África em condições desumanas nos porões dos navios negreiros.

    “Ser colocado no porão de um navio e atravessar o Atlântico em condições insalubres é um ato passivo? Voluntário?”, questiona ao lembrar que o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que os próprios africanos é que se entregaram à escravidão.

    Camara tem ainda estágio doutoral no Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED) da Universidade de Humanidades e Tecnologia (ULHT), de Lisboa/Portugal e é Mestre em Educação (UnB). Além de ser membro do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho (GEPT) do Departamento de Sociologia da UnB, ligado ao Instituto de Ciências Sociais (ICS). É também professor da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE).

    Na entrevista ele diz também que a Abolição foi inconclusa para amainar a fúria da elite escravocrata e frear o avanço dos setores mais avançados contra o escravismo e por isso deixou a desejar do ponto de vista humano e de justiça social. “A Abolição veio para desfazer essa tensão, essa panela de pressão, mas não resolveu o problema do negro. Objetivamente, não houve contrapartida do Estado brasileiro. Nos soltaram à própria sorte”.

    A de Ó, do disco "Missa dos Quilombos", de Milton Nascimento, Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga 

    Leia a entrevista na íntegra abaixo:

    Portal CTB: Nos 130 anos da Abolição, a população negra se sente reparada pelo Estado e pela sociedade?

    Robson Camara: Em primeiro lugar, temos que compreender o processo de Abolição da escravidão sobre a perspectiva econômica e socio-histórica. Como nos ensina Clóvis Moura, em sua obra Dialética Radical do Brasil Negro, que o escravismo estava dentro da lógica do processo de acumulação de riqueza, primeiramente para a metrópole e depois para elite econômica do país, do século 16 até 1888 (em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, pondo fim à escravidão no Brasil, que foi o último país do Ociedente a fazê-lo).

    Os escravizados eram o capital fixo (marxianamente falando) da engrenagem da economia política brasileira. Outro autor, Jacob Gorender afirma que temos que ver que a própria Lei Áurea não garantia indenização para os escravizados, mas àqueles que haviam se beneficiado pelo processo de escravização de seres humanos ao garantir-lhes indenização.

    São os elementos econômicos se expressando em ato político. Foi o que fez Ruy Barbosa (No dia 14 de dezembro de 1890, ele determinou que deveríamos queimar livros de matrícula, de controle aduaneiro e de recolhimento de tributos que envolvessem pessoas escravizadas. Documentos que estavam no ministério da Fazenda). Como mostra uma matéria publicada no jornal conservador “O Estado de S. Paulo”, de 19/12/1890, onde diz que “O Diário Oficial publicou ontem uma resolução do governo no sentido de fazer desaparecer os últimos vestígios da escravidão representados pelos diversos documentos existentes nas repartições do Ministério da Fazenda”. O que existia por trás disso era impossibilitar documentalmente a indenização do Estado aos senhores proprietários de escravizados.

    Isso significa que os ex-escravos foram abandonados pelo Estado?

    A verdade é que os escravizados, com a Abolição, não tiveram direito a indenização, nem a terra e nem a educação ou qualquer outro benefício social da suposta liberdade. Digo suposta, porque entendo a liberdade como exercício da cidadania. E não a liberdade de morrer de fome, de não ter saúde e educação, de não ter onde morar. Foi isso o que aconteceu com os escravizados.

    De qualquer forma, a Abolição não foi uma simples concessão do sistema não é?

    Sim. Já existia uma pressão nas senzalas e grandes quilombos se formavam pelo Brasil. Os escravocratas já tinham notícia do que ocorreu no Haiti. E temiam que aqui ocorresse o mesmo. A população negra já era maior que a população branca. A Abolição veio para desfazer essa tensão, essa panela de pressão, mas não resolveu o problema do negro. Objetivamente, não houve contrapartida do Estado brasileiro. Nos soltaram à própria sorte.Certamente a luta dos escravos foi intensa para a superação do escravagismo, mas houve conciliação das elites nacionais e internacionais para impedir maiores progressos.

    Quais as consequências dessa Abolição na vida da população negra atualmente?

    A desigualdade social que submete o povo negro após a Abolição é a prova maior que a dívida histórica não foi paga. Basta ver os indicadores sociais e onde está o negro na pirâmide social; nos dados estatísticos sobre educação, saúde, moradia e a qualidade de emprego, que dignamente exerce, estão sempre nas extremidades de baixo.

    As marcas da escravidão ainda estão presentes. As consequências são, por exemplo, ser o maior número da população carcerária, ser aqueles que ganham menos na escala salarial e o menor número de professores universitários, para citar alguns casos. Fomos excluídos e substituídos por trabalhadores europeus quando a mão de obra livre se tornou predominante.

    Isso teve grande impulso com a Abolição. Tudo isso foi reforçando a desigualdade histórica e ainda há resistência a essa reparação. O governo Lula foi fundamental em lançar um olhar diferenciado para saldar essa dívida histórica e teve continuidade no governo Dilma.

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    Então a Abolição tirou os escravizados da senzala e os jogou na rua?

    Como disse anteriormente, essa liberdade foi relativa. Liberdade para sofrer a exclusão social e se tornar um sujeito de segunda classe em uma país que insiste em não pagar a sua dívida histórica. Tivemos avanços, mas que estão constantemente ameaçados pelo conservadorismo que utiliza artifícios retóricos para negar a dívida histórica com a população negra.

    É correto dizer que nada mudou?

    Não. A grande mudança que tenho visto é a crescente autodenominação da população ao identificar-se como negra. Isso ganhou força com as políticas de cotas. Não percebo como oportunismo, como tem sido acusado por alguns setores que fazem oposição às políticas de ação afirmativa.

    A atuação do movimento negro valoriza a luta antirracista?

    Os movimentos sociais em defesa da igualdade, como a Unegro (União de Negros e Negras pela Igualdade), têm feito lutas e problematizações importantes. Tivemos a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) com status de ministério em governos democráticos e populares, o que fez que o modelo fosse copiado por vários governos para empreender políticas públicas voltadas para a questão com conselhos e secretárias de estado.

    A política de cotas é face mais contundente desse processo. Levou negros para as universidades e para os empregos públicos. Isso permitirá a formação de uma classe média negra e, quiçá, politizada. Como isso é percebido pelos defensores da meritocracia (que de mérito não tem nada), eles reagem para se perpetuarem nos espaços sociais e econômicos em condições privilegiadas em detrimento dos negros que têm o seu ponto de partida na escala social bem mais atrás.

    Tem gente defendendo que os negros aceitavam passivamente a escravidão, isso é verdade? Quais os níveis de resistência?

    Nas últimas eleições, teve um candidato que disse que não tinha dívida histórica com o povo negro, pois nunca escravizou ninguém. E sugeriu que os negros entraram nos navios negreiros quase que voluntariamente, um absurdo. Isso demonstra como o conservadorismo compreende a processo de Abolição da escravidão. Que não há dívida histórica, que não precisa de cotas. É por esse caminho que o discurso conservador tenta justificar o seu contraponto às políticas afirmativas. Ou seja, são, contra as políticas que buscam reparar essa dívida. O escravagismo ainda não foi superado pelas elites.

    A escravidão não foi uma situação passiva, muito ao contrário. Ela foi violenta. Ser colocado no porão de um navio e atravessar o Atlântico em condições insalubres é um ato passivo? Voluntário?

    Essa retórica visa justificar o racismo?

    Esse discurso visa justificar o não compromisso com direitos humanos fundamentais e reverter os avanços que houveram. É a luta pela conservação dos espaços e impor sua hegemonia nos espaços historicamente ocupados pela elite econômica e política que tinham as universidades e empregos públicos de maior projeção econômica como deles.

    As Caravanas, de Chico Buarque 

    É importante compreender a diáspora negra para avançar na luta antirracista?

    Sim, sem dúvida. A diáspora negra representa o apartamento violento de toda uma coletividade e toda uma cultura para o outro lado do Atlântico para, de homens e mulheres livres, à condição de escravos. Mesmo aqueles que eram prisioneiros de guerras intertribais, de nações africanas não poderiam ter um destino tão vil. Isso muito foi incentivado e oportunizado pelas potências imperiais que viam no mercado negreiro uma grande fonte de lucros.

    Não se pode esquecer o contexto da diáspora negra. A luta antirracista é a busca de direitos para que a igualdade social seja de fato exercida e praticada. O Brasil é uma país desigual, mas a desigualdade mais contundente ocorre com os negros e todos aqueles que não se enquadram na perspectiva do biótipo branco de cor de pele. Os asiáticos, por exemplo, parecem ter melhor sorte que nós. Os negros são estigmatizados até hoje por sua cor. A luta antirracista é cavar o espaço social que merecemos.

    Por que a elite menospreza a influência africana na formação da nação?

    Temos que lembrar que desde a colonização, a proposta era catequizar o índio e apartá-lo das suas crenças originais. Já começa nas religiões para impor  a cultura do dominador. O Deus cristão era o único verdadeiro e subjugava todos os outros. Foi esse mesmo Deus cristão que foi utilizado para definir que as religiões africanas eram pagãs e que precisavam ser cristianizadas. A escravização era uma forma de depuração desse paganismo demoníaco sob essa ética da igreja.

    Mas a resistência se fez forte e inteligente.

    O sincretismo religioso foi a forma encontrada pelos negros em manter sua religião encapsulada pelos santos católicos. O candomblé e a umbanda resistiram nesse contexto de hegemonia do cristianismo. As religiões de matrizes africanas sobreviveram a todas as perseguições possíveis e sobreviveram. Somente com o a emenda na Constituição de 1946, o então deputado Jorge Amado, conseguiu inserir a liberdade religiosa no nosso marco legal.

    Isso não fez, necessariamente, com que as discriminações das religiões de matriz africana cessassem.

    Com o golpe de 2016, as religiões de matriz africana passaram a ser perseguidas com mais agressividade. Isso faz parte da implantação de um projeto autoritário?

    Há uma disputa por esse espaço religioso como um projeto de poder. Boa parte do povo deposita sua fé nos orixás e nos caboclos, entre outras variações que não saberia enumerar aqui. Mas o mercado da fé, atualmente, tem como alvo preferencial as religiões de matriz africana tentando impor um só Deus dentro das tradições judaico-cristã.

    A resistência cultural continua. Ela está presente na formação social do povo. Hoje, não só negros devotam sua fé às divindades de matriz africana, mas um amplo espectro social. Isso foge do controle. Essas pessoas têm mais autonomia sobre suas posições políticas, pois compõem um núcleo de resistência cultural que se espraia na música, na dança, nas comidas e nas relações sociais do nosso povo.

    algemas negros libertacao escravos

    Que perspectivas vê com o acesso ao poder da extrema direita?

    Os setores mais reacionários se apegam à tese da meritocracia para enganar o nosso povo negro. Falam isso como se o nosso ponto de partida histórico fosse igual ao deles. Para combater essa tese e o racismo institucional, temos muito a avançar. Porque sem desenvolvimento social e econômico, as contradições históricas vigentes tendem a se aprofundar e a vida dos menos privilegiados pode piorar e muito com aumento da concentração de renda e nenhuma contrapartida para proporcionar chances iguais no mercado de trabalho e na vida.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

     

  • Feliz do país que tem Chico e Caetano como representantes maiores da cultura

    No domingo (19), Caetano Veloso resolveu desejar felicidades ao aniversariante do dia, o seu amigo Chico Buarque.

    Não seria nada demais, se não se tratasse de dois dos mais importantes representantes da cultura brasileira. E se Caetano não fizesse - como não poderia deixar de ser - um texto de raríssima sensibilidade.

    Mais do que uma efeméride, Caetano transformou a sua homenagem num texto onde reflete sobre a necessidade de um país valorizar a sua cultura, para evoluir em seu processo civilizacional. 

    Caetano celebra a solidariedade, a generosidade, o respeito. Mas principalmente, rechaça a brutalidade dos dias atuais, onde não há espaço para a delicadeza e para a inteligência.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

    Leia abaixo o texto na íntegra de Caetano Veloso:

    "O Brasil é capaz de produzir um Chico Buarque: todas as nossas fantasias de autodesqualificação se anulam.

    Seu talento, seu rigor, sua elegância, sua discrição são tesouro nosso.

    Amo-o como amo a cor das águas de Fernando de Noronha, o canto do sotaque gaúcho, os cabelos crespos, a língua portuguesa, as movimentações do mundo em busca de saúde social.

    Amo-o como amo o mundo, o nosso mundo real e único, com a complicada verdade das pessoas.

    Os arranha-céus de Chicago, os azeites italianos, as formas-cores de Miró, as polifonias pigmeias.

    Suas canções impõem exigências prosódicas que comandam mesmo o valor dos erros criativos.

    Quem disse que sofremos de incompetência cósmica estava certo: disparava a inevitabilidade da virada.

    O samba nos cinejornais de futebol do Canal 100, Antônio Brasileiro, o Bruxo de Juazeiro, Vinicius, Clarice, Oscar, Rosa,

    Pelé, Tostão, Cabral, tudo o que representou reviravolta para nossa geração foi captado por Chico e transformado em coloquialismo sem esforço.

    Vimos melhor e com mais calma o quanto já tínhamos Noel, Haroldo Barbosa, Caymmi, Wilson Batista, Ary, Sinhô, Herivelto.

    A Revolução Cubana, as pontes de Paris, o cosmopolitismo de Berlim, o requinte e a brutalidade de diversas zonas do continente africano, as consequências de Mao. Chico está em tudo.

    Tudo está na dicção límpida de Chico.

    Quando o mundo se apaixonar totalmente pelo que ele faz, terá finalmente visto o Brasil.

    Sem o amor que eu e alguns alardeamos à nossa raiz lusitana, ele faz muito mais por ela (e pelo que a ela se agrega) do que todos nós juntos.”

     

     

     

     

  • Festival Lula Livre: afaste de nós esse cale-se

    Mais uma vez, a cultura se manifesta contra opressão. A musica Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil, que foi lembrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em artigo no jornal Folha de S.Paulo, é uma importante referência à resistência cultural à ditadura civil-militar (1964-1985), mantendo-se atualíssima nos dias atuais e estará presente no Festival Lula Livre na noite deste sábado (28).

    Chico Buarque e Gilberto Gil catarolam a canção Cálice e censor desliga os microfones 

    Os Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, vão tremer com o espetáculo arquitetado por Chico Buarque e Martinho da Vila. O Festival Lula Livre reúne no palco principal pelo menos 40 artistas, representando toda a diversidade cultural brasileira e ultrapassará 10 horas do melhor da música popular brasileira. Além de chamar a sociedade à resistência ao estado de exceção implantado em 2016.

    Muito importante a participação de artistas em defesa da liberdade do ex-presidente Lula, preso desde 7 de abril, sem ter tido o direito a todos os recursos que a justiça permite e, pior, sem nenhuma prova de crime. A luta é também para ser respeitado o direito dele ser candidato nas eleições de outubro.

    Música todos os cantos do país pelo grito de "Lula Livre” e pelo restabelecimento do Estado Democrático de Direito.

    Papo Reto, de Dani Nega e Craca, presentes ao espetáculo por Lula Livre 

    Quem está no Rio de Janeiro tem essa chance de apreciar esse espetáculo único e ainda apoiar a luta do povo brasileiro por eleições livres e limpas em outubro, com todos os candidatos. Quem não tem a possibilidade de estar no Rio, poderá assistir pela TVT, a partir das 19h30, 44.1, por antena digital.

    Não foi Cabral, de MC Carol, que também estará no show 

    Os Jornalistas Livres e a Mídia Ninja também transmitirão ao vivo esse show que promete subir o som para que o Judiciário acorde e restabeleça a Justiça no país. O show será encerrado pela apresentação imperdível de Chico Buarque e Gilberto Gil juntos.

    Esse espetáculo representa os mais de 90% de brasileiras e brasileiros que rejeitam o projeto de retrocessos implantado por Michel Temer, após o golpe de Estado de 2016. “Artistas, intelectuais e movimentos sociais convocam um dia de festa e luta em defesa da democracia e pela liberdade de Lula. Queremos reunir milhares de vozes em um só coro por Lula Livre”, dizem os organizadores do ato-show. O espetáculo vai brilhar para afastar de nós esse cale-se da ditadura midátio-juridico-parlamentar que acaba com todos os direitos da classe trabalhadora.

    Cálice foi gravada em 1978 por Chico Buarque e Milton Nascimento para marcar o fim da censura 

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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