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Qui, Jun

governo Bolsonaro

  • Nesta quarta-feira (10) completam-se 100 dias de governo sem que houvesse nenhuma sinalização de solução para a grave crise econômica e a instabilidade política que assola o país. Bolsonaro e Paulo Guedes seguem perseguindo a façanha de querer economizar cerca de R$ 1,1 trilhão com a reforma da Previdência.
    Ao que tudo indica, a meta a ser realizada faz parte da conta do golpe que os financiadores estão cobrando e não abrem mão. A privatização da Previdência é uma exigência do mercado. Os rentistas, categoria à qual pertence o senhor Paulo Guedes, estão de prontidão na antessala do Palácio do Planalto. Aguardam e cobram a aprovação da reforma, ansiosos para abocanhar os recursos do maior programa de distribuição de renda do país.
    Capitalização
    Para os bancos desconstitucionalizar a previdência e implantar o modelo de capitalização (previdência privada no molde chileno) é o objetivo principal. Se fosse bom daria até para copiar. Entretanto, o modelo, implantado no Chile, resultou num colossal desastre social e vem sendo revisado. Para se ter ideia de seus efeitos perversos, 80% dos aposentados do novo sistema, imposto em 1983 pelo general Augusto Pinochet, recebem menos da metade de um salário mínimo de benefício e quase metade desses idosos (44%) encontra-se abaixo da linha da pobreza.
    Na proposta de Nova Previdência a maior fatia da conta caberá aos trabalhadores atendidos pelo INSS, cuja maioria recebe o salário mínimo. A meta é economizar R$ 687 bilhões subtraindo o valor desses trabalhadores e trabalhadoras. Já para os servidores públicos tem previsão de aumento de alíquota e a expectativa de economia é de R$ 202 bilhões.
    Mas, o governo não para por aí. Sem poupar os mais vulneráveis, seu projeto é alterar as regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC, atribuído a idosos em situação de extrema pobreza e pessoas com deficiência), e com isso economizar R$ 182 bilhões. Quanta maldade!
    Já o abono salarial (renda extra garantida a trabalhadores e trabalhadoras que ganham até dois salários mínimos), a Reforma de Bolsonaro promove um corte drástico, de modo que somente receberão o abono (PIS/PASEP) quem recebe até 1 salário mínimo. Hoje, têm direito ao benefício quem ganha o equivalente a até dois salários mínimos. Isto significa a exclusão de milhões de assalariados se a reforma vingar.
    Governo tira com uma mão e dá com a outra
    No caso dos militares a mudança está atrelada ao aumento de salário. Ao mesmo tempo que o governo calculou as mudanças nas aposentadorias dos militares com a previsão de economia de R$ 97,3 bilhões, a reforma sugere uma reestruturação da carreira que representa um aumento de gastos de R$ 86,65 bilhões.
    Em essência, um faz de conta, pouco ou quase nada se mexe, com a diferença de que neste jogo os fardados ganham, pois o reajuste dos salários deve anteceder o corte dos benefícios. É mais uma prova de que, ao contrário do que alardeia a propaganda mentirosa do governo, a reforma mantém privilégios e castiga sobretudo os estratos mais pobres e vulneráveis da nossa classe trabalhadora.
    Mas a aprovação da reforma não são favas contadas, muito pelo contrário. É crescente a oposição popular ao retrocesso e o sentimento dominante na opinião pública não deixará de ter reflexos no Congresso Nacional, onde o clima hoje não parece muito favorável ao governo. Apesar da forte pressão das classes dominantes, que só têm a ganhar com as mudanças propostas por Paulo Guedes, a reforma pode ser derrotada pelo povo. Para tanto, é indispensável ampla unidade e mobilização popular. As centrais, os movimentos sociais e os partidos e forças progressistas estão empenhadas neste sentido e o caminho da greve geral já está sendo pavimentado.

     

    Adilson Araújo - Presidente Nacional da CTB

  • O economista Eduardo Moreira elaborou material com 44 pontos sobre a reforma da Previdência (PEC 6/19), em discussão na Câmara dos Deputados. A proposta, se aprovada como foi enviada pelo governo vai impedir a aposentadoria para a maioria dos brasileiros. Para as futuras gerações, em particular os mais pobres, não há perspectivas de aposentadoria.

    Entre as inverdades denunciadas pelo economista está o argumento do governo de que a Previdência está quebrada. Eduardo Moreira lembra que o “déficit” alegado é calculado em cima de contabilidade criada pelos próprios defensores da reforma. Ele destaca que o resultado das contas da Seguridade Social é conjuntural, ou seja, depende da economia, e não estrutural como alega o governo.

    Acesse o acervo do DIAP sobre a reforma da Previdência

    “O resultado foi positivo até 2015, e teve 3 anos de resultado negativo exclusivamente pela enorme desaceleração da economia, que afetou as receitas de contribuição que incidem sobre a massa salarial (contribuição de empregados e empregadores) e das contribuições sociais que incidem sobre o faturamento e lucro das empresas (Cofins, PIS/Pasep, CSLL).”

    Além disso, explica o economista, “a queda das receitas também ocorreu em função das capturas da DRU (Desvinculação das Receitas da União) — R$ 115 bilhões somente em 2017 — e das renúncias fiscais.”

    Ou seja, não é preciso acabar com as aposentadorias dos trabalhadores para que as contas da Previdência fiquem em dia. Mas sim investir na aceleração da economia, na criação de empregos, e ainda acabar com a DRU, que drena recursos do sistema de Seguridade Social (Art.194, da CF), “guarda-chuva” da Previdência Social (Art. 201), da Assistência Social (Art. 203) e da Saúde Pública, SUS (Art. 196 a 200).

    Idade mínima

    No item 5 do documento, Moreira destaca que a proposta do governo Bolsonaro aumenta de 15 anos para 20 anos o tempo mínimo de contribuição para poder se aposentar, além de exigir idade mínima para aposentadoria (62 anos para mulheres, 65 para homens). Ele explica que esses cinco anos a mais de contribuição significarão, na verdade, mais 12 anos de trabalho para quase metade dos trabalhadores brasileiros.

    Isso porque 42% dos trabalhadores no Brasil conseguem comprovar, em média, somente 4,9 meses de contribuições por ano. E ressalta que essa média é anterior à reforma trabalhista, que deve diminuir ainda mais os meses de contribuição por ano devido aos novos contratos precários de trabalho.

    Aposentadoria rural

    Num dos pontos, Moreira defende a aposentadoria rural, ameaçada pela reforma de Bolsonaro: “A previdência dos trabalhadores rurais é um mecanismo para levar justiça social a uma parcela da população que, até 1988, trabalhou em condições injustas, sem direitos trabalhistas, sindicais e previdenciários e muitas vezes em regimes de semiescravidão. Foi esta aposentadoria que diminuiu a pobreza e o êxodo dos trabalhadores do campo para a cidade (...) A ‘Nova Previdência’ destrói essa rede de proteção social.”

    BPC e Abono Salarial

    No item 8, Moreira denuncia que a “economia de R$ 1 trilhão” proposta pelo governo não corta privilégios, apenas reduz benefícios dos que ganham menos: “Segundo dados da própria PEC 6/2019, 84% da economia vem da redução de direitos dos beneficiários do regime geral da previdência (RGPS), do BPC (Benefício de Prestação Continuada) — pago a pessoas em condição de miserabilidade — e do Abono Salarial.”

    Mais de 70% desses beneficiários recebem apenas o piso de 1 salário mínimo. Nenhum recebe acima do teto: R$ 5.839. “E é em cima desse contingente de mais de 35 milhões de brasileiros que ganham em média pouco mais de 1 salário mínimo que é feita quase toda a economia.”

    Além disso, o aumento de alíquota sobre os salários mais altos dos servidores públicos, anunciada pelo governo como medida de “ajuste fiscal”, representará apenas 2,5% da economia de R$ 1 trilhão.

    Capitalização

    O documento dedica 16 itens, do 21 ao 36, para explicar e elucidar o regime de capitalização, que a PEC propõe para substituir o regime de repartição simples. “O regime de capitalização aconteceu somente em países em desenvolvimento, que tem uma grande parcela da população pobre e sem educação formal. E é exatamente esta parcela que passa a ter que tomar decisões financeiras complexas como ter que escolher o fundo onde irá aplicar seus recursos, sem ter o menor preparo para tomar esta decisão. Os bancos e seguradoras se beneficiam desta situação e vendem produtos que não se adequam a realidade destas pessoas lucrando com seu desconhecimento e despreparo.”

    O regime de repartição simples consiste em regime de financiamento de Seguridade em que não há formação de reservas, de modo que os atuais trabalhadores contribuem para as aposentadorias e demais benefícios previdenciários e assistenciais.

    Na capitalização individual, cada trabalhador contribui mensalmente para sua aposentadoria numa conta separada dos outros trabalhadores, como se fosse uma poupança. É diferente do sistema atual — de repartição — em que todos contribuem para um fundo que mantém as aposentadorias e demais benefícios previdenciários e assistenciais.

     

    Com informações de diap.org.br

  • Saber o que pensa e conhecer o modus operandi são 2 condições fundamentais para se relacionar com qualquer governo, tanto de modo propositivo, quanto de maneira reativa. Com o governo Bolsonaro não será diferente. Se a sociedade civil e os cidadãos não entenderem essas 2 dimensões, as chances de êxito em eventuais disputas com o governo serão praticamente nulas.

    Sobre o pensamento do governo Bolsonaro, parece não haver dúvida de que se trata de um governo:

    1) de direita, do ponto de vista político;

    2) liberal, do ponto de vista econômico;

    3) fiscalista, do ponto de vista da gestão;

    4) conservador quanto aos costumes, valores e comportamentos; e

    5) temerário em relação aos direitos humanos e ao meio ambiente.

    Quanto à estruturação em núcleos de poder, parece evidente que se trata de um governo que foi organizado para falar para 3 públicos segmentados:

    1) os eleitores fundamentalistas do capitão;

    2) os setores de “classe média” moralistas-justiceira; e

    3) o mercado. Ninguém, entretanto, fala para o povo, especialmente aquela parcela da população que depende das políticas e dos serviços públicos, ou para os trabalhadores ou as minorias.

    Quem melhor sistematizou os supostos núcleos estratégicos do governo Bolsonaro foi o professor da FGV e presidente do Instituto Luís Gama, Silvio Almeida. Em artigo publicado recentemente sob o título “Sobre política, distração e destruição”, ele definiu e sistematizou 3 núcleos:

    1) o ideológico-diversionista,

    2) o policial-jurídico-militar, e

    3) o econômico.

    O primeiro — ideológico-diversionista — serviria, na lógica do artigo do professor Silva Almeida, apenas para manter a moral da “tropa” ou dos bolsonaristas em alta, dando-lhes representatividade e acomodação psicológica ao ideário conservador que sustentou a campanha eleitoral.

    Seriam os agitadores que serviriam para “fidelizar” os seguidores do bolsonarismo e, segundo o professor, também para “desviar a atenção”, além de “causar indignação e tristeza” entre os “progressistas”, enquanto os núcleos 2, e, principalmente, o 3, colocam em prática suas agendas.

    Esse grupo faz, em nome do presidente, o que, nos EUA, Donald Trump faz pessoalmente, como tática de persuasão, e que Scott Admas, em “Win Biggly: in a World Whee Facts Don’t Matter” [1] classifica com “dissonância cognitiva”: lança ideias ou declarações polêmicas, tenham ou não conexão com realidade, para atrair o interesse da mídia e tirar o foco dos problemas que realmente importam para o País, pautando a imprensa, os intelectuais e até mesmo a oposição. Quando o tema perde importância, outra polêmica é criada em seu lugar, e assim permanece em evidência, mesmo que as suas “propostas” não levem a lugar algum.

    O 2º núcleo — policial-jurídico-militar — é composto de profissionais altamente qualificados, que sabem operar o Direito e a máquina repressiva. Como alerta Silvio Almeida, não existe “arminha de dedo”. A arma é de verdade mesmo. O jogo é bruto. Vai de cadeia à destruição física e moral dos adversários.

    Seu objetivo, na lógica do artigo do professor Silvio Almeida, é dar sustentação aos outros 2 núcleos, de um lado, dando corpo às alucinações do núcleo ideológico — do qual faz parte o próprio presidente, que vê “inimigos da pátria”, ideologia de gênero e “comunistas” em tudo quanto é lugar — por meio de mudanças legais, de abertura de processos civil e penal, além de perseguição e repressão aos críticos mais exaltados, e, de outro, utilizando os instrumentos jurídicos, fiscalizatórios e intimidatórios do Estado para acuar e amedrontar os opositores mais aguerridos da agenda neoliberal.

    O 3º núcleo — econômico — formado por neoliberais convictos, tem como objetivo colocar em prática, em sua plenitude, a agenda do mercado, a verdadeira “Ponte para o futuro”, que Michel Temer não teve tempo nem legitimidade para executar totalmente. Essa agenda consiste na:

    1) desindexação geral da economia;

    2) desvinculação orçamentária;

    3) privatização selvagem;

    4) abertura da economia;

    5) desregulamentação do trabalho, com a “livre” negociação; e

    6) restrição para acesso a benefício previdenciário, inclusive com aumento da idade mínima, aumento do tempo de contribuição e redução do valor do benefício.

    O núcleo econômico, além de preparado e pragmático, tem convicções profundas, beirando o fundamentalismo, tanto da necessidade de um ajuste fiscal pelo lado da despesa, com redução do papel do Estado na exploração da atividade econômica, na prestação de serviços e no fornecimento de bens e programas sociais, quanto da urgência da alienação do patrimônio público e da abertura da economia ao capital estrangeiro, sempre sob o pretexto de que o enxugamento do Estado é condição indispensável para atrair investimento e gerar emprego e renda.

    Com esse “modus operandi”, o governo — caso as forças prejudicadas pelos excessos e pela ausência de calibragem do governo em suas políticas não ajam com unidade e inteligência estratégica — conseguiria atingir seu objetivo, atraindo os “progressistas” contrários à pauta de comportamentos, costumes e valores para o embate ou a disputa com o núcleo ideológico-diversionista, enquanto o núcleo econômico tocaria a agenda real de desmonte, com a consequente transferência para o mercado dos poderes e do orçamento do Estado, sob o fundamento de valorização da livre iniciativa, da competitividade e, principalmente, da lucratividade.

    Como diz o ditado árabe, enquanto os cães ladram, a caravana passa. Assim, sem muita dificuldade, a “cortina de fumaça” do debate sobre “costumes” e declarações polêmicas permite que os verdadeiros interesses da sociedade, aqueles que pesam na mesa e no bolso do trabalhador, do aposentado, da pensionista, dos desempregados, sejam sacrificados no altar do verdadeiro Deus do governo Bolsonaro: o mercado.

    *Antônio Augusto de Queiroz é Jornalista, consultor e analista político, diretor licenciado de Documentação do Diap e sócio-diretor da Queiroz Assessoria.

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    NOTA

    [1] Em tradução livre “ganhe muito: em um mundo onde os fatos não importam”


     Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Por Altamiro Borges*

    Pesquisa Ibope divulgada quarta-feira (20) confirma uma acelerada queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Em menos de três meses, o “capetão” já perdeu 15 pontos de prestígio na sociedade. A proporção de quem considera a sua gestão ótima ou boa despencou de 49% em janeiro para 34% em março. Esse índice vexatório equivale à taxa do odiado José Sarney em março de 1987, quando já tinham decorridos dois anos de mandato do primeiro presidente civil depois do fim da ditadura militar.

    Como observa José Roberto de Toledo, da revista Piauí, “em comparação com outros presidentes eleitos, o começo da passagem de Bolsonaro pelo Palácio do Planalto é o pior já registrado. Nos seus primeiros mandatos, Dilma, Lula, Fernando Henrique e Collor sustentaram taxas mais altas do que os 34% de Bolsonaro nos meses iniciais. A popularidade deles só ficou abaixo desse patamar nos segundos mandatos de FHC e Dilma, quando os presidentes já acumulavam mais de quatro anos de desgastes”.

    O índice de confiança no novo presidente também derreteu. Caiu de 62% em janeiro para 49% agora – uma perda de 13 pontos. Ao mesmo tempo, a desconfiança pulou de 30% para 44%. “Quem mais desconfia do presidente são os nordestinos e os moradores de grandes cidades. Entre esses, a desconfiança é majoritária: 53% não confiam nele. É uma má notícia para Jair Bolsonaro, porque os movimentos de opinião pública costumam migrar das capitais para o interior, e não o contrário”.

    De acordo com a pesquisa, quem ainda sustenta a confiança no presidente-capetão são os evangélicos, os mais ricos, os homens e os moradores do Sul. Estes segmentos seguem acreditando no demagogo direitista, mas essa fé cega pode não durar muito tempo. O Ibope não revelou as razões que levaram à rápida queda de popularidade, mas pesquisas de outros institutos apontam pelo menos três motivos – segundo a análise equilibrada do jornalista José Roberto de Toledo:

    “Sua vizinhança com a milícia no Rio de Janeiro e as denúncias de corrupção envolvendo seu filho Flávio, a falta de medidas práticas que tenham resultado em diminuição da violência urbana e, finalmente, o destempero demonstrado pelo presidente em suas manifestações públicas, principalmente por meio do Twitter durante o Carnaval. Tudo isso, somado ao cenário de estagnação da economia, aponta para dificuldades adicionais quando o governo começar a se movimentar para aprovar a reforma da Previdência, que vai desagradar a várias camadas da população”.

    Diante desse cenário bastante adverso – que pode abortar seu mandato ou “sangrar” sua gestão –, fica a pergunta: como reagirá o presidente conhecido por seus arroubos autoritários? Eleito pelo PSL, o Partido Só de Laranjas, Jair Bolsonaro não tem mais como se travestir de paladino da ética. O seu governo – que reúne milicos ressentidos, abutres financeiros, corruptos velhacos, fanáticos religiosos e milicianos fascistas – não tem nada a oferecer à sociedade, seja no quesito da retomada da economia ou da melhoria na segurança pública. A tendência, portanto, é que ele reforce seus traços fascistas, dando carne aos leões.

    O movimento sindical, o mundo da cultura e os agentes da educação, entre outros setores sociais, já estão sentindo essa mão pesada, que deve se enrijecer no próximo período. A unidade na resistência democrática é cada dia mais urgente!

    *Jornalista, presidente do Centro de Debates da Mídia Alternativa Barão de Itararé

  • A semana foi inaugurada em Salvador com um ato na manhã desta segunda-feira (13) em defesa das universidades públicas realizado no auditório Jorge Calmon da Assembleia Legislativa da Bahia. Proposta pela deputado estadual Olívia Santana (PcdoB), que por sua vez acolheu sugestão do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativo das Universidades Federais da Bahia (Assufba) e da Associação de Exportadores de Cana de Açúcar e Álcool (Aexa), a manifestação reuniu senadores, deputados federais e estaduais, reitores, representantes de institutos federais, sindicalistas, professores, estudantes, lideranças populares e personalidades democráticas.

    É consenso entre os que não é possível construir e viabilizar um projeto de nação sem a presença das instituições universitárias, fundamentais para o desenvolvimento da ciência, novas tecnologias e a produtividade do trabalho, bem como para o desenvolvimento da consciência social dos brasileiros. “A Coordenação do Sindicato e a categoria se juntam aos deputados federais, estaduais, senadores, reitores das universidades federais, representantes de institutos federais e demais atores da sociedade civil organizada para engrossar o coro contra as medidas do governo que desmontam a educação”, ressaltou um dirigente da Assufba.

    A manifesetação foi considerada como parte da mobilização para a greve nacional da Educação, convocada para a próxima quarta-feira (15) em protesto à proposta de reforma da Previdência do governo Bolsonaro e aos cortes no orçamento federal da Educação.

  • A equipe econômica do governo Bolsonaro quer economizar gastos públicos prejudicando beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Nesta quinta-feira (30/05), a Câmara aprovou a Medida Provisória que cria um pente-fino, principalmente no auxílio reclusão do INSS.

    O governo quer criar regras mais rígidas para ter direito ao auxilio reclusão. O objetivo é economizar R$ 9,8 bilhões neste ano, além de investir com os programas de combate a fraudes na Previdência Social.

    Para promover a caça as irregularidades da Previdência, a MP prevê bônus para servidores do INSS que buscam irregularidades em benefícios. Ou seja, os funcionários estão sendo incentivados a cancelarem benefícios, em troca de um bônus de R$ 57,00 e R$ 62,00 por cada processo concluído. 

    A medida é um dos primeiros passos para a reforma da Previdência, que tem o objetivo de endurecer as regras de acesso a aposentadoria. A MP que ainda precisa passar pelo Senado, preocupa as entidades que lutam pelos trabalhadores, pois entendem que famílias que dependem do auxilio serão oneradas.

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • O governo segue na tentativa de enganar e ocultar da sociedade todos os prejuízos da reforma da Previdência. Agora, Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, proibiram o acesso a estudos e pareceres técnicos que embasaram a PEC 6/2019.

    A intenção foi impedir que o jornal Folha de S.Paulo tivesse acesso aos documentos, baseado na Lei de Acesso à Informação após o envio da PEC ao Congresso Nacional. Estão submetidos a censura estatísticas, dados econômicos e sociais.

    Quer dizer, trabalhadores, meios de comunicação e população em geral não terão conhecimento de documentos importantes para conhecer os critérios que o governo se baseia para cortar os direitos. As mudanças na aposentadoria afetarão diretamente, agora ou no futuro, a vida dos 210 milhões de brasileiros.

    Segundo explicações do governo, só podem acessar as informações servidores e autoridades públicos, devidamente autorizados, por possuir nível de acesso restrito por serem documentos preparatórios.

     

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • O governo Bolsonaro começa a ceder à pressão da bancada ruralista. A troca de favores e de apoio na campanha presidencial saiu caro para a população e a conta já chegou às mãos do presidente.

    O chefe do Executivo vai enviar ao Congresso uma proposta para anistiar pelo menos R$ 17 bilhões de dívidas previdenciárias das empresas do agronegócio com o Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural).

    A AGU (Advocacia-Geral da União), a PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) e a Receita Federal alertaram para o risco de crime de responsabilidade com a decisão. A medida encontra resistência e oposição dentro da própria equipe de governo. Ainda assim, Bolsonaro ignora e pretende cumprir com o acordo, mesmo depois da dívida ter sido parcelada e recebido descontos altíssimos no governo Temer. A pressão é pelo perdão total.

    É injusto com a sociedade brasileira e com a agricultura familiar, sobretudo no momento que o país atravessa, com cortes em programas sociais e em orçamentos voltados para a população. São benefícios absurdos para um setor que historicamente tem sido beneficiado em diversos aspectos. A verdade é que de nova política esse governo não tem nada.

     

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • Keynes estaria aflito com as práticas introduzidas no Brasil para o reajuste dos preços dos derivados do petróleo.

    Por Luiz Gonzaga Belluzzo*

    Os mercados derrubaram as ações da Petrobras, enquanto os caminhoneiros rilhavam os dentes diante do vai-mas-não-vai do novo reajuste do preço do diesel. Já a ministra do Agronegócio apresentou as queixas da sua turma contra a tabela de fretes ajambrada pelo destemido Michel Temer. Espremido entre os humores dos mercados financeiros, as ameaças dos caminhoneiros e as investidas do agronegócio, o presidente Bolsonaro aprestou-se a dizer que não era economista e negou ter perpetrado uma “intervenção” no reajuste do diesel.

    O Odisseu de Homero navegou seu barco entre ameaças de Cila e Caríbdis, dois monstros que o atormentaram no Estreito de Messina. Nosso Odisseu de Xiririca enfrenta três: 1. Os mercados nervosos, despóticos e autorreferidos. 2. Os caminhoneiros em desassossego com o novo reajuste. 3. A turma do agronegócio que manifesta o desagrado com a tabela de fretes.

    Na primeira trombada entre os caminhoneiros e a Petrobras escrevi no jornal Valor que, “em 2017, os contratos futuros (paper barrel) negociados nos mercados de Londres e Nova York movimentaram um valor 23 vezes superior àquele registrado no mercado físico (wet barrel)”. No mundo acarpetado pelas novas formas financeiras, as relações entre demanda e oferta de petróleo não podem ser avaliadas conforme critérios tradicionais. A formação de preços está sempre acompanhada por movimentos especulativos que sujeitam os mercados da preciosa matéria-prima à amplificação das flutuações que caracterizam os auges e derrocadas dos preços de ativos.

    A finança global lambe os beiços diante das operações nos mercados futuros de petróleo. Em princípio destinados a proteger os agentes do mundo real contra as imprevisibilidades da precificação de ativos e commodities executada pelos mercados, os derivativos ganharam vida própria e se transmutaram em formas financeiras que abrem espaço para manobras especulativas de ordem superior. As taxas de câmbio e as apostas nos mercados futuros com índices de commodities são, hoje, exemplos escandalosos e aberrantes dessa “inversão” que submete as políticas econômicas a constrangimentos e a conflitos nada triviais.

    Segue o enterro: os acontecimentos recentes mostram que os “mercados” tendem a exasperar a volatilidade dos preços diante de expectativas de desequilíbrios momentâneos entre oferta e procura. Esses derivativos ateiam gasolina ao fogo nos períodos de alta e, na baixa, jogam mais água do que o necessário na fervura. A “inflação” ou a deflação do petróleo impacta as economias com força redobrada.

    No estudo A Model of Financialization of Commodities, Suleyman Basak e Anna Pavlova estudam cuidadosamente os efeitos da “financeirização” sobre a volatilidade dos índices de preços da commodities. Esses índices têm um peso considerável do petróleo. Demonstram os autores do estudo que “a volatilidade é acentuada pela participação das grandes instituições financeiras – investidores institucionais – sempre empenhadas em não ficar na rabeira dos movimentos do índice”.

    Os caminhoneiros rilham os dentes diante do vai-mas-não-vai do reajuste do preço do diesel

    Uma vez assumida a posição dominante nas transações financeiras – tanto no que diz respeito ao volume negociado quanto no que se refere à alavancagem –, os derivativos passaram a “comandar” os movimentos dos ativos subjacentes. As taxas de câmbio e as apostas nos mercados futuros com índices de commodities são, hoje, exemplos escandalosos e aberrantes dessa “inversão”, o que submete as políticas econômicas a constrangimentos e conflitos nada triviais – vamos às questões atuais – entre o objetivo de manter a inflação sob controle e o propósito de não danar o crescimento ou colocar em risco a estrutura industrial e, consequentemente, o “arcabouço” de geração de renda e emprego.

    Na aurora da crise financeira, Willem Buiter, hoje economista-chefe do Citi-group, apontou as armas da crítica na direção dos sistemas financeiros “intrinsecamente disfuncionais, ineficientes, injustos e regressivos, vulneráveis a episódios de colapso”, um exemplo de “capitalismo de compadres”, sem paralelo na história econômica do Ocidente. “É uma questão interessante, para a qual não tenho resposta… Não sei se os que presidiram e contribuíram para a criação e operação (desse sistema) eram ignorantes, cognitivamente e culturalmente capturados ou, talvez, capturados de forma mais direta e convencional pelos interesses financeiros.”

    Dizem os frequentadores que nas salas e corredores do King’s College, em Cambridge, na Inglaterra, ainda ressoa a indagação da professora Joan Robinson, uma das herdeiras intelectuais de Keynes: “ O que Maynard diria?” Maynard, o leitor já sabe, é John Maynard Keynes.

    Maynard, imagino, estaria aflito com as práticas introduzidas no Brasil para o reajuste dos preços dos derivados de petróleo. Seja como for, Maynard ficaria chocado com uma mudança que poderá ampliar assustadoramente os intervalos de flutuação do preço de uma commodity tão importante como o petróleo.

    Pouca gente sabe, mas Keynes advogou, no espírito da Nova Ordem Econômica Internacional do Pós-Guerra, a criação do General Council of Commodity Controls, destinado a atenuar as excessivas flutuações de preços de commodities, lesivas aos países produtores e consumidores, danosas à estabilidade das economias. Isso seria feito mediante uma política de gestão de estoques, coordenada por um comitê de especialistas formado por representantes dos países produtores e consumidores.

    O preço do petróleo está dependente ao sabor dos mercados, das ameaças dos transportadores de cargas e das pressões do agronegócio

    “Uma agência internacional seria constituída, a Commod Control, com representantes dos governos dos principais países produtores e consumidores. A Commod fixaria os preços em um nível mínimo razoável (garantindo a renda dos produtores e o conforto dos consumidores) e esses valores seriam modificados de tempos em tempos, com base na tendência observada na variação de estoques, para cima ou para baixo. Não seria tecnicamente difícil estabelecer uma relação entre os valores ‘básicos de sustentação’ e o complexo de preços atuais, porquanto os movimentos de preços nos mercados futuros sinalizariam a atuação correta para o comitê de especialistas.”

    Keynes reconhece que a formação de preços deveria decorrer da interação entre as informações do mercado e a agência internacional incumbida de manejar os “estoques reguladores”, com o propósito de aplainar as flutuações agudas e garantir a estabilidade das expectativas nos mercados de commodities.

    * Luiz Gonzaga Belluzzo é economista e professor, consultor editorial de CartaCapital.

    Com informações de CartaCapital

  • Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu apenas 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar a imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) pode ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Segredos explosivos

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno ensaiar um recuo, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Prometeu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e chegou a sinalizar com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    Mas a crise se avolumou e a permanência de Bebbiano tornou-se inviável, sendo provável que na segunda-feira (17) ele seja defenestrado do cargo. Isto pode ter um custo alto, uma vez que o ministro assumiu a presidência do PSL (partido pelo qual Bolsonaro se elegeu) em 2018, coordenou os gastos e tinha a chave do cofre e dos segredos financeiros da campanha presidencial, que contou com recursos de Caixa 2, que a legislação eleitoral não permite. Bebbiano detém segredos que têm o potencial de desestabilizar o governo e disse que quer uma "saída honrosa", embora não se saiba se a esta altura isto seja possível. 

    As manchas da corrupção perseguem o governo de Jair Bolsonaro, que todavia finge combater o mal. O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    O mercado respira nesses dias um clima de consternação e receio de que a sucessão de crises no Palácio em menos de 50 dias de (des)governo compromete a votação da reforma da Previdência ansiada pelos banqueiros e grandes capitalistas.

    Umberto Martins 

  • Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar uma imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) parece ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Mise en scène

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno voltar atrás, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Decidiu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e sinaliza com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    Umberto Martins 

  • Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar uma imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) parece ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Mise en scène

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno voltar atrás, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Decidiu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e sinaliza com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    Umberto Martins 

  • Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar uma imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) parece ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Mise en scène

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno voltar atrás, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Decidiu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e sinaliza com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    Umberto Martins 

  • Prisões muitas vezes arbitrárias, confrontos em decorrência do tráfico de drogas e assassinatos contribuem para uma realidade preocupante aos brasileiros. De acordo com o relatório do índice Global da Paz, o país despencou 10 posições no ranking dos mais pacíficos e passa a ocupar a 116ª posição.

    A evasão escolar agrava a situação de violência. O Censo Escolar divulgado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) referente ao ano de 2018 mostra que cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estão fora da escola. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, o número é absurdo. São 915.455 sem estudar.

    Até agora, nenhuma medida do governo foi apresentada para evitar a evasão escolar. Pelo contrário. Cortou verbas da educação e prejudicou professores e alunos em todas as instâncias. O momento é de resistência.

    Com informações bancariosbahia.org.br

  • Há mais de três meses no governo, a equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro ainda não desenvolveu nenhum projeto consistente para retomar a geração de empregos no país. Pelo contrário. As medidas incentivam a precarização do trabalho.

    Não é a toa que o númereo de postos de trabalho com carteira assinada segue caindo. Em março, foram fechadas 43.196 vagas formais, de acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

    O saldo é a diferença entre as contratações e as de demissões no período. Recentemente, pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontava 13,1 milhões de desempregados no Brasil. Ou seja, o que já está ruim tende a piorar.

    Os cortes prejudicam a retomada do crescimento econômico. Tanto que as projeções para este ano foram reduzidas de 1,97% para pífios 1,95%. Foi a sétima queda consecutiva.

     

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • Para agradar os bancos, o governo Bolsonaro tenta empurrar a capitalização, prevista na reforma da Previdência. Mas, para quem acha que é uma excelente ideia, vai um dado. O sistema falhou em 60% dos países que o adotaram, de acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

    No sistema de capitalização, o princípio da solidariedade entre os trabalhadores é liquidado. Cada um é responsável por fazer a própria poupança para a aposentadoria. Ou seja, os bancos vão administrar os recursos. Com isso, mais lucros. 

    As experiências anteriores mostram que onde houve a privatização das aposentadorias, prejuízos foram constatados. Tanto que dos 30 países que modificaram o sistema completamente ou em parte, entre 1981 e 2014, até o ano passado, 18 fizeram uma nova reforma ou reverteram as mudanças de alguma maneira.  

    Os problemas se acumularam. Custos fiscais e administrativos do novo sistema elevados, baixo valor das aposentadorias e desigualdade de renda. Além disso, o número de pessoas cobertas pela Previdência caiu na maioria dos países.

    A OIT recomenda que o valor da aposentadoria seja de, no mínimo, 40% do salário-base de cada trabalhador após 30 anos de atividade. No entanto, diversos países que adotaram a capitalização, tiveram retração nas quantias, que ficaram abaixo deste índice. Na Bolívia, por exemplo, as pensões passaram a corresponder em média a 20% do salário que o trabalhador teve durante a carreira.


    Lista

    Os 18 países que tentaram a capitalização, mas fizeram novas reformas, foram: Argentina, Equador, Bolívia, Venezuela, Nicarágua, Bulgária, Cazaquistão, Croácia, Eslováquia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Macedônia, Polônia, República Tcheca, Romênia e Rússia.


    Completam a relação: Colômbia, Chile, Peru, Uruguai, México, El Salvador, Costa Rica, República Dominicana, Panamá, Armênia, Nigéria e Gana.

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • Em reunião realizada na sede do Dieese nesta quinta (14), as centrais sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central, CGTB, CSB, Intersindical e CSP-Conlutas) debateram a mobilização para a Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora, convocada para o próximo dia 20, e acenaram com a organização de uma greve geral no país contra a proposta de reforma da Previdência do governo Bolsonaro e em defesa das aposentadorias e da Previdência Pública.

    “Consideramos que a reunião dos sindicalistas deve apontar para uma jornada nacional de luta em defesa da Previdência Pública e preparar o caminho para a realização de uma nova greve geral, a exemplo da que foi feita com sucesso no dia 28 de abril de 2017”, comentou o presidente da CTB, Adilson Araújo.

    Democracia, soberania e direitos sociais

    “Nossa luta”, prosseguiu o sindicalista, “é não só em defesa das aposentadorias, agora sob o risco de extinção para os mais pobres com a privatização do sistema previdenciário. Batalhamos também em defesa da soberania nacional, da democracia e dos direitos sociais, alvos da agenda ultraliberal do governo Bolsonaro, que radicalizou a receita golpista de Michel Temer”.

    O dirigente criticou duramente o ministro da Economia, Paulo Guedes, que em sua opinião “tem forte interesse particular na reforma, é diretamente ligado a empresas que exploram o sistema previdenciário e está sendo investigado por suspeita de desvio de R$ 1 bilhão na administração de fundos de pensão. Além disto, é um  dos ´Chicago Boys´ que assessorou a fracassada reforma previdenciário do ditador Augusto Pinochet no Chile, que instituiu o malfadado sistema de capitalização e condena os idosos à miséria, com aposentadorias que não chegam à metade do valor do salário mínimo daquele país”.

    Ampliar a mobilização

    Araújo também ressaltou a necessidade de promover “um amplo debate na sociedade, buscar o apoio dos movimentos sociais, da CNBB, da OAB e atuar intensamente também nos espaços institucionais. Vamos atrás dos parlamentares sabendo que no Congresso Nacional há muita resistência a apoiar os pontos mais polêmicos da reforma”.

    Os líderes das centrais prometem conversar com prefeitos e governadores. “Sabemos que em cerca de 4 mil municípios os recursos canalizados para o pagamento das aposentadorias são maiores e mais significativos para a sobrevivência da economia do que o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A reforma proposta por Bolsonaro e Guedes será desastrosa para muitos prefeitos e governadores”.

    Outro ponto destacado é “a realização de uma ampla campanha de esclarecimento da opinião pública, que vem sendo bombardeada com alarmes falsos e meias verdades por uma mídia que omite o fato de que as despesas financeiras do Estado, com o pagamento dos juros da dívida pública, consomem mais de 50% do orçamento. Há poucos dias Bolsonaro desviou cerca de R$ 600 bilhões da Seguridade Social, em nome da DRU, para o pagamento de juros e outras despesas. É nisto e na política de desonerações e conivência com o calote dos débitos contraídos pelos empresários com a Previdência que devemos mexer, é imperioso onerar os banqueiros e as empresas sonegadoras do INSS. Os ricos devem pagar a conta do ajuste fiscal e não mais os pobres”.

    Greve em São Paulo

    Durante a reunião os dirigentes das centrais reiteraram o apoio à greve dos servidores paulistanos contra a reforma da Previdência do governo Bruno Covas, que ampliou para 14% da folha a contribuição dos trabalhadores e trabalhadoras e investiu na privatização do sistema com a criação do Sampaprev, um fundo complementar de previdência privado. Os servidores querem a revogação do que chamam de "confisco salarial" e do Sampaprev.

    De acordo com o presidente da CTB “a greve do funcionalismo municipal de São Paulo, que por sinal está a cada dia mais forte, dá novo ânimo à luta nacional das centrais, dos movimentos sociais e da classe trabalhadora em defesa da Previdência Pública e dos direitos e conquistas da nossa classe trabalhadora. É só com muita luta que lograremos barrar a agenda reacionária de restauração neoliberal, defender a democracia, a soberania e resgatar no Brasil um projeto nacional de desenvolvimento capaz de garantir a retomada do crescimento econômico e o bem-estar do povo brasileiro”, concluiu.

  • Representantes das centrais sindicais, de sindicatos filiados, dos estudantes e de outros movimentos sociais se reuniram, nesta segunda-feira (20), na sede do Dieese, para reforçar a mobilização da greve geral do próximo dia 14 de junho contra a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo e que está em tramitação no Congresso Nacional. 

    Para o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, o abaixo-assinado que está sendo levado às fábricas, bairros e praças públicas é um dos principais instrumentos do momento para mostrar aos parlamentares que a proposta é injusta, tira direitos e mantém privilégios.

    “A indignação popular contra os ataques aos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários da classe trabalhadora está aumentando em todo o Brasil”, avalia Torres que também é presidente d presidente da CNTM e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

    O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, Juruna, explica que na reunião desta segunda foi definido um calendário de ações para fortalecer a Greve Geral do dia 14 de junho. "Reafirmamos nossa unidade na luta em defesa da aposentadoria", afirma o sindicalista.

    Confira a seguir o calendário de ações de preparação e organização da Greve Geral do dia 14 de junho:

    22 de maio

    Plenária Estadual Unificada - Rio de Janeiro

    Horário: às 14h

    Local: Sede da Força Sindical

    Endereço: Rua Silvino Montenegro nº 88, Gamboa - Centro

    23 de maio

    Plenária Estadual Unificada - Distrito Federal

    Horário: às 19h

    Local: Sindicato dos Bancários

    Endereço: EQS 314/315 - Asa Sul

    27 a 31 de maio

    Semana de intensificação de coleta de assinaturas do abaixo-assinado contra a proposta de reforma do Governo

    27 de maio

    Plenária Estadual do Setor de Transportes do Estado S.Paulo

    Horário: às 14h

    Local: Sede do Sindicato dos Metroviários SP

    Endereço: Rua Serra de Japi, 31 - Tatuapé, São Paulo

    27 de maio

    I Plenária Estadual Unificada – Pernambuco

    Horário:  15h

    Local: sede do SINDSEP

    Endereço: R João Fernandes Vieira, 67 - Boa Vista - Recife, PE

    27 de maio a 07 de junho

    Pernambuco - Período indicativo para os sindicatos realizarem assembleias de preparação à greve

    29 de maio

    Plenária Estadual Unificada - Rio Grande do Sul

    30 de maio

    Dia Nacional de Manifestação em Defesa da Educação

    Horário: a partir das 14h

    Local: São Paulo (Ato/Concentração no Vão Livre do Masp e caminhada até o Largo da Batata)

    31 de maio

    Plenária Estadual Unificada - Rio Grande do Norte

    5 de junho

    Encontro Nacional do Setor de Transportes

    Local: Salão Nereu Ramos (à confirmar), em Brasília

    6 de junho

    II Plenária Estadual Unificada – Pernambuco

    Horário: 16h

    Local: sede do SINDSEP

    Endereço: R João Fernandes Vieira, 67 - Boa Vista - Recife, PE

  • Por Felipe Bianchi (Barão de Itararé) e Leonardo Severo (Hora do Povo), de Santiago do Chile

    O regime de capitalização da Previdência no Chile, desejado pelo governo Bolsonaro, obriga os aposentados a seguirem trabalhando, muitas vezes, até morrer. É o caso de Mario Enrique Cortes, “jubilado” que, aos 80 anos, padeceu de insolação em pleno inverno, como jardineiro, em frente ao Palácio de La Moneda, em 2014. De lá para cá, o país vem acumulando episódios trágicos como este. Somado à onda crescente de suicídios na terceira idade – com tiro, enforcamento ou envenenamento -, o cenário escancara a realidade sombria de uma terra em que a aposentadoria foi transformada em negócio para benefício das Administradoras de Fundos de Pensão (AFP).

     

    villanueva

    Villanueva: No+AFP luta por sistema solidário e tripartite

     

    “O atual sistema de aposentadoria chileno tem 38 anos e foi imposto pela ditadura de Augusto Pinochet, em 1981. Não houve discussão. O parlamento era uma junta militar, composta por um representante de cada segmento das Forças Armadas. Os generais e o ministro do Trabalho da época, José Piñera, irmão do atual presidente do Chile, Sebastian Piñera, criaram as AFP. Hoje, a capitalização faz nossos idosos morrerem trabalhando e a taxa de suicídio bater recorde”, afirma o representante do movimento No+AFP (Chega de AFP), Mario Villanueva. O dirigente condena “a perversão de um sistema desenhado para que grandes grupos econômicos e seguradoras transnacionais ampliem seus lucros se aproveitando do sacrifício de milhões de aposentados”.

    Os idosos totalizam cerca de 16% da população chilena, de acordo com o censo de 2017, pouco mais de 2.800.000 pessoas. Uma em cada cinco segue trabalhando a fim de complementar a aposentadoria. Para Rosita Kornfeld, ex-diretora do Centro de Estudos de Velhice e Envelhecimento da Universidade Católica e especialista da Organização das Nações Unidas (ONU), tal número escancara o abandono desse segmento por parte do Estado. "Eles têm um problema grave de falta de recursos e também de solidão e desamparo, o que os leva a tomarem atitudes extremas", avalia. "Se não prestarmos mais atenção e cuidados, os casos de suicídio vão continuar crescendo".

     

    anapaulavieira

    Ana Paula Vieira: o tema do suicídio de idosos era invisibilizado, um tabu

     

    Radicada no país há 11 anos, a psicóloga brasileira Ana Paula Vieira, fundadora e presidenta da Fundação Miranos, se dedica ao trabalho de prevenção do suicídio entre os idosos. “Obviamente o aumento alarmante no número de suicídios não pode ser chamado de ‘fake news’. Há vários estudos, com dados oficiais do Ministério de Saúde, que revelam as taxas muito altas de suicídio na terceira idade em comparação com a média da sociedade chilena”, explica, em resposta à afirmação de Paulo Guedes, superministro da Economia de Jair Bolsonaro, de que as informações sobre o crescimento do fenômeno no Chile não passariam de notícias falsas.

    Vieira ressalta que só agora o tema começou a ser discutido de fato. “Até pouco tempo, o suicídio na terceira idade não era visibilizado por aqui. Falava-se muito de questões como moradia, o alto custo da saúde e, claro, a questão da aposentadoria, mas o suicídio continuava um tabu”, sublinha.

    Os casos emblemáticos de casais de idosos que tiraram a própria vida foram o estopim para que o tema finalmente entrasse em evidência, ganhando manchetes não só no Chile, mas também na mídia estrangeira. “Em 2018, as taxas continuaram altas e outros casos envolvendo casais de idosos vieram à tona e, por isso, o assunto vem recebendo tanta atenção, inclusive a nível de governo”, afirma. “Tenho ido ao Senado, como integrante da Comissão do Idoso, para apresentar dados e estudos sobre este problema”.

    O Estudo Estatísticas Vitais, do Ministério de Saúde e do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) do Chile é claro: entre 2010 e 2015, 936 adultos maiores de 70 anos tiraram a própria vida. O levantamento – que não contempla o agravamento detectado até mesmo pela mídia privada no último período – aponta que os maiores de 80 anos apresentam as maiores taxas de suicídio: 17,7 por cada 100 mil habitantes – 70% superior à média do continente seguido pelos segmentos de 70 a 79 anos, com uma taxa de 15,4, contra uma taxa média nacional de 10,2.

    Segundo o Centro de Estudos de Velhice e Envelhecimento, da Universidade Católica, são índices mórbidos, que têm crescido de forma acentuada e que colocam o Chile como um dos países com os mais altos índices de suicídios nesta faixa etária em toda a América Latina. O fato de muitos meios de comunicação no Brasil citarem pretensos estudos tendo por base dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2012, apenas revela a tentativa de fugir do debate, pois foi a partir daí que, passadas as três décadas da “reforma” ditada por Pinochet, “os idosos começaram a receber as suas aposentadorias e puderam dimensionar o quão pouco receberiam e que seu dinheiro não daria para nada”, explica Mario Villanueva. Atualmente, 80% das aposentadorias estão abaixo do salário mínimo (301 mil pesos, ou 1.738 reais ) e 44% abaixo da linha da pobreza.

    Uma parcela significativa dos aposentados recebe cerca de 110 mil pesos (635 reais), quantia inexpressiva em um país em que os remédios e a alimentação são particularmente caros. Para se ter uma ideia do que representam esses diminutos ganhos no dia a dia dos chilenos, basta observar que, desde fevereiro, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) calcula que o preço da cesta básica alimentar em torno de 67.235 pesos (388 reais). A “canasta” está composta pelos seguintes produtos e quantidades: leite, 10 litros - $ 7.876; pão, 10 unidades de 500 gramas - $ 8.167; arroz, 1,5 quilo - $ 1.392; ovos, 20 unidades - $ 2.993; queijo, um quilo - $ 6.137; carnes de frango e de vaca, seis quilos - $ 29.533; frutas, seis quilos - $ 5.022 e verduras, oito quilos - $ 6.115. "Isso sem contar as contas luz, gás e os altos custos de medicamentos e moradia", acrescenta Villanueva.

    MISÉRIA, ABANDONO E SOLIDÃO

    Apesar de ser lógico traçar um paralelo entre esse índice e a condição de miséria imposta por um sistema de Previdência que, na prática, nega o direito à aposentadoria digna a uma enorme parcela da população, Ana Paula Vieira alerta: “o suicídio é um fenômeno multicausal. Na terceira idade, ele tem a ver com abandono, com solidão e, obviamente, com problemas financeiros. A discussão passa muito pela precariedade da saúde e por dificuldades econômicas dos idosos. Entretanto, é preciso educarmos a sociedade sobre a complexidade desse problema para conseguir enfrentá-lo ao invés de escondê-lo”

    “Claro que para impor um sistema de Previdência como o do Chile, foi necessário haver manipulação midiática e campanha de marketing. Mas não foi só isso. É um sistema imposto pela força”. Esta é a avaliação de Oriana Zorrilla, histórica jornalista chilena. “Se não tivesse ocorrido a ditadura e a repressão, somadas às mentiras e ilusões vendidas à população sobre o modelo de aposentadoria, não teria sido possível aprovar um sistema assim”.

     

    oriana

    Oriana Zorrilla: mídia faz campanha pelas AFP

     

    Presidenta do Conselho Metropolitano do Colégio de Jornalistas do Chile, entidade que defende a categoria no país, Zorrilla viveu concretamente a experiência da implementação das Administradoras de Fundos de Pensão (AFP), que transformaram a Seguridade Social em ativos do mercado financeiro a partir da capitalização individual da Previdência. Por ter começado a contribuir antes do novo sistema entrar em vigência, a jornalista conseguiu se aposentar pelo modelo antigo. “A única vantagem que tenho de ser velha é ter o privilégio de ter uma aposentadoria digna, já que me aposentei pelo sistema anterior, infinitamente melhor que o das AFP”, sentencia.

    “Meu marido, um engenheiro eletrônico especializado em medicina nuclear, sempre teve um salário três a quatro vezes maior que o meu. No entanto, sua aposentadoria, que é paga pelo sistema das AFP, é muito menor que a minha”, diz. Segundo Zorrilla, o marido dela, como milhões de cidadãos chilenos, teve o azar de ter começado a contribuir somente no sistema imposto pela ditadura, o que foi obrigatório a partir da sua instalação.

    “Por ter sido gerente e recebido um salário maior que o meu a vida toda, todos me diziam que ele era um bom partido. Agora, eu sou o bom partido, por não depender do sistema das AFP. É um contrassenso total”, ironiza.

    Os jornais e as emissoras de rádio e televisão venderam muitas mentiras sobre o que seria este modelo de aposentadoria, relata Zorrilla. “Os meios de comunicação não só fizeram, lá atrás, como seguem fazendo campanha para um sistema que, na realidade, é um assalto à mão armada contra toda classe de trabalhadores: de jornalistas a engenheiros, de funcionários públicos a operários”.

    Há poucos dias, o Colégio de Jornalistas promoveu o leilão da biblioteca de um consagrado jornalista de Santiago, Rodrigo Beitia, diagnosticado com Alzheimer. “A família deste profissional brilhante colocou à venda todos os livros adquiridos ao longo de sua vida para ajudar a pagar um tratamento e um lugar adequados para os cuidados de saúde necessários”, conta. “Por um lado, é um gesto bonito, pela solidariedade que ele recebeu de todos nós. Por outro, é um retrato que escancara uma realidade angustiante”.

    CONTABILIDADE NEFASTA

    Mario Villanueva ressalta que “enquanto bancos como o BTG Pactual (do ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes) pagam 4% de remuneração pelo dinheiro aplicado, cobram dos mesmos trabalhadores chilenos uma taxa de juros de 25% a 30%, fazendo com que tais instituições financeiras multipliquem rapidamente o seu patrimônio”. Assim, o total de fundos acumulados pelas AFPs já beira os 220 bilhões de dólares, explca, o equivalente a 75% do Produto Interno Bruto (PIB) do Chile. “Dois terços destes recursos, US$ 151,9 bilhões, estão, conforme a Fundação Sol, sob o controle de três empresas norte-americanas: Habitat, US$ 57,76 bilhões (27,4%); Provida, US$ 53,03 bilhões (25,2%) e Cuprum, US$ 41,14 (19,5%)”, esclarece Villanueva.

    É para mudar esta irracionalidade que a No+AFP propôs recentemente ao parlamento um projeto que enfrente este modelo. “Estamos vivendo as consequências de um sistema instalado por uma ditadura, cujos impactos recaem sobre uma população que vai envelhecendo com aposentadorias insuficientes para sobreviver com um mínimo de dignidade. Isso se repete cada vez mais e vamos tendo muitos exemplos de idosos que se suicidam porque não podem mais viver com essas pensões e que estão sós. Porque quando se impõe o neoliberalismo, o 'salve-se quem puder', as famílias vão se desagregando, multiplicando-se os casos de abandono e suicídio”, aponta.

    Villanueva recorda que a palavra jubilación (aposentadoria, em espanhol) vem de júbilo – alegria, empolgação, entusiasmo –, período em que as pessoas deveriam estar desfrutando. O oposto disso, enfatiza, é o caso do casal de idosos que após mais de cinco décadas juntos decidiu pôr fim às suas vidas, mencionado também por Ana Paula Vieira. “O fato é que com recursos cada vez menores, os filhos – que também não são tão novos – têm que passar a se responsabilizar pelos pais. E quando não há filhos, os pais passam a depender de vizinhos. Tudo para que uns poucos especuladores, bancos e transnacionais, lucrem de forma exorbitante”, protesta.

    *O Coletivo de Comunicação Colaborativa ComunicaSul está no Chile com os seguintes apoios: Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Diálogos do Sul, Federação Única dos Petroleiros (FUP), Jornal Hora do Povo, Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Sindicato dos Metroviários de São Paulo, CUT Chile e Sindicato Nacional dos Carteiros do Chile (Sinacar). A reprodução é livre, desde que citados os autores e apoios.

     

    Com informações de comunicasul.blogspot.com

  • Francisca Pereira da Rocha Seixas

    Dois acontecimentos desta segunda-feira (15), deixam claro o obscurantismo que vivenciamos no Brasil de Jair Bolsonaro. Esse desgoverno que já em campanha eleitoral elegeu as professoras e professores como inimigos. Justamente pela importância que a educação tem na vida de um país.

    Repercute nacionalmente, a ameaça da Justiça amazonense de prender a presidenta do Sindicado dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), Ana Cristina Rodrigues por causa da greve por tempo indeterminado iniciada nesta segunda.

    As trabalhadoras e trabalhadores da rede pública do estado, garantem terem cumprido todos os requisitos exigidos por lei para a decretação da greve, depois de terem movido todos os esforços em defesa do diálogo.

    Com a recusa do governador Wilson Lima (PSC) em receber os dirigentes do Sinteam, a categoria decidiu pela deflagração da greve na terça-feira (9), com início nesta segunda. Ao sentir a firmeza das professoras e professores em levar adiante o movimento que reivindica 15% de reajuste salarial e melhorias estruturais nas escolas, o governador que não dialoga, entrou com pedido de ilegalidade do movimento grevista na Justiça. Além de não se sentar à mesa de negociação, o governador oferece somente 3,93% de reajuste.

    No início de uma manifestação pública, em Manaus, uma oficial de Justiça compareceu ao local para entregar uma intimação para Ana Cristina, que não se encontrava. A oficial então ameaçou prender a sindicalista e punir o sindicato caso a greve continue. Isso sem a Justiça ter se pronunciado ainda sobre o pedido do governador.

    Truculência em Goiás

    Também pela manhã desta segunda-feira, a professora de Sociologia, Camila Marques, do Instituto Federal de Goiás, na cidade de Água Lindas de Goiás, foi detida pela polícia civil que estava dentro da escola, supostamente à procura dos responsáveis por uma ameaça de atentado.

    Camila conta que ao sair de sua sala de aula presenciou a ação truculenta da polícia, sem nenhuma explicação. "Os policiais abordavam os alunos de um jeito truculento, ofensivo. Aí eu comecei a filmar. Um policial disse que eu não podia e que eu ia ser detida. Perguntei por que e ele afirmou que era um procedimento sigiloso", disse ela ao G1.

    Então a professora, que também é dirigente Sindicato Nacional dos Servidores Federais

    da Educação Básica, Profissional e Tecnológica, conta que foi ameaçada por filmar a ação policial. Então foi detida, algemada, teve o celular apreendido e encaminhada à delegacia acompanhada de três estudantes, todos com menos de 18 anos, sem a presença dos pais e ela foi impedida de ligar para o advogado.

    É preciso denunciar toda ação ilegítima contra a educação e contra a integridade de quem dedica a vida a ensinar. Os docentes brasileiros merecem mais respeito. Vivemos tempos obscuros, mas resistiremos à opressão, nos organizando e defendendo o Estado Democrático de Direito, a Justiça, a liberdade e a educação pública.

     

    Francisca Pereira da Rocha Seixas é secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da APEOESP e Secretária de Saúde dos/as Trabalhadores em Educação da CNTE

  • Formatado unicamente para tocar a agenda ultraliberal, atender os interesses do grande capital e fortalecer a supremacia dos Estados Unidos no continente, o governo Bolsonaro continua espalhando miséria e medo entre os brasileiros. Somente no primeiro trimestre do ano, o desemprego aumentou 10,2%. É demais.

    Quer dizer, de janeiro a março mais 1,2 milhão de pessoas no Brasil passaram a engrossar o exército de desempregados. O número total de brasileiros e brasileiras sem emprego saltou para 13,4 milhões. É muita gente. A falta de confiança predomina em todos os setores da economia, com exceção do sistema financeiro, com lucros cada vez maiores.

    Os dados são do IBGE, que também indica um aumento de 5,6% na população subutilizada no mercado de trabalho, que hoje atinge 28,3 milhões de pessoas.

    A situação é altamente preocupante pois em um cenário economicamente tão desfavorável o governo acaba com o programa de valorização do salário mínimo, quer extinguir as férias, o 13º salário e o FGTS, além de impor uma reforma da Previdência que acaba com a aposentadoria. Cenário sombrio.

     

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • O ministro da Educação, Ricardo Vélez, encontrou-se com o presidente Bolsonaro nesta segunda (11) para conversar sobre as disputas que vêm ocorrendo no seu ministério. Discípulos do astrólogo Olavo de Carvalho (olavettes, como ele os chama, dentre os quais está o próprio ministro), religiosos apoiados pela banca fundamentalista e setores militares que ocupam o ministério se digladiam.

    A pedido de Bolsonaro, Vélez exonerou, em edição extra do Diário Oficial da União dia 11, o coronel Ricardo Wagner Roquetti, ex-olavette e agora persona non grata para o grupo. Também foram exonerados Tiago Tondinelli e Sílvio Grimaldo, ligados a Olavo.

    Escreve a Revista Fórum: “A briga no ministério começou na semana passada, quando o ministro resolveu afastar funcionários que defendiam políticas de viés ideológico. A mais importante delas foi a carta enviada às escolas pedindo que o slogan de campanha de Bolsonaro fosse lido e que crianças fossem filmadas cantando o Hino Nacional.

    Fogueira das crendices

    Vélez deixou os ‘olavistas’ de lado e passou a se aconselhar com seus ex-alunos e com o secretário executivo Luiz Antonio Tozi, que foi diretor do Centro Paula Souza, administrador das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) em São Paulo”.

    A peleja levou a que o jornal Folha de S. Paulo classificasse o MEC como uma “Fogueira das crendices” em editorial deste dia 12, terça-feira. Para a publicação, o Governo Bolsonaro trata “a pasta como quintal para estripulias dos setores mais caricatos na coalizão de forças conservadoras que elegeu o presidente. O mesmo se observa no Itamaraty".

    Não se tem notícia de que haja algum projeto educacional envolvido por trás das vaidades em litígio, mas uma outra voz governista, o presidente do Banco do Brasil, economista Rubem Novaes, no melhor estilo hitlerista, afirmou que somos, “em razão de gênero, etnia, origem social, nacionalidade etc., diferentes e temos diferentes aptidões”. Na palestra, agora divulgada, mas proferida em outubro de 2017, queixou-se de que, ao contrário dos brasileiros descendentes de europeus com melhores condições econômicas diminuírem a quantidade de fillhos por casal, os demais continuam reproduzindo a espécie demais da conta – e crianças de matéria prima ruim!. Falando sobre educação (ele foi professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas), proferiu: “O processo produtivo da Educação é sui generis já que a criança está ao mesmo tempo na matéria prima e no produto final. É a mesma criança em dois estágios diferentes de vida. Como em qualquer produção, se a matéria prima não é boa, o produto final, criança educada, também não o será”.

    A matéria prima educacional do atual governo tem sido o avanço do obscurantismo e da militarização no ensino, o ataque à liberdade de cátedra, de pensamento e de manifestação nas escolas, os baixos recursos para a educação, a ameaça aos direitos dos profissionais de ensino e demais trabalhadores na reforma da Previdência e a tentativa de destruir suas entidades sindicais.

    Carlos Pompe, jornalista da Contee

  • A produção industrial brasileira registrou em março uma queda de 1,3%, na comparação com fevereiro, revertendo e anulando o crescimento de 0,6% observado no mês anterior, segundo divulgou nesta sexta-feira (3) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com mais esse resultado negativo, o setor passou a acumular queda de 2,2% no ano.

    É simplesmente o pior resultado mensal desde setembro do ano passado, quando houve queda de 2,1% na produção do setor. Na comparação com março do ano passado, a indústria caiu 6,1%, recuo anual mais intenso desde maio de 2018 (-6,3%).

    Queda generalizada

    Houve recuo na produção de três das quatro grandes categorias econômicas e 16 dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE. Caiu a produção de bens intermediários (-1,5%), bens de consumo duráveis (-1,3%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-1,1%) - o primeiro segmento teve o terceiro mês seguido de queda, acumulando perda de 2,7%. 

    Nem mesmo a alta de 0,4% na produção de bens de capital em março ante fevereiro é motivo de comemoração, segundo o gerente do IBGE André Macedo. "É tão somente uma acomodação", afirmou Macedo. 

    O pesquisador destacou que no acumulado de dezembro de 2018 a janeiro deste ano a produção de bens de capital encolheu 10,7%. No acumulado de fevereiro e março, houve alta de 5,1%, insuficiente para recuperar as perdas.

    Para Macedo, o quadro da produção industrial é de queda generalizada. "Há um claro predomínio de atividades e categorias econômicas em queda", afirmou o pesquisador do IBGE.

    Segundo o órgão, entre as atividades industriais, a principal influência negativa foi em produtos alimentícios, (-4,9%), que eliminou parte da expansão de 13,8%, acumulada no período novembro de 2018 a fevereiro de 2019. A produção de veículos automotores, reboques e carrocerias caiu 3,2%.

    Expectativas frustradas

    O resultado veio pior que o esperado pelo mercado. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de quedas de 0,7% na comparação mensal e de 4,6% na base anual. No acumulado em 12 meses, o setor declinou 0,1%. Foi o primeiro resultado negativo desde agosto de 2017 (quando também caiu 0,1%), o que confirma a leitura de perda de ritmo e maior fraqueza da economia brasileira.

    Após esboçar uma recuperação no começo do ano passado, o setor voltou a entrar em uma trajetória descendente em julho de 2018 e, desde então, vem mostrando perda de dinamismo. Com o resultado de março, o patamar de produção da indústria brasileira fica 17,6% abaixo de seu ponto mais alto, alcançado em maio de 2011.

    "É como se a gente estivesse em janeiro de 2009”, resumiu o gerente da pesquisa, André Macedo, destacando que apesar do elevado nível de ociosidade indústria (o setor utiliza apenas 76,5% da capacidade instalada, o que significa que quase 50% das máquinas e equipamentos estão parados), a demanda também não tem crescido.

    "Dado que a gente observa todos esses indicadores no campo negativo, podemos dizer que estamos longe de pensar em qualquer trajetória de recuperação, que dirá de uma recuperação consistente”, avaliou.

    Queda de 0,7% no 1º trimestre

    Na análise trimestral, a produção industrial registrou queda de 0,7%, na comparação com o 4º trimestre de 2018. Já na comparação com os 3 primeiros meses do ano passado, o recuo foi de 2,2%.

    “Este é o resultado negativo mais intenso desde o 4º trimestre de 2016, quando havia recuado 3,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior”, destacou o gerente da pesquisa. “Desde o 4º de 2017, quando a indústria crescia 5%, o setor vem numa trajetória de redução de ritmo”, acrescentou.

    Questionado sobre as razões para a piora da produção industrial no país, o gerente da pesquisa apontou para a conjuntura econômica do país, com o mercado de trabalho afetando o consumo das famílias, o que influencia nas decisões de investimento por parte dos empresários. “Há outros fatores que também impactam nessa produção, como a redução de exportações importantes”, acrescentou, o que está associado à crise da Argentina.

    Bolsonaro agrava crise

    Disseram que a eleição de Jair Bolsonaro, descrito como “o queridinho do mercado”, iria estancar a crise ao despertar a fada madrinha dos investimentos privados. Mas os fatos sugerem que vem ocorrendo o contrário.

    Além de aumentar a insegurança e as incertezas as iniciativas do governo vão no sentido de aprofundar a crise também porque estão subtraindo investimentos públicos em áreas vitais, estimulando o arrocho dos salários e a precarização das relações entre capital e trabalho, aumentando o desemprego e reduzindo ainda mais a demanda interna.

    A alta ociosidade indica que o principal problema da economia é a insuficiência da demanda provocada pelo desemprego em massa, redução de salários e direitos e cortes dos investimentos públicos. Se a demanda crescesse, o que no caso pressupõe aumento da renda e do consumo popular, a recuperação da produção industrial seria possível mesmo sem novos investimentos em máquinas e equipamentos, através da utilização da capacidade ociosa e a contratação de novos trabalhadores e trabalhadoras.

    A política de restauração neoliberal vai em outra direção e tem responsabilidade ímpar pelo agravamento da crise, a estagnação da produção e o avanço do processo de desindustrialização da economia brasileira.

    Os neoliberais que infestam o Palácio do Planalto não dão o braço a torcer e prometem que após a aprovação da reforma da Previdência a recuperação virá com força. Mas já ouvimos esta mesma ladainha em relação à reforma trabalhista e ao congelamento dos gastos públicos. Contempla interesses poderosos, mas não é confiável. Tirar dinheiro, emprego e direitos da classe trabalhadora tem sido e é o caminho mais curto para agravar a crise.

  • Nesta quinta-feira (30/05), professores, estudantes e funcionários de universidades e institutos federais voltam às ruas do Brasil para pressionar recuo do governo, que cortou 30% de recursos da educação. 

    As manifestações desta quinta-feira representam a insatisfação da população com as medidas neoliberais tomadas por Bolsonaro e ministros. Os cortes congelam verbas da educação básica, cancelam bolsas de mestrado e doutorado, interrompem pesquisas e dificultam até o funcionamento básico das instituições. 

    A CTB participará do ato na luta pela educação pública de qualidade e gratuita como ferramenta indispensável no desenvolvimento humano e aniquilador de desigualdades sociais. 

    No último dia 15, a população de mais de 222 cidades de 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal mostrou a força. A agenda privatista e de desmonte está a todo vapor e o povo não deve cruzar os braços. O momento é de resistência.

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • A Contee, a Confedereção Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), sindicatos do setor e entidades estudantis se encontraram em Belo Horizonte (MG) nesta quinta-feira, 9, para debater a formação de um movimento em defesa da educação. “A educação está sendo duramente atacada pelo governo Bolsonaro, e temos que nos organizar para uma luta permanente em sua defesa. Nosso primeiro desafio é garantir o êxito da greve nacional dos trabalhadores no ensino no próximo dia 15”, considerou o coordenador-geral da Contee, Gilson Reis.

    O Palácio do Planalto resolveu cortar 30% das verbas de todas universidades federais, sucateando-as e preparando o caminho da privatização. O investimento em educação no Brasil caiu 56% nos últimos quatro anos. Entre 2014 e 2018, diminuiu de R$ 11,3 bilhões para R$ 4,9 bilhões. Ao mesmo transforma os professores em inimigos público número 1 dos cidadãos brasileiros, mandando filmá-los e denunciá-los como doutrinadores quando ministram suas aulas. Mesmo sem ter sido aprovado, o projeto Escola sem Partido já acontece na prática. Bolsonaro chegou a publicar em seu Twitter o vídeo em que uma estudante instiga uma professora de cursinho a criticar Olavo de Carvalho. A autora do vídeo, Tamires de Souza Costa de Paula, é secretária-geral do PSL em Itapeva (SP) e registrou candidatura a deputada estadual pelo partido em 2018. Ao mesmo tempo, Bolsonaro investe contra a aposentadoria dos professores e demais trabalhadores da educação, cortando direitos, aumentando a idade e o tempo de contribuição e preparando a privatização da Previdência.

    “A dimensão dos ataques à educação e à cultura e aos direitos do povo exigem resposta enérgica. É preciso ir às ruas, divulgar os motivos da nossa greve do dia 15 e preparar a greve geral de 14 de junho. Para isso é fundamental o fortalecimento dos sindicatos e das entidades populares e a formação de fóruns em defesa da educação em todos os municípios e estados. Estamos empenhados nisso e nas manifestações contra os projetos antipovo de Bolsonaro. Às ruas”, conclama o coordenador-geral da Contee.

    Estiveram presentes representações das seguintes entidades: Fitee; CTB; Sinprominas: UJS; SINDUTE; SindRede; ADPUC; Contee; JSB/PSB ; DCE-UFMG.

    Justificativas de ausência: Saaemg, Sindifes, Apub, Fasubra.

    Todas essas entidades, presentes e ausentes, estão na articulação.