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Seg, Jul

Jornal Nacional

  • Mais uma bola fora do presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro. Desta vez, ele tenta explicar o seu voto contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre os direitos das trabalhadoras domésticas, em 2013.

    “Fui o único a votar contra e em dois turnos. Não houve erro de minha parte. Essa lei levou milhões de homens e mulheres a virarem diaristas. Muita gente teve que demitir porque não teria como pagar”, disse Bolsonaro no Jornal Nacional, da Rede Globo, no final de agosto.

    “Não tem como justificar o voto contra a PEC das Domésticas”, diz Lucileide Mafra Reis, vice-presidenta da CTB-PA e dirigente nacional da central. “Conquistamos a nossa lei com muito suor, muita entrega e aí vem uma pessoa que quer presidir o país falar uma coisa dessas, chega a ser um atentado à inteligência e ao bom senso”.

    Se com a lei é muito “difícil fazer os patrões cumprirem com suas obrigações, imagine sem lei nenhuma”, argumenta. “Querem retornar ao tempo em que as famílias contratavam meninas pobres com a promessa de tratá-las como se ‘fossem da família’, mas eram praticamente escravas, sem jornada definida, sem descanso e sem direitos”.

    Reforma trabalhista

    “Com o golpe de 2016 e mais ainda com a aprovação da reforma trabalhista, nós já sentimos retrocessos enormes por causa do alto índice de desemprego do país”, afirma Lucileide, que também é presidenta da Federação das Trabalhadoras Domésticas da Região Amazônica.

    De acordo com a sindicalista paraense, a situação já está degradante.  “Estamos retornando décadas, onde não tínhamos nenhum direito”. Ela explica ainda que até o controle da jornada de trabalho é complicado para as trabalhadoras domésticas.

    Além disso, acentua, “essa história de que a conquista dos nossos direitos causou desemprego é uma falácia para justificar o desrespeito às leis”. Para ela, “é preciso explicar para esse senhor que nós não somos escravas e trabalhamos duro, muitas vezes saímos de casa antes das 5h da manhã e só chegamos à noitinha”.

    A lei e a vida

    Por isso, a aprovação da lei foi muito festejada. “Com a lei conseguimos, inclusive, diminuir o número de meninas, sem idade para trabalhar, exploradas no serviço doméstico”, afirma. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil é o país com maior número de trabalhadoras domésticas, cerca de 7 milhões.

    A PEC 72 – PEC das Domésticas – foi aprovada em 2013 e regulamentada pela Lei Complementar 150/2015, que assegura registro em carteira de trabalho e os direitos trabalhistas de acordo com a legislação brasileira.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Uma cena do seriado norte-americano “House of Cards”, protagonizado por Kevin Spacey, que interpreta o inescrupuloso parlamentar Frank Underwood, retrata de forma didática o golpe dado na democracia brasileira nesta quarta-feira (31). Assista a seguir. Dispensa comentários.

    Veja e compare com os acontecimentos do Brasil  

    "Sincericídio" de políticos brasileiros

    O senador golpista Álvaro Dias (PV-PR) disse em entrevista à TV Senado que as testemunhas e todo o desenrolar do processo do impeachment, não alterariam nada na votação final. “Isso é uma encenação, cumprimento de uma formalidade. Isso aqui é tribunal político”, disse.

    E confirmou toda a encenação, mesmo antes do fatídico dia 31 de agosto. “Já há uma consolidação de algumas convicções” e nada “interfere em relação aos crimes praticados ou não pela presidente”.

    Assista o "sincericídio" de Álvaro Dias 

    Já o conterrâneo golpista de Dias, Acir Gurgacz (PDT-PR) foi ainda mais enfático. “Nós temos a convicção de que não há crime de responsabilidade fiscal nesse processo, mas falta governabilidade (para Dilma)”, afirmou o “sincero” senador.

    Confira a "sinceridade" de Acir Gurgacz, que virou a casaca no último momento 

    Parece que os atos de “sinceridade” começam a assolar o país. O apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, reconhece ter havido erro em notícia onde afirmava que a Receita Federal havia suspendido a isenção de impostos do Instituto Lula.

    Veja o Jornal Nacional confirmando erro de "informação" 

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • O rapper Mano Brown, do grupo Racionais MC's, da periferia paulistana, desabafou em show no Rio de Janeiro e disse que "enquanto a favela faz silêncio, a elite manipula". Para ele, o domingo (17) entra para a história como "o dia em que o povo se omitiu. O dia que a favela ficou quieta e fez silêncio e deixou eles tomarem o que a favela conquistou".

    O artista disse também que "agora nos últimos dias eu vi a população virar as costas pra Dilma". E complementa afirmando ter visto uma armação "dentro de uma televisão de terceiro mundo" E "o que é um país de terceiro mundo desinformado, onde uma televisão elege e derruba quem eles querem".

    Ele diz também que é mentira que São Paulo tenha uma maioria de italianos e japoneses. "Em São Paulo, a maioria da população é de preto".

    E essa população "tá usando tudo isso de droga: cocaína, maconha, balinha, lança-perfume, novela da Globo, Jornal Nacional, todas as drogas possíveis. Vamos chapar?", ironiza. "Vamos ficar doidão de Jornal Nacional, de William Bonner"...

    Leia mais aqui e   aqui.

    Assista o desabafo completo. Mano Brown, dos Racionais MC's adverte que a Globo faz mal à saúde:

     

    Ao mesmo tempo palhaços de todo o Brasil assinam Carta de Repúdio ao deputado federal Tiririca (PR-SP), que se diz palhaço, sem merecer tal designação. Leia o manifesto na íntegra:

    Carta de Repúdio ao deputado Tiririca por Palhaços e Circos Brasileiros

    Ao Excelentíssimo Senhor Tiririca
    deputado federal

    Senhor deputado,

    Nós, palhaças e palhaços profissionais, brasileiros e estrangeiros engajados na defesa da democracia do Brasil, manifestamos nossa mais completa insatisfação e repúdio em relação à postura e ao voto de V.Exa na votação do processo de impeachment do último domingo, 17 de abril de 2016.

    Como o senhor bem sabe, nossa profissão se baseia, acima de tudo, na verdade e na honra com a qual o artista se dirige a seu público.

    O que certamente nos diferencia do senhor, na atual situação de nosso país, é a coragem ética com a qual nós, ao contrário de V.Exa, lutamos pela consolidação da, ainda frágil, democracia brasileira.

    Sabemos perfeitamente que, em nosso sistema constitucional, não se pode derrubar um governo simplesmente porque não se concorda com sua política. É preciso que se prove a existência de crime de responsabilidade. E tal noção de crime, forjada do dia para noite, em uma Câmara cujo presidente é investigado na operação Lava Jato, arranha consideravelmente a legitimidade de um processo que se pretende honesto.

    V.Exa não quer, ou não tem interesse em observar esses fatos com isenção, honra e justiça. Daí nossa brutal e essencial diferença.

    Portanto, deputado Tiririca, trocando em miúdos: no último domingo, lamentavelmente, o senhor não representou os palhaços e palhaças profissionais, envergonhando aqueles que buscam honrar o seu ofício de levar alegria ao povo brasileiro.

    Assinam esta carta, as entidades circenses, os coletivos de circo e da palhaçaria e os artistas abaixo:

    COOPERATIVA NACIONAL DE CIRCO
    COOPERATIVA PAULISTA DE TEATRO
    HUGO POSSOLO E RAUL BARRETTO - PARLAPATÕES PATIFES E PASPALHÕES – SP
    FERNANDO SAMPAIO - CIA. LA MÍNIMA – SP
    ESIO MAGALHÃES E TICHE VIANNA - BARRACÃO TEATRO – SP – CAMPINAS
    FERNANDO YAMAMOTO - CLOWNS DE SHAKESPEARE – RN
    DAGOBERTO FELIZ E SUZANA ARAGÃO – FOLIAS D´ARTE – SP
    LILY CURCIO - SERES DE LUZ – SP - CAMPINAS
    VAL DE CARVALHO - COLETIVO SAMPALHAÇAS – SP
    PAULO FEDERAL - CASA 360 – ESPAÇO DE ARTE E BEM ESTAR – SP
    ANGEL BONORA JORDA - ESPAÑA.
    ANGELA DE CASTRO – INGLATERRA
    CLAUDIO CARNEIRO – CIRQUE DU SOLEIL
    IVAN PRADO – PORTAVOZ INTERNACIONAL DE PALLASOS EM REBELDIA
    DUO FINELLI - EUA
    ERIN LEIGH CRITES – EUA
    DANIELA BARROS – RJ
    VERA LUCIA RIBEIRO - AS MARIAS DAS GRAÇAS – RJ
    ESTUDANTES DO INSTITUTO DE ARTES DA UNESP
    FESTIVAL DOS INHAMUNS DE CIRCO, BONECOS E ARTES DE RUA - CE
    CIRCO ESCOLA LONA DA MARIA – CE – ITAPIPOCA
    MOVIMENTO POPULAR ESCAMBO LIVRE DE RUA - BRASIL
    ANEPS (ARTICULAÇÃO NACIONAL DE MOVIMENTOS E PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO POPULAR E SAÚDE) – SC
    PONTO DE CULTURA GALPÃO DA CENA DE ITAPIPOCA – CE
    ASSOCIAÇÃO DE ARTES CÊNICAS DE ITAPIPOCA -AARTI- CE
    CIRCO GUARACIABA – SP - SOROCABA
    INSTITUTO HAHAHA - MG
    LONA BAMBA – SP
    FORÇAS ARMADAS - SP
    VERA ABBUD E PAOLA MUSSATI - CIA. PELO CANO – SP
    LUCIANA VIACAVA - CIA DO Ó - SP
    SILVIA LEBLON - NA COMPANHIA DOS ANJOS – SP – CAMPINAS
    CIRCO DI SÓ LADIES - SP
    CIA. CROMOSSOMOS – SP
    CIRCO DO ASFALTO – SP - SÃO BERNARDO DO CAMPO
    COLETIVO BASSUSSEDER - SP
    CIA VÔOS – SP
    ESQUADRILHA DA RISADA - SP
    CIA. DA REPRISE – SP
    EXÉRCITO CONTRA NADA – SP
    CLOWBARET - SP
    BANDO DE PALHAÇOS - RJ
    CIA. MARAVILHAS – PE
    CIA. HUMATRIZ - PE
    LAS CABAÇAS – PARÁ - BRASIL
    CIRCOVOLANTE - MG
    GRUPO OFF-SINA - RJ
    CIA DO SOLO - RJ
    NÚCLEO ARTÍSTICO GEMA - RJ
    CIA THEATRO EM CENA - MT
    COMPANHIA CÊNICA VENTURA - RN
    GRUPO TEATRAL NATIVOS DA TERRA RASGADA – SP - SOROCABA
    COLETIVO M´BOITATA – MS - DOURADOS
    CHARANGA MUTANTE - RJ
    CERVANTES DO BRASIL - CE
    BANDO LA TRUPE- RN
    CIA. CIRANDUÍS - RN
    CIA. ARTE E RISO DE UMARIZAL - RN
    CIA ARTE VIVA DE SANTA CRUZ - RN
    GRUPO CAFURINGA DE RECIFE - PE
    MOVIMENTO CHÁ, CAFÉ, PROSEADO - RN
    CENOPOESIA TRAK-TRAK - RN
    PALHAÇO GOURMET – PR
    CIRCO RODADO – PR
    COLETIVO MIÚDO – PR
    DONA ZEFINHA - CE
    CIRCOVOLANTE - MG
    PALHAÇO CUS-CUZ - JUNIO SANTOS - BRASIL
    CIA. GÊMEA - MG
    CIA. BALÉ BAIÃO - CE
    ARTE JUCÁ - CE
    COLETIVO VAGAMUNDO - RS

    Portal CTB com informações dos Jornalistas Livres e Portal Vermelho

  • Há 23 dias em greve de fome e em estado de debilidade física, os ativistas que jejuam por justiça no país e pela liberdade para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não aparecem na mídia tradicional. Uma pesquisa simples no Google mostra que só os veículos independentes repercutem o fato.

    Para o jornalista e professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) Laurindo Lalo Leal Filho, a mídia comercial brasileira mostra que trabalha como um partido político, desinformando a população sobre assuntos que não atendem a seus interesses comerciais. "As pessoas se colocam no limite da morte e, em qualquer parte do mundo, é notícia. Quando chegamos a 23 dias, com a possibilidade de um desfecho fatal, isso é informação, mas não é noticiado porque se choca com os interesses da mídia e os ativistas são vistos como adversários", critica o professor, em entrevista ao jornalista Rafael Garcia, na Rádio Brasil Atual.

    O especialista lembra que essa exclusão é seletiva. Em 2007, o bispo de Barra (BA), Dom Luiz Flávio Cappio fez greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco por 24 dias. "No governo Lula, a mídia dava grande espaço para isso. Hoje, são sete militantes fazendo a greve e são esquecidos pela grande imprensa", diz Lalo.

    Os grevistas, que fazem parte de movimentos sociais, querem que a presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, coloque em pauta as duas ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs) sobre a legalidade da prisão após decisão de segunda instância, situação do ex-presidente Lula. "Enquanto não enfrentarmos esse partido político da mídia, com a força da democrática, a nossa democracia fica prejudicada. É lamentável o que acontece com a informação no Brasil", lamenta o professor sobre o monopólio do grupo Globo.

    O apresentador do Jornal Nacional, Willian Bonner, anunciou na última segunda-feira (20) que o veículo não realizará cobertura eleitoral do candidato do PT.

    Fonte: Rede Brasil Atual

  • O Jornal Nacional, da Rede Globo, não dedicou um segundo de sua grade diária às ocupações das escolas públicas pelo Brasil na noite desta segunda-feira (24) - um dado estranhíssimo, considerando a morte do jovem Lucas Mota, de 16 anos, há algumas horas. O estudante foi encontrado esfaqueado dentro de umas ocupações depois de uma briga em um banheiro.

    Seria de se imaginar que, diante de um fato chocante como esse, o noticiário daria ao menos uma nota simples sobre o tema, ainda que com um viés negativo. Mas não. Depois de um bloco de abertura dedicado às acusações rotineiras contra Lula e uma reportagem sobre furtos irrelevantes no centro de São Paulo, o jornal partiu direto para o noticiário internacional, e daí foi para outras amenidades.

    Impressiona o fato de que, desde o início das ocupações, o programa não mencionou a movimentação dos alunos ou os confrontos crescentes com o governador Beto Richa (PSDB-PR) ou o Movimento Brasil Livre em uma única edição.

    Chegou a fazer uma reportagem sobre frutas exóticas nesse período.

    Jornalisticamente falando, no entanto, teriam muito a explorar, se fizessem um esforço sincero: as motivações dos alunos para impedirem o funcionamento comum das escolas, a decisão dos professores paranaenses de entrar em greve, as agressões crescentes do MBL contra os ocupantes, as manifestações por todo o Brasil nesta segunda-feira (24), a nota de pesar oficial da União Nacional dos Estudantes sobre a morte de Mota, o relato inicial dos investigadores sobre o ocorrido. Aparentemente, não encontraram notícia nessas coisas.

    Outros programas da Globo seguiram padrão parecido. No programa Encontro com Fátima Bernardes, na parte da manhã, a equipe de jornalismo da emissora levou até o “lenhador da PF” para uma entrevista, mas jamais algum representante do movimento estudantil.

    Mesmo para os padrões da imprensa aristocrática brasileira, esse grau de silenciamento político surpreende. Diante das 1.072 escolas secundárias e 73 universidades públicas ocupadas por todo o país, a opção-padrão dos jornalões tem sido criminalizar as ações dos estudantes, ainda que reconhecendo a dimensão da ação. Diante do assassinato, publicaram longos textos ligando as ocupações ao uso de drogas e à depredação dos prédios - algo que disparou seus leitores em um frenesi fascista nada incomum.

    O departamento de jornalismo da Globo segue sua trajetória decadente, exacerbada durante a segunda eleição de Dilma. Será que nem mesmo a morte de um estudante é suficiente para afastá-los do programa ideológico do mercado financeiro?

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Renata Vasconcellos, Roberto Irineu Marinho e William Bonner no novo estúdio do ‘Jornal Nacional’

    Nesta segunda-feira, 19 de junho, o Jornal Nacional foi um pouco diferente. A inauguração das novas dependências e do cenário do JN deram um tom de autocelebração ao noticiário noturno da Rede Globo de Televisão.

    Um novo estúdio, de 1370 m2, com 189 profissionais, 18 ilhas de edição, câmeras robóticas, e toda uma parafernália tecnológica foi apresentada para tentar convencer o telespectador de que o compromisso do Jornal Nacional e da Rede Globo é com o jornalismo, com a “verdade” e com o Brasil. Tudo foi feito “pensando em gente e a serviço da informação” diz a reportagem.

    Para dar pompa e circunstância à cerimônia eletrônica de inauguração, um púlpito no centro do estúdio foi ocupado pelo mais velho dos herdeiros e atual presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho.

    Lendo nas entrelinhas

    O diretor de jornalismo, Carlos Henrique Schroder, disse que o Jornal Nacional “ajuda a mudar a vida do brasileiro”. Taí uma verdade, o problema é que a mudança que eles defendem e promovem não é para melhorar a vida de todos, ou não é mudar para melhor. Nem precisamos buscar casos emblemáticos na história de 48 anos do jornal para perceber isso. Basta olhar a posição do JN, hoje, sobre dois temas fundamentais para “o brasileiro”: a Reforma da Previdência e Trabalhista.

    A emissora dos Marinho defende abertamente a aprovação do projeto que acaba com o direito de os trabalhadores terem acesso à aposentadoria e do projeto que acaba com os direitos trabalhistas garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Levantamento da ong Repórter Brasil mostra que entre os dias 20 e 30 de abril, 77% das notícias do JN foram favoráveis à Reforma Trabalhista. Do total de 11 minutos e 8 segundos analisados, 2min31s “pode ser considerada desfavorável ao projeto”. A reportagem em questão foi ao ar no dia da greve geral, 28 de abril, depois de todo um dia de criminalização da luta dos trabalhadores. Acesse aqui para ver o estudo da Repórter Brasil.

    O presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, num raríssimo caso de exposição da família na emissora, defendeu suas empresas, a missão e os princípios que as norteiam. Não mentiu, mas manipulou. Aliás, como muito bem nos ensinou o jornalista Perseu Abramo em sua obra “Os padrões de manipulação da grande imprensa” há quatro padrões principais utilizados pela grande imprensa para manipular a informação: ocultação, fragmentação, inversão e indução. Os quatro foram usados na “reportagem” e pronunciamento da Globo sobre a Globo, numa tentativa – aparentemente desesperada – de reafirmar perante aos telespectadores sua credibilidade, em meio ao que provavelmente seja a maior crise que a emissora já viveu.

    Roberto Irineu Marinho reitera que o principal compromisso de sua família é a continuidade dos negócios e dos “nossos princípios editoriais”. Em nenhum momento ele expõe quais princípios sejam estes, mas pela sua história, trajetória e comportamento a gente já sabe (defesa dos interesses de uma elite econômica, do estado mínimo para garantir a ampla mão invisível do mercado, a redução dos direitos sociais, muito dinheiro público para a iniciativa privada – particularmente para a própria Rede Globo e, claro, o descaso com a democracia e o apoio a golpes para garantir que os interesses anteriores sejam mantidos).

    O presidente das organizações Globo mostrou que não tem muita intimidade com o microfone e com as câmeras. Fez uma participação sofrível no seu telejornal, mas passou de forma enfadonha o recado político que queria: “Cuidar da saúde do grupo de empresas e do exercício de sua missão e princípios para entregá-las saudável à próxima geração que continuará a mesma tarefa. Somos e queremos continuar sendo uma empresa familiar”, disse.

    Roberto Irineu foi ao ar para dizer que os Marinho não vão abandonar a ambição de ser o grupo mais poderoso de mídia do Brasil. De continuar a exercer o poder político que o ambiente monopolista da radiodifusão lhe garante.
    E faz isso agora, justamente, para tentar minorar os revezes (momentâneos ou não) que sofreu no último período: a por enquanto frustrada tentativa de derrubar Michel Temer, a perda da hegemonia na transmissão de jogos de futebol (seja dos campeonatos regionais, seja da seleção), a perda de audiência, o fortalecimento de novos grupos de mídia (Google, Facebook, Netflix e outros) que colocam em xeque o modelo tradicional de negócios do Grupo Globo.

    O momento é delicado, para o Brasil e para a Globo

    O Brasil precisa reencontrar o caminho para restaurar a sua democracia, através da soberania do voto popular; adotar uma política econômica que leve ao crescimento interno e à geração de emprego e renda, com capacidade de investimento público e garantia de direitos sociais e trabalhistas; recuperar a política externa altiva e ativa que, combinada com a agenda interna, proporcione o fortalecimento da nossa soberania nacional.

    Já, o Grupo Globo precisa, nas palavras de seu presidente, “preservar e garantir a continuidade do nosso grupo de empresas”. Para isso, precisa trabalhar para que o país aprofunde a agenda neoliberal na economia, com profundo ajuste fiscal, redução dos investimentos públicos em áreas sociais e manutenção de uma política de juros que alimente o setor financeiro, reduzir direitos trabalhistas para ampliar a margem de lucro das empresas e precarizar as relações de trabalho de forma a reduzir o chamado “custo Brasil”, investir na desregulamentação da economia para manter privilégios e a concentração econômica.

    Nos 92 anos de existência do Grupo Globo, iniciados em 1925 com a fundação do jornal O Globo, praticamente não há um episódio sequer da história do país em que a posição da família Marinho tenha sido tomada em prol da democracia, da liberdade, da soberania ou da melhoria da vida do povo brasileiro. Pelo contrário, são 92 anos em defesa do poder econômico e da elite política conservadora. O Jornal Nacional levou essa linha editorial para a tela da TV e ampliou de forma avassaladora o poder da empresa. Não seria agora que eles iriam mudar de posição.

    Como disse sabiamente o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, quando estamos perdidos diante da conjuntura política olhe para a posição das empresas monopolistas da mídia. Elas nos servem de bussúla. Se estão indo para o norte, então não há dúvida, nosso caminho é para o sul.

    Renata Mielli é Jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Artigo originalmente publicado em sua coluna na Mídia Ninja.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • A participação do cantor e compositor Zezé di Camargo no canal da jornalista Leda Nagle no YouTube ilustra com precisão o pensamento político do brasileiro médio, aquele sujeito branco, do sexo masculino, heterossexual e autodenominado “pagador dos impostos”.

    De bônus, dá pistas de onde esse homem, também conhecido como “cidadão de bem”, obtém as influências para o seu pensamento político.

    Durante a entrevista, Zezé di Camargo disse que não houve ditadura militar no Brasil e sim um “militarismo vigiado” – sabe-se lá o que isso significa. “O Brasil nunca chegou a ser uma ditadura, daquela onde ou você está a favor ou você está morto”, disse o cantor.

    Segundo ele, há ou houve ditadura em Cuba, na Venezuela, China, Argentina e Chile. No Brasil não, pois o regime militar de 1964, de acordo com Camargo, “não foi tão sangrento”.

    Talvez ele conheça alguma escala baseada no número de mortos, desaparecidos e torturados para definir se um sistema é ditatorial ou não, mas não foi questionado a respeito disso pela Leda Nagle, que adotou uma posição mais aquiescente que confrontadora.

    Em seguida, insinuou que seria uma boa ideia os militares voltarem ao poder para fazer uma “depuração” na política. “O Brasil precisaria passar hoje por uma depuração.

    Se o Brasil até pensar em um militarismo para reorganizar a coisa, para doutrinar a coisa, entregar de novo, ‘limpamos essa corja, toma aqui o Brasil democrático de novo’, acho que o Brasil precisava passar por uma depuração dessa”, disse Camargo, que em 2014 fez campanha para Aécio Neves na disputa presidencial.

    Antes de soltar esses disparates, o cantor deu pistas de onde ele se abastece de informações para tecer seus comentários políticos.

    “Sou um inveterado e assíduo espectador de vocês (…). Eu sou alucinado por notícias, às vezes vejo a mesma notícia dez vezes”, disse a Leda Nagle, para depois revelar que assiste o Jornal Nacional e o canal Globo News.

    No fim das contas, Zezé di Camargo é só mais um brasileiro típico, do tipo que se informa principalmente pela TV, se esquece dos canalhas que apoiou no passado e ainda assim se acha apto a emitir opiniões sobre a conjuntura política. Mesmo confundindo a Romênia do ditador Nicolae Ceaușescu com a Hungria…

    Espectador da TV Globo, Zezé di Camargo e os demais “cidadãos de bem” defensores da intervenção das forças armadas na política brasileira têm na própria emissora um exemplo de conduta para adotar frente a determinados assuntos.

    Quando instigados a discutir política, deveriam se lembrar da performance de Glória Pires no Oscar 2016 e dizer simplesmente “não sou capaz de opinar”. Seria uma verdadeira depuração na política.

    Marcos Sacramento é cantor e compositor.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Pouco antes da votação final do impeachment, a principal emissora do mundo árabe, Al Jazeera, fez uma reportagem onde denuncia a participação da Rede Globo, pertencente à família mais rica do Brasil, os Marinho, em conspirações políticas. A mais recente para afastar a presidenta Dilma Rousseff do poder.

    Mostra o apresentador do Jornal Nacional, Sérgio Chapelin, dizendo que o ato das Diretas Já na Praça da Sé, centro da capital paulista, em 25 de janeiro de 1984, era para comemorar o aniversário da cidade, quando as 300 mil pessoas queriam o fim da ditadura.

    Conta também o apoio explícito que a emissora carioca deu a Collor de Mello na eleição presidencial de 1989, a primeira depois de 21 anos de ditadura fascista. O Jornal Nacional editou o último debate entre os candidatos contra Luiz Inácio Lula da Silva, quando não havia mais tempo de resposta.

    Além de apresentar a parcialidade total nas manifestações que ocorriam no país. A Vênus Platinada alterou a grade de programação para transmitir as manifestações a favor do impeachment da presidenta Dilma e ignorou ou criminalizou os movimentos contrários.

    A reportagem da Al Jazeera mostra ainda o envolvimento de políticos com a Globo. Muitos têm retransmissoras dela em seus estados. Mostra como o verdadeiro a oposição aos governos Lula e Dilma foi liderada pelos Marinho, com um poder de penetração ainda incontestável.

    Esse vídeo você não vai ver no Jornal Nacional 

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB