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20
Seg, Maio

Liberdade de imprensa

  • Relatório Agenda de Expressão (Expression Agenda ou XPA), elaborado pela organização não governamental Artigo 19, publicado nesta quarta (5) aponta que queda na liberdade de se expressar em ambientes online e em manifestações públicas.

    Os dados indicam que o nível de liberdade de expressão tem declinado no mundo há dez anos. O Brasil é o 2º país - seguido de Uganda, Nicarágua, Turquia - em que as garantias para a liberdade de expressão mais decaíram nos últimos três anos. 

    Hoje, segundo a Artigo 19, a liberdade de expressão está no seu nível mais baixo em uma década. 

    Como se verifica?

    A Artigo 19 explica que, para se chegar a essa conclusão, a organização considerou, em especial, os alarmantes os números de ataques a jornalistas em nível global: até agora 78 jornalistas foram mortos; 326 foram detidos (194 sob a acusação de terem enfrentado o Estado; 97% dos comunicadores presos trabalhavam em nível local; em média, 90% das agressões físicos contra jornalistas ficaram impunes.

    "Há uma ascensão muito clara ao poder de homens com um viés autoritário, Donald Trump tem funcionado como uma figura na qual muitos governantes se inspiram. É um movimento político que pode se tornar mais presente nas democracias do mundo”, indicou Thomas Hughes, diretor executivo da Artigo 19, ao externar alerta sobre fenômeno que não tem poupado nem países que tradicionalmente tinham esses direitos muito protegidos, como os Estados Unidos.

    Portal CTB - Com informações das agências

  • O jornal Folha de S.Paulo fez uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedindo que a Polícia Federal investigue ameaças feitas a três de seus jornalistas e um diretor por causa da reportagem que revelou a doação de empresários para a campanha do candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, para a disseminação de milhões de notícias falsas (fake News) pelo aplicativo WhatsApp ainda no primeiro turno das eleições.

    Para o jornal paulista, há "indícios de uma ação orquestrada com tentativa de constranger a liberdade de imprensa". Segundo a direção da Folha, depois da publicação da reportagem da jornalista Patrícia Campos Mello, na quinta-feira (18), um dos números de WhatsApp do jornal recebeu mais de 220 mil mensagens, por meio de mais de 50 mil contas do aplicativo.

    Inclusive, o WhatsApp de Patrícia foi hackeado. Parte das mensagens mais recentes dela foi apagada e mensagens pró-Bolsonaro foram disparadas para alguns dos contatos da agenda telefônica da jornalista.

    Muitas mensagens ameaçando Patrícia e seus colegas Wálter Nunes e Joana Cunha, que colaboraram com a reportagem. O diretor-executivo do Datafolha, Mauro Paulino, também recebeu ameaças pelo Messenger e em sua residência. 

    Saiba sobre a reportagem da Folha que provovou a ira dos Bolsonaro aqui.

    A brutalidade de seguidores de Bolsonaro já causa inúmeras vítimas. As notícias se espalham pelo mundo e o candidato cai nas pesquisas. Emmanuel Colombié, diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na América Latina, afirmou que "os ataques do candidato Jair Bolsonaro e de seus apoiadores  contra o jornal Folha de S.Paulo são inaceitáveis e indignos de um partido que pretende governar o país".

    Para Raimunda Gomes, Doquinha, secretária de Comunicação da CTB, “o candidato insufla o ódio com seus discursos beligerantes”. Isso porque no domingo (21), em São Paulo, Bolsonaro disse que vai varrer o país das pessoas que não concordam com ele. Qualquer semelhança com Hitler não é mera coincidência.

    O editorial do jornal Valor Econômico desta quarta-feira (24) também repudia a ação dos seguidores do candidato que afirmou recentemente que vai exterminar quem pensa diferente dele.

    Para o Valor a ação dos extremistas e o discurso de Bolsonaro “lembra a utilizada pela ditadura militar, defendida pelo candidato do PSL ao longo de seus obscuros 27 anos de mandato como deputado federal”.

    O candidato que não comparece a debates porque tem medo do contraditório, de acordo com o jornal destinado a empresários, “hostilizou e ameaçou vários órgãos de imprensa e no domingo (21) nomeou a Folha de S.Paulo como fonte de fake news, indigna de receber verbas da publicidade oficial”.

    O editorial afirma ainda que “Bolsonaro tem pouco apreço pela democracia, como demonstrou em seguidos discursos públicos a favor da ditadura e da tortura. As instituições democráticas, construídas após 21 anos dessa ditadura, poderão ser tensionadas se Bolsonaro for eleito e governar com o mesmo espírito com que disputou as eleições”.

    Doquinha reforça a necessidade de união de todas as forças democráticas para virar o voto nesta eleição e espantar essa ameaça ao país. “Todos juntos por Haddad para até poder criticar o seu governo depois se julgar necessário”. 

    Portal CTB

  • A cena onde as personagens Marocas e Miss Celine visitam uma escola municipal de São Paulo (Foto: Reprodução daTV Globo)

    Cada dia que passa fica mais evidente o posicionamento político da Rede Globo. Em toda a sua programação, ataca os interesses da classe trabalhadora e defende os valores da burguesia. A emissora da família Marinho confirma uma frase de Karl Marx, em seu livro Liberdade de imprensa: “Ninguém é contra a liberdade, no máximo se é contra a liberdade dos outros”.

    O capítulo 29, da novela O Tempo não para (dirigida por dirigida por Adriana Melo, Leonardo Nogueira e Marcelo travesso, com roteiro de Bibi de Pieve, Mário Teixeira e Tarcísio Lara Puiati), é um bom exemplo disso.

    Em uma cena a emissora ataca “de maneira vil o serviço público e o trabalho das educadoras e educadores nas escolas públicas, totalmente fora da realidade, com o objetivo de privilegiar os barões da educação, defendendo a privatização”, diz Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da CTB.

    Na cena, duas personagens visitam uma escola pública da rede municipal no bairro da Freguesia do Ó, na capital paulista. Aparece a diretora para atendê-las. Elas já perguntam porque não tem aula e a resposta é que as educadoras e educadores estão em greve.

    Confira aqui a cena que foi ao ar no dia 1º de setembro 

    A diretora pergunta o que querem. Uma diz que é professora e está desempregada. A diretora então responde que para trabalhar ali somente através de concurso. A outra quer vaga para as suas irmãzinhas. A diretora é categórica: “Não tem vaga”.

    As duas visitantes reclamam da precariedade da escola. Onde falta tudo, inclusive livros. Depois continuam o diálogo numa lanchonete criticando a necessidade de concursos para a entrada no serviço público.

    “A cena é exemplar do pensamento neoliberal sobre o Estado mínimo. Mostram o serviço público como ineficiente e, principalmente a educação como precária e com profissionais descomprometidos”, assinala Marilene.

    Não é novidade, a Rede Globo de televisão usar as telenovelas para enviar mensagens subliminares, sempre propagando os valores contrários à classe trabalhadora, a liberdade e mais ainda à igualdade de direitos. Nesse sentido, a teledramaturgia da emissora de maior audiência do país atinge as massas com o ideário burguês.

    Para a sindicalista baiana, “é um verdadeiro crime, mostrar em cena de novela, algo tão contrário aos interesses da maioria da população, atacando o ensino público, em vez de mostrar a realidade desse governo golpista que acaba com o Plano Nacional de Educação, corta o orçamento do Ministério da Educação e tira verbas do petróleo destinadas à educação”.

    Como parte da novela se passa no século 19 e outra na atualidade, a Globo deixa claro a sua disposição ao retrocesso, mostrando a antiguidade como um tempo melhor e que “os bons tempos” - para eles - deveriam voltar.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB