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Dom, Jul

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  • Antes de subir no palco de uma casa de shows em Londres, Inglaterra, o cantor e compositor Criolo deu entrevista ao repórter Thiago Guimarães, da BBC Brasil. O músico não teve papas na língua sobre o momento político vivenciado no país.

    Ele afirma que “cada corrupto que se dá bem é um moleque da minha quebrada que é assassinado, que se envolve com o que não tem que se envolver. Quando morre um, ninguém está lá com a mãe, descendo o caixão para a vala”.

    O secretário da Juventude Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Vítor Espinoza concorda com o músico. “Cada corrupto que bem-sucedido, tira dinheiro da educação pública ao mesmo tempo em que o político corrupto faz leis para reprimir os jovens pobres, negros e moradores da periferia”, acentua.

    Ouça o CD "Nó na Orelha" completo:

     

    Para o rapper, as manobras em votações importantes feitas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mostra que essa gente é capaz “de tudo para proteger seus interesses, até parar o país e fazer com que as pessoas se matem na rua".

    Em referência ao clima de ódio, discriminação e violência desencadeado pela falta de compromisso da mídia comercial com a verdade dos fatos. Para ele, “A questão não é limpar o país da corrupção”. Porque Cunha “é o primeiro parlamentar citado na Lava Jato", afirma.

    "Um ambiente de ódio, de rancor, tão absurdo que as pessoas passam por cima e parece que não estão vendo uma construção de fortalecimento, que algumas pessoas sugerem, de homofobia, xenofobia, racismo, de achar normal esse abismo social que a gente vive", diz Criolo.

    De acordo com ele, "a gente fala que a mídia manipula, mas quem manipula a mídia que manipula a gente? Vamos falar de impeachment, mas (qual) o porquê real desse impeachment e de todas as pessoas que estão gritando contra a corrupção? O que andaram fazendo e agora vêm com essa?"

    Ele fala ainda que "eles criam um monte de situação, vedam nossos olhos para eles mandarem cada vez mais”.

    Já Espinoza lembra que “a juventude está sendo assassinada por uma polícia branca, elitista que visa proteger somente o capital em detrimento da vida das pessoas”. Para ele, a corrupção tira dinheiro das “políticas de inclusão da juventude no mercado de trabalho em boas condições de trabalho e de vida”.

    Além de “faltarem políticas públicas que possibilitem acesso à cultura, ao esporte, ao lazer, que juntamente com a educação contribuem para o desenvolvimento pleno dos jovens para garantir-lhes um futuro mais digno”, reforça.

    Criolo questiona o processo de impeachment em andamento. "Se o interesse é acabar com a corrupção, quantos por cento das pessoas que participaram daquela votação deveriam estar na cadeia?” É necessário refletir sobre “quais são os porquês dessa situação".

    Mas o compositor encerra a entrevista à BBC com um voto de fé. "Essa fé no ser humano, essa fé nas coisas boas, essa fé em quem quer de verdade algo bom, isso não pode morrer, cara, isso tem que ser fortalecido a cada momento".

    Saiba um pouco mais sobre Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo

    Filho de cearenses e criado na zona sul de São Paulo, iniciou a carreira como rapper em 1989 com o nome artístico Criolo Doido. Apesar de anos de estrada, somente em 2006, conseguiu gravar o álbum “Ainda Há Tempo” e fundou a Rinha dos MC's.

    Ouça a versão de Cálice feita por Criolo:

     

    Seu segundo álbum, “Nó na Orelha” só foi lançado em 2011, gratuitamente pela internet. No mesmo ano, tirou o sobrenome artístico Doido e ficou somente Criolo. Outra novidade foi a miscelânea de sons, misturando rap com MPB, samba, forró, entre outros gêneros. Em 2013, gravou uma nova versão de “Cálice” (Chico Buarque e Gilberto Gil) e ganhou aplausos dos autores.

    Leia a entrevista inteira aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Na segunda rodada de debates do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé para a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, o tema do encontro foi “A Imprensa e a Badalada Recuperação da Economia”.

    Na mesa estavam Leda Paulani, professora da Faculdade de Economia e Administraçao da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretária Municipal de Planejamento da cidade de São Paulo, e Marcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e presidente da Fundação Perseu Abramo. A mediação ficou por conta de Ana Flávia Marx, diretora do Barão.

    Você pode assistir à íntegra do primeiro debate logo abaixo:

    A discussão tentou desvendar como e por que a imprensa, ignorando números e indicadores, passou do terrorismo midiático sobre a economia durante o governo Dilma para um inabalável otimismo na era Temer.

    Leda Paulani iniciou sua fala lembrando que a crise que se iniciou em 2014 foi seguramente a maior em termos de queda de PIB que o Brasil já teve. Os crescimentos recentes, entre 1% e 0,2%, não representam uma retomada real, mas consequências imediatas de fatores pontuais, como a safra recorde no setor agrícola, uma mudança metodológica nos cálculos estatísticos do setor do comércio ou a liberação de parte dos fundos do FGTS.

    “É muito complicado você falar em recuperação quando você tem números desta ordem, por mais que a Folha escreva: ‘Economia dá sinais de recuperação’. Gente, se isso aí for sinal de recuperação, eu não sei como interpretar”, disse, refletindo sobre o otimismo excessivo da imprensa. “Se antes nós vivíamos um terrorismo financeiro nos noticiários, o que nós vemos agora é uma euforia infundada. Quando a gente olha a formação bruta de capital fixo, a capacidade produtiva caiu 6,5% em relação ao ano anterior. Outra coisa é o gasto do governo, que caiu 0,9%, e ainda assim nós temos alguns ‘analistas’ aí que estão falando que estão revisando o crescimento para 1% neste ano - é impossível!”, analisou.

    A interpretação de Leda é de que o aumento do PIB não é sustentável para 2018. Mesmo levando em conta a facilidade de crescimento que segue uma depressão econômica, o crescimento não deve ultrapassar 0,5%.

    “Há uma segunda característica essencial desse ‘euforia’, que é própria do pensamento neoliberal, que é a mistura da negação da realidade com uma espécie de alarmismo econômico que nunca desaparece. A imprensa dá essas notícias de recuperação ao mesmo tempo em que fala que ‘se isso não for feito, o país vai quebrar’, ‘se a Previdência não sofrer cortes, o Brasil vai falir’. É uma coisa que a gente vê desde 2002, quando a mídia começou a dizer que o país perderia a estabilidade monetária se o Lula vencesse, e vimos de novo em 2014, quando caíram os preços das commodities. Eu não entendo esse tipo de análise. Ou eles estão vendo algo que eu não vejo, ou já foram cooptados”, concluiu.

    Leia também: Folha, Vermelho, Escrevinhador - o que pensam três jornalistas sobre a imprensa no golpe de 2016

    Pochmann preferiu fazer uma interpretação histórica das dificuldades econômicas brasileiras, e não falou muito da atuação da imprensa. “Eu não acho que bater na imprensa responde muito, porque eles sempre foram isso aí. A imprensa no Brasil sempre foi alinhada com as oligarquias, sempre foi a voz do patrão, nunca se alinharam de fato com os interesses da população. Então é o tipo de coisa que a gente já tem que levar em conta quando começa a pensar em um plano econômico”, criticou. Ele salientou que tratar a imprensa como um espaço imparcial é um erro da própria esquerda. “A mídia, no Brasil e em toda a América Latina, é a voz do capital, e está tornando o debate sobre o tema da economia cada vez mais pobre. Ela não permite espaço para a chamada ‘heterodoxia econômica’ que defende o desenvolvimentismo”.

    O professor acusou a política econômica de Michel Temer de comprometer as próximas duas décadas de crescimento no Brasil, além de reduzir o país a um paraíso financeiro no qual toda decisão empresarial será baseada no potencial de retorno de dividendos, e não de produtividade. “O que está sendo feito hoje será muito difícil de ser revertido. Nós vamos sair desta crise com uma indústria que corresponderá a menos de 10% do PIB - um patamar que o Brasil via desde 1910! Isso significa que seremos basicamente uma economia de serviços, dependente tanto do ponto de vista industrial quanto do ponto de vista tecnológico”, analisou.

    Para ele, a recessão pela qual hoje atravessa o país foi estimulada artificialmente pela direita para que fosse possível realizar um realinhamento econômico, contrário ao desenvolvimentismo. “Eles aproveitaram alguns erros do governo Dilma, fizeram o terrorismo e jogaram contra as medidas que o governo tentou tomar. Uma característica da sociedade brasileira é que os governos dificilmente sobrevivem a uma depressão econômica, nem a ditadura conseguiu, e eles apostaram nisso. Quando tomaram o poder, repetiram o receituário que levou à recessão da década de 80: transferência da renda das famílias para o pagamento da dívida, queda no consumo e produção e incentivos ao capital especulativo”, comparou.

    Vale lembrar que, depois da aplicação dessas medidas, o Brasil jamais conseguiu recuperar sua capacidade de investimento. Mesmo no governo Lula, a marca nunca ultrapassou 21%, um índice baixíssimo para um país em estágio de desenvolvimento.

    À exposição dos dois se seguiu uma rodada de perguntas sobre economia que encerrou o encontro. O Barão de Itararé realizará ainda uma terceira palestra na sexta-feira (21), conforme o panfleto abaixo. Ela será transmitida em tempo real na página da instituição no Facebook. Você poderá acompanhar o evento também através do perfil da CTB.

    barao ciclo debates

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Antes de subir no palco de uma casa de shows em Londres, Inglaterra, o cantor e compositor Criolo deu entrevista ao repórter Thiago Guimarães, da BBC Brasil. O músico não teve papas na língua sobre o momento político vivenciado no país.

    Ele afirma que “cada corrupto que se dá bem é um moleque da minha quebrada que é assassinado, que se envolve com o que não tem que se envolver. Quando morre um, ninguém está lá com a mãe, descendo o caixão para a vala”.

    O secretário da Juventude Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Vítor Espinoza concorda com o músico. “Cada corrupto que bem-sucedido, tira dinheiro da educação pública ao mesmo tempo em que o político corrupto faz leis para reprimir os jovens pobres, negros e moradores da periferia”, acentua.

    Ouça o CD "Nó na Orelha" completo:

     

    Para o rapper, as manobras em votações importantes feitas pelo presidente Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mostra que essa gente é capaz “de tudo para proteger seus interesses, até parar o país e fazer com que as pessoas se matem na rua".

    Em referência ao clima de ódio, discriminação e violência desencadeado pela falta de compromisso da mídia comercial com a verdade dos fatos. Para ele, “A questão não é limpar o país da corrupção”. Porque Cunha “é o primeiro parlamentar citado na Lava Jato", afirma.

    "Um ambiente de ódio, de rancor, tão absurdo que as pessoas passam por cima e parece que não estão vendo uma construção de fortalecimento, que algumas pessoas sugerem, de homofobia, xenofobia, racismo, de achar normal esse abismo social que a gente vive", diz Criolo.

    De acordo com ele, "a gente fala que a mídia manipula, mas quem manipula a mídia que manipula a gente? Vamos falar de impeachment, mas (qual) o porquê real desse impeachment e de todas as pessoas que estão gritando contra a corrupção? O que andaram fazendo e agora vêm com essa?"

    Ele fala ainda que "eles criam um monte de situação, vedam nossos olhos para eles mandarem cada vez mais”.

    Já Espinoza lembra que “a juventude está sendo assassinada por uma polícia branca, elitista que visa proteger somente o capital em detrimento da vida das pessoas”. Para ele, a corrupção tira dinheiro das “políticas de inclusão da juventude no mercado de trabalho em boas condições de trabalho e de vida”.

    Além de “faltarem políticas públicas que possibilitem acesso à cultura, ao esporte, ao lazer, que juntamente com a educação contribuem para o desenvolvimento pleno dos jovens para garantir-lhes um futuro mais digno”, reforça.

    Criolo questiona o processo de impeachment em andamento. "Se o interesse é acabar com a corrupção, quantos por cento das pessoas que participaram daquela votação deveriam estar na cadeia?” É necessário refletir sobre “quais são os porquês dessa situação".

    Mas o compositor encerra a entrevista à BBC com um voto de fé. "Essa fé no ser humano, essa fé nas coisas boas, essa fé em quem quer de verdade algo bom, isso não pode morrer, cara, isso tem que ser fortalecido a cada momento".

    Saiba um pouco mais sobre Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo

    Filho de cearenses e criado na zona sul de São Paulo, iniciou a carreira como rapper em 1989 com o nome artístico Criolo Doido. Apesar de anos de estrada, somente em 2006, conseguiu gravar o álbum “Ainda Há Tempo” e fundou a Rinha dos MC's.

    Ouça a versão de Cálice feita por Criolo:

     

    Seu segundo álbum, “Nó na Orelha” só foi lançado em 2011, gratuitamente pela internet. No mesmo ano, tirou o sobrenome artístico Doido e ficou somente Criolo. Outra novidade foi a miscelânea de sons, misturando rap com MPB, samba, forró, entre outros gêneros. Em 2013, gravou uma nova versão de “Cálice” (Chico Buarque e Gilberto Gil) e ganhou aplausos dos autores.

    Leia a entrevista inteira aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Em tempos que fake news é capaz de convencer pessoas e eleger presidente, resta a comunicação alternativa criar diálogo com a sociedade, denunciando a conjuntura política instalada pelo governo Bolsonaro. Para promover o debate, será realizado em São Paulo, o 4º Curso Nacional de Comunicação do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, entre 29 e 31 de julho.


    Nos três dias do curso serão tratados assuntos que têm pulsado a sociedade atual. Mídia independente, ativismo digital, serão temas abordados por debatedores experientes nas áreas de comunicação, economia, juventude, Internet e mundo do trabalho. 


    O economista Márcio Pochmann, fundador da Fundação Perseu Abramo, os jornalistas Leandro Fortes e Fernando Morais, o sociólogo Sérgio Amadeu e o ator e diretor, Sérgio Mamberti, a ex presidente da UNE, Carina Vitral e a atual vice presidente, Jessy Dayane, estão entre as presenças confirmadas. 


    As inscrições estão abertas através do site da instituição. Quem não puder acompanhar as atividades presencialmente, o Barão de Itararé oferecerá o curso na modalidade online, por streaming exclusivo aos inscritos. Não deixe de participar.

  • A guerra híbrida que vive a Venezuela tem a desinformação e manipulação midiática como uma de suas principais armas de combate. Lemos e escutamos mentiras de analistas que nunca estiveram na Venezuela e as repetem tantas vezes que se convertem em realidade para a opinião pública. 

    Por Katu Arkonada*

    1 – A Venezuela tem dois presidentes

    Nada mais distante da realidade. A Constituição venezuelana estabelece em seu artigo 233 como “falta absoluta do presidente” sua morte, renúncia, destituição decretada pelo Tribunal Supremo de Justiça, ou a incapacidade física ou mental decretada por uma junta médica. Juan Guaidó não tem nenhum argumento constitucional para autoproclamar-se presidente, pois não há falta absoluta do presidente, que fez o juramento tal e como estabelece a Constituição em seu artículo 231: em 10 de janeiro e diante do Tribunal Supremo de Justiça. 

    2 – Guaidó tem apoio da comunidade internacional 

    Para além da hipocrisia de chamar “comunidade internacional” alguns países do Ocidente, em 10 de janeiro a posse de Nicolás Maduro contou com a representação diplomática de mais de 80 países, desde a Rússia à China, passando pelo Vaticano, a Liga Árabe e a União Africana. Esses países seguem mantendo relações diplomáticas com o governo de Maduro. Guaidó tem o reconhecimento dos mesmos países que em 10 de janeiro não reconheceram Maduro: Estados Unidos e o Grupo de Lima (exceto o México). Fora isso, só se somaram Georgia (devido à disputa territorial com a Rússia), Austrália e Israel. 

    3 – Guaidó é diferente da oposição violenta

    Guaidó é deputado pela Vontade Popular, partido político que não reconheceu as eleições presidenciais de 2013 e cujo líder, Leopoldo López, está condenado por ser o autor intelectual do episódio “La Salida” que impulsionou as guarimbas [manifestações violentas] de 2014, que tiveram um saldo de 43 mortos e centenas de feridos. 

    4 – A Assembleia Nacional é o único órgão legítimo 

    O artigo 348 da Constituição venezuelana autoriza o presidente a convocar uma Assembleia Constituinte, e o artigo 349 define que os poderes constituídos (Assembleia Nacional) não poderão, de forma alguma, impedir as decisões da Assembleia Constituinte. A decisão de convocar a Constituinte foi um ato de astúcia do chavismo para rifar o bloqueio da Assembleia Nacional e, gostem ou não, foi realizado com estrito apego à Constituição.

    5 – Maduro foi reeleito de maneira fraudulenta, em eleições sem oposição 

    As eleições de 20 de maio de 2018 foram convocadas pelo mesmo CNE (Conselho Nacional Eleitoral) que permitiu a eleição de Guaidó como deputado. Houve três candidatos de oposição que juntos conquistaram 33% dos votos e foram seguidas as normas estabelecidas na mesa de diálogos realizada na República Dominicana entre o governo venezuelano e a oposição, com mediação do ex-presidente espanhol José Luís Rodríguez Zapatero. 

    6 – Na Venezuela não há democracia

    Desde 1998 foram realizadas cinco eleições presidenciais, quatro eleições parlamentares, seis eleições regionais, quatro eleições municipais, quatro referendos constitucionais, e uma consulta nacional [plebiscito]. Ou seja: 23 eleições em 20 anos. Todas com o mesmo sistema eleitoral, considerado um dos mais seguros do mundo pelo ex-presidente estadunidense Jimmy Carter. 

    7 – Na Venezuela há uma crise humanitária

    Não há dúvidas de que na Venezuela há agora uma crise econômica impulsionada por ordens executivas de Barack Obama e Donald Trump ao declarar o país como perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos, com sanções que têm impedido a compra de alimentos e medicamentos.

    Essa crise tem provocado uma migração econômica que alguns tentam maquiar como “asilo político”, fato desmentido pelos dados: entre janeiro e agosto de 2018 a Comissão Mexicana de Ajuda ao Refugiado recebeu 3.500 solicitações de asilo de venezuelanos e 6.523 solicitações de refúgio de cidadãos hondurenhos, por exemplo, quase o dobro. 

    8 – Na Venezuela os direitos humanos são violados 

    Analisemos as cifras das guarimbas de 2017: 131 pessoas mortas, 13 das quais por disparos das forças de segurança (fato que levou 40 oficiais a serem presos e processados); 9 membros das diferentes polícias e Guarda Nacional Bolivariana foram assassinados e cinco pessoas foram queimadas vivas ou linchadas pela oposição. As demais mortes se deram enquanto pessoas manipulavam explosivos de forma irregular ou tentavam saltar das barricadas da oposição. 

    9 – Na Venezuela não há liberdade de expressão 

    As imagens destes dias de Guaidó dando declarações rodeado de microfones de meios de comunicação nacionais e internacionais desmentem tal afirmação. 

    10 – A comunidade internacional está preocupada com o Estado da democracia na Venezuela

    A comunidade internacional representada pelos Estados Unidos e o Grupo de Lima não está preocupada com os presos torturados em Guantánamo; não se preocupa com os defensores dos direitos humanos assassinados diariamente na Colômbia, não há preocupações com as caravanas de imigrantes que fogem da doutrina do shock neoliberal em Honduras e tampouco se importa com as relações do filho de Jair Bolsonaro com as milícias que assassinaram Marielle Franco. 

    Não, ninguém do Grupo de Lima e seu aliado Estados Unidos julga grave as violações dos direitos humanos nestes países todos. O que se esconde por trás desta preocupação com a Venezuela não se chama democracia. Se chama petróleo, ouro e coltan. 

     *Katu Arkonada é cientista político, autor de livros relacionados à política latino-americana e membro da Rede de Intelectuais na Defesa da Humanidade. Este artigo foi publicado originalmente no jornal mexicano La Jornada.

    Fonte: La Vanguarda I Tradução: Mariana Serafini, publicado em português pelo portal Vermelho

  • Três jornalistas essenciais para a imprensa progressista se reuníram na noite desta segunda-feira (16) para falar do papel da mídia na política: Eleonora de Lucena, ex-editora executiva da Folha de S.Paulo; Inácio Carvalho, editor do Portal Vermelho; e Rodrigo Vianna, autor do blog Escrevinhador e diretor do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

    O encontro inaugura o ciclo de palestras organizado pelo Barão de Itararé para comemorar a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, e aborda um dos três aspectos centrais dos debates conjunturais frente ao golpe de 2016: a atuação da imprensa, a atuação da equipe econômica e a atuação do Judiciário. Você pode assistir à íntegra do primeiro debate logo abaixo:

    Para Eleonora, mídia e política fazem parte de um todo, que não pode ser considerado de forma separada. “Todo jornal trabalha dentro de uma concepção política. A primeira evidência disso já veio na Revolução Francesa, quando o que hoje a gente chama de ‘fake news’ dominou o debate público. O que dá pra dizer é que em nenhum outro lugar no mundo a televisão conquistou tamanha força de influência na opinião pública quanto no Brasil. Ela tomou o papel formador, conciliador, e foi ela que formatou a ideia de nação na população”, refletiu a ex-editora da Folha.

    Ela citou o exemplo do debate entre Lula e Collor em 89 para ilustrar tal força, e disse enxergar justamente na vitória das esquerdas latino-americanas o impulso para que a imprensa oligopolista se agarrasse aos valores neoliberais. “Com o terremoto econômico de 2008, essa fúria da imprensa contra a esquerda se exacerba, se torna estridente. A mídia tenta proteger os interesses das elites, e daí vem a eliminação do contraditório, a estridência, a violência simbólica - é uma tentativa de justificar a falência do capitalismo. A ideia dessas organizações não é trabalhar no esclarecimento das dúvidas, mas no aproveitamento das dúvidas para direcionar o público”, concluiu.

    Para Inácio Carvalho, o momento brasileiro é único, pois nunca a mídia assumiu um papel tão militante quanto em 2016. “Eu me recordo que, ainda em 2010, o Estadão escreveu um editorial no qual assumia que ‘se a oposição não cumpria seu papel, então o cumpririam eles mesmos’. 2016 foi a consolidação daquilo, nos mostrou o caráter militante desses grupos, cujo objetivo é transformar os interesses dos oligopólios e das elites nos interesses de toda a população”, analisou.

    Ele explicou a visão política central do bloco golpista: de entrega do país, de privatização e aprovação das reformas. Para isso, faz-se necessária a construção de uma narrativa diferenciada de realidade, ainda que o governo Temer cometa erros que minem completamente sua credibilidade. A função da mídia progressista diante desse cenário seria explorar as contradições das forças reacionárias para fazer um apelo ao centro político, que foi esmagado a partir de 2015. “Nós temos entre 26 e 28 milhões de pageviews por mês em toda a mídia progressista, e isso tem uma força poderosa. Nós temos que usar isso para apontar caminhos, projetos, ideias. É possível buscar segmentos que dividem as nossas preocupações, como a questão da intolerância, da democracia, do desenvolvimento nacional, do combate ao trabalho escravo. Será possível que não existe ninguém que se iludiu com o golpe mas se sensibilize com esse projeto?”, questionou.

    O terceiro palestrante, Rodrigo Vianna, aproveitou seu tempo para fazer uma análise da disputa de narrativas entre a grande mídia, a mídia progressista e o segmento crescente de extremistas de direita no Brasil. Ele fez menção específica ao MBL, ao tratar do terceiro caso: “O caso da revista Veja, entre outros, mostra que a grande imprensa fomentou a intolerância, mas agora é atacada pelos próprios intolerantes que criaram. Os sinais que eles têm dado é de que eles estão com medo dessa direita conservadora representada por Bolsonaro e Doria. Nós precisamos inclusive fazer uma batalha de linguagem, de isolar esses grupos extremistas de direita e tachá-los pelo que são: “milícia”, “extremistas”, “radicais”, “contra a cultura e contra a democracia”. Talvez assim nós reencontremos o espaço para debate”, sugeriu.

    O blogueiro frisou, como seus colegas, que a imprensa sempre foi um instrumento de disputa, e que não há nada de recente na apropriação do jornalismo como “ferramenta da guerra”. Para ele, a falácia real é a ideia que foi vendida a a partir dos anos 80 de que a imprensa é independente. “Isso é uma falácia, não é verdade. Em 2016, o que nós vimos foi uma atuação blocada, muito parecido com 64. Agora estamos num momento em que aparecem dissonâncias entre os golpistas, e isso cria a questão da estridência. Nós podemos usar essa perda de controle para recuperar a opinião pública”, sugeriu.

    A mesa de debates é apenas a primeira de três, todas a serem realizadas pelo Barão de Itararé conforme o panfleto abaixo e transmitidas em tempo real na página da instituição no Facebook. Você poderá acompanhar os eventos também através do perfil da CTB no Facebook, ou assistí-los na íntegra aqui, no Portal CTB.

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    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Para a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), 35 anos, o movimento sindical não pode adiar o debate envolvendo questões de gênero. “Quem não perceber isso estará cada vez mais distante de suas bases. Não há como abstrair a dimensão de ser mulher na fábrica, no campo ou no escritório com as responsabilidades sociais que nossa cultura patriarcal ainda impõe às mulheres”, diz a parlamentar. Formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, D’Ávila ingressou no movimento estudantil em 1999 e foi vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 2003. No ano seguinte, elegeu-se a vereadora mais jovem de Porto Alegre.

    Em 2006, ela foi eleita deputada federal e ganhou da mídia o título de “musa do Congresso”, em muitas reportagens que celebravam a beleza da parlamentar. “Isso me fortaleceu, fez com que eu trabalhasse ainda mais para desconstruir esses estereótipos”. D’Ávila se destaca na luta pela defesa dos direitos humanos e como ativista pela igualdade de gênero. Ela concedeu, por email, uma entrevista à revista Mulher de Classe:

    Mulher de Classe: Muito difícil ser parlamentar num país predominantemente machista?

    Manuela D’Ávila: Sim, é muito difícil. Sempre foi. E parece que crescem cada vez mais as dificuldades com essa onda conservadora.

    MC: Você despontou no movimento estudantil, como vê as ocupações de escolas e as lideranças femininas nessas lutas?

    MD: Essas ocupações, sobretudo as ocupações das escolas, têm ensinado a geração mais velha como é possível reinventar o movimento estudantil. É incrível que a maior parte delas é dirigida por jovens meninas, que enfrentam dificuldades muito grandes, inclusive nos seus núcleos familiares, que reproduzem o machismo na ocupação das escolas. Uma reinvenção de práticas do movimento estudantil.

    MC: Apesar das políticas públicas de acolhimento das mulheres e de combate à violência, o Brasil é um dos países que mais estupra e assassina mulheres, como vê isso?

    MD: Isso reflete muito da cultura do estupro na sociedade brasileira, da cultura de culpabilização das vítimas, de não falar sobre o assunto, de fazer reproduzir silêncios que na verdade são cúmplices da violência. O Brasil é um país machista, e dentro do machismo existe a idéia da posse da mulher, e da posse da mulher para a violência física e sexual são alguns passos.

    MC: O golpe que derrubou a presidenta Dilma acirrou a violência?

    MD: O golpe fragilizou todas as nossas instituições e, evidentemente, a violência aumentou com isso. A quem a gente deve algum grau de obediência se as instituições não são respeitadas?

    Eu acredito que o golpe acirrou a violência contra a mulher. E mesmo antes disso, o processo de construção do golpe, que foi um processo absolutamente ceticista e misógino, também fez com que essa violência crescesse.

    MC: Qual o papel da mídia?

    MD: A maior parte da mídia é cúmplice dessa construção do discurso machista relacionado com a presidenta Dilma. Basta lembrar das capas das grandes revistas. Na realidade, em um país que tem uma mídia com um comportamento misógino contra a presidenta da República, o que podemos esperar do tratamento dado à mulher comum que trabalha em casa, que auxilia nos serviços da sociedade?

    MC: Você postou em suas redes sociais uma foto amamentando sua filha. Foi atacada e sua resposta viralizou na internet. Como vê uma sociedade em que o ato de amamentar é agredido?

    MD: Tudo aquilo que é considerado público é retirado das mulheres. Às mulheres cabem os atos privados, e amamentar deve ser mantido no ambiente privado, porque na mentalidade machista é assim.

    MC: O que as mulheres precisam fazer para mudar essa cultura machista?

    MD: Elas precisam ocupar o ambiente público. Acho que esse é o principal debate que devemos fazer. Seja o espaço de Poder ou sejam os espaços das cidades.

    MC: Mais mulheres na política pode transformar essa realidade?

    MD: A curto prazo, eu só acredito nas cotas. E que elas sejam pra valer. Com cotas do financiamento público para candidaturas de mulheres, porque as pessoas dizem que mulheres não votam em mulheres. As votações de mulheres para a Presidência da República comprovam que isso não é verdade. As mulheres votam sim em mulheres.

    MC: Poucas têm sido eleitas. Por quê?

    MD: O problema é que elas precisam conhecer essas candidaturas, portanto, é preciso que as mulheres apareçam na televisão e que tenham os mesmos instrumentos que os homens.

    MC: Quando foi eleita pela primeira vez, a mídia te apresentou como a “musa do ongresso”. Como lidou com isso?

    MD: Naquela ocasião, em 2006, uma década atrás, quando eu assumi, foi tudo muito difícil, chegar em Brasília tão jovem como eu cheguei, com 24 para 25 anos, sem ter nenhum parente político, sem ser filha, sem ser neta, sem ter nenhum padrinho político, sem ser casada com um político, eu era a única deputada com menos de 30 anos sem ter um sobrenome importante, e aí eles ainda colocam esse rótulo. Isso me fortaleceu, fez com que eu trabalhasse ainda mais para desconstruir esses estereótipos.

    MC: Como mãe de uma menina, o que espera do futuro na questão de gênero?

    MD: Ser mãe de outra mulher é algo bastante desafiador, porque a gente vê e passa o tempo inteiro em um estado de vigilância com relação à perpetuação desses padrões, dos padrões estéticos, dos padrões de felicidade, dos padrões de divisão de brinquedos que refletem a divisão social dos trabalhos.

    MC: Ser mãe de menina aumenta a responsabilidade para ajudar a romper as barreiras da opressão machista?

    MD: A gente deve ser vigilante com a gente mesmo, mas também com os outros, desde as divisões das cores, das divisões de brinquedos, até a ideia de que menina não brinca com carrinho, e depois ela não pode dirigir, porque ela nunca brincou com aquilo, aquilo não é familiar. Então, é algo que exige muito cuidado porque o movimento da sociedade é muito forte para colocar a mulher no lugar que acreditam que seja o lugar da mulher.

    MC: Acredita que o movimento sindical e os partidos políticos agem para combater o patriarcado?

    MD: Eu acho que o movimento sindical e os movimentos sociais em geral, cada vez mais percebem a relevância da pauta de gênero para a conquista dos trabalhadores, porque não há como abstrair a dimensão de ser mulher na fábrica, no campo, no escritório, com a desigualdade que isso impõe, seja pela não contratação na idade ideal, pela demissão pós maternidade ou pelas responsabilidades sociais que nossa cultura patriarcal ainda impõe às mulheres. Então quem tem que levar na creche, quem tem que levar no posto de saúde é a mulher, isso faz com que ela falte mais dias ao trabalho.

    Tudo isso junto é uma pauta urgente do movimento sindical, e aqueles que não a pautarem estarão cada vez mais distantes das suas bases.

    MC: O que fazer para acabar com a ideologia patriarcal?

    MD: Acho que nós temos que começar tudo junto ao mesmo tempo, desde legislações mais punitivas, até um amplo debate sobre gênero nas nossas escolas e vigilância com conteúdo televisivo e midiático. São muitas as ações necessárias para que a gente tenha um país com uma outra cultura com relação às mulheres.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy. Foto: Reprodução do Facebook de Manuela D'Ávila

    Entrevista publicada originalmente na revista Mulher de Classe número 6, de abril de 2017.

  • Toda vez que o presidente estiver em situação de defensiva semelhante às ocorridas nas manifestações do Carnaval mobilizará seu “exército” e apontará um biombo para dispersar e desviar a “atenção das questões centrais” do País.

    Marcos Verlaine*

    O Carnaval de 2019 foi um dos mais politizados dos últimos tempos. Massas de foliões, espontaneamente, saíram às ruas em todo o Brasil, e, entre as folias e esbornias carnavalescas, entoaram uníssimos protestos contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Trata-se de novidade, pois nenhum outro presidente, em início de mandato, projetou-se tão negativamente quanto o novo inquilino do Planalto.

    Diante dos protestos que ganharam as ruas do País, Bolsonaro reagiu, no sábado (2), com crítica pesada e inusitada à festa mundana, que é uma instituição no Brasil. Divulgou tuíte crítico à festa popular, com vídeo em que apareciam 2 jovens em cenas escatológicas e obscenas registradas durante a folia de um suposto bloco de rua em São Paulo.

    O objetivo do presidente, diante da oposição que se manifestava nas ruas foi passar, com o vídeo pornográfico, visão generalizada que o Carnaval (oposicionista) é uma festa devassa, a fim de mobilizar seus apoiadores mais fiéis em sua defesa e contra as manifestações.

    A partir daí, até o presente momento, este tem sido o assunto das redes e da mídia, com críticas e ataques à atitude do presidente e também defesa em relação à crítica que Bolsonaro fez ao Carnaval e os isolados excessos dos foliões nos blocos de rua Brasil afora, e, consequentemente, às manifestações oposicionistas.

    O tuíte não foi algo sem propósito ou ato impensado ou mesmo espontâneo, sem estratégia. Pelo contrário. Foi resposta friamente planejada diante dos ataques que sofria nas ruas do País. Com isso, mobilizou seus apoiadores mais fiéis, o núcleo “ideológico-diversionista”, que o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Silvio Almeida, chama de “exército de Brancaleone”. Esse “exército” acredita em tudo que foi propagado na campanha eleitoral e se mobiliza para defender essas crenças, por mais absurdas que pareçam ou sejam.

    Núcleo ideológico-diversionista

    Este núcleo, segundo o professor Silvio Almeida, em seu artigo “Sobre política, distração e destruição”, “Serve apenas para manter o moral da ‘tropa’ em alta, dando representatividade e acomodação psicológica a quem realmente acredita que o Brasil é socialista, que existe ideologia de gênero ou que a terra é plana.” Este é o núcleo 1.

    “Serve também para causar indignação e tristeza nos ‘progressistas’ e, assim, desviar a atenção das questões centrais manejadas pelos núcleos 2 [policial-jurídico-militar, sob o comando de Sérgio Moro e os militares alojados no Palácio do Planalto] e, especialmente, pelo 3.” Este é o núcleo comandado por Paulo Guedes.

    Qual o foco?

    O tuíte parece que funcionou e mobilizou, nas redes, um “exército” em defesa do presidente, mesmo diante de situação de franco enfraquecimento prematuro, com as maciças manifestações espontâneas contra o seu governo e, em particular, contra sua figura, em tão pouco tempo de mandato.

    Assim, o assunto deixou de ser as manifestações e a prematura impopularidade de Bolsonaro, e passou a ser o tuíte e suas prováveis consequências, diante da aparente inconsequência escatológica do presidente recém empossado.

    Será sempre assim. Toda vez que o presidente estiver em situação semelhante mobilizará seu “exército” e apontará um responsável pelo problema para dispersar e desviar a “atenção das questões centrais” do País. Esse exemplo do vídeo é perfeito e mostra que o governo não está para brincadeiras, pois sua agenda tem padrinhos poderosos — o mercado e o capital — dispostos a qualquer coisa para viabiliza-la. Com ou sem Bolsonaro na Presidência da República.

    Essa agenda envolve a sofisticada, complexa, profunda e extensa reforma da Previdência, em tramitação na Câmara dos Deputados, que entre outros objetivos, retira o atual Sistema Previdenciário da Constituição, cria regras mais duras para acesso à aposentadoria e outros benefícios sociais e pode até levar à privatização da Previdência Pública.

    Isto porque, no texto da PEC, o governo propõe o regime de capitalização inspirado no falido modelo chileno, criado no início da década de 80, ainda sob a ditadura de Pinochet. Leia também Reforma da Previdência: modelo chileno é alerta aos brasileiros

    Um dos objetivos da reforma de Bolsonaro “é a privatização da Previdência Pública, mediante instituição de novo regime de Previdência, organizado com base em sistema de capitalização, na modalidade de contribuição definida, de caráter obrigatório para quem aderir, com a previsão de conta vinculada para cada trabalhador e de constituição de reserva individual para o pagamento do benefício, com ‘livre escolha’ pelo trabalhador da entidade e da modalidade de gestão das reservas, assegurada a portabilidade”, explica em artigo o diretor licenciado de Documentação do DIAP, Antônio Augusto de Queiroz.

    As oposições de esquerda — de todos os matizes — o pensamento progressista, democrático e popular necessitam construir uma unidade e ter foco, sem dispersão. É preciso centrar as atenções nas ações do núcleo econômico do governo, comandado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de onde parte e partirá as principais mudanças, em desfavor do povo e do Estado brasileiro.

    (*) Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap

  • Por Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

    Nem a chuva chata e incessante reduziu a energia e a alegria dos milhares de participantes no domingo (2) do Festival Lula Livre. Segundo os organizadores, cerca de 80 mil pessoas passaram pela Praça da República, no centro de São Paulo, para manifestar seu repúdio à prisão arbitrária do ex-presidente e contra os abusos de poder da midiática operação Lava-Jato.

    No meio daquela multidão encharcada era fácil verificar que a maioria era constituída de jovens – que cantarolaram inúmeras músicas e gritaram palavras de ordem em defesa da libertação de Lula e contra o “capetão” Jair Bolsonaro. Artistas de renome exibiram suas canções e sua arte de forma generosa e solidária. O festival foi belíssimo, emocionante.

    Apesar do êxito, a mídia monopolista escondeu a atividade. A festa da solidariedade não teve os holofotes das emissoras de tevê e nem foi capa dos jornalões. As poucas notinhas publicadas ou postadas sobre o evento tentaram estimular a cizânia entre as forças que organizaram o festival, amplificando a falsa tese de que a luta por Lula Livre atrapalha outras batalhas – como a jornada em defesa da educação.

    A mídia monopolista sempre nutriu um ódio de classe visceral ao ex-presidente. Ela nunca tolerou o ciclo político aberto com a vitória de Lula. Ela fez de tudo para desestabilizar os governos democráticos e populares. Com o falso e seletivo discurso ético, a mídia udenista foi protagonista da demonização da política – o que pavimentou o terreno para o golpe dos corruptos que derrubou Dilma Rousseff e alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer.

    Essa mesma negação da política ajudou a chocar o ovo da serpente fascista no país, o que explica a vitória do truculento Jair Bolsonaro e a formação do seu governo de laranjas e de milicianos. Parte da mídia não morre de amores pelo “capetão”, temendo principalmente a regressão nos costumes e o autoritarismo na política. Mesmo assim, teme ainda mais o ex-presidente Lula, e faz de tudo para invisibilizar sua existência ou os atos em seu apoio.

    Diante dessa censura, a nova mídia – constituída por milhares de ativistas digitais – tem sido decisiva para furar o bloqueio. As emissoras de rádio e televisão, os jornalões e os sites da mídia monopolista sabotaram e censuraram o festival Lula Livre desse domingo. Mas os site e blogs alternativos e as redes sociais divulgaram ao vivo o emocionante ato de solidariedade e generosidade.

    *****

    Carta do ex-presidente Lula aos participantes do Festival Lula Livre:

    “Agradeço de coração a cada uma e a cada um de vocês, artistas e público, que nesse 2 de junho fazem da praça da República a Praça da Democracia. Embora tenha o nome de “Festival Lula Livre”, sei que esse é muito mais que um ato de solidariedade a um preso político. O que vocês exigem é muito mais que a liberdade do Lula. É a liberdade de um povo que não aceita mais ser prisioneiro do ódio, da ganância e do obscurantismo.

    Esse ato é na verdade um grito de liberdade que estava preso em nossas gargantas. Mais que um grito, um canto de liberdade. O canto dos trabalhadores que não aceitam mais o desemprego e a perda de seus direitos. O cantos dos estudantes, que não aceitam nenhum retrocesso na educação. O canto das mulheres, que não aceitam abrir mão de nenhuma conquista histórica. O canto da juventude, que não aceita que lhe roubem os sonhos, e da juventude negra em particular, que não aceita mais ser exterminada. O canto dos que ousam sonhar, e transformam sonhos em realidade.

    Boa parte de vocês que aí estão, artistas e público, felizmente não viveram os horrores da ditadura civil e militar instalada em 1964, essa que alguns querem implantar de novo no Brasil. Foi um tempo em que a luta contra a censura podia ser traduzida em canções que diziam assim: “Você corta um verso, eu escrevo outro”.

    Foi com muita luta que conseguimos acabar com a censura neste país. E não vamos aceitar essa outra forma de censura, que é a tentativa de acabar com as fontes de financiamento da arte e da cultura. Que não vamos aceitar a tentativa de censurar o pensamento crítico, estrangulando as universidades.

    Se eles arrancam nossas faixas, nós escrevemos e botamos outras no lugar. E vamos continuar ocupando as ruas em defesa da educação, da saúde, públicas e de qualidade; das oportunidades para todas e todos; contra todas as formas de desigualdade e de retrocesso.

    Nossos adversários querem mais armas e menos livros, menos música, menos dança, menos teatro e menos cinema. E nós insistimos em ler, escrever, cantar e dançar, insistimos em ir ao teatro e fazer cinema.

    Nada mais perigoso para nossos adversários que um povo que canta e é feliz. Que faz da arte e da cultura instrumentos de resistência. Vamos então à luta, sem medo de sermos felizes, com a certeza que o amor sempre vence.

    Um abraço, com muita saudade e a vontade imensa de estar aí,

    Lula”

  • As centrais sindicais brasileiras (CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central, CSB, CGTB, UGT, Intersindical Central, Intersindical e Conlutas) divulgaram na tarde desta segunda-feira (17) uma nota conjunta em que avaliam como “muito positiva” a greve geral realizada na última sexta-feira (14) e atribuem o sucesso da mobilização à unidade de ação do movimento sindical e dos movimentos sociais.

    Leia a íntegra:

    As Centrais Sindicais, reunidas nesta segunda-feira, 17/06, avaliaram como histórica e vitoriosa a grande greve nacional realizada em 14 de junho, que promoveu paralisações em todos os estados, nas capitais, em centenas de cidades e milhares de locais de trabalho, além de incontáveis atos e passeatas contra o fim da aposentadoria, contra os cortes na educação e por mais empregos.


    O sucesso da mobilização é resultado da unidade de ação do movimento sindical, construída ao longo do tempo e renovada nas deliberações das assembleias em locais de trabalho, em plenárias realizadas por categoria e intercategorias; e da articulação com os movimentos sociais, populares, religiosos e estudantil.


    Essa greve, que atingiu 45 milhões de trabalhadores em todo o país, é um movimento que terá continuidade, com a ampliação da unidade de mobilização.


    Nosso próximo passo será, em breve, entregar aos presidentes da Câmara e do Senado abaixo-assinado contra a proposta de reforma da Previdência do governo, com centenas de milhares de assinaturas coletadas em todo o país.


    Nossa prioridade será a definição e construção, em reunião marcada para 24 de junho, das ações para ampliar a mobilização e a pressão contra a retirada dos direitos da Previdência e da Seguridade Social.


    Agradecemos o compromisso de dirigentes, ativistas e militantes, o envolvimento dos movimentos sociais e a cobertura de toda a mídia. De outro lado, repudiamos as iniciativas de práticas antissindicais que visaram criminalizar a força e a luta dos trabalhadores.


    Na unidade, construímos nossa capacidade de luta, que será contínua durante toda a tramitação da PEC no Congresso Nacional.

  • Portal CTB reproduz abaixo o texto publicado no Jornal GGN em solidariedade à campanha do Barão de Itararé e seu incasável presidente, o jornalista e nosso colaborador Altamiro Borges.

    O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, ou somente o Barão de Itararé, é uma entidade que nasceu para capitanear a luta por uma comunicação mais democrática no Brasil. Seu universo é a chamada mídia alternativa ou as tantas que costumamos visitar diariamente em tantas conformações, mídia comunitária, popular, colaborativa, independente, social. O Barão de Itararé tem por missão fortalecer tais setores de comunicação, que são excluídos diuturnamente pela mídia hegemônica e grandes conglomerados.

    Em 2018, o Barão de Itararé cravou a marca de 8 anos de luta. E agora conta com o apoio de todos para emplacar mais um ano. Na sede, o constante compartilhamento de ideias, debates e reuniões em que se analisa a situação do Brasil. Nesses 8 anos, um mesmo endereço e a firme disposição de acompanhar a luta e as conquistas da mídia alternativa.

    Nesses anos, centenas de atividades tiveram lugar no Barão de Itararé: seminários, debates, coletivas de imprensa e cursos. Por lá passaram nomes como os do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, do linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky, do relator para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Edson Lanza, e de inúmeros intelectuais, artistas, economistas, lideranças sociais, entre os quais: Bresser Pereira, Luiz Gonzaga Belluzo, Laura Carvalho, Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães, Tico Santa Cruz, Sérgio Mamberti, Fernando Haddad, Jessé de Souza, Manuela D’Ávila, Roberto Requião, Luciana Santos, Jandira Feghali, Wadih Damous, Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, Sérgio Gabrielli, Emiliano José, e muitos mais.

    Barão é a casa dos jornalistas, blogueiros e comunicadores. Todos juntos na luta por uma comunicação mais democrática. É também a casa do movimento social e de entidades de classe.

    E é de suma importância que não feche, que prossiga firme. Daí conta com sua colaboração e apoio. O link abaixo leva ao site do Catarse, onde, se quiser, poderá contribuir para mais um ano de luta. A contribuição irá custear o aluguel, condomínio, limpeza e luz por um ano.

    Acese o link abaixo para doação:

     

  • Embora continue sendo o tema mais comentado nas redes sociais, o ex-presidente Lula desapareceu dos jornais brasileiros neste domingo, como se sua entrevista, que se tornou também o assunto de maior repercussão sobre o Brasil no mundo, fosse apenas um ponto fora da curva. Os jornalões evitaram até comentar os insultos de Jair Bolsonaro – que chamou Lula de "cachaceiro" – para não lembrar seus leitores que houve uma entrevista. 

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser exilado em seu próprio país pela imprensa corporativa. Embora sua entrevista aos jornalistas Florestan Fernandes Júnior e Mônica Bergamo, para o El Pais e a Folha, continue a ser o tema mais comentado nas redes sociais e também o de maior repercussão sobre o Brasil no mundo, a ordem unida dos jornalões foi silenciar a voz de Lula. Neste domingo, a entrevista praticamente desapareceu dos jornais, que até evitaram citar os insultos de Jair Bolsonaro – que rotulou Lula como 'cachaceiro' – para não lembrar seus leitores sobre a existência de uma entrevista.

    Nela, Lula cobrou dos juízes que julguem seu caso de acordo com os autos, e não com medo da mídia, dos empresários que defendam a indústria nacional, e dos militares, que defendam a soberania do Brasil. Em relação aos trabalhadores, Lula defendem que saiam às ruas para defender seus direitos (saiba mais aqui). A palavra de Lula, no entanto, parece ser incômoda e inconveniente para a mídia tradicional.

    A Globo liderou a intenção deliberada de invisibilizar a entrevista, que põe o dedo nas feridas abertas pelo neoliberalismo no Brasil, hoje governado por um bando de lunáticos, conforme salientou o ex-presidente. O silêncio da mídia burguesa é eloquente sobre o seu caráter de classes, pois os grandes meios de comunicação controlados por meia dúzia de ricas famílias capitalistas (com destaque para os Marinho) apoiaram o golpe contra Dilma e a prisão injusta de Lula, que viabilizou a eleição do capitão fascista Jair Bolsonaro. Hoje fazem campanha obstinada pela reforma da Previdência e apoiam toda e qualquer agenda que se volta contra os direitos da nossa classe trabalhadora.

    Leia, abaixo, o Boletim da Resistência Democrática sobre a entrevista de Lula:

    Boletim 432 – Comitê Popular em Defesa de Lula e da Democracia

    Direto de Curitiba – 27/4/2019 – 386 dias de resistência – 17h15

    1. A imprensa e sites de todo o mundo repercutiram a primeira entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como preso político, concedida na sexta-feira (26) aos jornais Folha de S.Paulo e El País, destacando a afirmação dele de que o Brasil passou a ser governado “por um bando de lunáticos” e que vai lutar para mostrar ao povo brasileiro e ao mundo as armações de Sérgio Moro para incriminá-lo e tirá-lo da disputa eleitoral. Leia mais: https://tinyurl.com/y5fwm2ar
    2. Na entrevista concedida aos dois jornais, Lula bateu duramente no projeto de Brasil-colônia do ultradireitista Jair Bolsonaro, que governa para atender aos interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos – e não do Brasil. ”No dia em que eu sair daqui, eles sabem, eu estarei com o pé na estrada. Para, junto com esse povo, levantar a cabeça e não deixar entregar o Brasil aos americanos. Para acabar com esse complexo de vira-lata”, disse. Ele chamou Bolsonaro de lacaio dos EUA, por atacar tanto a soberania nacional quanto os interesses de todo o povo brasileiro. “Nunca vi um presidente bater continência para a bandeira americana”, disse. Leia a íntegra da entrevista: https://tinyurl.com/yyf5fonu
    3. Enquanto os principais órgãos da imprensa mundial deram destaque à entrevista de Lula, no Brasil as duas maiores emissoras de TV do País, redes Globo e Record, jogaram no lixo a prática do bom jornalismo e, simplesmente, ignoraram o principal fato político da semana. Os dois grupos de comunicação mostraram não ter compromisso nem com a democracia nem com seus leitores e telespectadores, censurando a entrevista. Na entrevista, Lula falou sobre sua condição de preso político e do papel da mídia na destruição do Brasil, entre outros temas. Leia mais: https://tinyurl.com/y2pqyf84

    Fonte: 247

  • A alta classe média e a burguesia, com a cumplicidade da mídia golpista, transformaram o juiz Sergio Moro, algoz de Lula e agora ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, numa espécie de herói da luta pela moralidade pública, um cidadão que deve ser considerado acima de qualquer suspeita e também acima do comum dos mortais, a quem se permite o privilégio de extrapolar os limites da Lei.

    Mas para quem analisa com maior senso crítico e rigor os fatos e enxerga além da cortina de fumaça com que a mídia entretém a chamada opinião pública, a reputação do chefe da República de Curitiba, que se tornou ministro de um governo de extrema direita, é bem outra. É o que nos sugere a entrevista do jornalista estadunidense Brian Mier, autor do livro “Vozes da esquerda brasileira”, à rede de notícias independente “Real News Network”.    

    ”Em primeiro lugar, Moro é um agente político da direita que está trabalhando em parceria com o Departamento Americano de Justiça", alerta o escritor. Esta estranha e perigosa relação do juiz curitibano com autoridades da maior potência imperialista do mundo, que esteve por trás do golpe militar de 1964 e deixou também suas impressões digitais no golpe de Estado de 2016, deveria despertar indignação ou pelo menos curiosidade nos grandes meios de comunicação nativos, que todavia fingem desconhecer os fatos, conspirando para acobertá-los e manter de pé a falsa narrativa da direita neoliberal sobre os dramas políticos brasileiros e seus personagens.

    O Portal CTB reproduz abaixo o resumo da entrevista com Brian Mier, feito por Sergio Albuquerque e publicada originalmente no Portal GNG.

    A rede independente de notícias “Real News Network” (12/2) explicou aos americanos a segunda condenação de Lula pela pupila do ex-juiz Sérgio Moro, Gabriela Hardt. A rede informou que a julgadora recusou-se a ler qualquer tipo de defesa. Greg Wilpert, editor-gerente da Real News, entrevistou Brian Mier, editor do site de notícias “Brasil Wire” e autor do livro “Voices of the Brazilian Left” (“Vozes da esquerda brasileira”).

    Relações perigosas com os EUA

    O relato de Mier foi revelador:

    “… (Moro) construiu o caso com constante suporte do Departamento Americano de Justiça. Patrick Stokes voou a Curitiba algumas vezes. Eles utilizam táticas do Departamento de Justiça, principalmente baseando a condenação inteira em um acordo de delação, como o Departamento fez contra o Senador Ted Stevens em 2009 no Alasca, em caso que foi posteriormente anulado”.

    Mais à frente na entrevista, Wilpert arguiu o editor e autor sobre a “imparcialidade de Moro”, e sua sucessora, Hardt. ”Ela, de alguma forma, é melhor que ele? questionou. Mier respondeu: ”Em primeiro lugar, Moro é um agente político da direita que está trabalhando em parceria com o Departamento Americano de Justiça, e o tem feito por anos. Ele não tem nenhuma imparcialidade”. Sobre sua sucessora, o editor comentou: “ela jogou fora 1146 páginas de evidências provando a inocência de Lula que foram submetidos pela defesa. Ela nem mesmo olhou para elas”, anotou Mier.

    Não vou comentar a explicação do caso de Atibaia ao público norte-americano. Apenas comunico que o editor, que mora no Brasil, ficou perplexo com o fato do filho de um antigo amigo de Lula (Jacob Bittar) ter sido apontado como falso dono de um sítio que na verdade pertenceria a Lula, de acordo com seus acusadores. Contrariando toda a documentação do registro de imóveis, e sem nenhuma prova de que Fernando Bittar, um bem sucedido homem de negócios e proprietário do Sítio em Atibaia, não é o dono efetivo e legal do imóvel. Lula foi condenado “porque passava os natais lá com a família desde os anos de 1970”, declarou o editor ianque.

    Investigador-chefe, promotor e juiz

    A próxima pergunta de Wilpert revelaria o comportamento do Judiciário Brasileiro no caso de Lula:

    “Neste caso, Moro teve papel de investigador-chefe e promotor, além se ser o juiz. Isto soa muito estranho para o público nos Estados Unidos, onde esses papéis tendem a ser separados. Como isso funciona no Brasil, e como pode alguém como Lula ter um julgamento justo em tais circunstâncias?”

    Mier respondeu que o nosso país “é um dos únicos, senão o único, a aplicar as leis como a Inquisição”. Sobre a atuação de Moro, Mier disse que “isso não é comum no Brasil”, quando comentou o triplo papel do magistrado – agora ministro. No caso de Lula, tudo foi consentido. O que fez o entrevistado comparar nossa Justiça à Inquisição. Ela comportou-se assim com Lula. Como a Inquisição da Hierarquia Católica – o “Santo Ofício” e seus “familiares”, há séculos atrás.

    Lula só terá chance de justiça com a mudança do regime, concluiu o entrevistado.

  • Na semana passada, o então ministro Gustavo Bebianno afirmou que havia falado três vezes com Jair Bolsonaro no último dia 12. No dia seguinte, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, disse que isso era 'mentira absoluta'. Áudios agora divulgados mostram três mensagens por WhatsApp entre ex-ministro e o presidente. Parece que quem está mentindo nesta história não é Bebeianno, que foi exonerado segunda-feira (18) pelo presidente.

    Áudios divulgados nesta terça-feira (19) pelo site da revista "Veja" apontam que no último dia 12, quando ainda estava internado em um hospital em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro trocou pelo menos três mensagens de áudio de WhatsApp com Gustavo Bebianno.

    A demissão de Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência foi anunciada na noite desta segunda (18), em razão da crise que se originou da suspeita de que o PSL, partido ao qual Bolsonaro e Bebianno são filiados, usou candidatura "laranja" nas eleições do ano passado.

    A revelação foi feita pelo jornal "Folha de S.Paulo". De acordo com a publicação, quando Bebianno presidia o PSL, o partido repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco. Segundo o jornal, o repasse foi feito quatro dias antes das eleições, e ela recebeu 274 votos – Bebbiano nega irregularidades.

    Após a reportagem da "Folha", Bebianno negou em entrevista ao jornal "O Globo" que fosse o pivô de uma crise dentro do governo e acrescentou que, somente naquele dia, havia falado com o presidente por três vezes por mensagens de WhatsApp. Na ocasião, Bolsonaro ainda estava internado em razão de uma cirurgia.

    Após a publicação da entrevista, um dos filhos de Bolsonaro, Carlos, usou uma rede social para afirmar que Bebianno mentiu ao dizer que havia falado com o presidente. "Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista”, escreveu Carlos Bolsonaro.

    Carlos, e depois o próprio Jair Bolsonaro, chegaram a divulgar um áudio no qual, segundo eles, o presidente diz a Bebianno que não podia falar com o então ministro. Mas os áudios revelados pela revista "Veja" mostram que Bolsonaro encaminhou três mensagens de áudio para Bebianno no dia 12, mesma data em que o ex-ministro disse ter falado "três vezes" com o presidente.

    Além disso, há entre os áudios outras dez mensagens trocadas entre Bebianno e o presidente nos dias seguintes.

      

    Confira as mensagens:

    Mensagens do dia 12

    Nas mensagens enviadas por Bolsonaro que, segundo a "Veja", foram trocadas no dia 12, o presidente trata de um encontro marcado por Bebianno no Palácio do Planalto com um representante da TV Globo e de uma viagem que o então ministro organizava para a Amazônia.

    Segundo a "Veja", Bolsonaro encaminhou a Bebianno uma mensagem com a agenda de reuniões do ministro no dia 12, com a previsão de que Bebianno receberia às 16h o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. Ao receber a mensagem, segundo a "Veja", Bebianno respondeu: “Algo contra, capitão?”.

    A revista "Veja" diz que, depois de o ex-ministro insistir enviando algumas mensagens por escrito, Bebianno recebeu um áudio do presidente, em que Jair Bolsonaro declara que a Globo é uma inimiga e que, ao fazer contato com a emissora, Bebianno colocaria o presidente em posição delicada com "outras emissoras".

    Bolsonaro – “Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então não dá para ter esse tipo de relacionamento. Agora… Inimigo passivo, sim. Agora… Trazer o inimigo para dentro de casa é outra história. Pô, cê tem que ter essa visão, pelo amor de Deus, cara. Fica complicado a gente ter um relacionamento legal dessa forma porque cê tá trazendo o maior cara que me ferrou – antes, durante, agora e após a campanha – para dentro de casa. Me desculpa. Como presidente da República: cancela, não quero esse cara aí dentro, ponto final. Um abraço aí.”

    Bolsonaro – “Gustavo, uma pergunta: “Jair Bolsonaro decidiu enviar para a Amazônia”? Não tô entendendo. Quem tá patrocinando essa ida para a Amazônia? Quem tá sendo o cabeça dessa viagem à Amazônia? Um abraço aí, Gustavo, até mais.”

    Bolsonaro – “Ô, Bebianno. Essa missão não vai ser realizada. Conversei com o Ricardo Salles. Ele tava chateado que tinha muita coisa para fazer e está entendendo como missão minha. Conversei com a Damares. A mesma coisa. Agora: eu não quero que vocês viajem porque… Vocês criam a expectativa de uma obra. Daí vai ficar o povo todo me cobrando. Isso pode ser feito quando nós acharmos que vai ter recurso, o orçamento é nosso, vai ser aprovado etc. Então essa viagem não se realizará, tá OK? Um abraço aí, Gustavo!”

    Nas demais mensagens reveladas pela revista "Veja", Bolsonaro fala com Bebianno a respeito da notícia da "Folha" sobre os supostos candidatos "laranja" do PSL e diz que "não vai dar certo" a tentativa de "empurrar" para o "colo" dele "essa batata quente", em referência ao assunto.

    Bolsonaro afirma ainda que essa suposta tentativa é uma "desonestidade e falta de caráter". Na resposta, Bebianno se defende e explica que ele não era o responsável pelas campanhas estaduais do PSL, e sim pela campanha de Bolsonaro.

    Na sequência do áudio, o ex-ministro afirma que Bolsonaro "está bem envenenado", e que, por isso, é melhor que os dois conversem "depois" pessoalmente. "A minha consciência está tranquila, o meu papel foi limpo, continua sendo", completou.

    Veja a íntegra das mensagens do dia 13 em diante:

    Parte 4 - Bolsonaro diz que Bebianno não falou com ele nenhuma vez no dia 12

    Bolsonaro – “O Carlos incitando a saída é mais uma mentira. Você conhece muito bem a imprensa, melhor do que eu. Agora: você não falou comigo nenhuma vez no dia de ontem. Ele esteve comigo 24 horas por dia. Então não está mentindo, nada, nem está perseguindo ninguém.”

    Parte 5 - Bebianno afirma que há "várias formas de se falar" e cita as três vezes em que trocou mensagens com Bolsonaro

    Bebianno – “Há várias formas de se falar. Nós trocamos mensagens ontem três vezes ao longo do dia, capitão. Falamos da questão do institucional do Globo. Falamos da questão da viagem. Falamos por escrito, capitão. Qual a relevância disso, capitão? Capitão, as coisas precisam ser analisadas de outra forma. Tira isso do lado pessoal. Ele não pode atacar um ministro dessa forma. Nem a mim nem a ninguém, capitão. Isso está errado. Por que esse ódio? Qual a relevância disso? Vir a público me chamar de mentiroso? Eu só fiz o bem, capitão. Eu só fiz o bem até aqui. Eu só estive do seu lado, você sabe disso. Será que o senhor vai permitir que eu seja agredido dessa forma? Isso não está certo, não, capitão. Desculpe.”

    Parte 6 - Bebianno relembra o presidente de episódios em que esteve ao lado dele e pergunta o que fez de errado

    Bebianno – “Eu só prego a paz, o tempo inteiro. O tempo inteiro eu peço para a gente parar de bater nas pessoas. O tempo inteiro eu tento estabelecer uma boa relação com todo mundo. Minha relação é maravilhosa com todos os generais. O senhor se lembra que, no início, eu não poderia participar das reuniões de quarta-feira, porque os generais teriam restrições contra mim? Eu não entendia que restrições eram aquelas, se eles nem me conheciam. O senhor hoje pergunte para eles qual o conceito que eles têm a meu respeito, sabe, capitão? Eu sou uma pessoa limpa, correta. Infelizmente não sou eu que faço esse rebuliço, que crio essa crise. Eu não falo nada em público. Muito menos agrido ninguém em público, sabe, capitão? Então quando eu recebo esse tipo de coisa, depois de um post desse, é realmente muito desagradável. Inverta. Imagine se eu chamasse alguém de mentiroso em público. Eu não sou mentiroso. Ontem eu falei com o senhor três vezes, sim. Falamos pelo WhatsApp. O que é que tem demais? Não falamos nada demais. A relevância disso… Tanto assunto grave para a gente tratar. Tantos problemas. Eu tento proteger o senhor o tempo inteiro. Por esse tipo de ataque? Por que esse ódio? O que é que eu fiz de errado, meu Deus?”

    Parte 7 - Bolsonaro diz que Bebianno tentou "pregar" uma nota em site

    Bolsonaro – “Ô, Gustavo, usar da… Que usou do Whatsapp para falar três vezes comigo, aí é demais da tua parte, aí é demais, e eu não vou mais responder a você. Outra coisa, eu sei que você manda lá no Antagonista, a nota (sobre Bolsonaro não atender Bebianno) foi pregada lá. Dias antes, você pregou uma nota que tentou falar comigo e não conseguiu no domingo. Eu sabia qual era a intenção, era exatamente dizer que conversou comigo e que está tudo muito bem, então faz o favor, ou você restabelece a verdade ou não tem conversa a partir daqui pra frente.”

    Parte 8 - Bolsonaro diz que é falta de caráter querer envolvê-lo em caso de candidata de Pernambuco

    Bolsonaro – “Querer empurrar essa batata quente desse dinheiro lá pra candidata em Pernambuco pro meu colo, aí não vai dar certo. Aí é desonestidade e falta de caráter. Agora, todas as notas pregadas nesse sentido foram nesse sentido exatamente, então a Polícia Federal vai entrar no circuito, já entrou no circuito, pra apurar a verdade. Tudo bem, vamos ver daí… Quem deve paga, tá certo? Eu sei que você é dessa linha minha aí. Um abraço.”

    Parte 9 - Bebianno nega que tenha vazado para a imprensa que tentou ligar para Bolsonaro

    Bebianno – “Capitão, a nota do Antagonista que o senhor tá me acusando de ter plantado… Se o senhor olhar bem, eu localizei aqui e mandei pro senhor. Eu não plantei nada. Ela replica o que a Folha falou. Está escrito aqui: “segundo a Folha, segundo a Folha, o ministro Gustavo Bebianno tentou ligar para Jair Bolsonaro neste domingo para explicar o caso, mas o presidente não atendeu”. Quem mencionou isso não foi o Antagonista, foi a Folha. O Antagonista simplesmente replicou. Então, capitão, eu não plantei nada em lugar nenhum, tá? Abraço."

    Parte 10 - Bolsonaro acusa Bebianno de ter vazado para a imprensa que tentou ligar para o presidente

    Bolsonaro – “Bebianno, olha como você entra em contradição. Que seja a Folha. Se foi uma tentativa tua pra mim e eu não atendi… Eu não liguei pra Folha, eu não ligo pra imprensa nenhuma. Quem ligou foi você, quem vazou foi você. Dá pra você entender o caminho que você está indo? E você tem que fazer uma reflexão para voltar à normalidade. Deu pra entender? Vou repetir: se você tentou falar comigo, um pra um, se alguém vazou pra Folha, não fui eu, só pode ser você. Tá ok?”

    Parte 11 - Bebianno nega novamente que tenha vazado para a imprensa tentativa de falar com Bolsonaro

    Bebianno – “Não, capitão, não é isso, não. Eu não tentei ligar pro senhor, eu não falei, não vazei nada pra ninguém. Eu nem tentei ligar pro senhor. O senhor mandou um recado que era pra eu não ir ao hospital. Não fui e não liguei pro senhor nenhuma vez. Deixei o senhor em paz. É… Se eu tentei ligar uma ou duas vezes, também não me lembro pelo motivo que foi, é… Não é isso, não, capitão, tá? Eu não vazei nada pra lugar nenhum, muito menos pra Folha, com quem eu praticamente não falo. Abraço, capitão.”

    Parte 12 - Bebianno nega envolvimento com escolha de candidata laranja

    Bebianno – “Em relação a isso, capitão, também acho que a coisa está… Não está clara. A minha tarefa como presidente interino nacional foi cuidar da sua campanha. A prestação de contas que me competia foi aprovada com louvor, é… Agora, cada Estado fez a sua chapa. Em nenhum partido, capitão, a nacional é responsável pelas chapas estaduais. O senhor sabe disso melhor do que eu. E, no nosso caso, quando eu assumi o PSL, houve uma grande dificuldade na escolha dos presidentes de cada Estado, porque nós não sabíamos quem era quem. É… Cada chapa foi montada pela sua estadual. No caso de Pernambuco, pelo Bivar, logicamente. Se o Bivar escolheu candidata laranja, é um problema dele, político. E é um problema legal dela explicar o que ela fez com o dinheiro. Da minha parte, eu só repassei o dinheiro que me foi solicitado por escrito. Eu tenho tudo registrado por escrito. Então é ótimo que a Polícia Federal esteja, é ótimo que investigue, é ótimo que apure, é ótimo que puna os responsáveis. Eu não tenho nada a ver com isso. É… Depois a gente conversa pessoalmente, capitão, tá? Eu tô vendo que o senhor está bem envenenado. Mas tudo bem, a minha consciência está tranquila, o meu papel foi limpo, continua sendo. E tomara que a polícia chegue mesmo à constatação do que foi feito, mas eu não tenho nada a ver com isso. O Luciano Bivar que é responsável lá pela chapa dele. Abraço, capitão.”

    Fonte: G1