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Dom, Jul

mídia burguesa

  • Na segunda rodada de debates do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé para a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, o tema do encontro foi “A Imprensa e a Badalada Recuperação da Economia”.

    Na mesa estavam Leda Paulani, professora da Faculdade de Economia e Administraçao da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretária Municipal de Planejamento da cidade de São Paulo, e Marcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e presidente da Fundação Perseu Abramo. A mediação ficou por conta de Ana Flávia Marx, diretora do Barão.

    Você pode assistir à íntegra do primeiro debate logo abaixo:

    A discussão tentou desvendar como e por que a imprensa, ignorando números e indicadores, passou do terrorismo midiático sobre a economia durante o governo Dilma para um inabalável otimismo na era Temer.

    Leda Paulani iniciou sua fala lembrando que a crise que se iniciou em 2014 foi seguramente a maior em termos de queda de PIB que o Brasil já teve. Os crescimentos recentes, entre 1% e 0,2%, não representam uma retomada real, mas consequências imediatas de fatores pontuais, como a safra recorde no setor agrícola, uma mudança metodológica nos cálculos estatísticos do setor do comércio ou a liberação de parte dos fundos do FGTS.

    “É muito complicado você falar em recuperação quando você tem números desta ordem, por mais que a Folha escreva: ‘Economia dá sinais de recuperação’. Gente, se isso aí for sinal de recuperação, eu não sei como interpretar”, disse, refletindo sobre o otimismo excessivo da imprensa. “Se antes nós vivíamos um terrorismo financeiro nos noticiários, o que nós vemos agora é uma euforia infundada. Quando a gente olha a formação bruta de capital fixo, a capacidade produtiva caiu 6,5% em relação ao ano anterior. Outra coisa é o gasto do governo, que caiu 0,9%, e ainda assim nós temos alguns ‘analistas’ aí que estão falando que estão revisando o crescimento para 1% neste ano - é impossível!”, analisou.

    A interpretação de Leda é de que o aumento do PIB não é sustentável para 2018. Mesmo levando em conta a facilidade de crescimento que segue uma depressão econômica, o crescimento não deve ultrapassar 0,5%.

    “Há uma segunda característica essencial desse ‘euforia’, que é própria do pensamento neoliberal, que é a mistura da negação da realidade com uma espécie de alarmismo econômico que nunca desaparece. A imprensa dá essas notícias de recuperação ao mesmo tempo em que fala que ‘se isso não for feito, o país vai quebrar’, ‘se a Previdência não sofrer cortes, o Brasil vai falir’. É uma coisa que a gente vê desde 2002, quando a mídia começou a dizer que o país perderia a estabilidade monetária se o Lula vencesse, e vimos de novo em 2014, quando caíram os preços das commodities. Eu não entendo esse tipo de análise. Ou eles estão vendo algo que eu não vejo, ou já foram cooptados”, concluiu.

    Leia também: Folha, Vermelho, Escrevinhador - o que pensam três jornalistas sobre a imprensa no golpe de 2016

    Pochmann preferiu fazer uma interpretação histórica das dificuldades econômicas brasileiras, e não falou muito da atuação da imprensa. “Eu não acho que bater na imprensa responde muito, porque eles sempre foram isso aí. A imprensa no Brasil sempre foi alinhada com as oligarquias, sempre foi a voz do patrão, nunca se alinharam de fato com os interesses da população. Então é o tipo de coisa que a gente já tem que levar em conta quando começa a pensar em um plano econômico”, criticou. Ele salientou que tratar a imprensa como um espaço imparcial é um erro da própria esquerda. “A mídia, no Brasil e em toda a América Latina, é a voz do capital, e está tornando o debate sobre o tema da economia cada vez mais pobre. Ela não permite espaço para a chamada ‘heterodoxia econômica’ que defende o desenvolvimentismo”.

    O professor acusou a política econômica de Michel Temer de comprometer as próximas duas décadas de crescimento no Brasil, além de reduzir o país a um paraíso financeiro no qual toda decisão empresarial será baseada no potencial de retorno de dividendos, e não de produtividade. “O que está sendo feito hoje será muito difícil de ser revertido. Nós vamos sair desta crise com uma indústria que corresponderá a menos de 10% do PIB - um patamar que o Brasil via desde 1910! Isso significa que seremos basicamente uma economia de serviços, dependente tanto do ponto de vista industrial quanto do ponto de vista tecnológico”, analisou.

    Para ele, a recessão pela qual hoje atravessa o país foi estimulada artificialmente pela direita para que fosse possível realizar um realinhamento econômico, contrário ao desenvolvimentismo. “Eles aproveitaram alguns erros do governo Dilma, fizeram o terrorismo e jogaram contra as medidas que o governo tentou tomar. Uma característica da sociedade brasileira é que os governos dificilmente sobrevivem a uma depressão econômica, nem a ditadura conseguiu, e eles apostaram nisso. Quando tomaram o poder, repetiram o receituário que levou à recessão da década de 80: transferência da renda das famílias para o pagamento da dívida, queda no consumo e produção e incentivos ao capital especulativo”, comparou.

    Vale lembrar que, depois da aplicação dessas medidas, o Brasil jamais conseguiu recuperar sua capacidade de investimento. Mesmo no governo Lula, a marca nunca ultrapassou 21%, um índice baixíssimo para um país em estágio de desenvolvimento.

    À exposição dos dois se seguiu uma rodada de perguntas sobre economia que encerrou o encontro. O Barão de Itararé realizará ainda uma terceira palestra na sexta-feira (21), conforme o panfleto abaixo. Ela será transmitida em tempo real na página da instituição no Facebook. Você poderá acompanhar o evento também através do perfil da CTB.

    barao ciclo debates

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • A Câmara dos Deputados aprovoou na noite desta quarta-feira (10), em primeiro turno, por 379 votos a 131, o texto-base da PEC da Previdência

    Na votação do relatório final da proposta de reforma da Previdência encaminhada por Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional, prevaleceu o vale tudo para aprovar a PEC do retrocesso. O governo desembolsou R$ 1,13 bilhão para os parlamentares  e prometeu liberar mais 2 bilhões de reais e alguns trocados, recorrendo ao famoso toma lá dá cá da “velha política” que prometeu abolir. Isto tem nome: é compra de votos, ainda que legalizada. A tão falada austeridade fiscal só vale para os pobres, com cortes na saúde, habitação, educação e serviços públicos em geral.

    É curioso observar que a mídia burguesa, liderada pela Rede Globo, que nos governos Lula e Dilma promovia um carnaval de moralismo monitorando zelosamente a liberação de verbas para pagamento de emendas parlamentares e denunciando a compra de votos, agora diz que isto é tudo muito natural, que faz parte da tradição política no Brasil e inúmeros outros países. Já o presidente da Câmara dos Deputados, o carioca Rodrigo Maia, líder do DEM e do chamado Centrão, decidiu passar o rolo compressor para liquidar a fatura na Câmara antes do recesso legislativo.

    Contra o trabalhador

     

    “Não podemos votar a favor de um projeto que prejudica o mais pobre, que é contra o trabalhador. Precisamos debater e refletir. Acho que o Rodrigo Maia está atropelando as coisas”, desabafou o deputado Daniel Almeida (PCdoB/BA). "Não será tirando dinheiro dos mais pobres, dos professores, que vamos resolver a crise do Brasil".

    “É uma reforma para favorecer o sistema financeiro, sacrificando os pobres”, ressaltou o deputado Ruy Falcão (PT/SP). “Nós estaremos aqui e nas ruas para defender os interesses do povo brasileiro, faremos o que estiver ao nosso alcance para derrotar esta crueldade”, complementou.

    Os empresários, entusiastas do retrocesso, tiveram fácil acesso ao plenário para acompanhar o debate, ao passo que líderes sindicais e dos movimentos sociais foram recepcionados com bombas de gás lacrimogêneo e alguns poucos conseguiram entrar no recinto por força de uma liminar do presidente do STF, Dias Toffoli. “Uma vergonha”, disparou a deputada Alice Portugal (PCdoB/BA) dirigindo-se ao presidente da Casa. "Não podemos aceitar a repressão".

    Na sequência, provavelmente ainda nesta quinta-feira, serão votados os destaques. A oposição tenta obstruir e adiar o processo de votação, mas a correlação de forças no Parlamento parece favorecer a estratégica governista. Centrais e movimentos sociais não abriram mão da luta e continuam mobilizados. 

    Umberto Martins

     

  • Confirmado: militares dos Estados Unidos perto da Venezuela

    Por Sergio Alejandro Gómez e Edilberto Carmona Tamayo, no CubaDebate

    Os recentes movimentos de tropas dos EUA, relatados por fontes públicas e pela mídia, confirmam que Washington está se preparando para agir militarmente na República Bolivariana da Venezuela, sob o pretexto de uma suposta “intervenção humanitária”.

    Cuba assegurou em 13 de fevereiro, por meio de uma declaração do governo revolucionário, que os Estados Unidos pretendem fabricar “um pretexto humanitário para iniciar uma agressão militar contra a Venezuela” e denunciou vôos militares na região do Caribe como parte dos preparativos.

    Embora fontes em Washington e alguns dos países envolvidos tenham sido rápidas em negar as denúncias cubanas, as últimas informações disponíveis ratificam e ampliam a evidência de um cerco militar premeditado contra Caracas.

    “Os Estados Unidos silenciosamente acumulam seu poder militar perto da Venezuela”, disse o jornalista e especialista militar britânico Tom Rogan no jornal Washington Examiner.

    “Uma importante presença naval e marítima dos Estados Unidos está operando perto da Colômbia e da Venezuela. Seja por coincidência ou não, essa presença dá à Casa Branca uma gama crescente de opções “.

    Segundo Rogan, em menos de uma semana o Pentágono é capaz de mobilizar 2.200 fuzileiros navais, jatos de combate, tanques e colocar dois porta-aviões na Venezuela.

    Os três pontos do tridente norte-americano ficam no Caribe, Colômbia e Brasil.

    Não é por acaso que o almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, visitou Bogotá, Brasília e Curaçao durante as últimas semanas, sob a cobertura da alegada organização da entrega de “ajuda humanitária” para a Venezuela.

    Com a autorização da Holanda, os Estados Unidos organizam um centro de distribuição para a alegada ajuda na ilha de Curaçao, a poucos quilômetros das fronteiras com a Venezuela.

    Mas a mobilização militar é muito mais ampla na região do Caribe.

    Na denúncia cubana, explica-se como, entre 6 e 10 de fevereiro de 2019, foram feitos vôos de aeronaves de transporte militar para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana e para outras ilhas do Caribe estrategicamente localizadas.

    Agora, há o anúncio de que a Marinha dos Estados Unidos moveu um Grupo de Ataque de Porta-Aviões (CSG) no Oceano Atlântico e na costa da Flórida.

    A frota consiste no porta-aviões USS Abrahm Lincoln (CVN-72), um cruzador de mísseis e quatro contratorpedeiros, bem como uma fragata da marinha espanhola convidada a participar.

    “Os GSGs têm recursos de plataforma cruzada para operar onde e quando necessário. Além de possuir a flexibilidade e sustentabilidade para lutar em guerras de escala e garantir a liberdade dos mares, o CSG são visíveis e um poderoso compromisso dos EUA com seus aliados, parceiros e amigos”, diz um comunicado de imprensa oficial da Marinha americana.

    A bordo do USS Abraham Lincoln, porta-aviões nuclear da classe Nimitz, está o Embarked Air Squadron (CVW) 7, equipado com os Lockheed F-35C Relâmpago II, o mais avançado caça-bombardeiro que opera no arsenal dos EUA.

    O grupo iniciou no dia 25 de janeiro os exercícios COMPTUEX, supostamente destinados a preparar a formação, antes de um destacamento militar.

    Embora sua localização atual e o destino sejam desconhecidos, os consultores militares Stratfor e Southfront localizaram o GSG em algum ponto do Atlântico, na costa do estado da Flórida.

    Nos últimos dias, foi relatado que o grupo havia tentado um cruzamento de estreitos, uma manobra necessária para entrar no Mar do Caribe, a alguns dias de navegação.

    Rogan aponta outra informação interessante em seu artigo [no Washington Examiner]. Os Estados Unidos poderiam ter não apenas um, mas dois porta-aviões na faixa operacional da Venezuela, em uma semana.

    O porta-aviões USS Theodore Roosevelt e o navio USS Boxer, de desembarque anfíbio, estão “casualmente”, agora, no porto de San Diego, na Califórnia, a menos de uma semana da costa do Pacífico colombiano.

    “O Boxer tem a bordo a décima primeira unidade expedicionária marinha (MEU), uma das 7 MEU que compõem o Exército dos EUA. Esta unidade de fuzileiros navais tem aproximadamente 2.000 homens. O propósito expresso de uma MEU é oferecer uma capacidade de rápida implementação militar “, diz Rogan.

    Colômbia, para onde Bolton quer enviar 5.000 soldados

    Desde a época do Plano Colômbia, inaugurado em 1999, a Colômbia é um dos principais aliados militares dos Estados Unidos na região.

    Washington estava prestes a instalar formalmente sete bases militares na Colômbia no governo do presidente Alvaro Uribe, mas uma decisão do Tribunal Constitucional bloqueou o plano.

    No entanto, Bogotá tem encontrado maneiras de contornar os controles e, finalmente, a presença dos EUA nas principais instalações militares do país andino foi autorizada.

    Essa aliança estreita atingiu as manchetes no final de janeiro, quando o Conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca, John Bolton, revelou “acidentalmente” um texto em seu notebook com o plano de enviar 5.000 soldados dos EUA para a Colômbia, como parte da operação contra a Venezuela.

    O próprio presidente Donald Trump não descartou a idéia e, quando perguntado sobre isso durante uma reunião com seu colega colombiano, Iván Duque, ele simplesmente disse: “Vamos ver”.

    O presidente colombiano, por sua vez, preferiu não responder com um “sim” ou um “não” à possibilidade de a Colômbia permitir a entrada de tropas americanas, apesar do jornalista Bricio Segovia, da Voz da América, ter perguntado a ele.

    Durante a entrevista, Segovia perguntou a Iván Duque:

    — A Colômbia estaria disposta a receber 5.000 soldados em seu território?

    Ao que o presidente colombiano respondeu: — Não sou bom em ler textos de outras pessoas.

    Segovia insiste: — Você esteve com ele (John Bolton) recentemente?

    — O que eu posso dizer é que estamos trabalhando duro para a libertação do povo venezuelano e estamos fazendo isso com um cerco diplomático bem-sucedido. Esse cerco diplomático é sem precedentes. Esse cerco diplomático isolou o ditador. Esse cerco diplomático é irreversível e a continuidade disto virá do efeito dominó que deve ser ativado pelas Forças Militares da Venezuela — respondeu Duque.

    — Mas a Colômbia está disposta a receber tropas militares em seu território? — insiste Segovia.

    — Eu tenho sido claro, a solução em que acredito está no cerco diplomático. A continuidade do cerco diplomático deve gerar o efeito dominó na Venezuela, quando outros membros das Forças Armadas declararem sua lealdade a [o presidente autodeclarado] Juan Guaidó — ressaltou Iván Duque.

    — Então, a Colômbia não está disposta a receber tropas americanas em seu território … — diz Segovia.

    — Nós fomos claros. O mais importante para a Venezuela alcançar a liberdade é o cerco diplomático, diz Duque.

    — Então, é um não? — insiste Segovia

    — O cerco diplomático é a ferramenta mais importante na história da América Latina. Então, acho que é um grande triunfo a comemorar. A continuidade disso é representada pelo fato de que há mais soldados venezuelanos, assim como aqueles que já o fizeram nos últimos dias, entregando sua lealdade e juramento a Juan Guaidó.

    Embora a chegada de 5.000 soldados não tenha sido confirmada, os Estados Unidos operam uma ponte aérea a partir da base militar em Homestead, na Flórida, para a cidade colombiana de Cucuta, a 2.600 km de distância.

    Para as operações, pelo menos três aviões militares de transporte pesado de longo alcance, C-17 Globemas, fabricados pela Boeing, com capacidade de carga de 180 toneladas, e entre 80 e 100 tripulantes, são utilizados.

    Homestead é também a sede do controverso Comando Sul dos EUA.

    É o Unified Command das Forças Armadas dos Estados Unidos que opera na América Latina e no Caribe e um dos nove comandos que estão diretamente ligados ao topo da liderança do Departamento de Defesa.

    Opera em um raio de ação de 32 países, 19 deles na América Central e do Sul e o restante no Caribe. Desde 1997, sua sede é no estado da Flórida.

    Antes, desde 1947, baseava-se no Panamá.

    Sua própria história reconhece, como antecedente “glorioso”, o desembarque de fuzileiros navais ianques naquele país, no início do século XX.

    O Comando Sul, também conhecido pela sigla em inglês USSOUTHCOM, se tornou um símbolo do intervencionismo americano na região e tem sido um aliado das forças militares e paramilitares ligadas a mortes, torturas e desaparecimentos em nações latino-americanas e no Caribe, há mais de um século.

    Nos últimos anos, o USSOUTHCOM vem armando, treinando e doutrinando exércitos nacionais para servir aos interesses dos EUA.

    O objetivo é evitar o uso de tropas americanas e, assim, reduzir a oposição política nos Estados Unidos.

    No modelo, Washington dirige e treina exércitos latino-americanos através de “programas conjuntos”, extensivos e intensivos, e subcontrata empresas mercenárias privadas que prestam serviços militares especializados, com oficiais “aposentados” do exército norte-americano.

    O Brasil de Bolsonaro, um novo aliado do Pentágono

    O Brasil, o maior país da América do Sul e com as maiores forças militares, tornou-se nos últimos anos um aliado inesperado do avanço do Pentágono na região.

    Os governos de Michel Temer (interino, após um golpe parlamentar) e Jair Bolsonaro pretendem mudar a matriz do nacionalismo forte que se consolidou durante os governos do Partido dos Trabalhadores.

    Em uma das primeiras entrevistas depois de assumir o cargo de presidente, Bolsonaro garantiu ao canal SBT que haveria a possibilidade de instalar uma base militar norte-americana no país.

    Mas Bolsonaro, um ex-capitão, retirou a ideia ao receber fortes críticas de seus próprios generais.

    No entanto, ninguém duvida da proximidade do novo presidente brasileiro com seu colega americano, nem da admiração de dois de seus filhos pelo Mossad (serviço secreto de Israel) e pelo exército israelense.

    O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos esteve na semana passada no Brasil e foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com quem discutiu o “caso da Venezuela”.

    Bolsonaro comprometeu-se a usar o estado de Roraima como um centro de coleta para a alegada ajuda humanitária para a Venezuela e, portanto, para o triângulo logístico dos EUA.

    Seja qual for o objetivo da mobilização militar ordenada pela Casa Branca — dos preparativos para uma agressão direta ou como medida de pressão psicológica –, o que é inegável neste momento é que os Estados Unidos jogam suas cartas na região para cercar a Venezuela por todas os caminhos a seu alcance.

    Diante desse cenário, Cuba convocou todos os povos e governos do mundo para defender a paz e se opor, juntos, às diferenças políticas ou ideológicas, para impedir uma nova intervenção militar imperialista na América Latina e no Caribe, que prejudicaria a independência, a soberania e os interesses dos povos do Rio Grande à Patagônia.

    Fonte: Viomundo, que acrescentou a seguinte observação: Os serviços de inteligência de Cuba estão entre os melhores do mundo e os da Venezuela, formados pela CIA no tempo da DISIP (Direção dos Serviços de Inteligência e Prevenção), renomeada SEBIN por Hugo Chávez, não ficam muito atrás. A DISIP, aliás, é acusada de ter ajudado o terrorista Luis Posada Carriles a derrubar um avião da Cubana de Aviación em 6 de outubro de 1976, causando a morte de 73 civis. É um atentado praticamente desconhecido na grande mídia, por motivos óbvios: ela é de direita e identifica o terrorismo como sendo “de esquerda”. Não fica bem dizer que um terrorista que circulava livremente pelos Estados Unidos derrubou um avião lotado de civis, inclusive uma equipe de esgrima de Cuba que havia acabado de competir na Venezuela. Já imaginou, um inimigo de Fidel Castro ser tachado de “terrorista”? A mídia jamais faria isso com seus “parceiros”.

  • Não somente as grandes manifestações desta sexta-feira (11) trouxeram dor de cabeça ao presidente golpista Michel Temer. E mesmo com a blindagem da mídia burguesa, aparece um cheque R$ 1 milhão em nome do então candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, durante a campanha eleitoral de 2014.

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    Prova irrefutável do envolvimento em ilícitos por Temer. Analistas políticos enxergam muita complicação para que o golpista consiga se desvincular da candidatura de Dilma em uma ação que pede a cassação de ambos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    A doação foi feita pelo ex-presidente  da Andrade Gutierrez, Otávio de Azevedo que também pode ficar em maus lençóis porque em depoimento anterior disse que o cheque de R$ 1 milhão se tratava de propina para o diretório nacional do PT. O cheque foi apresentado pela defesa de Dilma comprovando o repasse a Temer.O ministro Herman Benjamin, relator do processo no TSE, vê discrepância entre o depoimento prestado pelo empreiteiro e a prestação de contas da campanha. “Cada vez mais fica evidenciada a parcialidade da operação Lava Jato, principalmente nas prisões preventivas para forçar acordos de delação premiada”, afirma Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Em nota à imprensa, a defesa de Dilma afirmou que os documentos apresentados “comprovam que Otávio Azevedo fez afirmação falsa em juízo para prejudicar a chapa Dilma-Temer”. A defesa também disse que não houve a irregularidade apontada pelo executivo em relação ao PT”.

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    “Mas desta vez a prova está latente, não tem como negar, mesmo que parte da mídia ainda ignore o fato”, complementa Nunes. “A prova é contundente e não tem como esconder o cheque de R$ 1 milhão. O TSE não pode mais deixar para decidir o ano que vem. Não querem cassá-lo agora para realizarem eleições indiretas no ano que vem e aprofundar a ofensiva aos direitos trabalhistas".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com Brasil 247, GGN, G1 e El País Brasil

  • A morte de Paulo Henrique Amorim, aos 77 anos, na madrugada desta quarta-feira (10) deixa um vácuo no jornalismo brasileiro. Vítima de um infarto fulminante no Rio de Janeiro. Amorim trabalhou nos veículos mais influentes da mídia nacional, inclusive Rede Globo. Conheceu de perto os barões da comunicação, frequentou seus bastidores e tornou-se um crítico afiado e mordaz do chamado quarto poder, tema que lhe inspirou um livro e inúmeras crônicas.
    Ao longo dos últimos anos destacou-se na defesa da democracia e no combate e desmascaramento das forças conservadoras, que no Brasil possuem um DNA golpista e detêm um monopólio quase absoluto sobre os meios de comunicação. Foi um firme aliado da classe trabalhadora na luta em defesa dos direitos sociais e contra retrocessos como os embutidos na reforma trabalhista de Temer, terceirização irrestrita, congelamento dos gastos públicos e a famigerada reforma da Previdência de Bolsonaro. Por suas posições corajosas e independentes foi afastado recentemente do programa “Domingo espetacular”, da TV Record, propriedade privada do bispo Edir Macedo, um farsante que explora a religiosidade popular, aliado de Jair Bolsonaro.
    Na internet, Paulo Henrique Amorim editava o site Conversa Afiada. recheado com comentários irreverentes e ácidos contra as patacoadas da direita e as manipulações mediáticas. O jornalismo brasileiro fica mais pobre sem ele. As forças progressistas perdem mais. A morte levou hoje uma das vozes mais fortes e convincentes contra o pensamento único dominante, que vende gato por lebre, semeia o ódio de classes, manipula os fatos e teve papel determinante na glorificação da Lava Jato, no golpe de 2016, na prisão de Lula e eleição do neofascista Jair Bolsonaro.
    Sem a pena destemida de PHA fica também mais difícil travar o bom combate contra a mídia hegemônica, dominada por uma meia dúzia de famílias burguesas, por sinal riquíssimas. Mas a luta prosseguirá e o grande jornalista que se foi seguirá nos inspirando com seu exemplo de valentia e retidão. Não temos os meios e recursos das classes dominantes para a guerra ideológica cotidiana. Mas temos ao nosso lado a verdade dos fatos e esta acabará por se impor na história.
     

    Umberto Martins

  • A alta classe média e a burguesia, com a cumplicidade da mídia golpista, transformaram o juiz Sergio Moro, algoz de Lula e agora ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, numa espécie de herói da luta pela moralidade pública, um cidadão que deve ser considerado acima de qualquer suspeita e também acima do comum dos mortais, a quem se permite o privilégio de extrapolar os limites da Lei.

    Mas para quem analisa com maior senso crítico e rigor os fatos e enxerga além da cortina de fumaça com que a mídia entretém a chamada opinião pública, a reputação do chefe da República de Curitiba, que se tornou ministro de um governo de extrema direita, é bem outra. É o que nos sugere a entrevista do jornalista estadunidense Brian Mier, autor do livro “Vozes da esquerda brasileira”, à rede de notícias independente “Real News Network”.    

    ”Em primeiro lugar, Moro é um agente político da direita que está trabalhando em parceria com o Departamento Americano de Justiça", alerta o escritor. Esta estranha e perigosa relação do juiz curitibano com autoridades da maior potência imperialista do mundo, que esteve por trás do golpe militar de 1964 e deixou também suas impressões digitais no golpe de Estado de 2016, deveria despertar indignação ou pelo menos curiosidade nos grandes meios de comunicação nativos, que todavia fingem desconhecer os fatos, conspirando para acobertá-los e manter de pé a falsa narrativa da direita neoliberal sobre os dramas políticos brasileiros e seus personagens.

    O Portal CTB reproduz abaixo o resumo da entrevista com Brian Mier, feito por Sergio Albuquerque e publicada originalmente no Portal GNG.

    A rede independente de notícias “Real News Network” (12/2) explicou aos americanos a segunda condenação de Lula pela pupila do ex-juiz Sérgio Moro, Gabriela Hardt. A rede informou que a julgadora recusou-se a ler qualquer tipo de defesa. Greg Wilpert, editor-gerente da Real News, entrevistou Brian Mier, editor do site de notícias “Brasil Wire” e autor do livro “Voices of the Brazilian Left” (“Vozes da esquerda brasileira”).

    Relações perigosas com os EUA

    O relato de Mier foi revelador:

    “… (Moro) construiu o caso com constante suporte do Departamento Americano de Justiça. Patrick Stokes voou a Curitiba algumas vezes. Eles utilizam táticas do Departamento de Justiça, principalmente baseando a condenação inteira em um acordo de delação, como o Departamento fez contra o Senador Ted Stevens em 2009 no Alasca, em caso que foi posteriormente anulado”.

    Mais à frente na entrevista, Wilpert arguiu o editor e autor sobre a “imparcialidade de Moro”, e sua sucessora, Hardt. ”Ela, de alguma forma, é melhor que ele? questionou. Mier respondeu: ”Em primeiro lugar, Moro é um agente político da direita que está trabalhando em parceria com o Departamento Americano de Justiça, e o tem feito por anos. Ele não tem nenhuma imparcialidade”. Sobre sua sucessora, o editor comentou: “ela jogou fora 1146 páginas de evidências provando a inocência de Lula que foram submetidos pela defesa. Ela nem mesmo olhou para elas”, anotou Mier.

    Não vou comentar a explicação do caso de Atibaia ao público norte-americano. Apenas comunico que o editor, que mora no Brasil, ficou perplexo com o fato do filho de um antigo amigo de Lula (Jacob Bittar) ter sido apontado como falso dono de um sítio que na verdade pertenceria a Lula, de acordo com seus acusadores. Contrariando toda a documentação do registro de imóveis, e sem nenhuma prova de que Fernando Bittar, um bem sucedido homem de negócios e proprietário do Sítio em Atibaia, não é o dono efetivo e legal do imóvel. Lula foi condenado “porque passava os natais lá com a família desde os anos de 1970”, declarou o editor ianque.

    Investigador-chefe, promotor e juiz

    A próxima pergunta de Wilpert revelaria o comportamento do Judiciário Brasileiro no caso de Lula:

    “Neste caso, Moro teve papel de investigador-chefe e promotor, além se ser o juiz. Isto soa muito estranho para o público nos Estados Unidos, onde esses papéis tendem a ser separados. Como isso funciona no Brasil, e como pode alguém como Lula ter um julgamento justo em tais circunstâncias?”

    Mier respondeu que o nosso país “é um dos únicos, senão o único, a aplicar as leis como a Inquisição”. Sobre a atuação de Moro, Mier disse que “isso não é comum no Brasil”, quando comentou o triplo papel do magistrado – agora ministro. No caso de Lula, tudo foi consentido. O que fez o entrevistado comparar nossa Justiça à Inquisição. Ela comportou-se assim com Lula. Como a Inquisição da Hierarquia Católica – o “Santo Ofício” e seus “familiares”, há séculos atrás.

    Lula só terá chance de justiça com a mudança do regime, concluiu o entrevistado.