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Qui, Jun

Minas Gerais

  • No próximo dia 25 (quinta-feira), o crime cometido pela Vale, na cidade de Brumadinho-MG, completa três meses. Com o objetivo de não deixar essa data cair no esquecimento e, ao mesmo tempo, cobrar punição dos responsáveis, as centrais sindicais irão realizar uma série de atividades no município. A CTB-MG convida todos os sindicatos filiados e a militância em geral para participar das atividades neste dia.

    Os eventos terão ainda a promoção da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), do Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador (FSPSST/MG), ISEM/UFMG e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg).

     

    Programação

    Data: 25 de abril de 2019 – Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidente do Trabalho

    Local: Casa Nova Eventos – Rodovia Augusto Diniz Murta, s/n, próximo ao trevo. Em frente a Estrada Real – Parque Hotel

    9h – Abertura cultural:

    “Hino Nacional, instrumentista da Orquestra da Casa de Acolhimento Luz da Eternidade, de Brumadinho.

    “Dor de Lama”, com Leci Strada, Alexandre Salles e Orquestra da Casa de Acolhimento Luz da Eternidade, sob regência do Maestro Júlio Santos.

    “Um Canto para Brumadinho”, com Rayana Toledo, Mayra Tardeli e Márcio Martins

    9h30 – Audiência Pública da Comissão de Trabalho, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

    12h25 – Culto Ecumênico em memória das vítimas da Vale

    13h – Lançamento do Documentário sobre barragens

    13h15 – Manifestação das Centrais Sindicais e Movimentos Sociais pelo Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidente do Trabalho

     

    Com informações de ctbminas.blogspot.com

  • Mais de 3 mil estudantes e docentes tomaram as ruas do centro da capital paranaense, Curitiba, neste domingo (9) contra a reforma do ensino médio (medida provisória 746/16) e as mudanças na legislação estadual propostas pelo governador Beto Richa (PSDB) (saiba mais aqui).

    “Os Trabalhadores e trabalhadoras da educação pública do estado saíram às ruas em apoio aos estudantes que já ocupam escolas contra essa reforma autoritária e elitistas do ensino médio”, dia Francisco Manoel de Assis França, o Professor Kico, da CTB-PR Educação.

    Camila Lanes convoca estudantes a ocuparem as escolas para defender a educação 

    A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes explica que a juventude se mobiliza em todo o país até “a MP 746 (reforma do ensino médio) ser retirada de pauta e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 241 engavetada definitivamente”.

    A União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) repudia também “as declarações do governador Beto Richa que desqualificam a luta dos estudantes e busca deslegitimar as ocupações, desconhecendo que as ocupações são uma reação à forma com a educação é tratada” pelo poder público.

    Manifestação dos secundaristas paranaenses no domingo em Curitiba  

    Lanes define os dois projetos do governo golpista como ataques aos direitos das filhas e filhos da classe trabalhadora. “Somos contra a MP 746 porque queremos participar das discussões sobre o nosso futuro e não queremos aprender somente a somar, subtrair e apertar botões. Queremos viver, amar e participar das decisões sobre o nosso país”.

    Por isso, diz ela, as mobilizações dos estudantes estão apenas no começo. “A tendência é crescer e passarmos de 150 escolas ocupadas em todo o país já neste fim de semana”. Até o momento já são 94 escolas ocupadas em alguns estados.

    A estudante Suany Scrassacata afirma ao G1 ser contra a retirada de sociologia, filosofia, artes e educação física do currículo escolar. “A gente está sofrendo um retrocesso. Tem escola pública fechada, por falta de estruturação. Nisso, ninguém trabalha, ninguém vê. Eles querem impor a escola sem partido, sem ao menos arrumar as nossas escolas. A estrutura das nossas escolas está caindo aos pedaços”.

    Já o professor Kico conta que os docentes, além de apoiarem essas bandeiras da juventude em defesa de uma educação pública inclusiva, estão contra o projeto do Executivo paranaense que corta verbas e salários dos servidores (leia mais aqui).

    Lanes conta ao Portal CTB que há escolas ocupadas no Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, São Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso. E crescendo porque a “PEC 241 é o principal mecanismo dos golpistas para acabar com os sonhos de uma geração inteira”.

    Tropa de choque ameaça jovens em São Paulo 

    Cercados pela tropa de choque da Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin, também do PSDB, os estudantes que ocupavam a Escola Estadual Caetano de Campos decidiram desocupar na noite do sábado (8).
    Mas “continuaremos firmes na mobilização para a resistência ao desmonte da educação pública”, afirma Emerson Santos, o Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes).

    E para piorar, os universitários paulistas prometem manifestação em São Paulo nesta terça-feira (11) porque o Ministério da Educação não está horando o compromisso com as universidades referente ao programa Financiamento Estudantil (Fies). A presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), Flávia Oliveira, disse à jornalistas Laís Gouveia que a situação preocupa. “Desde que Temer assumiu, a transferência não é feita para as universidades, e tem muitas delas que sobrevivem com 97% da sua arrecadação através do Fies, ou seja, se não há o pagamento, muitas instituições de ensino superior fecharão as portas. Na PUC São Paulo, por exemplo, o governo deve R$ 8 milhões em repasses e a reitoria transfere esse problema para os estudantes bolsistas, alegando que, se não houver o pagamento, os beneficiários terão que pagar suas mensalidades por conta própria”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O número de mortos pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG) deve ultrapassar 300. A tragédia provocada pela Vale é uma prova de que a privatização é lesiva aos interesses do povo brasileiro e pode matar.

    A empresa, entregue ao capital privado pelo tucano Fernando Henrique Cardoso em 2007 por apenas R$ 3 bilhões, geralmente abocanha num só trimestre lucro superior a R$ 5 trilhões e poderia ter facilmente evitado o desastre se investisse em medidas de segurança e em técnicas mais seguras, embora mais caras, de armazenamento dos rejeitos provenientes do beneficiamento do minério.

    Não investiu porque a lógica do capitalista é embolsar todo o lucro possível, ainda que isto signifique, como foi o caso, deixar de lado a segurança, condenar centenas de trabalhadores e trabalhadoras à morte e destruir o meio ambiente.

    Os governos neoliberais abriram mão da fiscalização e foram cúmplices da empresa. O desafio do movimento sindical é mobilizar as bases e conscientizar a classe trabalhadora para a luta contra as privatizações, em defesa do meio ambiente e por um novo projeto de desenvolvimento nacional, que garanta a segurança e a valorização do trabalhador.  

    Portal CTB

  • Brasileiros da classe média com conhecimentos superficiais de história, portanto suscetíveis de doutrinação na forma de lavagem cerebral de estilo Goebbels, vem sendo submetidos a ataque de propaganda financiado pelo grande capital e coordenado de fora e de dentro por entidades que receitam para o Brasil o liberalismo radical baseado no extremo egoísmo. Um desses doutrinadores, Paulo Guedes, tornou-se conhecido como ministro. Falarei dele e da rede de entidades liberais que atua no Brasil oportunamente.

    A indignação suscitada por esses vigaristas vendidos ao capital financeiro nada tem a ver com sua ideologia. Tem a ver, sim, com o uso da mentira deslavada como instrumento de persuasão de consciências. Tendo apenas argumentos toscos para defender o neoliberalismo radical, eles recorrem à falsificação aberta de fatos históricos para sustentar teses esdrúxulas. Há pouco deparei-me com um vídeo no youtube que me foi encaminhado por um amigo. O locutor afirma de forma absoluta que o New Deal dos Estados Unidos na época da Grande Depressão fracassou.

    A prova do fracasso, na boca de um sujeito até jovem mas claramente identificado com as velhas-novas entidades ultra-liberais, é que a depressão começou em 1929, e o desemprego em 1938 era “ainda” de 17%. O manipulador não disse de quanto era em 1933, na posse do presidente Roosevelt, ou seja, 25%. Cair de 25% de desempregados para 17% foi um feito considerável, sobretudo se a principal agência constituída para enfrentar o desemprego, a Works Progress Administration, só tenha começado a funcionar para valer em 1935. Assim, em menos de três anos, houve queda de 8 pontos percentuais na taxa de desemprego.

    Entretanto, mesmo essa numeralogia engana. As primeiras reações da economia às medidas iniciais do New Deal, notadamente nos campos industrial e agrícola, foram extremamente positivas. Desde 1930 até 1933 o PIB havia caído 20%. Em 1933, -2,1%. Já no ano seguinte ao lançamento do New Deal houve um crescimento da economia de espantosos 7,73%. Nos anos seguintes, até 1938, o crescimento foi de 7,65%, 14,21% e 4,28%. Então aconteceu o que os garotos do Von Mises e do Instituto Liberal consideram a prova definitiva do fracasso do New Deal: o PIB caiu 3,98% e o desemprego, antes caindo, subiu para 17%.

    Ponto para eles? Absolutamente. Como são ignorantes em História, embora apelem a toda hora para historiografias mistificadas, desconhecem – ou fingem não saber – que os liberais do Congresso, com apoio de democratas conservadores, haviam imposto uma derrota a Roosevelt no campo fiscal em 1937. Exigiram que o orçamento fosse cortado pela metade naquele ano e outra metade em 1938. Não foi surpresa que o desemprego tenha subido e o PIB caído. Contudo, essa performance negativa teve seu saldo positivo: a parte progressista da equipe de Roosevelt ganhou moral e pôde meter o pé no acelerador orçamentário nos anos seguintes para a vitória definitiva do New Deal no momento crucial da preparação da guerra.

    Mas vamos à questão mais estrutural do New Deal, que vai muito além da questão do emprego, embora fosse esse o programa prioritário junto com o aumento dos salários e regulação da jornada de trabalho para ativar a demanda. A principal agência encarregada das obras financiadas pelo Governo realizou um conjunto espantoso de empreendimentos geradores de emprego como rodovias, pontes, escolas, tribunais, hospitais, calçadas, obras hidráulicas e agências de correios, e também museus, piscinas, parques, centros comunitários, parques infantis, coliseus, mercados, feiras, campos de tênis, jardins zoológicos, jardins botânicos, auditórios, obras marítimas, prefeituras, academias de ginástica e organizações universitárias.

    Só a principal agência construtora de infraestrutura, a citada Works Progress Administration, construiu 40 mil prédios novos e reformou 85 mil. Essas obras incluíram 5 900 novas escolas, novos auditórios, ginásios esportivos e prédios recreativos, 1 mil novas bibliotecas, 7 mil novos dormitórios e 900 arsenais. Além disso, os projetos de infra-estrutura incluíram 2 302 estádios, bancadas e arquibancadas; 52 recintos de feiras e arenas de rodeios, 1 686 parques cobrindo 75 152 hectares, 3 185 playgrounds, 3 025 campos esportivos; 805 piscinas, 1 817 quadras de handbol, 10 070 quadras de tênis, 1 101 ringues de patinação no gelo, 138 teatros ao ar livre, 254 campos de golfe e 65 rampas de esqui. Tudo que gerasse emprego e serviço público mereceu obra, inclusive no campo das artes e dos esportes. Uma outra agência cuidou de amparar com empregos até artistas de teatro e músicos de jazz. Não houve um município dos Estados Unidos que não tenha merecido uma obra do New Deal. Onde está o fracasso, se tudo está lá para ser usado ainda hoje?

    É claro que não sei tudo isso de cor. Tirei da Wikipédia, de acesso fácil também para doutrinadores e doutrinados do Instituto Von Mises, do Instituto Liberal, da LBA e seu principal inspirador e financiador, a Fundação mundial Atlas. Todos fazem parte de uma rede de lavagem cerebral em atuação em várias partes do mundo, notadamente no Brasil, que em geral acompanham o ciclo econômico: toda vez que o grande capital financeiro ameaça afundar o mundo em crise, como em 29, em 2008 e agora, liberais e neoliberais se levantam para culpar o Estado do desastre, santificar o setor privado e desqualificar as iniciativas de intervenção estatal que, por uma dessas ironias da história, é o que salva os especuladores com a socialização das perdas. Note-se: o pequeno New Deal do Obama custou 7,5 trilhões de dólares e, que eu saiba, não deixou legado sequer de uma ponte! De qualquer modo, criou empregos.

  • Após 17 dias de greve dos trabalhadores da educação, a prefeitura de Divinópolis se comprometeu a pagar os salários atrasados referentes aos meses de setembro e outubro, bem como dos meses de novembro, dezembro e o 13º salário. Essa decisão veio após a assinatura de um termo de conciliação entre a prefeitura e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Municipal de Divinópolis (Sintemmd).

    Diante dessa garantia, os trabalhadores, 1.910 profissionais entre professores(as), secretários(as) e auxiliares, voltam ao trabalho nesta quinta-feira (06/12).

    Segundo o presidente do Sintemmd, Rodrigo Rodrigues Ferreira, essa foi uma importante vitória da categoria.

    “Tivemos a participação de 100% dos trabalhadores no movimento grevista. Graças a essa união, conseguimos essa garantia da prefeitura. Dessa maneira, por meio da justiça, teremos os salários regularizados aos poucos. Nós não admitiremos qualquer encaminhamento diferente do acordo firmado no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG)”, avisa o presidente do Sintemmd.

    O calendário de reposição das aulas será elaborado pelos órgãos que constituem o sistema municipal de ensino e o sindicato.

    Outra conquista do sindicato foi manter todos os direitos dos professores contratados protegidos durante a greve.

    O acordo também garante que o salário remanescente de outubro será pago 50% nos dias 12 e 24 de dezembro e no primeiro dia útil de janeiro de 2019. Os 50% restantes serão pagos nos dias 12 e 22 de janeiro. O salário de novembro e o décimo terceiro serão pagos no mês de dezembro. Já os salários subsequentes serão pagos juntamente com os demais servidores do executivo.

    É importante ressaltar que antes deste acordo, os(as) trabalhadores(as) não tinham nenhuma previsão de pagamento.

    Entenda o caso

    Alegando a falta de repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), a prefeitura de Divinópolis atrasou o pagamento dos trabalhadores desde o mês de setembro.

    Diante disso, o Sintemmd oficializou em outubro, junto à Secretaria Municipal da Fazenda, um pedido de explicação das movimentações financeiras da cidade.

    A batalha entre a prefeitura e o sindicato da categoria teve mais um capítulo quando o Sintemmd entrou com uma ação de dissídio coletivo para receber os salários atrasados.

    Nesse período, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB-MG) manifestou todo o seu apoio aos professores(as) e alunos(as) da rede municipal de Divinópolis. “Eles não podem ser prejudicados, seja pelo poder municipal ou estadual”, afirmou a CTB-MG.

    Fonte: CTB Minas Gerais

    Foto destaque: Marcelo Lages/TV Integração

  • O mundo inteiro está em alerta sobre mais um desastre ambiental da mineração em Minas Gerais, provocado pela Vale. A dimensão e extensão do impacto social e ambiental, pelo rompimento das 3 barragens da Mina do Feijão, no município de Brumadinho (MG), no dia 25/01/2018, é maior do que o provocado em Mariana, em 05/11/2015.

    Difícil quantificar a extensão deste impacto sobre populações ribeirinhas, povos tradicionais como quilombolas e indígenas, trabalhadores da própria empresa e moradores da região da bacia hidrográfica do rio Paraopeba. Iniciou-se em Brumadinho, onde estava localizada a mina Córrego do Feijão, mas não sabemos até onde alcançará esta destruição, provocada pelas ganâncias do capital e do lucro.

    A bacia hidrográfica do Paraopeba, que está sendo atingida drasticamente pelo rompimento das barragens, é composta por 48 municípios com uma população de 1.318.885 habitantes e diversos cursos d’água, colocando em risco inclusive a bacia hidrográfica do rio São Francisco. A bacia do Paraopeba possui um área de 12.054,25 Km² que corresponde a 5,14% do território da bacia do Rio São Francisco. Abaixo você confere a lista dos municípios que podem ser afetados com os dejetos.

    Essa mina, em Brumadinho, produziu 27,3 milhões de toneladas de minério em 2018. Esse montante representa apenas 7% da produção total da Vale no Brasil. Fica a dúvida: se apenas uma mina foi capaz de produzir 7 barragens e causar uma tragédia desta proporção, o que podemos esperar das outras quase 2 mil barragens (1957), espalhadas em todo o país? E como ficar em paz sabendo que, em Brumadinho, apenas 3 dessas 7 barragens se romperam, mas o risco do rompimento das outras 4 é real?

    Além das barragens, havia na Mina Córrego do Feijão estruturas administrativas e de apoio, como centro administrativo, refeitório e oficinas de manutenção, além de terminal de carregamento e pequena malha ferroviária para escoamento do minério de ferro. Com o rompimento, os 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos da barragem vazaram pela região, deixando um rastro de destruição e morte. A lama com rejeitos de minério de ferro fez desaparecer o refeitório, que estava lotado de trabalhadores no momento da tragédia, e o centro administrativo. A reincidência de uma tragédia anunciada, como a de Mariana e, agora, Brumadinho, coloca a evidente negligência e a irresponsabilidade socioambiental da empresa Vale. Consideramos “homicídios socioambientais” essa barbárie com mais de 200 pessoas soterradas vivas, agora denominadas de “desaparecidas”, mais de 100 corpos retirados da lama.

    Modelo tecnológico criminoso

    Minas Gerais recebeu, em média, desde 2006, 12 novas barragens de rejeitos de mineração por ano (uma por mês). A maioria utiliza a técnica ultrapassada de “barragem molhada e barragem a montante”, quando os resíduos do minério são acumulados com 60% de água e 40% de areia (e outros rejeitos), com uma contenção feita com material argiloso. Esse método é também chamado de alteamento a montante, utilizado tanto no reservatório I da Mina Córrego do Feijão da Vale como na barragem de Fundão da Samarco, em Mariana, que se rompeu em 2015. Ele permite que o dique inicial seja ampliado para cima, quando a barragem fica cheia, utilizando o próprio rejeito do processo de beneficiamento do minério como fundação da barreira de contenção. As barragens molhadas ou de “alteamento a montante” fazem parte de tecnologias que se tornaram armadilhas ameaçando povoados, vidas e memórias. Semelhantes a armadilhas bélicas, pois sua ruptura elimina todas as comunidades vivas que estão à frente delas (à jusante).

    Para os especialistas, as barragens secas ou em pasta, que são mais estáveis, são tendências na atualidade em diversos países, uma vez que não há presença da água para desestabilizá-las, necessitando apenas instalar filtros para retirar o máximo de água possível. Uma pilha de rejeitos seca é mais fácil de represar e muito mais segura. Sendo um pouco mais cara que a barragem molhada. Com o aumento da demanda de minério e da ganância do capitalismo, a Vale e suas terceirizadas começaram, de forma “pioneira”, extrair minério com pouca concentração de ferro (455), chamado itabirito. Para a adoção dessa tecnologia, de barragens à montante, passou-se a utilizar a água para separar o minério da sílica. Em plena crise hídrica, comprometendo ainda mais lençóis freáticos e nascentes.

    Minério e a vida: vale quanto pesa

    Como dizem os familiares das vítimas: “o minério de ferro vale mais que a vida das crianças, mulheres, jovens e pobres. Vale mais que qualquer vida.” Até o momento, as famílias não têm sido assistidas devidamente e não é por falta de dinheiro. Após o desastre, a Vale teve 8% de aumento na Bolsa de Valores. Segue ganhando bilhões com a destruição ambiental e com morte de pessoas e outros seres vivos. É o capitalismo banalizando a vida e valorizando as coisas, o minério, o lucro.  Como o preço do minério passou a subir muito, desde 2006, a tonelada de minério atingiu US$100, com previsão de chegar a US$ 120 por tonelada em agosto de 2019. Essa fórmula de extração adotada pela “barragens à montante” revelou-se um sucesso para o capital, e mais barata – uma vez que os custos ambientais raramente são pagos pelos empreendedores ambientais, e sim por nós, cidadãs e cidadãos, e pelo Estado. Segundo o engenheiro de |Minas, Marcílio Pereira, “a preocupação inicial era reaproveitar o minério itabirito”. Mas o erro foi insistir 40 anos em uma técnica ultrapassada e de alto risco ambiental.

    As barragens molhadas e de “ alteamento à montante”, tornaram-se então uma “bomba relógio” para o meio ambiente, uma vez que as estruturas de contenção de rejeitos começaram a ficar altas demais e fora do limite. Os riscos socioambientais caminham em escalas crescentes. A alegação da mineradora é que ela tinha o licenciamento ambiental “em dia” e que seu resíduo não era tóxico. Cabe lembrar que o licenciamento ambiental é um mero instrumento de gestão ambiental. A política de transversalidade para o licenciamento é, por definição, uma política de compartilhamento da responsabilidade para a conservação ambiental por meio do desenvolvimento sustentável do país. Portanto, a empresa precisa se responsabilizar pela extração, a recuperação e conservação sociambiental da região explorada.

    Onde estavam todos os responsáveis?

    De acordo com laudos do licenciamento ambiental, a área da Minas do Feijão foi classificada como de baixo risco ambiental. Isso é inadmissível. Não aceitamos a falsa argumentação de abalo geológico. Houve irresponsabilidade técnica. Mesmo sobre a alegação de que diversos riscos ambientais são difíceis de calcular, uma vez que estamos lidando com ecossistemas vivos e dinâmicos, a maioria dos riscos devem ser previstos na atividade minerária.

    Nesse caso, cabe duvidar da incalculabilidade ou imprevisibilidade dos riscos, uma vez que existem estudos comprovados de que as barragens têm vida útil, e, portanto, uma capacidade máxima. Na natureza tudo funciona até o ponto ótimo, mas o capitalismo quer funcionar tudo ao ponto máximo. Máximo lucro, máximo risco = insustentabilidade. Uma matemática cruel. Essa foi mais uma tragédia anunciada, previsível, e negligenciada ambiental e socialmente.

    Por onde a lama passa, leva junto pessoas, animais, roças, casas, plantas e memórias. Cabe a nós, cidadãos, prestar solidariedade ao povo de Brumadinho, nesse trágico crime ambiental e todos os municípios afetados, e exigirmos a punição dos culpados e atendimento às vítimas. É preciso dizer aos tecnocratas ambientais que o progresso não pode vir com a fatura de vidas humanas e de outros seres vivos.

    Basta de crimes ambientais

    Não é só um impacto ambiental, é um CRIME! Com mais de 300 mortos isto é um homicídio socioambiental com intencionalidade, crime previsto em lei, cujos responsáveis que deveriam responder, judicialmente, pelo empreendimento são o presidente da empresa Vale do Rio Doce e sua equipe de administradores, que tiveram o poder decidiram pela escolha desta tecnologia obsoleta, como uma arma de guerra sem controle.

    Os/as trabalhadores/as, animais e vegetais estão soterrados, mortos, pela lama da mineração (seja ela tóxica ou não), sem identificação ou resgate. Exigimos a quantificação das vítimas, o resgate e atendimento adequado às vítimas e familiares, com a reconstrução de seus bens atingidos pela tragédia da mineração, a recuperação das áreas degradadas. Queremos a implantação de planos emergenciais eficazes. Devemos estar atentos para os riscos de uma política pública que quer flexibilizar as leis ambientais e passar para o município o licenciamento ambiental para os empreendedores. Somos contra, pois isso certamente agrará ainda mais essa situação.

    Exigimos a penalização dos criminosos da tecnocracia ambiental conivente com falsos laudos de regularidade ambiental, o fechamento e desativação de todas as barragens à montante, a implantação de sistema de vigilância ambiental em todas as áreas de atividade de mineração, com planos de emergência de riscos e a suspensão do licenciamento ambiental da Vale. Chega de homicídios e cemitérios ambientais.

    A classe trabalhadora e sociedade clama que os economistas da atividade minerária e tecnocratas com pseudo laudos socioambientais coloquem fim aos velórios de crimes ambientais. Mais uma vez trabalhadores/as brasileiros/as, agricultores/as, ribeirinhos, pobres são assassinados/as pela ganância dos capitalistas. Os sobreviventes choram seus mortos sem direito sequer de terem os corpos dos mesmos para o velório!!!

    *Ângela Gomes é Diretora do Sinpro Minas, Engenheira Florestal, Doutora em Geografia, professora de Hidrologia e coordenadora Nacional de Formação Política do MN.


     Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • As primeiras imagens, tristes e revoltantes, indicam que o rompimento da barragem da Vale na ‘Mina Feijão’, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, pode ser consequências ainda mais graves do que o crime ambiental de Mariana, em 2015. Até o início da noite desta sexta-feira (25), o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais havia confirmado quatro feridos e mais de 200 desaparecidos. A onda de lama deve atingir até 19 municípios mineiros. Reportagem de Leonardo Fernandes, no jornal Brasil de Fato, mostra a gravidade da tragédia. Reproduzo alguns trechos: 

    ***** 

    Embora a quantidade de rejeito de mineração vazada da barragem localizada no município de Brumadinho seja menor do que a despejada sobre o Rio Doce em dezembro de 2015, os danos socioambientais serão grandes. O alerta é feito pelo biólogo Renato Ramos. “As informações são muito desencontradas no momento. A gente vê informações de que são um milhão de metros cúbicos de rejeito, outras de que pode chegar a até 13 milhões de metros cúbicos de rejeito. É uma proporção muito menor do que aconteceu no desastre de Mariana, mas também é um desastre severo”, alerta. 

    Ramos é responsável por um estudo, em parceria com o geólogo Sófocles de Assis, e que aponta que 19 municípios mineiros devem ser atingidos pela onda de lama. São eles: Betim, Brumadinho, Curvelo, Esmeraldas, Felixlândia, Florestal, Fortuna de Minas, Igarapé, Juatuba, Maravilhas, Mário Campos, Morada Nova de Minas, Papagaios, Pará de Minas, Paraopeba, Pequi, Pompéu, São Joaquim de Bicas e São José da Varginha. Segundo os pesquisadores, é possível que a pluma chegue até a barragem de UHE Retiro Novo, próximo a Três Marias. 

    Ao Brasil de Fato, os especialistas afirmaram que já vinham trabalhando no estudo das consequências do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, e por isso puderam elaborar rapidamente um prospecto do impacto dessa nova tragédia. Esses estudos poderiam, por exemplo, evitar que a lama chegue ao Rio São Francisco, provocando um dano ainda maior. “A gente está pensando nesse momento que uma medida para conter o fluxo da lama é fechar a barragem de Três Marias. Ali tem um reservatório muito grande e talvez a quantidade de água que existe ali depure a lama, segura ela, que seria depositada no leito do reservatório. Isso ajudaria a não impactar o restante do Rio São Francisco”. 

    ***** 

    Diante do grave crime, o segundo em curto espaço de tempo cometido pela empresa privatizada Vale, muita gente – inclusive os bolsonaristas menos tapados (se é que eles existem) – deve ter ficado preocupada com o futuro da questão ambiental no novo governo. Jair Bolsonaro sempre tratou com desdém o tema. Prova disso foi a indicação de um capacho dos ruralistas e dos devastadores para o cargo de ministro do Meio Ambiente. Logo que foi anunciado, Ricardo Salles, ex-secretário do tucano Geraldo Alckmin e fundador da seita fascistoide Endireita Brasil, deu uma entrevista na qual disse que “o Ibama é uma fábrica de multas”. A idiotice causou a demissão de Suelly Araújo, presidenta do órgão responsável pela fiscalização das empresas. 

    O novo ministro pode agora até fazer demagogia com a tragédia de Brumadinho, mas ele nunca teve qualquer compromisso com a questão ambiental. Pelo contrário. Ele inclusive já foi condenado por crimes nesta área. Em 19 de dezembro passado, a Justiça de São Paulo ordenou a suspensão de seus direitos políticos por um crime de improbidade administrativa quando era secretário de Meio Ambiente de São Paulo. Como registrou na ocasião o jornal Estadão, “a decisão foi tomada pelo juiz Fausto José Martins Seabra, da 3.ª Vara da Fazenda Pública, sobre ação do Ministério Público que acusava Ricardo Salles de ter favorecido empresas de mineração em 2016. O futuro ministro do Meio Ambiente teria acolhido mudanças feitas nos mapas de zoneamento do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Tietê”. 

    O presidente-capetão Jair Bolsonaro, que ainda engana muito otário com suas bravatas sobre a corrupção, havia dito que não nomearia condenados em primeira instância em seu governo. Ele mentiu e manteve Ricardo Salles mesmo após a decisão da Justiça. Na prática, ele pagou a dívida com a cloaca burguesa que viabilizou sua chegada ao governo. O líder do Endireita Brasil foi uma indicação dos ruralistas e dos empresários – inclusive das mineradoras. 

    Uma notinha no Painel da Folha, em 11 de dezembro, revelou que “nas semanas que antecederam sua escolha para comandar o ministério, Ricardo Salles reuniu cartas de recomendação de representantes de vários setores empresariais para levar a Bolsonaro. Em nome do mercado imobiliário, o presidente do Secovi de São Paulo, Flavio Amary, disse que ele ‘desburocratizou processos’ e ‘promoveu a segurança jurídica’ em sua temporada como secretário do governo Alckmin (PSDB). A Sociedade Rural Brasileira disse a Bolsonaro que Salles ‘conciliou os interesses do produtor rural pelo aumento da produtividade com as questões ambientais de forma objetiva, sem ideologias e priorizando o respeito às leis e às instituições’”. É um típico capacho!

    *Altamiro Borges é jornalista e presidente do Centro de Estuos de Mídia Barão de Itararé.


     Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Acompanhe cobertura especial do Brasil de Fato: 

  • A ganância privatista vai dando conta de que o lucro e ganho farto estão acima de tudo e de todos e de qualquer preocupação com a proteção do meio ambiente, a flora e fauna e a vida dos seres humanos. A tragédia causada pelo rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão em Brumadinho, Minas Gerais, no dia 25 de janeiro, já soma 84 mortos confirmados – 42 identificados -; 276 desaparecidos; 192 resgatados, segundo dados do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais em boletim do dia 29 de janeiro.

    Em nota oficial, o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, afirmou que a tragédia representa um dos mais graves eventos de violação às normas de segurança do trabalho na história da mineração no Brasil. Uma "tragédia que demonstra a precariedade das condições de trabalho a que estão expostos os trabalhadores no Brasil", denunciou a nota do Ministério Público do Trabalho (MPT) ao afirmar que irá realizar um diagnóstico do crime socioambiental de Brumadinho, com vistas à apuração de responsabilidades criminal, civil e trabalhista.

    Fundada em junho de 1942, a Vale - antes chamada de Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)- foi privatiza pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso sob o pretexto de que dava prejuízo ao país. No entanto, atualmente a empresa está entre as maiores mineradoras do mundo e abocanha lucros da ordem de 17 bilhões de reais, colocando-a entre as maiores mineradoras do mundo.

    Descaso

    Os números de Brumadinho não são apenas os maiores, eles revelam descaso total com a população e os trabalhadores e trabalhadoras que trabalhavam no momento do rompimento da barragem. Esse crime comprova que estamos diante de um sistema falido que não tem compromisso com o nosso povo, com problemas graves e que, desde Mariana, não foram enfrentados e muito menos julgados e condenados pelas vidas perdidas e os severos danos ambientais.

    A tragédia em Brumadinho é fruto de um modelo de exploração colonial latino-americana liderado por uma parcela da sociedade que tem como expressões mais conhecidas as privatizações, o lucro e a exploração predatória, que coloca os interesses privados e os lucros das mineradoras acima da vida, do meio ambiente e do bem comum. Tudo isso com a cumplicidade do poder público que está a serviço do poder econômico.

    Resistir a todo custo!

    A hora deve ser de mudança pelos mortos, pelos que resistem e pelos que ainda sofrem com as consequências de crimes como o que foi cometido em Brumadinho. A impunidade do crime de Mariana dá mais espaço e oportunidade para outros crimes. Queremos Justiça e punição por Brumadinho, Mariana, Marielle e muitos outros!

    Entendemos que uma sociedade se constrói para cidadãos, não contra eles. Lutaremos, porque está claro que impunidade é o custo da irracionalidade.

    Adilson Araújo
    Presidente Nacional da CTB

    *Atualizada em 29/01/2019, às 19h57.

  • Com o objetivo de avaliar os danos causados ao povo e ao meio ambiente, contribuir com rede de solidariedade e iniciar um movimento de luta por justiça, as centrais sindicais em Minas Gerais se reúnem na manhã desta segunda (28), na sede da CTB Minas.

    Brumadinho: um dos mais graves eventos de violação à segurança do trabalho

    De acordo com informações da CTB Minas, também haverá hoje, às 18h30, plenária da Frente Brasil Popular de Solidariedade as vítimas do crime da Vale em Brumadinho com os movimentos Sindical e Sociais, na sede do Sindipetro Minas.

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    Acompanhe:

     

     

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Representantes das centrais sindicais (CTB, CUT, Intersindical, CSB, CGTB, CSP/Conlutas e Força Sindical) aprovaram na manhã desta terça-feira, na sede da CTB-MG, em Belo Horizonte, uma agenda de lutas para os próximos meses. O objetivo é mobilizar os trabalhadores, movimentos sociais e estudantis contra a “reforma” da previdência e também denunciar a maior tragédia trabalhista do Brasil cometida pela mineradora Vale, na cidade de Brumadinho.

    Na próxima quinta-feira (31/01), às 17h, haverá um ato em frente à sede da Vale, em Belo Horizonte, com a participação das centrais sindicais e frente populares, para lembrar o sétimo dia do crime cometido pela mineradora. 

    No dia 01º de fevereiro (01º/02), às 13h, haverá um ato durante a posse dos deputados Estaduais na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para pressionar os parlamentares contra as mineradoras.

    No dia 05 de fevereiro (05/02), às 17h, haverá uma manifestação na Praça Sete, centro da capital, contra o crime da Vale e o fim da Justiça do trabalho. Recentemente, o Bolsonaro declarou que há uma proposta em estudo para acabar com a Justiça do Trabalho. A afirmação foi feita durante entrevista concedida ao telejornal SBT Brasil.

    “Como ficam os trabalhadores prejudicados pelos maus patrões? Como vão ficar os familiares dos trabalhadores mortos pela Vale?, questionou a presidente da CTB-MG, Valéria Morato.

    No dia 25 de fevereiro (25/02), há uma proposta de um ato nacional em BH sobre os crimes cometidos pela Vale no Estado e rompimentos de barragens que podem acontecer a qualquer momento.

    Em Brumadinho, já são 65 mortes confirmadas e 288 pessoas desaparecidas (eram 279 no final da noite desta segunda-feira). Mortos e desaparecidos passam de 350 pessoas.

    Sobre a “reforma” da previdência, Morato lembrou que a proposta do governo Bolsonaro é pior que aquela apresentada pelo Temer. “O centro do ataque é a classe trabalhadora. Precisamos unificar as nossas ações. Esse é o único caminho”, disse ela.

    Outro tema discutido durante o encontro foi a entrega do país para o capital internacional. Tanto Bolsonaro como o governo Zema já anunciaram que pretendem privatizar várias empresas públicas. Em Minas Gerais, Zema disse que pretende vender a Cemig e a Copasa.

    “O caso da Vale é um exemplo do falso discurso privatista. Na época, o presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) vendeu a Vale praticamente de graça. Desde então, a empresa já cometeu vários crimes ambientais contra o povo brasileiro”, lembrou ela.

    A CTB Minas orienta aos sindicatos filiados a se manifestarem junto as suas bases contra o crime da Vale em Brumadinho. Esse crime é considerado o maior acidente de trabalho coletivo e ocorreu pelo descaso dos órgãos responsáveis pela fiscalização, pela regularização e pelo descuido com a vida humana.

    Os últimos anos foram de sucateamento do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), de destruição da legislação trabalhista por um governo que visa beneficiar o grande capital especulativo.

    Além da nossa solidariedade é preciso denunciar o que aconteceu, como crime e propor ações para barrar a ofensiva contra a classe trabalhadora.

    É essencial a elaboração de material que dialogue com os trabalhadores, ir para as bases e propor ações efetivas de acordo com a realidade de cada um. 

    Nossa agenda de lutas, além da nossa luta permanente, é estar junto dos movimentos sociais  na capital de Minas e interior através dos sindicatos filiados.

    Agenda da Classe Trabalhadora

    Dia 31/01/19 – às 17 horas -  Ato em frente a Vale BH (sete dias do CRIME); centrais sindicais e frentes populares.

    Dia 01/02/19 -  às 13 horas – Posse dos deputados de Minas ( ato para pressionar os parlamentares sobre as mineradoras).

    Dia 05/02/19 – às 17 horas – Ato na praça sete/BH, contra o fim da justiça do trabalho e denúncia sobre o crime de Brumadinho.

     Dia – 25/02/19 – Proposta do Ato nacional em BH, sobre os crimes cometidos pela Vale no estado e rompimentos de barragens que podem acontecer em qualquer momento.

    CTB Minas 

  • A CTB-MG realizou no último sábado (27/06) mais um curso de Formação Sindical, desta vez para a diretoria do Sindicato dos Vigilantes de Montes Claros. O curso foi ministrado pelos formadores Gelson Alves da Silva e Antonieta Shirlene.

    As aulas foram divididas em 2 etapas. Na primeira, Silva abordou a conjuntura internacional e nacional, priorizando as dificuldades econômicas que o mundo está travessando e as consequências desse cenário no Brasil. Foi feito também um debate sobre a terceirização com os diretores presentes.

    Na segunda etapa, a formadora Shirlene fez uma exposição histórica, falando sobre os primeiros movimentos de trabalhadores no mundo e os movimentos proletários do Brasil, principalmente a partir do Governo Vargas. Neste contexto, ela salientou a importância da OLT (Organização por Local de Trabalho) na causa trabalhista e falou sobre o papel político das Centrais, inclusive da CTB.

    Ao final, ficou acordada a realização de um novo Curso de Formação, mais ampliado, com data e local a serem definidos.

    Da CTB-MG (Foto: Mariana Areas)

  • Na quinta-feira (5), assistimos consternados aos efeitos da tragédia ocorrida em Janaúba, interior de Minas Gerais. O vigia de uma creche ateou gasolina e fogo no imóvel em pleno horário de funcionamento.

    Professoras, funcionários e dezenas de crianças queimadas num total desespero. Saldo de oito óbitos até o momento. O autor do atentado contra a vida de tanta "Gente Inocente"- nome da creche - havia saído de uma perícia médica. O grau de descompromisso das perícias para com a real situação de saúde do trabalhador e da trabalhadora tem sido motivo de inúmeras denúncias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e até na Câmara Federal.

    O autor da tragédia sofria de problemas psíquicos desde 2014 e ainda assim continuava trabalhando. É difícil compreender que uma avaliação médica, feita por um profissional capacitado, minutos antes da tragédia não tenha detectado o grau de transtorno daquele trabalhador.

    Assim tem acontecido com a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras adoecidos, que têm tido o direito ao tratamento e à cura negados por um governo que não distingue doença séria de indisposição, um governo que desconsidera situações de alto risco para trabalhadores e sociedade. Um governo que se vangloria por "suspender" auxílios doença e recolocar no mercado de trabalho outros tantos "Damiões". Mais uma vez é a sociedade que sofre as consequências.

    Valéria Morato

    Presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais 

  • Foi realizada nessa quinta-feira (28), às 18h30, no Plenário da Câmara Municipal da cidade de Varginha, uma Audiência Pública que discutiu o Combate à Violência Contra as Mulheres.

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, em Minas Gerais (CTB-MG), foi representada pela professora Mônica Lacerda. Além dela, participaram também a Presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Thaís Pereira; a delegada responsável pelo atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica, Geny Azevedo; e a Juíza da Vara Criminal da Infância e Juventude e Violência Contra Mulheres, Maraísa Costa.

    A professora Mônica Lacerda defendeu uma integração entre todos os órgãos que compõem a Rede de Atendimento a Mulher Vítima de Violência.

    “O problema central não é a falta de órgãos. Órgãos, nós temos muitos como o Conselho Municipal de Direitos das Mulheres, Delegacia de Mulheres, OAB Mulher e Defensoria Pública. O que falta são incentivos para que esses órgãos funcionem bem e em rede, que haja diálogo com representantes e pessoas realmente engajadas à frente desses órgãos”, disse ela.

    Violência

    Os números da violência contra as mulheres nos últimos 12 meses no Brasil são assustadores. Somente nos últimos 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento, enquanto 22 milhões (37,1%) passaram por algum assédio. A grande parte desses casos (42%) ocorre em casa e a maioria das mulheres (52%) não denunciou o agressor ou procurou ajuda. Os números foram revelados pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em fevereiro deste ano.

     

    Fonte: ctbminas.blogspot.com

  • A atriz Débora Bloch foi ao programa Estúdio 1 da emissora golpista Globonews falar sobre a série “Justiça”, da Rede Globo.

    Durante a entrevista, ela disse estar "um pouco chocada" do nosso voto não ter valor. "Eu acho que a gente deveria ter Diretas Já”, afirmou. “Lutamos tanto para conquistar isso [o voto]. Teve o impeachment, então agora vamos votar em quem a gente quer para presidente”.

    O ator Jonas Bloch, pai da atriz, foi mais incisivo. Em vídeo, ele detona os golpistas e pede Diretas Já "mas não para manter essa corja no poder".

    "Eles estão provocando a onça com vara curta", afirma ele, sobre o que o governo golpista vem anunciando que vai fazer com os direitos do povo e da classe trabalhadora.

    Assista Jonas Bloch 

    Com muito bom humor, artistas realizam mais uma manifestação pelo "Fora Temer" na 32ª Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera, na capital paulista. 

    Confira protesto irreverente da Bienal de São Paulo 

    Em Uberlândia, Minas Gerais, protesto com encenação artística, confira abaixo. 

    Portal CTB

  • Contra o desmonte da Justiça do Trabalho, centrais, juristas e magistrados realizam ato público nesta segunda (21), a partir das 8h30, na Avenida Augusto de Lima, 1.234, Barro Preto, Belo Horizonte. 

    O evento está sendo organizado pela OAB/MG em parceria com a AMATRA, AMAT e SITRAEMG. Também estarão presentes os representantes do Tribunal Regional do Trabalho (TRT3), Ministério Público do Trabalho (MPT), a CTB, CUT e os movimentos sociais.

    A OAB/MG orienta que, nas cidades do interior de Minas Gerais, os coordenadores regionais e diretores de base poderão manter contato com a OAB regional para realizar ato em conjunto.

    Portal CTB - Com informações da OAB Minas Gerais

     

  • Em nota publicada no final da tarde desta sexta (25), CTB Minas se solidariza com as famílias das vítimas em Brumadinho.

    “Que as famílias que tiveram vidas ceifadas por essa irresponsabilidade e ganância da empresa responsável pela mineração sejam consequentemente acolhidas”, diz a presidenta da CTB-MG, Valéria Morato.

    Leia íntegra da nota:

    Nota da CTB Minas

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB) vem a público se solidarizar com as famílias dos trabalhadores que perderam a vida em mais um grave crime ambiental cometido pela mineradora Vale. Até o momento, três pessoas morreram e outras 200 estão desaparecidas.

    Que as famílias que tiveram vidas ceifadas por essa irresponsabilidade e ganância da empresa responsável pela mineração sejam consequentemente acolhidas.

    A rompimento da barragem da empresa ocorreu na cidade de Brumadinho – município localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte – três anos após o rompimento de outra barragem da Vale na cidade de Mariana. Na ocasião, 19 pessoas morreram.

    25 de janeiro de 2019

    Valéria Morato
    Presidenta da CTB Minas

     

  • Milhares de estudantes realizaram manifestações durante o Dia Nacional de Mobilização, nesta quarta-feira (5), para mostrar ao governo golpista que os “estudantes não aceitam o desmonte da educação pública colocado em diversas medidas”, diz Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

    A líder estudantil realça que as inúmeras manifestações em todo o país culminaram (somente ontem) com 31 ocupações de escolas, sendo 22 no Paraná e as outras nove em Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Ocorreram manifestações em todas as 27 unidades da federação.

    Assista manifestação em Curitiba (PR)

    Veja os estudantes em São Lourenço (MG) 

    Acompanhe a manifestação de Bauru (SP) 

    Ela lembra ainda que foi instalada nesta quarta a comissão especial da Câmara dos Deputados para analisar o Projeto de Lei 867/15, que pode transformar o projeto Escola Sem Partido em lei. Sobre o tema vale ressaltar o que diz o deputado João Campos (PRB-GO), coordenador da Frente Parlamentar Evangélica.

    O depoimento dele foi colhido pela repórter Bia Kicis, do movimento Professores Contra o Escola Sem Partido. Campos diz que tem expectativa de aprovar o projeto sumariamente. “Sendo instalada hoje (a comissão), nós vamos cumprir um roteiro que implique também celeridade para que a gente aprove esse projeto na comissão no menor espaço de tempo”.

    Sem nenhum disfarce, om deputado explica que a comissão foi criada para abreviar o tempo de tramitação da matéria. De acordo com ele, a comissão foi criada para “abreviar substancialmente a tramitação desse projeto aqui, que é um projeto de interesse da sociedade, de interesse das famílias”. Saiba mais sobre o projeto aqui.

    Além de protestar contra o Escola Sem Partido, os estudantes atacam a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/16, que na prática “liquida com a educação pública”, afirma Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Confira aqui e aquios efeitos da proposta.

    Lanes reforça ainda que milhares de estudantes tomaram as ruas do país para contestar também a reforma do ensino médio – proposta pela Medida Provisória 746. Ela afirma que os estudantes não aceitam mexer na educação sem diálogo.

     “Todas essas propostas afundarão cada vez mais a educação pública. Porque querer aumentar a carga horária com as escolas sem a mínima estrutura como estão boa parte delas, só fará piorar a situação, prejudicando profissionais e estudantes”, argumenta.

    A professora Betros concorda com a líder estudantil. Como a PEC 241 visa congelar os investimentos nas áreas sociais por 20 anos, além dos salários dos servidores públicos, “como poderemos trabalhar 7 horas numa escola, ter um salário cada vez mais defasado e nos mantermos atualizados?”

    Outro problema lembrado pela educadora é sobre formação dos docentes como prevê o Plano Nacional de Educação (PNE) aprovado depois de anos de discussões. “Além dos salários e das condições de trabalho, lutamos para termos uma formação cada vez mais sintonizada com as necessidades de uma educação emancipadora”, diz.

    Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação critica também o programa “Criança Feliz”, lançado pela primeira-dama, Marcela Temer, nesta quarta. “É uma proposta antieducativa e antipedagógica. A creche, que foi vinculada a educação desde 1996, agora volta para assistência social. Pode parecer que esse fato não tem conexão alguma com a PEC 241, mas qual é o real intuito do programa? Evitar o investimento na educação infantil, que ultimamente tem um custo justo, e, com o congelamento de investimentos propostos, fazer um serviço pobre para os mais pobres”, denuncia o especialista em educação para a jornalista Laís Gouveia, do Portal Vermelho.

    Saiba os efeitos pernósticos da PEC 241. Vídeo do Levante Popular da Juventude

    Além de congelar por 20 anos as verbas para a educação, o desgoverno Temer já reduziu o Custo Aluno Qualidade (CAQ) de R$ 3.500 para R$ 2.900. “Como podem melhorar a educação com essas medidas de cortes de verbas?”, questiona Lanes.

    Ela fala ainda que os “estudantes continuarão ocupando escolas em todo o país por uma educação pública de qualidade para todos e todas”. Lembra que o ensino superior também sofre restrições como no caso do Financiamento Estudantil (Fies). Ocorreram manifestações de universitários exigindo a manutenção do programa, já que o Ministério da Educação (MEC) está em atraso com as universidades, que prometem medidas contra os estudantes.

    Na realidade, diz a líder estudantil, “o MEC está desconhecendo todas as leis atuais da educação porque visa privatizar ao menos o ensino médio e superior e com isso aumentar ainda mais o lucro dos empresários da educação”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

     

  •  A música popular brasileira perde na manhã desta quinta-feira (18) o talento de Flávio Henrique Alves de Oliveira em decorrência de complicações por febre amarela – essa doença que volta a assustar os brasileiros.

    Com 180 músicas gravadas por grandes nomes da MPB como Ney Matogrosso, Zeca Baleiro, Vander Lee e dividiu parcerias com Paulo César Pinheiro, Milton Nascimento, Toninho Horta, Lô Borges, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, entre outros, Flávio Henrique, como era conhecido colecionou amigos e admiradores, durante os seus 49 anos de vida.

    Falso Milagre do Amor, de Ed Motta e Ronaldo Bastos, com Quarteto Cobra Coral 

    “Era um dos maiores compositores da música mineira. Um homem de sensibilidade ímpar e de pensamento progressista. Nos últimos anos, além de se dedicar a análise política profunda do Brasil pós golpe e suas inúmeras adversidades, comandava com entusiasmo e espírito republicano a recém fundada Empresa Mineira de Comunicação”, diz Clarice Barreto, vice-presidenta e diretora de Comunicação do Sindicato dos Professores de Minas Gerais.

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    Sinpro-MG manifesta pesar pela morte de Flavio Henrique, presidente da EMC

    Sua morte chocou a sociedade mineira. Para o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), "Minas perdeu um grande artista e eu perdi um amigo querido e um companheiro de ideias e de sonhos”.

    A Hora do Improviso, programa da Rádio Inconfidência com o Quarteto Cobra Coral 

    O seu parceiro no Quarteto Cobra Coral, grupo vocal que emplaca sucessos desde 2010, Pedro Morais se diz grato “pela oportunidade de ter convivido e passado por tantas coisas massas junto com ele, crescido e aprendido nesta vida, que é tão efêmera e tão frágil".

    Em sua carreira, lançou um DVD e oito CDs autorais, sendo Zelig o mais recente, de 2012. Cantor, compositor, tecladista, pianista destilou seu talento por obras como “O Olhar que Ama” (com Fernando e Robertinho Brant), “Choro Livre” e “Não Tive Mis o que Te Dar” (ambas com Paulo César Pinheiro), “Dentro de Mim Mora Um Monstro”, “Era Uma Vez Por Toda a Vida”, “Sob o Sol”, entre as 180 canções de sua autoria gravadas no imaginário popular para todo o sempre.

    Olhos de Farol, de Flávo Henrique e Ronaldo Bastos, com Ney Matogrosso 

    Além de músico e cantor talentoso, Flávio Henrique teve o reconhecimento da sociedade mineira pelo seu trabalho à frente da Empresa Mineira de Comunicação. Ele “era militante e entusiasta da comunicação pública a qual defendia na pauta da sua gestão à frente da Rádio Inconfidência e da Rede Minas, que cresceram de forma vertiginosa em sua gestão abraçando o espírito público que se espera da comunicação estatal”, diz Barreto.

    Amigos e familiares ressaltam o seu bom humor refletido em seu trabalho. Esse humor desponta com clareza, em 2012, na marchinha de Carnaval, “Na Coxinha da Madrasta”, uma das pioneiras de Belo Horizonte, onde ele satiriza o vereador da capital mineira Leo Burguês (PSL) porque a Câmara Municipal contratou o bufê da madrasta do político, onde uma estrofe diz que:

    "Não sei se é ladrão/Pervertido ou pederasta/Tem gente metendo a mão/Na coxinha da madrasta/Milhares de reais por mês/Pro lanchinho do burguês/Milhares de reais por mês/ Pro lanchinho do burguês/O nosso dinheiro ele gasta/Na cozinha da madrasta".

    Sob o Sol, Cobra Coral

    Os seus companheiros de viagem afirmam na página do grupo que "somos gratos por tantas histórias, tanto amor, tanta música, viagens, gargalhadas, shows, bastidores, festas e cada momento que pudemos viver juntos".

    A arte tem o poder de eternizar as pessoas em suas obras. O sepultamento do músico está previsto para esta sexta-feira (19), às 9h, no Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências. Foto: Frank Bitencout

  • A Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo) também se manifestou em solidariedade às vítimas do desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG), de propriedade da Vale S.A. Em nota, a entidade condena o sucateamento e desmonte dos órgãos técnicos e de fiscalização nas áreas de geociências e engenharia, e denuncia a responsabilidade de autoridades públicas federais e estaduais.

    “As propostas de privatização da CPRM [Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais], o sucateamento da GeoRio [Fundação Instituto Geotécnica] e do IPT [Instituto de Pesquisas Tecnológicas], e a extinção da Mineropar [Serviços Geológicos do Paraná] são alguns poucos exemplos de políticas equivocadas, que somente irão conduzir a novos e mais frequentes acidentes e mortes no país, não somente causados por barragens”, alerta a Febrageo.

    A entidade também reafirma a defesa incondicional de um serviço público de qualidade, eficiente e de referência internacional, frisando que, “para isso, há necessidade de recursos humanos e materiais adequados e não o desmonte irresponsável que temos visto nos últimos anos em nome de uma visão econômica simplista de curto prazo”, levando “a essas grandes tragédias, com custos humanos, sociais e econômicos muito maiores do que a suposta economia feita”.

    Veja, a seguir, a Nota da entidade nacional dos geólogos, na íntegra.

    “A FEBRAGEO – Federação Brasileira de Geólogos apresenta seu pesar e sua indignação com o rompimento de barragem na Mina do Feijão em Brumadinho, MG, pouco mais de três anos após o desastre em Mariana. Novamente uma unidade da empresa Vale S.A. causa um acidente de grande magnitude.

    Nesse primeiro momento, realmente o foco é no resgate das vítimas, que infelizmente devem alcançar a centenas de mortes, e o atendimento aos familiares. Além da garantia que as demais barragens da região não sofreram danos e da contenção dos rejeitos depositados ao longo do Córrego do Feijão que podem ser mobilizados na forma de fluxos de detritos na ocorrência de chuvas intensas.

    Contudo, é urgente a ação conjunta das autoridades, órgãos públicos e empresas privadas em uma mudança completa da gestão e fiscalização das barragens no país, não somente as de rejeitos, mas as de água também. Fica claro que o problema não é a falta de conhecimento técnico, mas sim de gestão e fiscalização desses empreendimentos por parte das empresas privadas e dos órgãos reguladores.

    É importante ressaltar que ambas as barragens da empresa Vale S.A. que romperam em Mariana e Brumadinho eram consideradas, pela empresa e auditores contratados, como de baixo risco, inclusive a Samarco era tida como referência técnica nesse tipo de empreendimento. Contudo, verifica-se que essas avaliações estavam totalmente equivocadas, sendo necessário entender o que realmente está acontecendo nesse modelo de auditoria e monitoramento dessas barragens e se a questão econômica está prevalecendo sobre a segurança e a técnica.

    No Inventário de Barragens do Estado de Minas Gerais, do ano de 2017, última versão publicada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente, somente no Estado, são 685 estruturas cadastradas no Banco de Declarações Ambientais, lembrando que esse número não corresponde ao número total de barragens existentes no Estado, mas daquelas que estão cadastradas no Banco de Declarações Ambientais.

    Desse total, 663 são autodeclaradas pelas empresas como de estabilidade garantida pelo auditor, 10 estruturas o auditor não concluiu sobre a estabilidade por falta de dados e/ou documentos técnicos e 12 não possuem estabilidade garantida pelo auditor.

    Mas como acreditar nesses dados, se ambas as barragens que romperam nos últimos três anos eram consideradas como de estabilidade garantida pela empresa e auditor? E o que exatamente está sendo feito com as 22 barragens que não tem estabilidade garantida, sendo que nesse grupo tem barragens de grande porte e a montante de comunidades onde vivem milhares de pessoas?

    É inadmissível a falta de ação e informações concretas sobre esses empreendimentos, não somente no Estado de Minas Gerais, mas em todo Brasil. Não esquecendo do desastre ambiental causado pelos vazamentos das barragens de rejeito da empresa norueguesa Hydro Alunorte, em Barcarena, no Pará, em 2018. E dos diversos acidentes com barragens como o ocorrido na Mineração Rio Verde, Nova Lima (MG – 2001); na indústria de papel Rio Pomba-Cataguases (MG – 2003); em Camará, Areias (PB – 2004); Mineração Rio Pomba, Miraí (MG – 2007); e Mineração Samarco (MG – 2015), somente para citar alguns casos.

    Destaca-se, ainda, a responsabilidade de autoridades públicas federais e estaduais, como ministros e secretários, que não propiciam estrutura e recursos humanos e materiais a alguns órgãos fiscalizadores. Para citar um caso, tem-se a criação da Agência Nacional de Mineração – ANM substituindo o DNPM, sem um claro plano de investimento em contratação de técnicos e de toda estrutura necessária para adequada fiscalização, sendo que recentemente, algumas unidades do DNPM não tinham dinheiro nem para pagar as contas de água, energia ou comprar combustível.

    Não podemos continuar no país com o desmonte dos órgãos públicos técnicos e de fiscalização nas áreas de Geociências e Engenharia, que são essenciais para o desenvolvimento do Brasil e para formação de recursos humanos especializadas. As propostas de privatização da CPRM – Serviço Geológico do Brasil, o sucateamento da GeoRio e do IPT e a extinção da Mineropar são alguns poucos exemplos de políticas equivocadas, que somente irão conduzir a novos e mais frequentes acidentes e mortes no país, não somente em barragens.

    A FEBRAGEO defende de forma incondicional o serviço público de qualidade, eficiente e de referência internacional, como são a CPRM, IPT, GeoRio, entre outros, mas para isso há necessidade de recursos humanos e materiais adequados e não o desmonte irresponsável que temos visto nos últimos em nome de uma visão simplista e sem a correta avaliação de sua importância. Essa visão econômica simplista e de curto prazo, tanto no setor privado como no público, leva a essas grandes tragédias, com custos humanos, sociais e econômicos muito maiores com a suposta economia feita.
    Apresentamos nossos sentimentos às vítimas e seus familiares”.

    Atenciosamente,

    São Paulo, 26 de janeiro de 2019.

    Diretoria da Federação Brasileira de Geólogos - FEBRAGEO

  • A partir das 18h, a Praça Afonso Arinos, no centro da capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, será palco de mais um protesto pelo fim da violência contra as mulheres. A manifestação faz parte da campanha Ni Una Menos (Nenhuma a Menos). Saiba mais pela página do evento no Facebook aqui.

    O movimento que se empoderou (entenda o termo aqui) após o assassinato violento da menina Lúcia Pérez, de 16 anos, em Buenos Aires no dia 8 de outubro. O crime causou comoção mundial e a manifestação ocorreu em vários países no mesmo dia - 19 de outubro. Muitas manifestações se espalham pelo Brasil com a Primavera Feminista aderindo ao Ni Una Menos.

    “A sociedade brasileira se sente aprisionada com a velocidade dos projetos do governo golpista que retiram nossos direitos”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Ela lembra que John Lennon disse nos anos 1970 que a mulher era o negro do mundo, numa referência à escravidão e à exploração desumana. “A luta contra o machismo é a luta pela emancipação da humanidade, por isso as mulheres estão tomando as ruas como na Polônia, na Argentina, no Brasil, enfim no mundo todo para acabar com essa chaga”.

    “As manifestações vêm denunciando a cultura do estupro porque ninguém aguenta mais tamanha barbárie, as meninas estão sendo assassinadas com requintes de crueldade”, complementa.

    A sindicalista defende a unidade do movimento feminista e com isso “juntar toda a sociedade para acabar com o machismo. A mídia tem que assumir a responsabilidade de difundir a necessidade de políticas públicas que visem a igualdade de gênero, a começar pela educação, levando esse debate para dentro das escolas”.

    De acordo com Pereira, a sociedade está se degradando com tanta violência, tratando a mulher como objeto. “Num país como o Brasil onde os direitos humanos são cada vez mais desrespeitados, os direitos da classe trabalhadora e das chamadas minorias podem ir para o ralo se não fizermos nada. Devemos agir e unir todas as mulheres e fazer greve como as argentinas fizeram. Basta de violência”.

    São Paulo

    Ocorre nesta quinta-feira também um ato na frente do Tribunal de justiça do Estado de São Paulo, durante o a sessão de julgamento que apreciará o recurso de apelação da estudante de Medicina de 19 anos, vítima de estupro cometido por seu ex-namorado em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O algoz foi absolvido no primeiro julgamento.

    Rio Grande do Sul

    Inúmeras entidades assinam nota de repúdio ao do deputado estadual e candidato a prefeito de Santa Maria (RS), Jorge Pozzobom (PSDB). Ele disse que daria de presente “um superbonder” para a sua empregada doméstica ao saber que ela estava grávida do quarto filho (leia a íntegra da nota aqui).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Ana Júlia diz o que os progressistas gostariam e os conservadores não querem ouvir

    A estudante que empolgou as cabeças progressistas do país com seu discurso em defesa das ocupações de escolas no Paraná, Ana Júlia Ribeiro, mais uma vez fala o que todos os defensores de uma educação pública de qualidade gostariam e os conservadores precisam ouvir, desta vez em audiência pública sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 (ex-PEC 241), no Senado Federal.

    Com a história na mão

    Ela afirma que as ações dos estudantes são vistas como “baderna”, mas que na verdade é pela educação pública.  Diz ainda ser a favor de mudanças na educação, mas que a sociedade possa debater, que o movimento estudantil possa participar. “Estamos lá porque acreditamos no Brasil”.

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    “As mãos de vocês estão sujas com o sangue do Lucas”, diz estudante aos deputados paranaenses

    No final, ela falou contra a onda de repressão, que se espalha pelo país, aos ocupantes de escolas e afirma que “estamos lá na paz”. A menina de 16 anos afirma com firmeza que “vamos desenvolver métodos de desobediência civil, nós vamos levar a luta estudantil para frente, nós vamos mostrar que não estamos aqui de brincadeira, e que o Brasil vai ser um país de todos”. Para ela, quem votar a favor da PEC do Fim do Mundo estará com as “mãos sujas por 20 anos” (acompanhe abaixo a fala da estudante).

     

    Na contramão

    Conservadores agem à revelia do Estado Democrático de Direito. Em diversos estados a repressão ao movimento dos secundaristas contra a PEC 55 e a reforma do ensino médio, mostra a verdadeira face do governo golpista contra a democracia, a inteligência e o bom senso.

    O juiz Alex Costa de Oliveira, da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios chegou ao absurdo de autorizar o uso de técnicas de tortura contra estudantes.

    "Autorizo expressamente que a Polícia Militar utilize meio de restrição à habitabilidade do imóvel, tal como, suspenda o corte do fornecimento de água; energia e gás (...) restrinja o acesso de terceiro, em especial parentes e conhecidos dos ocupantes", determina.

    Em seu ofício (veja foto abaixo), o juiz autoriza o corte de água, luz e gás das unidades de ensino, além de impedir o acesso de familiares e amigos. Autorizou inclusive a utilização de "instrumentos sonoros contínuos, direcionados ao local da ocupação, para impedir o período de sono".

    juiz autoriza tortura estudantes df

    Sem intimidar-se, centenas de estudantes do DF, ocuparam a reitoria da Universidade de Brasília (UnB), no campus Plano Piloto, na noite desta segunda-feira (31) para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 (ex-241), que congela os investimentos em educação e saúde por 20 anos. Aos gritos de "recua, direita recua. É o poder popular que tá na rua" (veja vídeo abaixo).

    Jovens algemados como criminosos

    Mesmo sem autorização judicial, na quinta-feira (27), chamada pela direção da escola, a Polícia Militar invadiu a Polícia Militar, em Miracema, interior do Tocantins, e deteve estudantes. Como se fossem bandidos, os jovens foram algemados e levados para a delegacia da cidade. No dia seguinte, a Justiça determinou a liberação de todos.

    estudantes algemados tocantins

    Estudantes de Tocantins foram presos e algemados (reprodução / Facebook / Gleisi Hoffmann)

    No Paraná, estado com o maior número de escolas ocupadas, grupos fascistas, liderados pelo Movimento Brasil Livre (MBL) agem com violência tentando desocupar a escolas. Eles atacam “as escolas com pedras, com ameaças", diz Camila Lanes, presidenta da união Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

    Pelo país, “a gente vê casos como o atropelamento de um estudante em um ato; a gente vê casos, como na Bahia, de agressões físicas e ameaças feitas por membros desse movimento contra estudantes; a gente vê casos, como aqui em Brasília, em que o Movimento Desocupa tentou invadir uma escola pelo telhado”, afirma a líder estudantil.

    Na quinta-feira (27), em Chapecó, em Santa Catarina, a PM catarinense invadiu a ocupação da escola Irene Stonoga com fuzis em punho, acompanhada da direção da escola. A imprensa local afirma que direção manteve os estudantes presos entre as grades do corredor até os policiais chegarem.

    Em Bocaiúva, Minas Gerais, estudantes e educadores da Escola Estadual Dr. Odilon Loures se unem contra a PEC do Fim do Mundo e tomam as ruas da cidade, contra o congelamento de investimentos em educação e saúde públicas(veja foto abaixo).

    protesto bocaiuva mg

    Estudantes e educadores de Bocaiúva contra a PEC da Maldade

    A estudante Clara Stempkowski diz, para a Ubes, que “foi muito assustador para nós, todos estávamos muito amedrontados, eu nunca havia visto uma arma daquele porte, não sabia o que fazer, fiquei tremendo por horas até conseguir me acalmar”.

    Do Paraná vem a boa notícia. Ao saberem da intenção do MBL de desocupar à força o do Colégio Estadual Pedro Macedo, em Curitiba, pais de alunos, professores e vizinhos da escola saíram em defesa dos estudantes e expulsaram os fascistas. Alunos fazem o mesmo para defenderem seus colegas do Núcleo Regional de Educação, na capital paranaense (assista abaixo). 

    Já em São Paulo a PM é acusada de carregar uma lista com fotos e nomes de secundaristas e apoiadores do movimento”, diz Liliane Almeida, do GGN. “Ao ser abordado, o jovem é obrigado a reconhecer os colegas apresentados nas imagens. Quem não consegue, é espancado”, afirma a repórter.

    pm paulista prende estudante

    Com a violência costumeira, a PM de Geraldo Alckmin ataca jovens inocentes (foto: jornal GGN)

    Ela conta o caso “de um estudante de Paraisópolis, pego dentro de uma estação da CPTM e levado até uma pequena sala com dois policiais, sem identificação, que o interrogaram apresentando fotos de outros estudantes que o jovem precisava reconhecer dando nomes e endereços. Como o rapaz, de apenas 16 anos, se recusou a passar informações, foi brutalmente espancado até perder a consciência”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O 4º Congresso Nacional da CTB já é "vitorioso pelo número de delegadas e delegados. Somente a bancada de Minas Gerais tem 122 representantes sindicais homens e mulheres, da cidade e do campo, fortalecendo o nosso Congresso", afirma Valéria Morato, presidenta da CTB-MG e do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG).

    Morato realça a importância dos debates deste Congresso, realizado "numa situação de resistência". Ela acredita que serão definidas propostas que possam encontrar saídas para os projetos de massacre que a classe trabalhadora está sofrendo com "os ataques promovidos por este governo golpista".

    Assista o depoimento completo de Valéria Morato

    Portal CTB

  • Partido de Jair Bolsonaro, falso defensor de uma “nova política”, já foi apelidado de Partido Só de Laranjas (PSL). Neste caso, é acusado de repassar recursos de financiamento de campanha de forma irregular a candidatas em 2018.

    A Polícia Federal fez buscas na manhã desta segunda-feira (29) na sede do PSL em Minas Gerais, na investigação sobre candidaturas-laranja durante a eleição de 2018. À época, o diretório era presidido pelo atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, mas ele não é alvo direto da operação. Sete mandados foram cumpridos em Belo Horizonte e em mais quatro cidades.

    A reportagem da TV Globo tentou contato com o PSL. Na sede do partido, na Região Centro-Sul da capital mineira, ninguém quis gravar entrevista. Por telefone, nenhum representante foi encontrado até as 11h20.

    O ministro Marcelo Álvaro Antônio tenta livrar a própria cara e desqualificar as acusações. Por meio de nota, afirmou que o partido seguiu rigorosamente o que determina a legislação eleitoral. Afirmou que segue à disposição da Polícia Federal para prestar todas as informações necessárias e que se ofereceu espontaneamente para prestar depoimento às autoridades. Disse também que a acusação tem motivação política .

    Entenda as suspeitas:

    Candidatas do PSL em Minas Gerais dizem ter sido usadas para desviar dinheiro do fundo eleitoral. Uma delas afirma ter sido chamada para o esquema diretamente pelo ministro do Turismo. Ele nega;

    Nesta segunda, a PF fez buscas na sede do PSL e apreendeu documentos;

    Investigação sobre uma outra candidata em Pernambuco levou à queda do então secretário-geral da Presidência da República, Gustavo Bebbiano. Ele também nega irregularidades.

    Os mandados foram expedidos pela 26ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte, e a operação recebe o nome "Sufrágio Ostentação". Houve a apreensão de documentos relativos à produção de material gráfico de campanhas eleitorais.

    Desde fevereiro, a Justiça de Minas Gerais apura irregularidades no repasse de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha pelo PSL a quatro candidatas nas eleições de 2018. Elas tiveram votações pouco expressivas, mas receberam bastante dinheiro da sigla, o que levantou a suspeita de uso de candidaturas-laranja.

    Sete mandados

    Em Belo Horizonte, uma gráfica no bairro Ipanema, na Região Noroeste, foi alvo das buscas. Policiais também estiveram em duas gráficas em Contagem, na Região Metropolitana. As demais cidades onde mandados foram cumpridos são Lagoa Santa, na Grande BH, Coronel Fabriciano e Ipatinga, no Vale do Rio Doce.

    Ainda segundo a PF, o objetivo da ação desta segunda-feira (29) é esclarecer suspeitas de irregularidade na aplicação de recursos para cotas femininas.

    A gráfica Big Gráfica, em Belo Horizonte, não quis se manifestar. Ninguém foi encontrado para comentar a investigação nas Bless e SC Editora e Gráfica, em Contagem. Os nomes dos estabelecimentos nas outras cidades ainda não foram informados.

    Outros casos

    A operação desta segunda integra uma investigação sobre ao menos quatro candidaturas eleitorais. O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, é suspeito de lançar candidatas-laranja para usar dinheiro do fundo eleitoral.

    A Justiça de Minas Gerais investiga pessoas que receberam quantidades significativas de dinheiro, mas tiveram número muito baixo de votos.

    Algumas das candidatas confirmaram que integraram ou que foram convidadas a participar de um esquema fraudulento de desvio de verba eleitoral. Em Minas Gerais, a candidata a deputada federal Adriana Maria Moreira disse que o partido pediu repasse de R$ 90 mil dos R$ 100 mil que ela receberia para fazer campanha. Ela afirmou que não aceitou as condições.

    Outra filiada ao PSL, Zuleide Oliveira acusou o ministro do Turismo de chamá-la para ser candidata laranja nas eleições 2018. “Ele, o Marcelo, me ofereceu R$ 60 mil, R$ 45 mil eu teria que devolver, R$ 15 mil ficaria para eu usar na campanha contratando gente, e eles me dariam R$ 80 mil em material”, disse ela, que concorreria a deputada estadual, mas teve a candidatura indeferida.

    Marcelo Álvaro Antônio negou e disse que Zuleide “mente descaradamente”.

    Em Pernambuco, uma candidata a deputada federal recebeu R$ 400 mil e obteve 274 votos. O caso de Lourdes Paixão foi denunciado pelo jornal “Folha de S.Paulo”. O dinheiro do fundo partidário foi enviado para ela pela direção do PSL, que tinha como presidente, na época, o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

    O caso causou uma crise entre Bolsonaro e Bebbiano, que acabou exonerado do cargo.

  • Carlos Roberto Massa, o Ratinho, famoso apresentador de programa do SBT, foi condenado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) a pagar multa de R$ 200 mil por manter funcionários em uma de suas fazendas em situação análoga à de escravidão.

    “É estarrecedor que em pleno século 21 ainda tenhamos que conviver com a prática da escravidão”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Rogério acredita ainda que com o governo golpista, a tendência é piorar para a classe trabalhadora já que “eles querem aumentar a jornada de trabalho e retirar todos os direitos trabalhistas, impondo uma agenda muito próxima do que se pode chamar de trabalho escravo”.

    Para o sindicalista cearense, a situação fica ainda pior por se tratar de um apresentador de televisão que ganha milhares de salários mínimos por mês e maltrata dessa maneira seus empregados.

    “É chocante quando alguém que trabalha nos meios de comunicação e supostamente possui uma visão esclarecida das coisas, haja dessa forma”, afirma Rogério. “Com a luta da classe trabalhadora e dos movimentos sociais para conquistar a cidadania, os meios de comunicação deveriam exercer a sua função social para divulgar a importância do respeito às pessoas”.

    Entenda o caso

    A Fazenda Esplanada, que fica em Limeira do Oeste, no interior de Minas Gerais, foi flagrada pelos fiscais do TST desrespeitando normas básicas de boas condições de trabalho. Faltava equipamentos de segurança, um refeitório adequado e vários trabalhadores estavam e situação irregular.

    Ratinho é reincidente. Ele já havia sido condenado a pagar multa de R$ 1 milhão pelos mesmos motivos em uma ação da Justiça do Trabalho de Minas Gerais, depois que o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Uberlândia ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP) contra ele.

    O apresentador é um dos principais fornecedores de cana de açúcar para uma empresa de Limeira do Oeste. "Não existiu trabalho em condição análoga à de escravo", diz nota do apresentador e produtor rural apresentada à imprensa, "mas restabeleceu a condenação no pagamento de indenização por dano moral coletivo, no valor R$ 200 mil em razão do suposto descumprimento dos aspectos da legislação indicados no item 4”.

    No caso de Uberlândia, a relatora do processo, ministra Dora Maria da Costa disse não restar “dúvidas da conduta ilícita praticada pelo empregador, causando prejuízos a certo grupo de trabalhadores e à própria ordem jurídica, cuja gravidade dos fatos e do ato lesivo, impõe o reconhecimento do dano moral coletivo''.

    Para Rogério, é inconcebível que crimes que remontam a séculos passados e à barbárie fiquem impunes. “Utilizar de mão de obra escrava agride toda a humanidade e deve ter uma punição compatível com essa agressão”, conclui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências