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Dom, Jul

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  • O portal russo de jornalismo Russia Today publicou nesta terça-feira (30) um artigo em que analisa a situação política do Brasil, e não poupou palavras para qualificar a presidenta eleita Dilma Rousseff: “Uma mulher de honra, confronta um Senado de canalhas”.

    O artigo original pode ser acessado aqui.

    O texto, assinado pelo analista geopolítico Pepe Escobar, diz que a presidenta “se defendeu com honra e dignidade”, mas atesta para o destino de quase certa aprovação do impedimento. “Dilma deixou o Senado de cabeça erguida, depois de exortar os senadores a votar com suas consciências. A maioria dos políticos presentes provavelmente não têm ideia do que significa ‘consciência’; não são mais que mensageiros corruptos. Mas o inconsciente coletivo brasileiro será marcado”, analisou. Para Escobar, as respostas de Dilma não foram para o plenário, mas para o “anjo da História” - uma figura de linguagem cunhada pelo teórico Walter Benjamin, ao se referir ao entendimento futuro da questão momentânea.

    O Russia Today reverbera os mesmos argumentos que nos últimos dias foram colocados pelo Guardian, pelo New York Times, pelo Le Monde, pela Deustche Welle e dezenas de outros veículos seminais pelo planeta. Em primeiro lugar, enfatiza a grande ironia de ver uma presidenta sem histórico de corrupção ser julgada por senadores com dezenas de processos nas costas. Mais adiante, ataca a fraqueza da acusação central do processo: “Não existe argumento técnico-burocrático que seja capaz de provar que a presidente deve ser impedida por conta de manobras fiscais, já que não puseram um centavo nos bolsos dela nem prejudicaram o Tesouro”.

    Pepe conclui: “Se tivéssemos que confiar em uma única formulação para explicar essa farsa para a audiência global, seria esta: o atual golpe parlamentar/ institucional/ empresarial/ financeiro/ midiático é uma ferramenta usada pelos oligarcas brasileiros para destruir o impulso de distribuição de renda que precedeu, via presidente Lula, a crise global do capitalismo, provocada pelos EUA em 2008”. Em seguida, evoca uma previsão sombria do sociólogo Emir Sader, que afirmou recentemente acreditar em um futuro de “grande conflito político e social”.

    “Bem-vindo ao Brasil pós-golpe”, diz o artigo. “Terra de crise permanente, com um governo corrupto, sem poder e ilegítimo, recessão econômica e desemprego. Tudo o que o Brasil construiu de positivo neste século será jogado fora pelo golpe”.

    Portal CTB

  • A Globo já foi mais discreta em seu jornalismo serviçal, apesar de ter na vassalagem uma das marcas da casa. Ao falar dos problemas financeiros da Previdência Social, porém, ela vem revelando o que há de pior na profissão - uma verdadeira aula de serventia aos interesses do poder.

    Quem pôde assistir o noticiário Bom Dia Brasil da manhã desta quarta-feira (3) se deparou com uma reportagem sobre o “buraco na Previdência que só aumenta”, com um bloco de cinco minutos dedicado ao tema. A matéria se constrói para afirmar que os brasileiros se aposentam “de forma precoce”, argumentando que os limites atuais de aposentadoria seriam insuficientes para mantê-la de forma sustentável.

    Os erros factuais são imensos. Primeiramente, ao falar do próprio “buraco da Previdência” como fosse real, a Globo fornece números assustadores do futuro brasileiro: R$ 85 bilhões de déficit da aposentadoria em 2015, R$ 145 bi em 2016, R$ 200 bi em 2017. É um desvio de informação grotesco, no mínimo, insinuar que o ritmo das aposentadorias aceleraria a ponto de aumentar em R$ 60 bi a cada ano, dentro de um orçamento de R$ 500 bi. 

    Aliás, não existe sequer um orçamento isolado para a Previdência que permita identificar o déficit apontado na reportagem, como explicou recentemente à CTB a professora de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil. Conforme a Constituição Federal, o "orçamento da seguridade social" engloba a Previdência, a assistência social e a saúde pública em um único cofre, financiado por recursos comuns do governo, trabalhadores e empresários. As receitas são, portanto, usadas para custear não apenas as aposentadorias e pensões, mas também os programas de assistência social e de saúde.

    Aparentemente, o “professor especialista” que a Globo encontrou para validar a reportagem não sabia disso, porque não mencionou a estrutura orçamentária por um segundo. Ele fez um bom trabalho em aumentar o pânico, no entanto, ao profetizar “uma Previdência deficitária significa necessidade de aumentar tributos”, sem evidenciar que qualquer aumento de tributos seria resultado de uma jogada proposital do governo.

    Todo ano, o Governo Federal retira dezenas de bilhões de reais dos cofres da Previdência para cobrir outras áreas, criando o tão trombeteado déficit. Quando são contabilizadas as contribuições obrigatórias do governo, que por lei deveriam compor o sistema do financiamento da Previdência, o que existe é um superávit saudável na área. Dados recentes da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP) apontam que a Seguridade Social, como um todo, tem saldo financeiro positivo todo ano, ao contrário do que é dito na reportagem. De acordo com o estudo, os superávits foram de R$76,2 bilhões, R$53,8 bilhões e R$23,9 bilhões entre 2013 e 2015.

    Isso não é mencionado em momento algum na reportagem do Bom Dia Brasil. Deixa-se os números positivos de fora, evidencia-se a projeção alarmista, mesmo que não tenha base factual.

    Outra coisa que não é mencionada é o aumento na produtividade por trabalhador pela qual atravessou a sociedade brasileira, em decorrência da tecnologia. A matéria enfatiza o aumento na expectativa de vida e a queda na taxa de natalidade dos últimos 50 anos, mas parece esquecer do surgimento da robótica e da informática. Não foi à toa que, durante nossa entrevista com a Denise Gentil, ela enfatizou: "Devemos investir em políticas de aumento da produtividade do trabalho, investindo em educação, ciência, tecnologia e estímulos à infraestrutura para proporcionar a arrecadação para o suporte aos idosos. Cada trabalhador se torna mais produtivo e produz o suficiente para elevar a renda e redistribuí-la entre ativos e inativos". Aumentaram as obrigações, sim, mas não puxamos o arado com bois nem andamos de carroça pelas ruas. Falar de um sem lembrar de outro é um exercício de ficção.

    A matéria da Globo, em essência, resume-se a repetir o slogan apocalíptico do “rombo da aposentadoria” de forma hipnótica, sem jamais explicar as reais questões em jogo. Não se menciona, por exemplo, que a proposta atual de Eliseu Padilha envolve estabelecer uma idade mínima de aposentadoria que seria superior à expectativa de vida de alguns estados brasileiros. Não se fala nos efeitos sociais nefastos que uma eventual desvinculação do salário mínimo levariam aos mais de 70% de idosos que se encontram na faixa mínima do benefício, que seriam arremessados na miséria novamente.

    Não menciona as inúmeras isenções fiscais concedidas aos super-ricos no Brasil, que poderiam contribuir com até R$ 200 bilhões em impostos sobre grandes fortunas e heranças. Não chega perto dos mais de R$ 500 bilhões de sonegação fiscal que enfraquecem o poder público a cada ano. Não apresenta os inúmeros municípios em que a Previdência movimenta mais dinheiro do que o próprio Fundo de Participação dos Municípios, e o impacto catastrófico que uma depreciação dessas teria sobre a economia no interior.

    Não menciona nada que, de alguma forma, não interesse ao governo interino de Michel Temer. Trata-se de propaganda em sua forma mais pura.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • A Globo já foi mais discreta em seu jornalismo serviçal, apesar de ter na vassalagem uma das marcas da casa. Ao falar dos problemas financeiros da Previdência Social, porém, ela vem revelando o que há de pior na profissão - uma verdadeira aula de serventia aos interesses do poder.

    Quem pôde assistir o noticiário Bom Dia Brasil da manhã desta quarta-feira (3) se deparou com uma reportagem sobre o “buraco na Previdência que só aumenta”, com um bloco de cinco minutos dedicado ao tema. A matéria se constrói para afirmar que os brasileiros se aposentam “de forma precoce”, argumentando que os limites atuais de aposentadoria seriam insuficientes para mantê-la de forma sustentável.

    Os erros factuais são imensos. Primeiramente, ao falar do próprio “buraco da Previdência” como fosse real, a Globo fornece números assustadores do futuro brasileiro: R$ 85 bilhões de déficit da aposentadoria em 2015, R$ 145 bi em 2016, R$ 200 bi em 2017. É um desvio de informação grotesco, no mínimo, insinuar que o ritmo das aposentadorias aceleraria a ponto de aumentar em R$ 60 bi a cada ano, dentro de um orçamento de R$ 500 bi. 

    Aliás, não existe sequer um orçamento isolado para a Previdência que permita identificar o déficit apontado na reportagem, como explicou recentemente à CTB a professora de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil. Conforme a Constituição Federal, o "orçamento da seguridade social" engloba a Previdência, a assistência social e a saúde pública em um único cofre, financiado por recursos comuns do governo, trabalhadores e empresários. As receitas são, portanto, usadas para custear não apenas as aposentadorias e pensões, mas também os programas de assistência social e de saúde.

    Aparentemente, o “professor especialista” que a Globo encontrou para validar a reportagem não sabia disso, porque não mencionou a estrutura orçamentária por um segundo. Ele fez um bom trabalho em aumentar o pânico, no entanto, ao profetizar “uma Previdência deficitária significa necessidade de aumentar tributos”, sem evidenciar que qualquer aumento de tributos seria resultado de uma jogada proposital do governo.

    Todo ano, o Governo Federal retira dezenas de bilhões de reais dos cofres da Previdência para cobrir outras áreas, criando o tão trombeteado déficit. Quando são contabilizadas as contribuições obrigatórias do governo, que por lei deveriam compor o sistema do financiamento da Previdência, o que existe é um superávit saudável na área. Dados recentes da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP) apontam que a Seguridade Social, como um todo, tem saldo financeiro positivo todo ano, ao contrário do que é dito na reportagem. De acordo com o estudo, os superávits foram de R$76,2 bilhões, R$53,8 bilhões e R$23,9 bilhões entre 2013 e 2015.

    Isso não é mencionado em momento algum na reportagem do Bom Dia Brasil. Deixa-se os números positivos de fora, evidencia-se a projeção alarmista, mesmo que não tenha base factual.

    Outra coisa que não é mencionada é o aumento na produtividade por trabalhador pela qual atravessou a sociedade brasileira, em decorrência da tecnologia. A matéria enfatiza o aumento na expectativa de vida e a queda na taxa de natalidade dos últimos 50 anos, mas parece esquecer do surgimento da robótica e da informática. Não foi à toa que, durante nossa entrevista com a Denise Gentil, ela enfatizou: "Devemos investir em políticas de aumento da produtividade do trabalho, investindo em educação, ciência, tecnologia e estímulos à infraestrutura para proporcionar a arrecadação para o suporte aos idosos. Cada trabalhador se torna mais produtivo e produz o suficiente para elevar a renda e redistribuí-la entre ativos e inativos". Aumentaram as obrigações, sim, mas não puxamos o arado com bois nem andamos de carroça pelas ruas. Falar de um sem lembrar de outro é um exercício de ficção.

    A matéria da Globo, em essência, resume-se a repetir o slogan apocalíptico do “rombo da aposentadoria” de forma hipnótica, sem jamais explicar as reais questões em jogo. Não se menciona, por exemplo, que a proposta atual de Eliseu Padilha envolve estabelecer uma idade mínima de aposentadoria que seria superior à expectativa de vida de alguns estados brasileiros. Não se fala nos efeitos sociais nefastos que uma eventual desvinculação do salário mínimo levariam aos mais de 70% de idosos que se encontram na faixa mínima do benefício, que seriam arremessados na miséria novamente.

    Não menciona as inúmeras isenções fiscais concedidas aos super-ricos no Brasil, que poderiam contribuir com até R$ 200 bilhões em impostos sobre grandes fortunas e heranças. Não chega perto dos mais de R$ 500 bilhões de sonegação fiscal que enfraquecem o poder público a cada ano. Não apresenta os inúmeros municípios em que a Previdência movimenta mais dinheiro do que o próprio Fundo de Participação dos Municípios, e o impacto catastrófico que uma depreciação dessas teria sobre a economia no interior.

    Não menciona nada que, de alguma forma, não interesse ao governo interino de Michel Temer. Trata-se de propaganda em sua forma mais pura.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • O jornal norte-americano The New York Times publicou nesta segunda-feira (6) um editorial intitulado “A Medalha de Ouro do Brasil para Corrupção”, questionando o compromisso do presidente interino, Michel Temer, com o combate à corrupção.

    A publicação pede que Temer se posicione contra o fim da imunidade parlamentar para ministros e congressistas acusados de corrupção.”Segundo a lei brasileira, altos funcionários do governo, incluindo os legisladores, gozam de imunidade contra processos na maioria das circunstâncias. Essa proteção irrácional claramente permitiu uma cultura da corrupção institucionalizada e da impunidade. Os investigadores descobriram que os contratos da Petrobras rotineiramente incluíam uma taxa de propina e que este dinheiro de suborno foi dirigido aos partidos políticos”, afirma o jornal.

    O editorial também faz referência à ficha suja de membros do atual governo, que tem sete ministros investigados por corrupção em sua composição.

    “As nomeações reforçaram as suspeitas de que o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff no mês passado, por acusações de maquiar ilegalmente as contas do governo, tiveram uma segunda intenção: afastar a investigação (de corrupção)”, afirma o jornal.

    O texto aponta também as renúncias do ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá, e posteriormente do ex-ministro da Transparência, Fabiano Silveira, que indicaram em conversa telefônica um esquema para impedir o prosseguimento da Operação Lava Jato.”Isto forçou Temer a prometer, na semana passada, que o Executivo não interferirá nas investigações na Petrobras, nas quais estão envolvidos mais de 40 políticos. Considerando os homens de quem Temer se cercou, a promessa soa oca”, destaca o New York Times.

    O jornal conclui dizendo que “se o o presidente interino merece ganhar a confiança dos brasileiros, muitos dos quais afirmam que o afastamento de Dilma Rousseff foi um golpe, ele e seu gabinete devem tomar medidas significativas contra a corrupção”.

    Do Sputnik News

  • O povo da Bahia deu mais uma demonstração de força. Cerca de 100 mil pessoas de todos os segmentos da sociedade e diversas cidades do estado se uniram em uma grande caminhada em defesa da democracia e o Estado democrático de direito na tarde desta sexta-feira (18/3), em Salvador. A praça do Campo Grande passou a ser ocupada no início da tarde, quando os manifestantes começaram a se reunir para protestar contra a tentativa de golpe orquestrado por setores conservadores da sociedade, com o apoio da grande mídia e de parte do Judiciário.

    Logo o local ficou lotado e a caminhada saiu em direção à praça Castro Alves, pintando de vermelho, verde e amarelo a avenida Sete de Setembro. O grito de “não vai ter golpe” era preponderante nas faixas, cartazes e falas das lideranças sociais, sindicais e políticas que se revezaram em cima do trio para chamar a atenção sobrea a necessidade de manter a mobilização e a resistência contra mais esta tentativa de ataque à democracia.

    O apelo ecoou nas ruas e muita gente que estava nas lojas e prédios de escritórios se uniram à caminhada ou acenaram bandeiras, manifestando apoio também à defesa do mandato da presidenta Dilma Rousseff e a nomeação do ex-presidente Lula como ministro chefe da Casa Civil.

    Todo o movimento social organizado participou da caminhada levando também as bandeiras com os direitos conquistados durante os anos de gestão progressistas no governo federal. Além do povo de Salvador, vieram caravanas de Jequiriçá, Pintadas, Monte Santo, Maragogipe, São Francisco do Conde, Barreiras, Camaçari, Valença, Juazeiro, Jaguarari, Bonfim, Adustina, Mutuípe, Valente, Santo Amaro, Riachão do Jacuípe, da Chapada Diamantina e do Baixo Sul.

    A CTB Bahia participou desde o início do processo de organização, mobilização e realização da atividade, convocada pela seção baiana de Frente Brasil Popular. Os sindicatos e dirigentes sindicais classistas formaram um grande bloco de trabalhadores em defesa de um país mais justo e com mais direitos para a população.

    “Hoje foi uma demonstração de que de fato o povo está disposto a lutar contra tentativa de golpe neste país. O fato de uma manifestação reunir 100 mil pessoas em um dia de semana é prova de que o povo está disposto a defender o mandato da presidente eleita. Principalmente por que nós sabemos, que o que eles querem é colocar o país a venda e entregar as nossas riquezas ao capital internacional. Tem ainda as decisões de um juiz parcial, que demonstrou a sua disposição de derrubar o governo. Para barrar isso é que o povo veio para as ruas dizer que não vai ter golpe”, comemorou o presidente da CTB Bahia, Aurino Pedreira.

    CTB BA

  • Os conselheiros e conselheiras nacionais do Ministério das Cidades realizaram nesta quarta-feira (20) uma série de manifestações ao encontrarem o ministro interino da pasta, Bruno Araújo (PSDB-PE). Depois de uma leitura da carta aberta repudiando o golpe de Estado efetivado por Michel Temer e a participação do próprio ministro nesta articulação, mais de 70 conselheiros entregaram o documento à mesa do Conselho. A carta segue na íntegra, logo abaixo.

    Diversos representantes da sociedade se sucederam em denunciar os retrocessos trazidos por Temer às políticas da área implementadas por Dilma. Em nome da CTB, o metroviário e membro da direção nacional Manuel Xavier Lemos Filho questionou inclusive a validade do Conselho como ferramenta de transformação social, denunciando o caráter farsesco da direção de Bruno Araújo.

    “Nós sofreremos grandes e preocupantes retrocessos nas políticas alcançadas. Neste sentido, a CTB está discutindo a permanência neste conselho, uma vez que, sob julgo de um traidor, Michel Temer, ele não irá avançar. A trincheira de luta não é aqui. A trincheira de luta é na rua, na defesa dos direitos da cidadania, de garantir o voto”, disse Xavier ao microfone.

    Assim como outros membros do grupo, Xavier fez também denúncias diretas ao ministro, que foi membro atuante do golpe de Estado contra Dilma. “Estamos sendo vítimas de um golpe violento, que é uma violência à soberania popular e à mulher brasileira”, denunciou, com o dedo apontado para o ministro. “A CTB não reconhece esse governo golpista, não reconhece esse pretenso ministro usurpador, e entendemos que as políticas públicas que avançaram neste período de governo popular serão severamente golpeadas”, analisou.

    Apesar da displicência do ministro interino diante das críticas, a reunião do Conselho se arrastou entre denúncias do começo ao fim.

    CARTA EM DEFESA DA REFORMA URBANA E DO DIREITO À CIDADE

    Os Conselheiros e Conselheiras Nacionais das Cidades da sociedade civil, do campo daReforma Urbana que lutam pelo direito à cidade, contra o processo de segregação social e espacial característico de nossas cidades para construirmos cidades verdadeiramente justas, inclusivas e democráticas vem à público manifestar o seu repúdio ao processo que quebrou a ordem democrática brasileira e teve profundo impacto na política urbana nacional.

    A cidade é uma construção coletiva, é para todos e todas, portanto, é essencial construirmos cidades que permitam vivências urbanas e acesso aos bens de maneira democrática. As cidades devem atender ao interesse coletivo, não podemos ter cidades construídas pelos interesses do mercado, que privilegiem certo grupo e segmento social. Devemos exigir que se cumpra a função social da cidade e da propriedade.

    Entretanto, vemos que desde os primeiros momentos, este governo interino golpista já tem implementado uma agenda de retrocessos nas políticas construídas coletivamente, com os diversos segmentos da sociedade, ao longo de mais de uma década.

    Portanto, diante da conjuntura política que atravessa o país, convocamos todos os movimentos populares, sociais, associações e entidades a se somar a luta pela Reforma Urbana e pelo Direito à Cidade e a DEFENDER:

    - Manutenção e ampliação de investimentos em programas e projetos urbanos, em especial habitação de interesse social, mobilidade urbana e básico universal.

    - A ampliação e fortalecimento do controle social das políticas urbanas. Tanto na esfera que envolve a ocupação dos espaços públicos como forma legitima de manifestação política, quanto à esfera da participação institucional.

    - A importância da articulação entre os diversos movimentos sociais - campo, cidade, mulheres, juventude, LGBT, negros e outros - na efetivação do direito à cidade.

    - As conquistas históricas no campo da Reforma Urbana. Não admitimos nenhum retrocesso!

    E por fim DENUNCIAMOS:

    - O desmonte das políticas e programas do Ministério das Cidades e os cortes de recursos orçamentários para políticas sociais fundamentais,

    - A criminalização e perseguição dos movimentos sociais.

    - A destruição do patrimônio do povo brasileiro, por meio de uma ampla agenda de privatizações!

    Assim, os conselheiros e conselheiras da sociedade civil reafirmam seu compromisso com o Estado democrático de direito e uma politica urbana para todos e todas. E não reconhecemos a legitimidade deste governo interino e golpista e seu representante no Ministério das Cidades!⁠⁠⁠⁠

    Portal CTB

  • A CTB está organizando, para o próximo dia 08 de agosto (segunda-feira), um ato nacional em defesa da CLT e da Previdência Social, dois alvos da gestão interina de Michel Temer. Articulado pelo presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, a jornada acontecerá em frente às Superintendências Regionais do Trabalho (antigas DRTs) em diversos estados do país.

    Araújo conclama os trabalhadores e trabalhadoras a protestarem em defesa dos direitos trabalhistas. "Com esse discurso da ‘modernização’, o objetivo [de Michel Temer] é baixar o custo da mão de obra e aumentar a cesta de lucros das empresas. É apenas por isso que esse governo quer aprovar o negociado sobre o Legislado, a terceirização irrefreável e acabar com a Previdência Social, o maior programa de distribuição de renda do país", denunciou.

    Em sua nota convocatória, a CTB denuncia o apoio da imprensa, em especial da Rede Globo, às medidas de esmagamento da classe trabalhadora ensaiadas por Temer e sua turma. “O governo ilegítimo encomendou uma série de reportagens defendendo a modernização das relações de trabalho, e esse mesmo assunto tem sido alvo de editoriais destilados de propostas de regressão, flexibilização e precarização do trabalho”, escreveu.

    Ele lembrou de episódios como o de Benjamin Steinbruch, presidente da CSN, em que foi proposto um período de almoço de 15 minutos, ou o de Robson Braga, presidente da CNI, em que foi ventada uma defesa da jornada de 80 horas semanais. “São, no mínimo, propostas preocupantes”, analisou.

    Para evitar que medidas como essas sejam naturalizadas no pensamento do brasileiro, a Central coordena com suas sedes estaduais este novo ato. O objetivo é denunciar e aumentar a atenção da população em torno do tema. “A jornada de lutas é longa e necessária. Ocupar as ruas e resistir a todo custo é o melhor caminho”, concluiu Adilson Araújo.

    À luta!

    Portal CTB

  • A CTB e a Frente Brasil Popular se preparam para realizar nesta terça-feira (31) uma mobilização nacional contra os ataques à Previdência Social planeados por Michel Temer e seu governo interino. A ação foi acolhida pela FBP e acontecerá em diversos estados, simultânea ao lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência do Senado.

    Em Brasília, o ato está marcado para as 9h e contará com a presença das demais centrais. Além delas, entidades como a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (ANFIP), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), a Associação Nacional dos Membros das Carreiras da Advocacia-Geral da União (Anajur) e dezenas de outras enviarão seus representantes. Nas outras cidades, os atos começam às 10h.

    “Esse ato que faremos em defesa da Previdência é importante, porque o governo golpista que está aí mandou uma pauta que vai esquartejar e jogar no lixo os 92 anos da Previdência Social”, disse o presidente da CTB-SP, Onofre Gonçalves. “A Previdência é uma forma importante de distribuição de renda, que vai pra aqueles que mais precisam. Esse governo está querendo tirar - é uma maldade com quem mais precisa, que são os trabalhadores e trabalhadoras”, concluiu.

    Para o presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor, a pauta tem "importância estratégica, mas sofre grande ofensiva por parte da mídia e do governo Temer no sentido de ser implementada contra os interesses dos trabalhadores". Ele acrescenta: "É preciso que o conjunto do sociedada denuncie essa ofensiva conservadora, pois ela não tem legitimidade - este governo só tem caráter provisório, e a nação brasileira rejeitou essa pauta ao eleger a presidenta Dilma, que já havia apresentado uma pauta de reforma".

    Movimentação nas capitais

    Em São Paulo, o ato será iniciado às 10h sobre o Viaduto Santa Ifigênia, em frente à sede do INSS paulista. Estão previstas milhares de pessoas, primariamente sindicalistas, e um comício com declarações de lideranças da CTB, da CUT e da Frente Brasil Popular.

    Em Salvador, a CTB organiza uma marcha que terá concentração inicial na Praça Visconde de Cairu até às 10h, seguindo daí para a sede do INSS na capital. Os organizadores do ato aguardam a confirmação da greve dos rodoviários da Bahia para definir a programação de atividades.

    Em Porto Alegre, o ato começará às 10h em frente ao INSS da capital sul riograndense e contará com uma aula pública feita por uma advogada especialistas em Direito Previdenciário e distribuição de materiais informativos. O ato irá até as 13h.

    Em Belo Horizonte, o ato também ocorre em frente à agência do INSS, no cruzamento entre a Av. Amazonas e a Rua Tupinambásmas, a partir das 12h. O comício terá uma aula pública sobre as questões da Previdência e falas de diversas lideranças da Frente Brasil Popular. Às 19h, no Sindicato dos Eletrecitários (Rua Mucuri, 271), os organizadores farão uma plenária para deliberar um plano de ação sobre o tema.

    Em Brasília, o ato será centrado na criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência do Senado. As diversas entidades da capital federal enviarão representantes para o evento no Congresso, que começa às 9h.

    Portal CTB

  • A CTB participa da 105ª Conferência Internacional do Trabalho, principal reunião da Organização Internacional do Trabalho, quem acontece em Genebra até o dia 10 de junho. Além de cumprir os objetivos temáticos dessa sessão, a delegação da CTB elegeu como prioridade política denunciar aos 185 países participantes, o golpe político em curso no Brasil.

    Como destaca Divanilton Pereira, Secretário de Relações Internacionais da CTB e Coordenador da FSM Cone Sul. “Disputados essa narrativa contra a estrutura montada pela ilegítima e direitista política externa brasileira, apoiada, infelizmente, por algumas organizações sindicais do Brasil que aqui participam. A CTB não dá legitimidade ao governo golpista!”, reforça o dirigente.

    O primeiro enfrentamento aconteceu nas primeiras reuniões da Comissão, quando um diplomata brasileiro tomou a fala para se referir à situação política brasileira, assinalando no seu discurso que as manifestações contrárias ao governo Temer se baseiam em um julgamento político sobre procedimento constitucional. Sua fala teria sido feita a mando de José Serra, ministro das Relações Internacionais.

    Membros da bancada dos trabalhadores brasileiros presentes na reunião do Comitê se levantaram do plenário para denunciar o golpe de estado. Delegados que representam trabalhadores e sindicatos de mais de 100 países somaram o coro em protesto ao governo brasileiro.

    A presidente da sessão, Cecilia Mulindeti-Kamanga, interrompeu o diplomata, alegando que o representante do governo infringiu as regras da Conferência ao tratar de assunto fora da pauta. O governo brasileiro teve sua fala cortada na Conferência como sanção pela infração cometida.

    Não ao golpe

    De acordo com os sindicalistas, "os debates e discussões prosseguem em todas as outras comissões quando organizações e governos caracterizam, como nós, o golpe em nosso país. De plantão, a representação governamental brasileira apela para direitos de respostas, mesmo que antirregimentais".

    Esse exemplo dessa afirmação foi quando o Secretário Geral da Federação Sindical Mundial (FSM), George Mavrikos, em sua exposição ao plenário da ONU solidarizou-se com a luta dos trabalhadores franceses, venezuelanos, palestinos, sírios e a luta contra o golpe no Brasil.

    Após sua fala, o interino governo tentou contestar lendo um pequeno texto padrão, que foi rechaçado por parte do plenário. “Diante de tal atitude, Mavrikos retomou o microfone e enfrentou as mentiras orientadas pelo golpista José Serra. O presidente dos trabalhos chamou a segurança para intimidação e a sessão foi encerrada”, descreveu Divanilton Pereira.

    Outro momento de tensão aconteceu quando o ilegítimo Ministro do Trabalho, Nogueira de Oliveira, ocupou a tribuna para pronunciar-se. Imediatamente a delegação da CTB levantou os cartazes em diversos idiomas do Fora Temer! Apoiadores estrangeiros e a CUT também o fizeram. Após sucessivas interrupções e ação da segurança, a CTB, em protesto, boicotou a palavra golpista do Ministro.

    CTB em defesa dos direitos da classe trabalhadora

    A delegação composta pelos dirigentes Assis Melo, Carlos Muller, Divanilton Pereira, Eremi Melo, Jenny Dauvergne, José Adilson Pereira, Magnus Farkatt, Márcio Ayer, Rogerlan Morais e Virgínia Barros atua em diversas comissões e debates no sentido de contribuir para as discussões de temas pertinentes à classe laboral.

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    No setor de transporte, coube ao delegado técnico da CTB, o portuário e secretário adjunto de relações Internacional da CTB, José Adilson, discursar em nome na sessão plenária da conferência. Leia na íntegra o discurso.

     

    No setor de transporte, a conferência consagra importantes alterações em duas convenções do trabalho marítimo. Uma incluiu dispositivos que inibem o assédio a bordo de navios e outra trata da identificação dos marítimos. Esta prevê que a identificação internacional dar-se-á através de chips. Trabalho coordenado pelo vice-presidente nacional da CTB, Severino Almeida, e acompanhado nesta sessão pelo marítimo Carlos Muller.

    No debate sobre a questão de gênero, coube a educadora Rogerlan Morais (SAAE-MG), a exposição especial que orientou os debates. Uma importante contribuição para que o sindicalismo classista enfrente a defasagem de representatividade das mulheres nas instâncias e direções sindicais.

    O dirigente da CTB e presidente do Sindimetal Caxias do Sul, Assis Melo, RS, apresentou uma contundente denuncia e convocou novas reações políticas em âmbito nacional e internacional em defesa da democracia no Brasil. A atividade contou com a participação de inúmeras organizações de vários países, que deram declarações de solidariedade e apoio à esta luta.

    17º Congresso da FSM em Durban

    Dentro da programação classista ocorreu ainda uma plenária, que debateu a realização do 17º Congresso FSM, entre os dias  05 e 08 de outubro, em Durban, África do Sul.

    Com a participação de mais de 160 sindicalistas de todos os continentes, George Mavrikos contextualizou a realização do 17º congresso, inserindo-o sob os efeitos de mais uma grave crise capitalista. Apresentou os documentos que nortearão os debates e orientou o aprofundamento do estudo sobre eles.

    Durante a atividade, os delegados contribuições com propostas, inclusive a CTB, através de seu secretário de relações internacionais, destacando a importância estratégica desse evento para o sindicalismo classista em nível mundial.

    Nos próximos dias, a CTB participará ainda nos encontros do BRICS Sindical e da Confederação Sindical dos Países da Língua Portuguesa (CSPLP).

    Portal CTB

  • O dia 10 de junho ficará marcado como mais um capítulo da histórica resistência do povo brasileiro contra o golpe e em defesa da democracia. Nesse Dia Nacional de Lutas, a juventude, os trabalhadores, os mais variados movimentos sociais e partidos políticos, junto com cidadãos de todos os cantos, raças, credos, gêneros e orientações sexuais, se reuniram para ecoar um uníssono “Fora Temer”, exaltando a defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro.

    O ato teve falas das centrais sindicais (dentre elas, a CTB), dos movimentos sociais e, em clima de bastante unidade, foram rejeitados os retrocessos encomendados pelo governo golpista. Foi dito um sonoro "não" aos ataques à Previdência, um não às terceirizações, um não às privatizações e um não à retirada de direito dos trabalhadores.

    A Deputada Federal Jandira Feghali (PCdoB), presente no ato, afirmou-se indignada com o governo golpista e viu no ato uma resposta do povo brasileiro aos ataques que a democracia vem sofrendo. Nas palavras da Deputada, “Nesse momento, nós somos movidos por um lado da indignação e ela vai crescer, porque os golpista mentem”.

    O ato se concentrou na Igreja da Candelária e seguiu em passeata até a Cinelândia, onde um grande ato político foi seguido de um evento cultural com diversos artistas.

    Da CTB-RJ

  • Nesta quarta-feira (25), a Frente Brasil Popular, que reúne movimentos sindicais e sociais, realizou nova plenária para deliberar sobre o próximos passos da luta contra o golpe. O evento aconteceu na cidade de São Paulo na quadra dos Sindicato dos Bancários de São Paulo, e teve na mesa a presidenta da UEE-SP, Flavia Stefanny; Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares; Orlando Silva, deputado federal pelo PCdoB; uma integrante da Marcha Mundial das Mulheres, e Emídio de Souza, do PT-SP.

    O primeiro discurso foi de Orlando Silva, que falou sobre a posição central do grupo na resistência ao impeachment. "O que nós construímos nesta semana é um indicativo forte de que nós não vamos desistir, da mesma forma como não desistimos na luta pelas escolas. Não é a primeira vez na história do Brasil que as elites afastam a Constituição para que a elite cumpra com seus interesses. Em um dos casos, levaram o Getúlio Vargas, no outro, afastaram pelas armas um presidente democraticamente eleito. Não é um golpe contra o PT, é um golpe contra todo o nosso projeto, e eles se utilizam de uma enorme máquina midiática, que tenta iludir o povo contra aqueles que o querem defender. Nesta fase, é fundamental que a gente aprofunde a denúncia contra o golpe e o que virá se o Michel Temer assumir a presidência. Eles escreveram o que querem implementar no Brasil, é a Ponte Para o Futuro! É aquele projeto dos anos 90, cujo Estado tem pouquíssimas funções e privatiza tudo o que existe de estrutura pública", disse. Fez uma breve análise, também, sobre os eventos semelhantes que ocorrem fora do Brasil: "Quero lembrar a todos aqui que o que acontece no Brasil é algo exclusivo do nosso país, mas de toda a América Latina. Essa luta não é apenas brasileira, mas dos os trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo".

    Por fim, falou das batalhas a serem travadas num possível governo Temer: "Muitos deputados já estão, desde o ano passado, tentando reduzir os programas de proteção social como o Bolsa Família, que é uma conquista e uma proteção fundamental para o desenvolvimento do Brasil. Eles querem universalizar também a terceirização e a flexibilização dos direitos trabalhistas, que será um imenso ataque aos trabalhadores. Mas esses aí que abraçaram o capeta conhecem agora o inferno da resistência popular, porque aqui no Brasil existem os movimentos organizados dos trabalhadores, dos estudantes, dos aposentados, das mulheres. Vamos lutar, e com muita energia, porque o que eles querem é criminalizar também os movimentos populares - no dia seguinte da votação do impeachment, já pediram uma CPI da Une e uma nova lei que flexibilize a contribuição sindical".

    O presidente do PT-SP falou sobre a estratégia de corpo-a-corpo que adotarão nas próximas semanas: "Nós precisamos cercar os golpistas até a votação no Senado, cobrar de cada um deles a postura de defesa da democracia. O Temer não aguentou um único dia de pressão, botou aqueles seguranças. Nós temos que cobrar especialmente a senadora Marta Suplicy, porque ela foi eleita por muitos dos que estão aqui, com o devido compromisso com a democracia. A nossa ação nas ruas, nos aeroportos, nas redes sociais tem que ser ainda mais intensa. A nossa unidade é o que tem encorajado as pessoas a irem às ruas e enfrentar a discussão. Nós temos que valorizar o papel dos artistas, dos intelectuais. Temos que reconhecer o público que se levantou durante a homenagem feita a Chico Buarque para dizer que não vai ter golpe, reconhecer o que o Zé de Abreu fez no Faustão. Porque o que vem depois disso, companheiros, é o ataque aos direitos individuais e civis e um ataque direto aos direitos dos trabalhadores". Fez também o devido reconhecimento do papel da Frente no combate pela democracia: "Estou satisfeito em dizer que o PT reconhece o papel da Frente Brasil Popular. Foram vocês que nos deram fôlego e capacidade de reação. Não tem preço o que está acontecendo aqui, e nós vamos enfrentar essa luta!".

    A Frente reafirmou que não aceitará o golpe tramado por forças antidemocráticas, antipopulares e antinacionais e conclamou os movimentos civis organizados a integrararem o tradicional 1º de Maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, no Vale do Anhangabaú, centro da capital paulista, a partir das 10h. A atividade deste ano terá um caráter de assembleia popular da classe trabalhadora, que tem se mobilizado contra o golpe em curso. Para isso, o ato será composto por um momento inter-religioso, seguido pelo político, com a presença de lideranças partidárias e dos movimentos sociais e sindical, e um outro momento com shows e atrações culturais.

    Estão confirmadas as participações de Beth Carvalho, Martinho da Vila, Detonautas, Chico César e Luana Hansen. Também haverá feira gastronômica, unidades móveis de atendimento, atrações para as crianças e outros serviços à população.

    Serviço

    1º de Maio – Assembleia Popular da Classe Trabalhadora contra o Golpe, na Defesa da Democracia e Por Nossos Direitos

    Quando: Domingo (1º de Maio), a partir das 10h

    Onde: Vale do Anhangabaú, em São Paulo (metrô Anhangabaú ou São Bento)

  • Uma triste interrupção para a democracia.

    "A consumação do golpe com a preservação dos direitos políticos da presidenta Dilma Rousseff é a prova inconteste de que o conluio reacionário tinha, exclusivamente, o intento de assaltar o Palácio do Planalto para promover o retrocesso neoliberal e podar a esperança de milhões de brasileiros por uma nação Iivre, igual e soberana"

    Adilson Araújo - Presidente Nacional da CTB

  • Desde as primeira horas desta manhã de domingo (17), milhares de brasileiros contrários ao golpe e defensores da democracia coemçaram a ocupar as ruas contra a tentativa de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Este domingo, que promete ser histórico, atingirá seu ápice com a votação no plenário da Câmara dos Deputados.

    Nas principais capitais brasileiras e no Distrito Federal, o povo já ocupa as ruas, que seguirão ocupada até o final da votação.  Telões estarão espalhados nos locais, para os manifestantes acompanharem o processo de votação do impeachment.

    Confira as fotos dos atos:

    Caminhada pinta com as cores da Democracia a avenidas de Brasília

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    Mais de 20 mil pessoas já estão concentradas na área do Farol da Barra em Salvador. O local, que usualmente vinha sendo utilizado para os protestos dos grupos pró-golpe, foi solicitado antes pelos movimentos em defesa da democracia.

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    Na capital mineira, os blocos de carnaval começam agora o seu arrastão cruzando a cidade em direção a Praça da Estação, onde está montada a estrutura para uma grande vigilia e transmissão da votação.

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    Direto de Copacabana, Rio de Janeiro, a multidão Grita Não vai ter golpe vai ter luta.

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    No acampamento da Democracia e da Legalidade na Praça da Matriz em Porto Alegre, a mesma praça da Legalidade em 61.  Ato cultural das mulheres. Pela CTB,  na manifestação e no violão.

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  • O povo carioca não fugiu à luta! Concentrados desde o fim da tarde na Igreja da Candelária para um ato convocado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, milhares de trabalhadores e trabalhadoras, homens e mulheres, militantes dos mais variados movimentos sociais e populares se reuniram para uma demonstração de apoio à Presidenta Eleita Dilma Rousseff, que enfrentava os golpistas no Senado, em mais um dia decisivo na luta contra o golpe.

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro se fez presente, com seu Presidente, Ronaldo Leite e diversos dirigentes marchando em conjunto com os manifestantes e participando ativamente da condução do ato que teve seu cortejo partindo da Igreja da Candelária em direção à ALERJ.

    O “Fora Temer” era o grito que unificava militantes dos mais diversos segmentos mas pautas como os direitos das mulheres, dos LGBTS e a luta contra a privatização da CEDAE também marcaram forte presença no ato.

    Da CTB-RJ

  • Não demorou mais que quatro horas para o recém-empossado governo Temer mostrar sua verdadeira postura diante de protestos contra sua legitimidade. Entre a cerimônia que coroou o golpista e os primeiros atos de repressão, bastou uma passeata e um rojão. A noite da quarta-feira (31) colecionou depoimentos e fotografias de uma sociedade em estado de convulsão.

    A situação icônica na Av. Paulista, em São Paulo, prenunciava o que viria: entre duas manifestações, uma a favor do impeachment (na FIESP), uma contra (no MASP), a Polícia Militar armou três fileiras de contenção. As três olhavam para o MASP. O responsável pela PM tentou convencer as lideranças anti-golpe a não "provocarem retaliação", mas frustrou-se ao ouvir de um professor que protestar é um direito. Limitou-se a responder: "Eu também tenho minha opinião sobre isso, mas esse aqui é o meu trabalho”.

    Uma hora mais tarde, já com uma boa distância da FIESP, a PM atacaria com bombas de gás e violência física. Reviveria também outra tática condenada pela ONU, a "panela de Hamburgo". O motivo do galope: um rojão.

    fora temer faixa maspA manifestação de São Paulo reuniu ao menos duas mil pessoas no MASP - em sua imensa maioria, jovens

    Em agosto de 2016, não causaria espanto confundir a ocasião com maio de 2013. Até a esquina do primeiro tiro foi a mesma - entre a Antônio Carlos e a Consolação.

    Em Brasília, a manifestação organizada contra o resultado do julgamento da presidenta Dilma acabaria de forma parecida, dispersada por bombas. A caminhada começou ao lado do Ministério da Justiça, rumo à Rodoviária do Plano Piloto. Já no trajeto, a PM fez ataques preventivos, com pequenos jatos de gás nas pessoas. Chegando à Rodoviária, o cenário virou palco para uma nuvem de gás de pimenta e o estalar de cacetetes.

    No Rio de Janeiro, o protesto teve um final menos temeroso. Com pelo menos três mil pessoas, a concentração aconteceu na Cinelândia, onde manifestantes discursaram contra o recém-empossado Michel Temer. Neste caso, o protesto foi organizado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que conseguiram negociar a paz com a PM. A cidade presenciou ainda um mega panelaço durante o discurso gravado de Temer, que foi ao ar às 20h.

    cinelandia fora temer 310816A Cinelândia teve protesto sob a coordenação das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo (Foto: Marco Antonio Teixeira/UOL)

    Os coletivos de jornalismo registraram protestos anti-golpe ainda em Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Salvador, Santos, Curitiba e mais dezenas de cidades pelo país, com diferentes graus de comparecimento. Registraram também várias situações de violência repressiva, com pessoas passando mal, em função das bombas, ou sangrando, em função de policiais. Nos locais com conflito mais acirrado, registrou-se um número de prisões arbitrárias.

    Em meio a tudo isso, até os profissionais da imprensa alternativa foram ameaçados pelos policiais. Pelo menos em um caso, o jornalista teve sua câmera destruída.

    Zona de guerra

    O conflito mais tenso foi em São Paulo, onde os manifestantes levantaram barricadas incendiadas e destruíram fachadas de bancos. Na USP, os estudantes queimaram um ônibus. Conforme a tensão aumentou, a polícia passou a perseguir até quem já havia se separado das passeatas - o que rendeu,também, um sem-número de registros de abuso por parte da corporação. Ainda às 22h, a recomendação do Metrô era a de evitar a Linha Vermelha, pois a PM havia explodido gás lacrimogêneo no interior de algumas estações.

    Perto das 23h, um grupo de garotas que protestava em São Paulo nos pediram ajuda. Não deveriam ter mais que 18 anos, e estavam devastadas. "Ficamos atrás da marcha para evitar confusão, mas eles [a PM] atacaram com bombas pelas costas. Estamos com medo de cruzar o centro e acabar encontrando outro grupo [de PMs]”, explicaram. Enquanto as conduzíamos para o metrô, encontramos um cenário de guerra.

    barricadas sao paulo 310816Nas regiões de conflito em São Paulo, os manifestantes ergueram barricadas de fogo

    O terror das primeiras quatro horas do governo Temer serve de atestado da covardia de seu ministro da Justiça/cão de guarda, Alexandre de Moraes. Não vai ser fácil enfrentá-lo.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • A CTB-MG realizou na última sexta-feira (15) uma pesquisa de opinião, entre os cidadãos de Belo Horizonte, em que perguntou sobre a realização de novas eleições para a Presidência da República. Como se afere do gráfico abaixo, a maioria expressiva das pessoas acredita numa solução para a crise política por vias eleitorais:

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    Dentre os critérios da pesquisa, priorizou-se o perfilamento de escolaridade como critério de definição de tendência. A distribuição geral de nível educacional dos entrevistados concentrou-se em dois estágios: ensino médio completo e ensino superior completo.

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    Separando esses entrevistados entre os que se posicionam a favor e contra a realização de novas eleições, encontra-se uma tendência curiosa: enquanto pessoas com baixa escolaridade (Ensino Fundamental completo ou incompleto) e alta escolaridade (Superior completo ou incompleto) se posicionam contra a escolha de um novo presidente, aqueles que pararam os estudos no Ensino Médio se mostram bem mais favoráveis a um novo sufrágio.

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    O terceiro estágio da pesquisa tomou forma de uma indicação espontânea do participante quanto a um novo governante para o país. Aqui, o resultado primário se assemelha nos dois grupos: independente de posição, a posição preponderante é de alguma figura do PT. No caso dos que desejam as eleições, Lula lidera as intenções de voto, seguido por Aécio. No casos que rejeitam, o retorno da presidenta Dilma permanece no topo, também seguida por Aécio. Também relevante, aparecem figuras ligadas à oposição no cenário de novas eleições, como Jair Bolsonaro em 3º lugar e Marina Silva figuram em 5º. A alternativa parlamentarista, tão trombeteada por Eduardo Cunha e o “Centrão”, foi lembrada por apenas um entrevistado.

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    Portal CTB, com informações da CTB-MG

  • Bruno Moreira Santos, nomeado pelo presidente interino Michel Temer para o cargo de secretário nacional de Juventude, já entra para o governo com uma chaga gravíssima sobre seu nome, de acordo com a revista Época: ele já foi acusado de agressão, ameaça e assédio por duas mulheres diferentes, tendo inclusive usado uma faca em uma das situações.

    Com apenas 24 anos, Santos aparece em boletins de ocorrência em Belo Horizonte, onde seu nome foi levado à delegacia pela ex-companheira Vitoria Abreu Alves da Costa. Ela o acusa de tê-la atacado com socos, tapas, chutes e puxões de cabelo, e recorrido a uma faca para intimidá-la. O motivo teria sido o término do relacionamento, não aceito pelo agressor.

    Curiosamente, o novo secretário tem dificuldade de lembrar do episódio. Questionado, respondeu inicialmente que não conhecia Vitoria, até ser confrontado com o B.O., Daí, mudou sua resposta: reconheceu não apenas a relação, mas a filha que gerou dela, o processo judicial que abriu (e venceu) para tirar a guarda da filha da mãe, e disse jamais ter sido informado sobre a acusação. “Nunca fui intimado, nunca fui ouvido sobre esses boletins. [Você] está me trazendo uma surpresa nova”, alegou.

    Em outro B.O., de setembro de 2015, uma funcionária pública do governo de Minas Gerais subordinada a Bruno relata ter sofrido assédio sexual por parte dele, e em seguida repetidas ameaças de demissão após recusar as investidas.

    Com três ministros removidos por acusações graves de corrupção e quase uma dezena ligados à Lava Jato e outras investigações, a nova adição agrava ainda mais a situação do governo provisório. O secretário recém-nomeado nega o conhecimento dos B.O.s e diz que, no caso da funcionária, as acusações foram feitas depois de ela ter sido demitida.

    O novo secretário é presidente da Juventude Nacional do PMDB e filho do deputado estadual de Minas Gerais Cabo Júlio, do mesmo partido. Ele foi oficialmente empossado no dia 20.

    Com informações do Huffington Post e da Época

  • A capital mineira pode ter se tornado o marco para um segundo momento da trama política com a reação popular ao golpe. Na última sexta-feira (20/05) Belo Horizonte se preparou para receber a presidenta Dilma que iria participar do 5o Encontro de Blogueir@s e Ativistas Digitais, primeira aparição pública depois de seu afastamento. Um ato espontâneo dos belo-horizontinos superou a convocação da Frente Brasil Popular e levou de forma rápida mais de 40 mil pessoas para frente do hotel que acontecia o encontro. Dilma foi ovacionada e recebida por um ato emocionante de apoio. Frases como “Fora Temer” e “Volta querida” ecoaram pelas ruas próximas ao hotel.

    A presidenta legitimamente eleita foi recepcionada pelo presidente da CTB/MG, Marcelino da Rocha e a presidenta da CUT/MG Beatriz Cerqueira. Dezenas de manifestações de carinho se juntou a soltura de balões vermelhos que levaram o símbolo da liberdade aos céus da capital. As centrais sindicais e as entidades que compõem a Frente Brasil Popular seguiram com a manifestação até a porta da Funarte, onde ocorre mais uma ocupação das 22 espalhadas por todo o País em protesto contra o golpe.

    Do lado de dentro, Dilma Rousseff disse estar surpresa e chorosa com a enxurrada de apoio que acabava de receber. A emoção, porém, não afastou a sua força para reafirmar que irá resistir até o fim e desmascarar os golpistas na segunda fase do processo no Senado. Na abertura do encontro, Dilma denunciou o projeto golpista de desmonte do Estado com algumas das ações que já ganharam as manchetes do jornal nesse período de governo ilegítimo. A presidenta também se defendeu mais uma vez das acusações. Segundo ela, o conteúdo dos decretos que fazem parte da peça de acusação são idênticos a outros assinados por ex-presidentes. Ela citou o caso de Fernando Henrique Cardoso que durante seu mandato assinou 30 decretos iguais aos seis que foram apresentados pelos autores do impeachment. “Não era crime naquela época e não é crime agora” reafirmou.

    Derrotar o golpe

    A capacidade de reverter o quadro de golpe no Brasil foi reafirmada por todos os participantes das mesas de debate do encontro que aconteceu até domingo. O presidente da CTB/MG, que esteve na manifestação no dia anterior, conduziu as duas mesas do debate da manhã junto com a presidenta da CUT/MG, Beatriz Cerqueira. “Foi montado uma máfia em Brasilia, e em sete dias fizeram mais assaltos aos direitos individuais e coletivos ao povo brasileiro do que em décadas passadas. Espero que a gente possa nas ruas com muita ousadia reverter esse quadro”

    O jornalista e blogueiro Paulo Moreira Leite reafirmou por diversas vezes que acredita que o golpe pode ser derrotado. “A resistência da população ao golpe começou antes do golpe, continuou e tende a prosseguir. A manifestação em BH foi um marco, um protesto importantíssimo de resistência popular.” Paulo Moreira Leite também chamou atenção para a imposição da pauta golpista no Congresso que derrotada quatro vezes nas eleições.

    Contrainformação

    O papel da comunicação no enfrentamento do golpe também foi tema de debate. Para Laula Capriglione, idealizadora do Jornalistas Livres, o momento é fundamental para dialogar com a classe média que começa a entender os riscos do golpe. Para ela a desconfiança básica com a rede Globo foi introduzida na “corrente sanguínea da população brasileira”. Laura alertou também para que o ativismo digital não favoreça mentiras que podem prejudicar o debate. “Os golpitas vão jogar cascas de bananas para a gente cair. É preciso saber disso e não cair. Espalhar informações sem credibilidade é uma casca de banana para depois eles nos acusar” alertou.

    A voz da antinarrativa também foi defendida por Marco Weissheimer, jornalista e blogueiro de Santa Catarina. Para ele, o que acontece no Brasil é um combate a onda fascista que cresce em escala mundial. “O Brasil não é um ponto fora da curva, o que está acontecendo aqui, está acontecendo – com diferenças e escalas – na Argentina, na Bolívia, na Venezuela, no Equador e em vários países.”

    Direito à comunicação

    Na segunda mesa, os participantes destacaram as ameaças à comunicação pública, ao marco civil regulatório e a internet no Brasil. Esses ataques tem ações concretas do novo governo golpista que nas primeiras medidas demitiu ilegalmente o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O retrocesso pode ser ainda maior com risco direto à construção da comunicação pública, segundo uma das coordenadoras do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertolli.

    A internet como conhecemos hoje também é alvo da pauta conservadora do Congresso que ganha força com a equipe de Temer/Cunha. De acordo com Bia Barbosa, do Coletivo Intervozes, as mudanças nas leis podem intervir radicalmente nos direitos dos internautas. Para ela estão claramente ameaçados a neutralidade na rede e o acesso à internet. A neutralidade diz respeito a visualização do conteúdo, um principio em disputa em todo mundo. Mantida a neutralidade, não se pode priorizar um conteúdo sob o outro. Então, portais da grande mídia tem o mesmo critério de acesso que blogs progressistas, por exemplo. Outros projetos que censuram e espionam o usuário na internet podem entrar em pauta a qualquer momento na Câmara. Limitar a franquia na internet fixa também é uma sanha do mercado que pode vir com mais força com os usurpadores no poder.

    Cultura

    O teatrólogo Marcelo Bones esteve no encontro para relatar o posicionamento da Frente Nacional do Teatro, criado a partir do movimento de ocupações de sedes do Ministério da Cultura em 23 estados. Bones afirmou que tem convicção de que o fim do MinC não é provocado pelo desejo de eficiência dos gastos públicos, mas sim para desmontar o que foi criado nos últimos anos. De acordo com ele, a luta dos(as) artistas não termina com a volta do MinC porque a trincheira que foi construída é contra o golpe.

    Carta

    Os(as) blogueiros(as) e ativistas digitais aprovaram ao final do encontro um documento com diretrizes de luta. A Carta de Belo Horizonte estabelece as ações dos(as) ativistas para enfrentar o governo ilegítimo que se instalou no Brasil no último dia 12.

    Da CTB-MG

  • O golpe camuflado de processo de impeachment da presidente legitimamente eleita Dilma denunciado em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Na reunião, realizada na manhã desta terça-feira (31/5/16), o professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), José Luiz Quadros, disse que trata-se de um golpe similar aos já concretizados em outros países latinos, Honduras e Paraguai. Ele ressaltou que nesses dois países a convocação de novas eleições serviu para calar quem denunciava a tomada arbitrária de poder. “No Brasil, esse governo surreal de homens ricos, brancos e processados não vai se sustentar e a tese das eleições começa a ganhar fôlego. Está no manual, é o próximo passo do golpe”, disse.

    O professor de direito afirmou, ainda, que estaríamos vivendo o que ele chama de “surrealismo político”. “Uma presidenta afastada - contra a qual não há processo, denúncia ou delação – e substituída por um governo onde todos respondem a processos. É golpe e já foi inclusive confessado nas gravações vazadas recentemente”, afirmou. Para José Luiz Quadros, a única saída democrática para a atual crise seria o retorno da presidenta eleita sem que a sociedade civil saia das ruas.

    Propostas do governo golpista recebe criticas

    Os convidados chamaram a atenção não apenas para o processo de afastamento da presidente Dilma, mas para as propostas que têm sido apresentadas, e algumas já aprovadas, pelo governo interino de Michel Temer. Para os participantes da audiência as medidas anunciadas vão piorar o desemprego e causar danos à classe trabalhadora. Os riscos de flexibilização das leis trabalhistas, de terceirização e de reforma da previdência social foram apontados como propostas do governo golpista.

    O deputado Rogério Correia (PT) e a deputada Marília Campos (PT) criticaram os cortes sociais anunciados pelo governo Temer e a guinada do projeto que não foi eleito pelo povo.

    Jornalista destaca papel da imprensa

    O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Kerrison Lopes, destacou o papel da imprensa e disse que os governos de Lula e Dilma não teriam enfrentado os conglomerados de mídia da forma como deveriam ter feito para conseguir uma imprensa efetivamente democrática. Na avaliação dele, bastava regulamentar dispositivos constitucionais, como a proibição de propriedade cruzada de veículos de comunicação. Segundo Kerrison Lopes, a imprensa internacional inicialmente comprou o discurso dos veículos nacionais, mas após a votação do pedido de impeachment na Câmara dos Deputados no dia 17 de abril já teria chegado ao consenso de que tratou-se de um golpe.

    Democratizar todas as instituições, especialmente o Judiciário e o Ministério Público, foi a necessidade defendida pelo procurador de Justiça Afonso Henrique Miranda Teixeira. “Precisamos de negros e pobres não apenas nas universidades, mas também nessas instituições, que hoje são ocupadas apenas por membros da elite que puderam frequentar boas escolas e, assim, serem aprovados no concurso. Essas instituições têm sido fiéis ao que representam, as elites, apesar de infiéis aos seus deveres constitucionais”, disse. Para ele, o País não havia conquistado um efetivo Estado Democrático, mas vivia-se em um Estado de Direito que, agora, teria sido substituído por um Estado de Exceção.

    A presidente da União Estadual dos Estudantes do Estado de Minas Gerais, Luanna Kathleen Paiva Ramalho, salientou que, se antes a juventude se reunia para discutir como avançar, agora é para debater como não retroagir. O representante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Mateus Vaz de Melo, por sua vez, disse que se antes as críticas à condução do golpe eram acusadas de serem teorias da conspiração, agora os áudios vazados demonstram que não eram. “Não há mais espaço para dúvidas”, disse.

    Da CTB-MG, editado a partir das informações da ALMG