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Qua, Jun

nazismo

  • Caro presidente Jair Bolsonaro, entendo a reação provocada quando o senhor afirmou que o nazismo era de esquerda.

     

    “Caro presidente Jair Bolsonaro. Entendo a reação provocada quando o senhor afirmou que o nazismo era de esquerda. Isso se deve ao fato de que, depois da Primeira Guerra Mundial, vários pequenos grupos se formaram, à direita e à esquerda.

     

    Um desses grupos foi o NSDAP: em alemão, sigla do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Entre seus fundadores originais havia dois irmãos: Otto e Gregor Strasser. Otto era um socialista convicto, queria orientar o movimento do partido à esquerda. Foi expulso e a cabeça posta a prêmio.

     

    Seu irmão Gregor preferiu unir-se ao grupo do Camelô do Apocalipse. Quanto a Otto, que não concordava com essa vertente, nem com as teorias racistas, teve sua cabeça posta a prêmio por JosephGoebbels pela quantia de US$ 500 mil. Foi obrigado a fugir para o exílio, só conseguindo voltar à Alemanha anos depois do final da guerra. Hitler apressou-se em tirar o ‘social’ da sigla do partido. Mais tarde, Gregor foi eliminado junto com Ernst Röhm, chefe das S.A., na famigerada ‘Noite das Facas Longas’.

     

    Devo lhe confessar que também já fui alvo de chacota, mas por um motivo totalmente diferente: só peço que não deboche muito de mim.

     

    Imagine o senhor que confundi o dinamarquês Søren Aabye Kierkegaard, filósofo, teólogo, poeta, crítico social e autor religioso, e amplamente considerado o primeiro filósofo existencialista, com o filósofo Ludwig Wittgenstein, que, como o senhor está farto de saber, foi um filósofo austríaco, naturalizado britânico e um dos principais autores da virada linguística na filosofia do século 20.

     

    Finalmente, um conselho: não se deixe influenciar por certas palavras. Seguem alguns exemplos:

     

    1. Quando chegar a um prédio e o levarem para o elevador social, entre sem receio. Isso não fará do senhor um trotskista fanático;

      

    1. A expressão ‘no pasarán!’, utilizada por Dolores Ibárruri Gómez, conhecida como ‘La Pasionaria’, não era uma convocação feminista para que as mulheres deixassem de passar as roupas dos seus maridos;

     

    1. ‘Social climber’ não se refere a uma alpinista de esquerda;

     

    1. Rosa Luxemburgo não era assim chamada porque só vendia rosas vermelhas;

     

    1. Picasso: não usou o partido para divulgar seus gigantescos atributos físicos;

     

    1. Quanto à palavra ‘social’, ela consta até no seu partido.

     

    Finalmente, adoraria convidá-lo para assistir ao meu espetáculo.

     

    Foi quando surgiu um dilema impossível de resolver. Claro que eu o colocaria na plateia à direita. Assim, o senhor, à direita, me veria no palco à direita. Só que, do meu lugar no palco, eu seria obrigado a vê-lo sempre à esquerda.

     

    Espero que minha despretensiosa missiva lhe sirva de alguma utilidade.

      

    Convicto de ter feito o melhor possível, subscrevo-me.”

      

    Jô Soares,

     

    Influenciador analógico

      

    Jô Soares

     

    Humorista e escritor

     

    FONTE: Terra Potiguar

  • Após o presidente Jair Bolsonaro afirmar, durante visita oficial a Israel, que o nazismo foi um "movimento de esquerda", a jornalista e escritora Noga Tarnopolsky, que vive em Jerusalém, republicou um Twitter onde o Ministério das Relações Exteriores israelense indica o site do Yad Vashem, o Museu do Holocausto, para que Bolsonaro se informe sobre a real definição do "Nacional Socialismo".

    A postagem do ministério israelense vem na esteira da declaração feita pro Bolsonaro e pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, de que o nazismo, que resultou na morte de mais de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, foi um "movimento de esquerda. "Sem dúvidas. É o Partido Nacional Socialista da Alemanha", disse Bolsonaro ao ser indagado se concordava com a tese defendida pelo chanceler Ernesto Araújo e que virou piada mundial pela negativa histórica.

    O site do Yad Vashem destaca em uma análise histórica que o holocausto judeu foi decorrente do clima de frustração na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial e que "junto a intransigente resistência e alertas sobre a crescente ameaça do Comunismo, criou solo fértil para o crescimento de grupos radicais de direita na Alemanha, gerando entidades como o Partido Nazista".

    Confira a postagem de Noga Tarnopolsky sobre o assunto.

     

    twitter noga

     

    Com informações de plantaobrasil.net

  • Por Altamiro Borges*

    Com suas ideias fascistoides, suas atitudes alopradas e seus tuítes imbecis, o “capetão” Jair Bolsonaro desgasta de forma acelerada a imagem do Brasil no exterior. Nos últimos dias, mais dois episódios confirmaram essa deterioração. Na segunda-feira (15), o Museu de História Natural de Nova York anunciou que não vai mais sediar uma cerimônia agendada pelos lobistas da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em homenagem ao miliciano nativo. Já no sábado, o presidente de Israel reagiu à declaração repugnante de Jair Bolsonaro de que “perdoava o Holocausto”. Antes, ele já havia respaldado a tese delirante do seu chanceler, Ernesto Araújo, de que o “nazismo é de esquerda” – o que também gerou repulsa e chacota no mundo inteiro.

    No caso do cancelamento do “jantar de gala” marcado pelos picaretas nativos e ianques da Câmara de Comércio, a direção do Museu de História Natural nem se preocupou em aparentar diplomacia. Disse que a presença de Jair Bolsonaro havia gerado a repulsa de intelectuais e entidades da sociedade civil. Informou ainda que o evento fora agendado “antes que o homenageado fosse conhecido”. Pela internet, um ambientalista ressaltou ser “uma ironia amarga que um homem que tenta destruir um dos recursos naturais mais preciosos seja nomeado Pessoa do Ano dentro do espaço dedicado à celebração do mundo natural”.

    Já em carta endereçada à presidenta do museu, Ellen Futter, estudantes, doutorandos e pesquisadores da instituição também pediram a suspensão da homenagem ao "presidente fascista do Brasil", afirmando que seria "uma mancha na reputação do museu”. O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, do Partido Democrata, foi outro que engrossou o coro contra Jair Bolsonaro. Em entrevista a uma rádio local, ele chamou o presidente brasileiro de “um ser humano muito perigoso... Ele é perigoso não apenas por causa de seu racismo evidente e homofobia, mas porque ele é, infelizmente, a pessoa com maior capacidade de impactar no que acontece na Amazônia daqui para frente”.

    O cancelamento do convescote irritou o fascistinha Filipe Martins, assessor do “capetão” para assuntos internacionais. Como sempre histérico, ele criticou a direção do museu e chamou o prefeito de Nova York de “comunista” e de “toupeira”. “Não há surpresa em ver Bill de Blasio – um sujeito que colaborou com a revolução sandinista, que considera a URSS um exemplo a ser seguido e que faz comícios no monumento dedicado a Gramsci no Bronx – criticando o presidente”. Já Jair Bolsonaro, que pelas redes sociais se jactou do “jantar de gala”, deve ter ficado com cara de bolsa de colostomia pelo vexame internacional.

    Bolsonaro "perdoa" o Holocausto

    Já no outro episódio humilhante, ele foi criticado publicamente por autoridades de Israel – e isto após esbanjar servilismo em sua visita aos chefetes sionistas. Depois de afirmar em um evento evangélico no Rio de Janeiro que seria possível “perdoar o Holocausto”, ele levou uma dura do presidente israelense, Reuven Rivlin: “Sempre vamos nos opor àqueles que negam a verdade ou aos que desejam expurgar nossa memória... Nós nunca vamos perdoar nem esquecer”. Diante do novo vexame, Jair Bolsonaro até enviou uma mensagem à embaixada de Israel no Brasil afirmando que não desculpou o extermínio nazista e que “qualquer outra interpretação só interessa a quem quer me afastar dos amigos judeus”.

    Mas as besteiras já tinham sido obradas e foram motivos de críticas na imprensa mundial. Segundo o site da emissora alemã Deutsche Welle, as declarações do laranja geraram péssima repercussão em Israel. “O próprio Museu do Holocausto divulgou nota no qual diz que ninguém tem o direito de determinar se os crimes hediondos cometidos pelos nazistas na Segunda Guerra podem ser perdoados. O Yad Vashem é um centro de memória do Holocausto, que se dedica a homenagear as vítimas e os que combateram o genocídio de seis milhões de judeus pelo regime nazista. ‘Desde a sua criação, o Yad Vashem tem trabalhado para manter a lembrança do Holocausto viva e relevante para o povo judeu e a toda humanidade", completa a nota. ‘Não concordamos com a fala do presidente brasileiro de que o Holocausto pode ser perdoado. Não é direito de nenhuma pessoa determinar se crimes hediondos do Holocausto podem ser perdoados’”.

    *Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de ItararéMu

  • Por João Filho, no site The Intercept-Brasil

    Jair Bolsonaro mais uma vez virou chacota internacional. Após visitar o Memorial do Holocausto em Israel, escreveu no livro de visitas do museu: “aquele que esquece seu passado está condenado a não ter futuro”. Minutos depois, em entrevista aos jornalistas brasileiros, Bolsonaro desrespeitou a memória das vítimas do holocausto ao dizer que o nazismo foi um movimento de esquerda. É uma versão fabricada por doentes que não encontra respaldo de nenhum historiador vivo ou morto, de esquerda ou de direita, mas que virou um hit da internet na Nova Era. Nunca houve dúvidas de que o nazismo abominava os ideais de esquerda, tanto que judeus dividiam os campos de concentração e as câmaras de gás com esquerdistas.

    É inacreditável que tenhamos que entrar nesse falso debate para defender uma obviedade histórica: o nazismo foi um regime de extrema direita. E dessa vez não foi o youtuber Nando Moura babando em seu canal que colocou o assunto em pauta, mas o maior representante do Brasil ao sair de um museu israelense, criado para contar a história dos 6 milhões de judeus mortos pelo nazismo. O próprio memorial visitado pelo presidente define o regime nazista de Hitler como sendo de extrema direita. Até mesmo o ministério das relações exteriores israelense teve que confirmar publicamente que Bolsonaro está errado. É uma vergonha para os brasileiros.

    Mas enquanto Bolsonaro joga o nazismo alemão no colo da esquerda, nazistas brasileiros combatem as esquerdas e veneram Bolsonaro. Os fatos falam por si.

    Em 2011, quando Bolsonaro fez declarações homofóbicas no CQC e respondeu a Preta Gil que não correria o risco de ver seus filhos apaixonados por uma negra porque foram bem educados, grupos neonazistas organizaram um ato de apoio ao então deputado no Museu de Arte de São Paulo, o Masp. “Quando vi o que estão fazendo com ele, entrei na comunidade. Sou fã do dep. Jair Bolsonaro’ do Orkut e lancei a ideia de fazer um ato cívico na Paulista”, contou o extremista de direita Marcio Galante para o Diário de São Paulo. Segundo ele, participariam do ato organizações militares extra-quartel, separatistas, católicas radicais e grupos de extrema direita.

    O ato de apoio a Bolsonaro também foi convocado no fórum “Stormfront.org”, comandado pelo movimento neonazista internacional White Pride Worldwide. Um membro do fórum chamado “Erick White” escreveu: “Vamos dar o nosso apoio ao único Deputado que bate de frente com esses libertinos e Comunistas!!! Será um manifesto Cívico, portanto, levem a família, esposas, filhos e amigos”. O convite para o ato é finalizado com um “14/88″. O número 14 refere-se às 14 palavras da frase do supremacista branco americano David Lane: “Devemos assegurar a existência de nosso povo e um futuro para as Crianças Brancas”. Já o número 88 significa “Heil Hitler”, com o número 8 representando a letra H, a oitava do alfabeto.

    Bolsonaro afirmou que não poderia estar presente, mas apoiou o ato: “Fico feliz se o movimento for voltado contra as propostas que estão aí, de invadir as escolas de primeiro grau simulando o homossexualismo e preparando nossos jovens para a pedofilia”.

    Estiveram presentes ao ato vários grupos neonazistas como o Kombat RAC (Rock Against Communism) e o Ultra Defesa. Alguns se identificavam com roupas, bandeiras e tatuagens alusivas ao nazismo. Grupos de esquerda apareceram no Masp para protestar contra os nazistas, e o clima ficou tenso. A Polícia Militar precisou fazer um cordão de isolamento para evitar o confronto. No mundo inteiro, aliás, episódios de pancadaria entre esquerdistas e neonazistas nas ruas acontecem com frequência. Se eles conhecessem a História segundo Bolsonaro, estariam se beijando.

    Eduardo Thomaz, líder do Ultra Defesa, afirmou “a gente está dando apoio ao deputado Jair Bolsonaro porque ele representa a família brasileira e nós temos o direito de apoiá-lo”. Em seu site, o Ultra Defesa afirma que seus princípios fundamentais são “Deus, Brasil e Família”. Os integrantes do grupo também são adeptos da “Saudação Romana”, que é o ato de estender o braço para a frente com a palma da mão para baixo. Sim, aquele mesmo gesto utilizado para saudar Adolph Hitler.

    Policiais civis que investigam crimes de intolerância estiveram presentes no Masp e identificaram manifestantes pró-Bolsonaro que já foram presos por ações violentas contra minorias. Sete deles foram detidos. Entre eles, um dos neonazistas responsáveis pelo atentado à bomba na Parada Gay de 2009.

    Durante as eleições, Bolsonaro entrou com uma ação por danos morais contra uma charge que o associava ao nazismo. A desembargadora Cristina Tereza Gaulia negou o pedido. Ela justificou afirmando que, se Bolsonaro não ficou constrangido em aparecer na foto com um correligionário fantasiado de Hitler, não haveria também dano moral na charge. A foto é essa:

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    (Foto: Reprodução/Facebook)

     

    O sósia de Hitler (refiro-me ao homem à direita na foto) é o Professor Marco Antonio, que foi candidato a vereador do Rio de Janeiro pelo PSC, o mesmo partido de Bolsonaro à época. Carlos Bolsonaro chegou a convidá-lo para discursar numa sessão sobre o projeto Escola sem Partido na Câmara do Rio, mas Marco Antonio foi impedido pelo presidente da sessão por estar fantasiado de Hitler. O professor nega ter feito cosplay do ditador nazista. Afirmou que foi à Câmara com “cabelo cortado no estilo militar e estava com bigode estilo francês”.

    A candidatura de Professor Marco Antonio chegou a receber doação financeira de Flávio Bolsonaro para a sua campanha.

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    Convidado por Carlos Bolsonaro, Professor Marco Antônio (PSC) visita a Câmara do Rio. (Foto: Reprodução/YouTube)

     

    Em 2015, Jair Bolsonaro começava a construir sua candidatura viajando pelo Brasil. Quando foi a Recife (PE), muita gente apareceu no aeroporto para recepcionar a família Bolsonaro, entre eles um skinhead dos Carecas do Brasil. O grupo é acusado pelo Ministério Público por ter espancado um jovem negro e gay em Recife. Também são suspeitos de espalhar cartazes pela cidade com a frase “Hitler tinha razão”.

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    Skinhead recepciona Jair Bolsonaro e seu filho em Recife (PE). (Foto:Reprodução/YouTube)

     

    Em 2013, neonazistas mineiros foram presos por apologia ao nazismo, entre outros crimes. A investigação começou depois que um integrante postou foto no Facebook enforcando um morador de rua com uma corrente de aço numa avenida em Belo Horizonte. Na casa de um deles, a polícia apreendeu os seguintes objetos: “um livro sobre Hitler; uma touca ninja; uma camisa preta do Movimento Pátria Nossa; um envelope contendo uma carta enviada por Jair Bolsonaro”.

    Sim, o então deputado escreveu para um nazista brasileiro. A carta foi encaminhada para a apuração do Ministério Público. O conteúdo dela não é conhecido, pois o processo corre sob segredo de Justiça. Pode não ser nada demais. Pode ser apenas uma carta com conteúdo de campanha eleitoral padrão, mas também pode não ser. Pelo fato de ter sido apreendida e enviada para averiguação do MP, suponho que o seu conteúdo não seja tão inocente. Aliás, a imprensa não deveria mais ficar perguntando para o Bolsonaro se o nazismo é de direita ou de esquerda, como fez em Israel. A gente já conhece a resposta. Tem que perguntar o que tinha naquela carta enviada para o seu simpatizante nazista de Minas Gerais. É um direito do brasileiro conhecer que tipo de relação seu presidente mantinha com um extremista criminoso.

    É evidente a sintonia entre algumas das principais pautas de Bolsonaro e as dos nazistas: o ataque às minorias, a defesa da família, o nacionalismo e o combate ao comunismo. Isso não faz de Bolsonaro um nazista, mas não deixa dúvidas de que o bolsonarismo e o nazismo estão em espectros ideológicos muito próximos. Mas muito mesmo. Bolsonaro pode não ser nazista, mas tem amigos que são.

     

    Com informações de altamiroborges.blogspot.com

  • Arte do cartunista Latuff

    Nesta quinta-feira (11) - Dia do Estudante -, a juventude tomou as ruas das maiores cidades brasileiras em defesa de uma educação voltada para o desenvolvimento autônomo do país e dos filhos e filhas da classe trabalhadora.

    “Queremos uma escola de qualidade, voltada para a nossa realidade, não esse fragmento de educação que temos atualmente”, diz Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Ela explica que a juventude quer que “a escola seja reinventada e inovada, uma escola sem mordaça”.

    Diz ainda que a maioria dos governadores quer privatizar a educação, assim como é intenção do Ministério da Educação golpista de acabar com os ensinos médio e superior gratuitos. "Nós entendemos que educação dever ser democrática, laica e plural. Além do que não aceitamos tratar a educação como mercadoria", afirma Lanes.

    A professora Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), concorda com a líder estudantil. “Importante a manifestação dos estudantes e ainda mais importante saber que eles são contra essa infâmia de ‘Escola Sem Partido’ e defendem que o ensino seja voltado para a realidade das crianças e jovens e as aulas ministradas com liberdade”, afirma.

    Betros cita ainda os Dez Mandamentos do Professor, criado pelo professor de História da América da Universidade de Estadual de Campinas (Unicamp), Leandro Karnal (veja aqui). “Com propostas bastante inovadoras, o Karnal coloca o cerne da questão para desenvolvermos uma educação que contemple o livre pensar”.

    “Karnal defende uma escola plural, onde os estudantes sejam permanentemente ouvidos e orientados pelos professores a buscar o conhecimento e cria uma consciência crítica de tudo o que nos cerca”, reforça Betros.

    Ela cita também a entrevista concedida por ele ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura de São Paulo, onde Karnal execrou o projeto reacionário. “Escola Sem Partido é uma asneira sem tamanho, é uma bobagem conservadora, é coisa de gente que não é formada na área” (saiba mais aqui).

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     Projeto ‘escola sem partido’ repete dogmas do nazismo

    Para Lanes, “é humilhante saber que dentro do Congresso Nacional há projetos de lei que desqualificam nossos professores e tentam impor censura aos docentes e aos estudantes”. Ela critica os parlamentares conservadores que “têm medo de debater a questão de gênero nas escolas e assim perpetuam a violência contra as mulheres”.

    Já a professora sindicalista afirma que o projeto “Escola Sem Partido” não tem fundamento pedagógico nenhum e visa apenas e tão somente a doutrinação da juventude por valores misóginos, machistas, homofóbicos e ultrarreacionários”.

    Inclusive pra combater esse projeto, foi criada a Frente Escola Sem Mordaça (veja página aqui) para informar sobre o debate em torno do tema.

    Por isso, diz Lanes, “estamos nas ruas como forma de resistência aos projetos que acabam com a nossa democracia e com os direitos da classe trabalhadora e, no Dia do Estudante, defendemos uma escola que dialogue com o que nós precisamos para termos condições de construir um futuro de justiça, de igualdade e de respeito”.

    O Senado mantém aberta uma consulta pública sobre o Projeto de Lei do Senado 193/2016, de autoria do senador Magno Malta (PR-ES), na qual os votos contra o “Escola Sem Partido” estão em 190.851 e a favor da mordaça aos professores e estudantes 180.433 (até o fechamento desta matéria).

    “Nenhum professor ou professora que tenha compromisso com a educação, seja de esquerda ou de direita, pode apoiar a Lei da Mordaça”, sintetiza Betros. “Não existe educação, sem liberdade, sem diálogo”.

    escola sem mordaca 1

    Saiba porque foi criado o Dia do Estudante

    Em 1927, o 11 de agosto, foi instituído como o Dia do Estudante no Brasil. Data dedicada à criação das duas primeiras faculdades do país, a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco, e a Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, em São Paulo, em 1827. Por isso, 100 anos depois criou-se o Dia do Estudante. Por causa desse dia, os estudantes de Direito criaram o “Dia do Pendura”, quando iam aos restaurantes e bares pediam refeições e saiam sem pagar a conta. 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Por João Martins* 

    Não tem como negar a história. Há fatos, relatos e farta documentação comprobatória de que o nazismo nasceu de concepções da extrema-direita alemã e tinha como meta a liquidação de todas as ideias comunistas ou socialistas. A idiotice do capitão Bolsonaro e de seu maluco ministro das Relações Exteriores só pode e deve ser enxergada sob as seguintes óticas (fica a cargo do leitor): ou é má fé ou burrice (alguns apelidam a segunda opção de despreparados intelectualmente) ou ainda uma mistura de ambos.

    Hitler, após assumir o poder, já indica às cúpulas das forças armadas alemãs que pretendia, “em primeiro lugar, liquidar o ‘veneno’ representado pelo ‘pacifismo, marxismo, bolchevismo’”.

    Goring, fundador da Gestapo e comandante chefe da Luftwaffe, força aérea alemã, afirmava em relação aos comunistas/socialistas e ao bolchevismo: “Não só aniquilaremos essa peste, arrancaremos de todo livro a palavra marxismo. Em cinquenta anos na Alemanha a nenhum homem será lícito saber o que o termo significa”.

    Goebbels, o poderoso ministro da propaganda, acrescentava, pouco antes da operação Barbarossa: “O bolchevismo está morto. Desse modo cumpriremos diante da história a nossa tarefa autêntica... O veneno bolchevique deve ser expulso da Europa...Agora aniquilamos realmente aquilo contra o que combatemos durante toda nossa vida. Falo sobre isto com o Führer, e ele está completamente de acordo comigo”.

    A história registra, também, o aniquilamento sistemático dos quadros comunistas e socialistas decidido por Hitler na véspera da operação Barbarossa.

    Em 1941, os alemães capturaram 3 milhões de prisioneiros soviéticos. Em fevereiro de 1942, dois milhões desses prisioneiros estavam mortos, em sua grande maioria de fome, de doenças, torturas e maus tratos. Os suspeitos de serem comunistas foram os primeiros a serem executados ou torturados.

    *Ex-deputado estadual pelo PCdoB/ES

  • Com o golpe de Estado em marcha no Brasil, ganha corpo a discussão sobre o projeto “escola sem partido”, que visa amordaçar o ensino brasileiro, chegando a prever prisão para professores que fizerem comentários sobre o conteúdo de suas aulas, sejam elas de que temas forem.

    Tanto que o Senado Federal abriu uma consulta pública sobre o Projeto de Lei do Senado 163/2016, de autoria do senador Magno Malta (PR-ES), da bancada evangélica, que pretende incluir a matéria na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Até o fechamento desta reportagem, o resultado estava em 122.988 votos a favor e 147.522 contra o PLS.

    Essa proposta nasceu há 12 anos, quando um pai questionou as aulas de história que sua filha recebia. O advogado Miguel Nagib diz que "é fato notório que professores e autores de livros didáticos vêm se utilizando de suas aulas e de suas obras para tentar obter a adesão dos estudantes a determinadas correntes políticas e ideológicas".

    Esse projeto “está no bojo da sustentação ideológica do golpe dessa elite que quer impor ao Brasil os seus interesses e restringir o pensamento a uma única possibilidade “, afirma Isis Tavares, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas (CTB-AM).

    Para ela, a ideia de controlar a juventude remonta ao nazismo. “Na Alemanha de Hitler aconteceu exatamente o que querem os defensores dessa proposta. Se os pais não gostassem daquilo que os professores estavam ensinando aos seus filhos, poderiam denunciá-los e os educadores corriam o risco de serem presos”.

    Um levantamento feito pela insuspeita revista “Nova Escola”, da Fundação Victor Civita, questiona os argumentos dos propulsores do projeto ‘escola sem partido’, que ganhou realce com a visita do ator de filmes pornôs, Alexandre Frota ao Ministério da Educação, para sugerir a inclusão dessa proposta na educação brasileira.

    A “Nova Escola” foi ao site do “escola sem partido” e derrubou o argumento de que milhares de pessoas denunciavam professores “doutrinadores” de seus filhos. “O site do movimento registra somente 33” denúncias, num país com “mais de 45 milhões de estudantes”, anuncia a reportagem da revista especializada em educação.

    abaixo lei da mordaca

    Para Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), “a ‘escola sem partido’, nada mais é do que a escola de apenas um partido, de apenas um lado (o mais conservador de todos), buscando enterrar a diversidade de pensamento natural na busca de conhecimentos e transformando o processo educacional em instrumento de opressão e de censura”.

    Enquanto os organizadores do blog Professores Contra o Escola Sem Partido, que também tem página no Facebook, afirmam que as postulações dos defensores dessa proposta, são amplamente vagas “de maneira proposital”. Mas no fundo, “eles entendem que a escola está dominada por uma ideologia esquerdista e que falta o estudo de autores conservadores, por exemplo, e que os professores ao invés de ensinarem os conteúdos estão doutrinando os alunos para que eles se tornem todos esquerdistas ou gays”.

    Por isso, a chiadeira foi geral quando se aprovou no Plano Nacional de Educação a inserção do debate da questão de gênero nas escolas. “Eles falam de neutralidade política e religiosa. Mas, digamos, quando acontece um caso de racismo na escola, ou de intolerância religiosa, a gente não pode se manifestar contra aquilo porque se tiver alunos cristãos na sala isso irá contra a educação que eles recebem em casa”, argumentam os professores contra esse projeto.

    Já Marianna Dias (Mari), diretora de Relações Internacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), acredita que "a Lei da Mordaça não pode ser encarada como um debate setorial, que diz respeito apenas à educação, à escola ou à universidade”.

    “É uma questão que precisa preocupar a sociedade”, diz Mari, “e isso nos obriga a questionar qual o papel social da educação. A escola não pode ser apenas um ambiente para se aprender a ler, precisa ser um ambiente que forme cidadãos  e que se preocupem com a sociedade, com o país, com a vida e com o mundo”.

    Nesse contexto, Tavares afirma que “quando você bloqueia o acesso ao conhecimento, está cerceando a liberdade e o desenvolvimento consciente das pessoas”. Mari vai de encontro a essa proposta.

    De acordo com ela os estudantes brasileiros querem "uma escola que reflita sobre os nossos anseios, que não reproduza os preconceitos e muito menos limite a nossa liberdade”. Na verdade, acentua ela, “queremos uma escola com arte, cultura, sociologia e esporte. Que nos prepare como agente transformador para que possamos construir um amanhã melhor".

    Tavares complementa ao afirmar que ao contrário do que dizem os defensores do “escola sem partido”, a juventude tem a capacidade de pensar e decidir por si. “Os jovens pensam e a escola deve lhes proporcionar a possibilidade de ampliação do discernimento sobre todas as questões que lhes aflige. Fazer o contrário, sim é doutrinar”.

    Já a líder secundarista, Lanes, diz que “eles (defensores escola sem partido) querem, na verdade, é substituir a liberdade de diálogo e de debate de ideias na sala de aula por uma ideologia conservadora”, argumenta Lanes. Para ela, “o projeto ‘escola sem partido’ é extremamente ideológico! Nele, não existe imparcialidade nenhuma! É a ideologia dos que querem uma população alienada, dos que não querem que a sociedade mude, mas que continue desigual e injusta”.

    A vontade dos defensores dessa ideia, que conta com 12 projetos na Câmara dos Deputados e o PLS de Malta, no Senado, defendem “a intolerância como norma de vida”, reforça Tavares. “Essa proposta visa bloquear o nosso desenvolvimento civilizatório, exatamente como faz o Estado Islâmico quando explode edifícios históricos milenares, só porque são de outros povos e pensamentos”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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