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Dom, Jul

PIB

  • Por Gilson Reis*

    O artigo 205 da Constituição da República de 1988 determina que a “educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, sendo “direito de todos” e “dever do Estado” princípios fundamentais aqui. Entretanto, o projeto neoliberal, orientador da expansão da educação superior no Brasil a partir da década de 1990, retirou da educação o caráter de direito e a colocou na condição de serviço não exclusivo do Estado, liberalizando o funcionamento de instituições privadas de caráter lucrativo. O que se implementou no sistema educacional no Brasil a partir de então não foi a concessão pelo Estado de um direito ao setor privado, mas a permissão constitucional para que esse setor agisse como qualquer empresa, utilizando a educação para auferir lucros, sem exigência de padrão de qualidade e sem regulamentação legal e fiscalização por parte do Estado para garantir essa qualidade.

    Combater esse processo de mercantilização, financeirização, oligopolização e desnacionalização do ensino, que, embora tenha começado no nível superior, há algum tempo começou a atingir também a educação básica, tem sido uma bandeira prioritária da Confederação Nacional de Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee desde sua fundação, há quase 30 anos, e, mais fortemente, nos últimos 12 anos, com a campanha “Educação não é mercadoria”. Em 2014, quando da sanção do Plano Nacional de Educação (PNE), essa luta materializou-se na conquista do Sistema Nacional de Educação (SNE), que deveria ter sido implementado até 2016. Um de seus papéis seria o de articulador, normatizador, coordenador e regulamentador do ensino público e privado, sendo que as instituições privadas, por fazerem parte SNE, subordinam-se ao conjunto de normas gerais de educação, como já determinado pela Constituição, e devem tanto se harmonizar com as políticas públicas quanto acatar a autorização e avaliação desenvolvidas pelo poder público, tendo sempre em vista a garantia da educação como direito, e não prestação de serviço — e, muito menos, venda de mercadoria.

    O golpe de 2016 e todas as suas consequências, entre as quais não deixa de estar a eleição de um projeto criptofascista como o de Jair Bolsonaro, atropelaram essas conquistas. Nesses últimos três anos, o Plano Nacional de Educação tem tido, uma a uma, suas diretrizes e metas não somente ignoradas, mas destroçadas. A Emenda Constitucional (EC) 95, ainda no governo Temer, ao congelar os investimentos públicos por dez anos, destruiu a progressiva ampliação da verba educacional até atingir 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, conforme previsto no PNE. No fim de março deste ano, o Conselho Nacional de Educação (CNE), que já havia sido aparelhado pelos privatistas na administração de Michel Temer, deliberou que é incompetente para definir o valor financeiro e a precificação do Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi) — o qual estabeleceria o investimento mínimo anual do país por estudante, nos níveis de ensino infantil, fundamental e médio da rede pública, —, outro avanço que havia sido garantido no Plano Nacional e que acaba de ser desmontado. E agora, se a implementação do SNE e a inerente regulamentação da educação privada sob as mesmas exigências legais aplicadas à rede pública já deixaram de ser expectativa para se tornar sonho distante a partir do retorno de um modelo econômico ultraneoliberalizante ao poder, a nomeação de Abraham Weintraub para o Ministério da Educação é a definitiva e escancarada ascensão dos privatistas ao alto escalão do MEC, com acesso livre aos mais de R$ 100 bilhões de orçamento da pasta.

    Ricardo Vélez Rodríguez deteve, até poucos dias atrás, o título de pessoa mais despreparada e desqualificada a comandar o Ministério; um acinte. Weintraub, porém, não fica atrás, e já deu mostras, com sua lista de nomeados, a maioria ligada diretamente ao sistema financeiro, na qual não há um educador sequer, que educação é última de suas preocupações. Olavista que é, com ele permanecem a guerra ideológica e a caça às bruxas nas escolas, com perseguição e criminalização de docentes para combater um suposto “marxismo cultural” que só existe em suas cabeças. Isso piora muito, entretanto, com o favorecimento ainda maior ao capital financeiro e aos inúmeros processos de privatização da educação. Se o setor privado nunca constitui, de fato, como deveria, uma alternativa democrática e, pelo contrário, sempre competiu com a rede pública pelos recursos destinados à educação, agora ele passa a controlar esses recursos, diretamente, sem intermediários, fazendo, de uma vez só, com que as expressões “direito de todos” e “dever do Estado” possam se tornar logo, se não lutarmos contra isso, letra morta na Constituição.

    *Gilson Reis é coordenador da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee

  • A rentabilidade dos bancos brasileiros, dada pela relação entre lucros e patrimônio, subiu a 14,8% no final do ano passado, a maior em sete anos, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (11) pelo Banco Central. Em consequência, os lucros líquidos, astronômicos, bateram mais um recorde histórico. Totalizaram R$ 98,5 bilhões.

    "Em termos nominais, é o maior lucro [da história] com certeza", afirmou o diretor de Fiscalização do BC, Paulo Souza. Segundo ele, o patrimônio do sistema financeiro está na faixa de R$ 800 bilhões.

    O contraste com o cenário deprimente da economia nacional é notável. O PIB patina, muitas empresas amargam prejuízos e estão falindo e o país tem, hoje, perto de 30 milhões de pessoas no desemprego, no desalento ou na subocupação. Enquanto isto os banqueiros, que nada produzem, estão nadando em dinheiro.

    Uma das causas deste sucesso, nocivo para a sociedade, são os juros bancários elevados. A taxa básica de juros, a Selic, está no menor patamar da história (6,5% ao ano), mas isto não impede as instituições financeiras de cobrarem juros extorsivos, institucionalizando a agiotagem. Em algumas linhas de crédito, os juros são próximos de 300% ao ano. Conforme apontam inúmeros economistas, esta é uma causa da estagnação econômica e da falência de muitas empresas produtivas, embora não seja a única. Percebe-se que a crise castiga o povo, mas favorece os interesses dos senhores das finanças.

    Dados do BC mostram, ainda, que os quatro maiores conglomerados bancários do país detinham, no fim de 2017, 78% de todas a operações de crédito feitas por instituições financeiras no país. São informações que revelam o elevado grau de concentração bancária no país e ainda não foram atualizadas para o ano de 2018.

    Proporcional ao poder econômico, é crescente o poder político dos banqueiros e magnatas do sistema financeiro, que hoje têm um fiel representante no Ministério da Economia, o senhor Paulo Guedes, que tem como um dos principais objetivos a privatização do sistema previdenciário brasileiro, o que significa o fim progressivo da aposentadoria pública.

    Umberto Martins

  • Segundo a instituição, número de pessoas que vivem na pobreza subiu 7,3 milhões desde 2014, atingindo 21% da população, ou 43,5 milhões de brasileiros.

    Um relatório do Banco Mundial divulgado nesta quinta-feira (04/04) afirma que a pobreza aumentou no Brasil entre 2014 e 2017, atingindo 21% da população (43,5 milhões de pessoas).

    O documento intitulado Efeitos dos ciclos econômicos nos indicadores sociais da América Latina: quando os sonhos encontram a realidade, demonstra que o aumento da pobreza nesse período foi de 3%, ou seja, um número adicional de 7,3 milhões de brasileiros passou a viver com até 5,50 dólares por dia.

    No ano de 2014, o total de brasileiros que viviam na pobreza era de 36,2 milhões (17,9%). O quadro negativo teve início com a forte recessão que o país atravessou a partir do segundo semestre daquele ano, que durou até o fim de 2016.

    O Banco Mundial avalia que o fraco crescimento da América Latina e Caribe, especialmente na América do Sul, afetou os indicadores sociais no Brasil, país que possui um terço da população de toda a região.

    Mesmo assim, o Banco Mundial manteve as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com altas de 2,2% em 2019 e 2,5% em 2020. As projeções são melhores do que as de outros países, como o México (1,7%), mas ficam abaixo de nações como a Colômbia (3,3%). Os países com previsão de queda no PIB são a Argentina (- 1,3%) e a Venezuela (-25%).

    Para a região da América Latina e Caribe, o crescimento deve ser menor do que o do Brasil. As estimativas iniciais eram de 1,7%, mas, no mais recente relatório, elas despencaram para 0,9%, puxadas pelo péssimo desempenho da Venezuela. O crescimento da América do Sul também deverá sentir os efeitos da crise venezuelana, ficando em apenas 0,4%.

    O relatório destaca as incertezas quanto à reforma da Previdência, afirmando que sua aprovação "depende da formação de coalizões", uma vez que o partido governista não tem maioria no Congresso. A instituição elogia o Brasil por buscar um programa "ambicioso" de reformas, mas afirma que o país é o caso mais preocupante na região depois da Venezuela.

    O Brasil deverá ter um déficit fiscal de 6,9% do PIB em 2019 e um déficit primário de 1,2% do PIB. A dívida pública deve corresponder a 80% do PIB.

    "As perspectivas de crescimento para este ano não mostram uma melhora substancial em relação a 2018, como consequência do crescimento débil ou negativo nas três maiores economias da região – Brasil, México e Argentina – e do colapso total na Venezuela", afirma o relatório. Se excluídos os números venezuelanos, o PIB da América do Sul teria alta de 1,8% em 2019.

    O relatório afirma que os programas sociais podem ser os mais eficazes amortecedores dos choques econômicos. Segundo o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Carlos Végh, essas iniciativas são comuns em países desenvolvidos, mas não nessa região.

    "A região deve desenvolver, além dos programas estruturais existentes, ferramentas de rede de segurança social que possam apoiar os pobres e os mais vulneráveis durante o ciclo de baixa nos negócios", afirma o relatório.

    O Banco Mundial afirma que a América latina e Caribe é a região com os indicadores mais voláteis em todo o mundo por ser exposta a fatores externos (como preços das commodities e liquidez internacional) e instabilidades institucionais e políticas.

    O Banco Mundial analisou três indicadores: taxa de desemprego, pobreza e necessidades básicas insatisfeitas (habitação, educação e saneamento).

    RC/ots

     

    Com informações de dw.com

  • O Ministério da Educação (MEC) obriga as mais de 509 mil educadoras e educadores do ensino médio a responder um formulário sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) nesta quinta-feira (2), denominando o “Dia D”, da BNCC.

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    Para se contrapor a essa imposição do MEC, as educadoras e educadores criaram o Dia da Denúncia para resgatar “o debate contra a reforma do ensino médio e a proposta de base curricular do governo golpista”, afirma Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da CTB.

    Porque para a sindicalista baiana, a reforma do ensino médio (Lei 13.415/2017) “cria um verdadeiro apartheid socioeducacional”. Segundo Betros, essa lei amplia o foço entre pobres e ricos. “De um lado escolas caríssimas para os ricos e de outro a precariedade total para a maioria absoluta da população”, diz.

    A comunidade escolar reclama da falta de debate sobre uma tentativa de transformação tão profunda do ensino médio. Um dos grandes problemas é que a BNCC determina apenas 60% dos estudantes no ensino médio. Os outros 40% serão preenchidos pelos “itinerários formativos”.

    Para a educadora, A BNCC é a consolidação do projeto do desgoverno Temer de acabar com o ensino médio público e tirar a possibilidade das filhas e filhos dos mais pobres de cursar a universidade e, para piorar, “deixar aos mais pobres uma escola sem nenhuma qualidade, apenas técnica”.

    Ela denuncia também a redução do tempo de estudo para 1.800 horas anuais, como propõe a BNCC. O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece uma meta de 4.200 horas anuais de estudo.

    O PNE, aprovado em 2014, depois de amplas discussões em todo o território nacional, estabeleceu 20 metas a serem cumpridas até 2024. Betros lembra que já em 2019 deveriam ser aplicados 7% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação para atingir os 10% em 2024.

    Além disso, a Emenda Constitucional 95/2016 congela os investimentos nos setores essenciais para a melhoria de vida das pessoas, como a educação e a saúde. Por isso, “e pelo total desestímulo à carreira, que a juventude não quer mais a carreira do magistério”.

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    O Dia da Denúncia deverá atingir as 28 mil escolas públicas de ensino médio do país e seus 509 mil profissionais. Para a sindicalista, “o governo tirou os representantes do movimento educacional do Fórum Nacional de Educação e do Conselho Nacional de Educação para impor seu projeto de desqualificação da escola pública e valorização da rede particular, deixando aos filhos da classe trabalhadora o destino de se transformarem em trabalhadores desqualificados e acríticos”.

    Uma das principais reclamações da comunidade escolar refere-se a que a BNCC determina apenas Matemática e Língua Portuguesa como disciplinas obrigatórias e as outras ficam divididas em “áreas de conhecimento”, que  “podem se transformar em áreas do desconhecimento de questões importantes para o desenvolvimento da juventude e para a criação da cidadania”, reforça Betros.

    “A reforma de ensino médio proposta pelo bloco de poder que tomou o Estado brasileiro por um processo golpista, jurídico, parlamentar e midiático, liquida a dura conquista do ensino médio como educação básica universal para a grande maioria de jovens e adultos, cerca de 85% dos que frequentam a escola pública. Uma agressão frontal à constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes da Educação Nacional que garantem a universalidade do ensino médio como etapa final de educação básica”, diz Gaudêncio Frigotto, filósofo, educador e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

    Já Betros reforça a necessidade de engajamento de toda a comunidade escolar para “barrar essa base curricular inócua, prejudicial à qualidade do ensino e contra os interesses da classe trabalhadora”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Arte: Mário Tarcitano

  • O PIB brasileiro caiu 0,2% nos três primeiros meses de 2019, em relação ao último trimestre do ano anterior, na série com ajuste sazonal. Não por acaso, o período coincide com o primeiro trimestre do governo Jair Bolsonaro, que assumiu em 1º de janeiro. Trata-se do primeiro resultado negativo nessa comparação desde o quarto trimestre de 2016, de acordo com as informações do IBGE.

    É um passo a mais no caminho de uma nova recessão. O contrário do que o líder da extrema direita prometeu ao ser empossado, quando falou em resgate da confiança do empresariado e consumidores, aumento dos investimentos estrangeiros e retomada do crescimento econômico. No governo, porém, não tomou uma só medida, emergencial que seja, para amenizar a tragédia do desemprego em massa e superar a estagnação da produção.

    Em sentido contrário, anunciou cortes de verbas para a Educação, Saúde, ciência, cultura e infraestrutura. Também encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta de reforma da Previdência cujo objetivo é a privatização do sistema de aposentadorias para favorecer os interesses de banqueiros e rentistas, acelerou a entrega de patrimônio público aos grandes capitalistas, especialmente estrangeiros, baixou uma Medida Provisória com o objetivo de estrangular financeiramente os sindicatos, jurou lealdade a Donald Trump e vomitou ameaças contra a democracia.

    Falsa ladainha

    O ministro da Economia, que fez a vida como rentista especulando no mercado financeiro, também não tem resposta para os dilemas da economia real, que além de semearem desemprego e miséria reduzem o peso do Brasil na economia mundial e retardam o desenvolvimento nacional. Limitou-se a repetir, em entrevista à imprensa nesta quinta-feira (30), o bordão oficial de que a aprovação da reforma da Previdência vai ajustar tudo, é o remédio milagroso para a crise. "A economia está parada, à espera das reformas", decretou.

    Guedes e os apologistas da reforma neoliberal, em geral, rezam uma falsa ladainha, que de resto é requentada. Note-se que já foi entoada nos debates sobre a reforma trabalhista (que iria gerar milhões de novos postos de trabalho, ampliando os investimentos privados em capital variável) e o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, que despertaria a fada da confiança, suposta madrinha dos investimentos privados. Não é o que se vê.

    São ideias que, como diria Cazuza, não correspondem aos fatos. Na realidade, a proposta de reforma da Previdência encaminhada pelo governo ao Congresso contempla apenas os interesses de banqueiros, rentistas e empresários. Os interesses do povo não foram levados em conta, nem seus representantes consultados. O pronunciamento da classe trabalhadora sobre o tema ecoará com força na greve geral convocada pelas centrais sindicais e os movimentos sociais para 14 de junho.

    Destaca-se nas estatísticas sobre o PIB divulgadas nesta quinta (30) o comportamento lastimável do setor industrial, que recuou 1,1% em relação ao primeiro trimestre de 2018, acentuando o processo histórico de desindustrialização da economia brasileira. Igualmente preocupante foi o desempenho da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF): declínio de 1,7% em relação ao trimestre anterior, que já havia registrado queda de 2,4%.

    O FBCP compreende os investimentos produtivos, que constituem a força motriz do crescimento das atividades. Seu declínio, que tem tudo a ver com o novo regime fiscal e os cortes dos gastos públicos, é um mau sinal para o futuro da economia, que parece condenada à mediocridade pela política de restauração neoliberal imposta pelo golpe de 2016, coroado com a eleição de Jair Bolsonaro.

    Umberto Martins

  • O Brasil está estagnado. A economia não cresce, o desemprego atinge quase 13 milhões de pessoas e a taxa de inadimplência chega a 61,5%. Com tantos dados negativos, não podia dar outra. O país vive a pior década economicamente desde 1901, aponta a FGV (Fundação Getúlio Vargas).

    A média de crescimento econômico entre 2011 e 2018 foi de 0,6% ao ano, de acordo com o estudo que considerou dados do IBGE. A situação degringolou com a crise política e econômica, intensificada pela direita em 2014, quando perdeu a quarta eleição consecutiva para as forças progressistas.

    O mais agravante é que a perspectiva não aponta melhoras. Pelo contrário. O Brasil está parado. O governo Bolsonaro se mantém no palanque e não diz para que veio, confirmando o que vinha sendo alertado pelo O Bancário: o presidente não tem um projeto para retomar o crescimento do país.

    Com a previsão de que o PIB (Produto Interno Bruto) feche 2019 em 2,01% e 2020 em 2,8%, o Brasil chegará a final da década com crescimento médio de 0,9% ao ano. Um cenário pior até do que a década de 80, conhecida como década perdida, mas que registrou crescimento de 1,6% ao ano.

     

    Fonte: bancariosbahia.org.br

  • O modelo neoliberal de Paulo Guedes, o “salvador da economia brasileira” não tem dado certo. O Produto Interno Bruto recuou 0,8% no trimestre finalizado em maio de 2019. A informação é do Monitor do PIB, divulgado pela FGV (Fundação Getulio Vargas).


    Em relação ao trimestre finalizado em fevereiro com o trimestre encerrado em maio, os três grandes setores produtivos registraram recuo: serviços (-0,4%), indústria (-1,4%) e agropecuária (-1,2%).


    Dentro dos serviços, a maior redução aconteceu em transportes (-2%). Os serviços de informação foram os únicos a apresentar crescimento (0,2%). Já na indústria, houve queda entre todos os subsetores, com destaque para a indústria extrativa mineral (-4,8%). 

     

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • Estatísticas divulgadas nesta quinta-feira (13) pelo IBGE indicam que as vendas do comércio caíram 0,2% em outubro na comparação com setembro, quando também foi registrado declínio das atividades no ramo. Foi o pior resultado para o mês desde 2013. Sinaliza um desempenho medíocre da economia em 2018 e induziu novas revisões pessimistas para o resultado final do PIB, que deve fechar o ano com um avanço não muito superior a 1%, o que está bem aquém da necessidade e potencialidades do Brasil, ainda mais quando se considera que no biênio 2015-2016 o país sofreu a maior recessão de sua história, que sacrificou nada menos que 7,2% do produto.

    O resultado decepcionou os analistas do mercado, que apostavam numa recuperação e projetavam crescimento de pelo menos 0,2%. Houve queda nas vendas em 17 das 27 unidades da federação, sendo as maiores registradas em Rondônia (-4,0%), Distrito Federal (-3,4%) e Piauí (-2,7%). Entre as 10 com alta, a mais relevante foi em Roraima (2,8%).

    Restauração neoliberal

    No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e motos e materiais de construção, o recuo foi um pouco menor em outubro: queda de 0,2% na comparação com setembro. Em relação a outubro de 2017, houve crescimento de 6,2%. O acumulado no ano subiu 5,3% e o dos últimos 12 meses recuou para 5,7%.

    Entre os segmentos que compõem o ramo, as maiores quedas foram registradas nas vendas de livros, jornais, revistas e papelaria (-7,4%), móveis e eletrodomésticos (-2,5%) e tecidos, vestuário e calçados (-2%). De acordo com técnicos do IBGE a queda nas vendas de combustíveis e lubrificantes deu a maior contribuição negativa para o resultado geral do varejo em outubro. A demanda caiu em função da política de preços adotado pela Petrobras no governo Temer, que resultou em alta sistemática do diesel, da gasolina, do gás de cozinha e motivou a greve dos caminhoneiros em maio.

    Essa situação crítica da economia, que não sai do pântano da estagnação, resulta da política de restauração neoliberal imposta pelo governo golpista liderado por Michel Temer, que congelou os investimentos públicos, perpetuou o desemprego em massa e reduziu o poder de compra da classe trabalhadora.

    Portal CTB

  • Na sequência do recuo de 1,8% em setembro, a produção industrial praticamente não saiu do lugar em outubro, quando registrou um avanço de míseros 0,2%, estacionando num nível inferior ao verificado em abril deste ano. O resultado decepcionou os arautos do mercado, que esperavam um crescimento mais robusto, de pelo menos 1,2%, e é mais um sinal da fragilidade do processo de recuperação da recessão de 2015/2016, que sacrificou mais de 7% do PIB e foi a maior da nossa história.

    O desempenho anêmico do setor é originado por mais de um fator, além de traduzir o processo histórico de desindustrialização da economia nacional, iniciado em meados dos anos 80 do século passado no rastro da crise da dívida externa. Entre esses contam os efeitos da greve dos caminhoneiros em maio, quando a atividade do setor declinou 11%, e a crise na Argentina, que derrubou as exportações da indústria automobilística.

    A estagnação em outubro se dá no curso de três meses consecutivos de queda: -0,2% em julho, -0,7% em agosto e -,18% em setembro. Provavelmente a causa mais relevante do declínio, hoje, é a política econômica contracionista do governo golpista, que congelou os investimentos públicos por 20 anos, e o desemprego em massa, que reduz a renda e o consumo da classe trabalhadora.

    A indústria é o setor mais dinâmico da economia em qualquer país ou região do mundo. Foi graças à industrialização que a China se transformou na primeira potência econômica (comercial e financeira) do mundo. Em contrapartida, foram décadas de desindustrialização que promoveram a relativa decadência dos EUA e outras potências ocidentais. O desenvolvimento do Brasil não pode prescindir da valorização e fortalecimento da indústria nacional. Mas esta preocupação não está no radar da ideologia neoliberal que orienta tanto o governo Temer quando a futura gestão liderada por Bolsonaro e seu guru e superministro da Economia, Paulo Guedes.

  • As perspectivas para a economia brasileira não são nada boas. A recessão continua, a estimativa de crescimento é pífia e o desemprego não para de crescer. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país tem 13,1 milhões de pessoas de fora do mercado de trabalho. Mas, o que está ruim, pode piorar.

    Mesmo com o cenário de "terra arrasada", o governo federal insiste em tentar empurrar a reforma da Previdência, que acaba com o direito à aposentadoria do trabalhador. Se aprovada, a proposta vai agravar o quadro. A previsão é de que a economia nacional perca R$ 87 bilhões por ano e, ao menos, 5 milhões fiquem desempregados em 10 anos.

    O PIB (Produto Interno Bruto) deve cair em 1 ponto percentual. A informação não é para causar terror. Mas, para alertar. Pela PEC (Proposta de Emenda à Constituição), o trabalhador terá de contribuir por 40 anos ao INSS para ter direito ao valor integral da aposentadoria.

    Não é só isso, os benefícios previdenciários devem ser calculados sobre a média de 100% das contribuições, rebaixando ainda mais o valor final. O BPC (Benefício de Prestação Continuada) seria desvinculado do salário mínimo e não teria a correção monetária. Tudo isso causaria impacto na renda das famílias brasileiras, prejudicando o mercado interno.

     

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • Entre 2011 e 2020, PIB do Brasil deve avançar em média 0,9% ao ano, segundo previsões do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vartas (Ibre-FGV). É uma taxa menor que o 1,6% registrado na “década perdida” nos anos 1980 e a mais baixa dos últimos 120 anos.

    O levantamento do Ibre utiliza como base a série histórica do PIB apurada pelo Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea) e as projeções para 2019 e 2020 do relatório Focus, do Banco Central, que reflete a avaliação de analistas do mercado para a economia brasileira.

    Tudo a ver com o neoliberalismo

    O desempenho atual pode ser explicado em grande medida, na opinião de muitos críticos, pela política econômica adotada após o golpe de Estado de 2016, no governo de Michel Temer, e agora radicalizada pela dupla Bolsonaro/Guedes. A recessão dos anos 2015-2016 foi agravada pela agenda golpista.

    A orientação neoliberal se materializou na depreciação da força do trabalho, com contrarreforma trabalhista e terceirização irrestrita, e o novo regime fiscal instituído por Temer, com o congelamento dos gastos públicos primários por 20 anos, ao lado da entrega do pré-sal e renovação da política de privatizações.

    A “austeridade” deprimiu gastos e investimentos públicos, o que não provocou apenas a degradação dos serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde e educação, mas igualmente a queda da taxa geral de investimentos da economia brasileira (ou Formação de Capital Fixo, no idioma do IBGE), que é o que em primeira e última instância determina o desempenho do PIB.

    Fatores externos adversos associados à crise da (des)ordem capitalista mundial, como a guerra comercial deflagrada por Donald Trump contra a China, a desaceleração generalizada das atividades produtivas e a crise na Argentina, também influenciaram negativamente o comportamento da economia brasileira.

    Precarização em vez de emprego

    A suposição dos golpistas, cuja falácia está sendo provada pela realidade dos fatos, era de que o duro ajuste fiscal, combinado com a destruição de direitos e garantias trabalhistas, iria despertar a fada da confiança empresarial e resultar num formidável boom de investimentos privados, que compensaria com folga o arrocho dos gastos públicos. Isto evidentemente não ocorreu.

    Outra promessa que se revelou falsa rezava que a redução e flexibilização de direitos trabalhistas, que veio no bojo da reforma de Temer, acarretaria imediatamente um substancial aumento da oferta de emprego. Tal não se deu nem vai se dar.

    Os efeitos da reforma são (e serão, exclusivamente) a crescente precarização das relações trabalhistas e a depreciação do valor da força de trabalho, o que não é nada bom para a saúde da economia, uma vez que resulta no enfraquecimento do mercado interno, fator que realimenta a estagnação.

    A principal vítima da crise do nosso capitalismo é a classe trabalhadora, sendo o desemprego em massa sua maior expressão. Em nosso país, que ficou bem mais triste após o golpe e a ascensão da extrema direita ao poder, desempregos e subocupados somam quase 30 milhões de pessoas. E a miséria cresce a olhos vistos.

    Fatos e ideologia

    Entretanto, embora os fatos indiquem claramente que a agenda neoliberal agrava a crise econômica (e não só no Brasil), a ideologia (ou pensamento) dominante nos sugere sempre o contrário e indica o aprofundamento do ajuste fiscal como único caminho para tirar o Brasil da lama.

    A bola da vez, depois da reforma trabalhista e do novo regime fiscal, é a reforma da Previdência. Repete-se ad nausean, em nossa mídia de referência, o bordão de que sem subtrair direitos dos idosos brasileiros (daqueles que pertencem à classe trabalhadora, bem entendido) o Brasil não vai reencontrar o caminho do crescimento. É mais uma mentira que o tempo cuidará de desbotar.

    Não será com Estado mínimo e depreciação da força de trabalho que a nação vai se reerguer. A exitosa experiência da China, hoje a maior e mais próspera economia do mundo, demonstra que em nossa época o desenvolvimento acelerado do PIB já não é mais possível sem a forte intervenção do Estado. É esta a realidade, goste-se ou não dela. Mas os fatos vão acabar falando mais alto que as ideologias.

    Umberto Martins, com agências

  • Está nos noticiários desta quinta-feira (30): cerca de 70% dos estudantes que concluíram o ensino médio no país apresentaram resultados considerados insuficientes em matemática e em língua portuguesa, não tendo aprendido nem mesmo o que é considerado básico. Os dados são do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e foram apresentados pelo Ministério da Educação (MEC).

    Se os números demonstram que, sim, há um problema na educação básica no Brasil, há que se tomar cuidado com a forma como isso será — ou já é — tratado nas propostas eleitorais para o setor, sobretudo no que tange às candidaturas que representam a continuidade do golpe em curso no país desde 2016 e que atingiu fortemente as políticas educacionais.

    Como destacou o coordenador da Secretaria de Comunicação Social da Contee, Alan Francisco de Carvalho, em artigo publicado na Carta Educação, o golpe trouxe a Emenda Constitucional 95 e o congelamento dos investimentos públicos no Brasil por 20 anos, inviabilizando o cumprimento do Plano Nacional de Educação (PNE) e da destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor. Trouxe também o desmonte da Petrobras e a entrega das reservas brasileiras aos interesses estrangeiros, que substituíram a destinação de 75% dos royalties do petróleo e do fundo social do pré-sal para o ensino público. Isso sem falar na equivocada reforma do ensino médio — que em nada dirime as dificuldades enfrentadas nesse nível de escolaridade, nem mesmo aquelas mostradas na frieza dos números — e na reforma trabalhista que contribui para a desvalorização e a desprofissionalização do magistério e dos demais trabalhadores em educação.

    Na lista dos presidenciáveis, é esse o cenário representado por Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). Meirelles pode até ser oficialmente o candidato de Temer, mas, por sua coligação — que reúne o “centrão” apoiador e garantidor do golpe —, e pela própria trajetória tucana e seu pacto com as velhas elites, Alckmin também é apontado por grande parte dos analistas políticos como escolhido especialmente para esse papel. Fato é que, na educação, as propostas de ambos são bem próximas e apontam precisamente para uma leitura destorcida dos dados e de como investir em educação para de fato superar as desigualdades.

    Meirelles, por exemplo, já declarou ser preciso valorizar a “meritocracia” e o “desempenho” dos estudantes, destacando inclusive que, se for eleito, vinculará os repasses do governo federal às escolas municipais ao desempenho delas – ou seja, quanto melhor for a nota nas avaliações, maior será o repasse. A falácia da meritocracia e a lógica da competição servem ao modelo do capital, que aproxima a escola de ume empresa. Acontece que uma avaliação de desempenho meramente numérica não leva em conta a base e a formação distinta de cada estudante, decorrentes das condições sociais das famílias e de suas possibilidades e capacidades em acompanhar a educação das crianças e adolescentes. Tampouco considera que a oferta de ensino é desigual, já que o próprio sistema educacional não é homogêneo, e que o modelo de uma suposta “igualdade de oportunidades” pode acarretar sérios problemas pedagógicos, aprofundando o abismo entre os “alunos bons” e os “alunos ruins”. Além disso, atrelar o investimento público ao “desempenho” da escola é ignorar também tanto a realidade da comunidade em que ela está inserida como a condição de trabalho a que seus professores e técnicos administrativos estão submetidos.

    É esse mesmo pensamento industrial, contudo, que pauta o projeto de Geraldo Alckmin. Em sua gestão no governo paulista, por exemplo, o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp) era usado como critério para pagar bônus a professores e funcionários de escolas que alcançaram as metas fixadas para cada unidade. No entanto, ao contrário de uma melhoria de qualidade, o que a pressão sobre as escolas faz é levar a um estreitamento do currículo e a uma excessiva responsabilização do magistério, ignorando que há inúmeros outros fatores, sobretudo externos, que influenciam os resultados e vão muito além do empenho em sala de aula.

    Apesar das críticas, esse viés mercadológico impregna o que está sendo e continuará a ser feito na educação caso o grupo que está no poder, seja com Meirelles ou com Alckmin, permaneça. Não é à toa que o tucano elogiou publicamente a reforma do ensino médio do governo Temer. Na teoria, o candidato diz que a medida foi feita de forma correta para evitar a evasão escolar ao dar a possibilidade de os estudantes escolherem os cursos, sendo esse um grande passo para universalizar o acesso à educação básica. Não vai e não é. A manutenção de apenas português e matemática como disciplinas obrigatórias não vai sanar as dificuldades dos jovens nesses conteúdos. Pelo contrário, instituirá um ensino embotado e sem abertura ao pensamento.

    Como destacou a coordenadora-geral em exercício da Contee, Madalena Guasco Peixoto, em artigo também publicado na Carta Educação, a adoção de “áreas de conhecimento”, sob a pretensa alegação de reduzir o conteudismo, visa a, na realidade, excluir do currículo a reflexão e a formação crítica. Além disso, a suposta criação de cinco itinerários formativos, que seriam áreas de aprofundamento à escolha dos estudantes para cursar 40% do currículo, cai por terra quando as escolas têm a obrigação de ofertar apenas um itinerário, restringindo as opções dos estudantes.

    Em vez de flexibilização, exclusão.

    Fonte: Contee, por Táscia Souza

  • A edição desta quarta-feira (25), do jornal Valor Econômico traz uma reportagem reveladora da política econômica de “austeridade” do governo ilegítimo de Michel Temer. Um levantamento da LCA Consultores mostra que a extrema pobreza cresceu 35% em apenas um ano.

     A LCA se baseia em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e no conceito do Banco Mundial pelo qual quem tem renda per capita de US$ 1,90 por dia, o que em média corresponde a R$ 136 mensais, encontra-se nessa situação.

    “O Brasil vive um pesadelo. Desde que os golpistas tomaram o poder, a crise só avança e os projetos que eles apresentam só fazem a situação piorar, principalmente para os mais pobres”, diz Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB.

    Os jornalistas do Valor visitaram a favela de Paraisópolis, uma das maiores da capital paulista e que se localiza no bairro Morumbi, ao lado de suntuosas residências e prédios. Ali averiguaram a calamidade. Conversaram com três mulheres totalmente dependentes do programa Bolsa Família - programa criado em 2004 no governo de Luiz Inácio Lula da Silva - para manterem a suas famílias, ainda que em situação precaríssima. 

    Com uma população de pouco mais de 21 milhões de habitantes, a Região Metropolitana de São Paulo, que representa 56% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado de São Paulo, o mais rico do país, e pouco mais de 17% do PIB nacional, conta, de acordo com a LCA, com mais de 700 mil pessoas vivendo na extrema pobreza.

    Leia a reportagem completa aqui.

    Vânia menciona ainda as graves consequências da reforma trabalhista sobre o mundo do trabalho. “Essa reforma degrada a vida da classe trabalhadora e destrói os sonhos da juventude de ter um futuro melhor”.

    Ela lembra do alto índice de desemprego, em torno de 12% da população economicamente ativa e do crescimento da informalidade. “A maioria das pessoas não consegue emprego com carteira assinada. As mulheres estão majoritariamente trabalhando como vendedoras ambulantes, se expondo a grandes riscos nas ruas, num país excessivamente machista como o nosso”.

    A sindicalista baiana acentua a sua indignação. “Os golpistas estão arrasando o país em um tempo tão curto que assusta”. Além de precarizar as relações de trabalho e não investir no setor produtivo, “o governo detona os programas sociais dos governos anteriores, como o Bolsa Família, um grande programa de distribuição de renda, como jamais havíamos visto no Brasil”.

    Gilberto Gil ajuda a reflexão com A Novidade, atente para a poesia: 

    Segundo Cosmo Donato, economista da LCA Consultores e autor do levantamento, os dados revelam o crescimento da informalidade no mercado de trabalho e da falta de qualificação da mão de obra da maioria das pessoas das classes C, D e E.

    Vânia reforça a sua argumentação em relação ao governo federal ao citar dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira, mostrando que a elite brasileira está viajando mais e gastando muito mais ainda no exterior. Somente no primeiro trimestre deste ano deixaram lá fora US$ 4,93 bilhões, 10,2% a mais do que o mesmo período de 2017.

    “Esses estudos comprovam o aumento da concentração de renda”, acentua Vânia. “Os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos aumentando seus ganhos de maneira absurda. Fica claro o principal objetivo do golpe”.

    Desemprego tem cor

    Para piorar ainda mais, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2017, do IBGE, mostra que a média nacional de desemprego gira em torno de 12%. Entre a população branca atinge quase 10% e entre as negras e negros é superior a 14%.

    “Reflexo do racismo institucional que 130 anos após a Abolição da escravidão, ainda mantém mais da metade da população do país á margem da sociedade, do trabalho, da vida”, afirma Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB.

    Donato confirma o que diz Custódio. De acordo com o seu levantamento, “o número de pessoas de cor preta ou parda vivendo em situação de extrema pobreza cresceu 61% no ano passado na Região Metropolitana de São Paulo, acima do aumento entre a parcela branca da população (13,6%)”.

    Ele conta ainda que apesar do PIB ter crescido 1% de 2016 para 2017, a pobreza aumentou 23,9% no estado de São Paulo, atingindo quase 2 milhões de pessoas. “O Brasil que havia saído do Mapa da Fome em 2014, retorna agressivamente”, assinala Vânia.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Jair Bolsonaro mais uma vez mandou um recado ao brasileiro que precisa de apoio do governo. Não conte com medidas capazes de reduzir as desigualdades sociais do país. Pelo contrário. Se depender do presidente, as diferenças vão aumentar.

    Ao falar sobre a medida provisória que suspende a cobrança de bagagem em voos domésticos e internacionais, Bolsonaro foi categórico. "Eu fui convencido a vetar o dispositivo. Não só porque é do PT. Se bem que é um indicativo. Os caras são socialistas, comunistas, são estatizantes. Eles gostam de pobre".

    Na verdade, não é só de pobre que Bolsonaro não gosta. Ele não gosta do Brasil. Até aqui mostra total submissão aos Estados Unidos. Prometeu entregar as empresas estatais ao grande capital internacional. Quer empurrar "goela abaixo" do trabalhador uma reforma da Previdência que beneficia os bancos e empobrece a população. Atende ao lobby da indústria armamentista, das empresas aéreas, dos ruralistas.

    Enquanto isso, o país afunda cada vez mais. A recessão econômica continua brutal, resultado da incapacidade do governo. O PIB (Produto Interno Bruto) encerrou o trimestre com contração de 0,2%. Mais de 13 milhões de pessoas estão sem trabalho e outras 28,4 milhões estão subutilizadas.

    Com informações bancariosbahia.org.br

  • De acordo com e professora de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Esther Dweck, diferente do que diz o governo, o resultado positivo do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre não aponta para o fim da recessão. Segundo ela, não há sinal efetivo de retomada de crescimento e o cenário que se delineia é de uma estagnação em um patamar muito baixo, com efeitos negativos para o emprego e a distribuição de renda. A economista prevê ainda que a aprovação das reformas deve agravar tal quadro.

    “Não é o fim da recessão de jeito nenhum. No início dos anos 2000 e em outros períodos da história do Brasil, a gente teve uma coisa que chamamos de estagnação puxada por exportações. É mais ou menos o que a gente vai viver esse ano, se de fato se configurar um crescimento positivo até o final do ano, que ainda tem chances de não acontecer”, disse, em entrevista ao Vermelho.

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta (1), que o PIB - soma de todos os bens e serviços produzidos no país - cresceu 1% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o trimestre anterior. Mas, em relação ao mesmo período do ano passado, a economia teve retração de 0,4%. E o resultado acumulado dos quatro últimos trimestres, terminados agora em março, registra queda de 2,3%.

    Segundo Esther Dweck, o resultado positivo desse começo de 2017 é “pontual”, influenciado pela boa safra agrícola e por uma mudança na metodologia usada na pesquisa mensal de serviços e comércio do IBGE - que terminou por puxar o resultado desses setores para cima. Mas o detalhamento dos dados mostra que, pelo lado da demanda, a única coisa que de fato teve bom desempenho foram as exportações, enquanto a demanda interna continua desapontando.

    O investimento caiu 1,6% em relação ao trimestre anterior, o consumo das famílias teve retração de 0,1% e o consumo do governo, de 0,6%. “Com o desemprego crescente, as pessoas ou estão sem renda, ou não querem gastar a renda que têm porque querem se proteger de um eventual problema mais na frente. As empresas não estão investindo nem têm nenhuma perspectiva de investir, porque estão com capacidade ociosa muito grande. Então a única coisa que sobra para quem está produzindo, é exportar, principalmente com uma safra recorde como esta. Houve, na verdade, um crescimento puxado pelas exportações, que não é capaz de puxar a economia brasileira de fato”, disse.

    Na avaliação da professora, o crescimento de 1% não pode, portanto, ser associado à ação do governo Michel Temer, que relaciona a retomada atividade à recuperação da confiança na economia, algo que seria influenciado pela capacidade da gestão de aprovar as reformas.
    “Foi uma coisa muito pontual, ligada a essa safra recorde, que é uma questão climática, não tem nenhuma relação com aprovação de medida ou qualquer coisa do gênero, porque a safra não sabe se o governo aprovou x ou y no Congresso, então não tem nenhum sinal efetivo de retomada”, analisou.

    Na sua avaliação, o mais provável é que o país tenha um crescimento próximo de zero em 2017. “Pode ser um pouquinho positivo ou um pouquinho negativo, o que no fundo é uma estagnação. E isso é normal, porque é muito raro uma economia cair duas vezes seguidas. Três, então, só numa guerra. O mais provável é que Brasil se estabilize, mas num nível muito baixo - o que é muito ruim em termos de geração de emprego e distributivo - e fique crescendo muito próximo de zero. Não tem nenhum sinal de retomada vigorosa”, declarou.

    Para a economista, ao contrário do que o governo fala, a aprovação das reformas só vai piorar esse cenário. “Porque, na verdade, [aprovar as reformas] é retirar um canal distributivo importante, que ajuda da distribuição de renda, consequentemente, no crescimento econômico e na própria proteção da economia, para situações de crise como a que a gente vive. Porque muita gente consegue ter algum auxílio e não fica sem nenhum tipo de renda, mesmo com o desemprego crescente. E com as reformas, esse colchão de proteção social vai diminuir”, lamentou.

    Esther destacou que a lógica da seguridade social é justamente proteger a população em momentos de dificuldade. “Ela foi criada depois da grande crise mundial da década de 30 e depois da segunda guerra, para dizer que, se a gente não tiver um mínimo de proteção social, as economias entram em colapso. E a economia mundial só não entrou nunca mais em colapso tão profundo como na grande depressão porque passou a ter um sistema de proteção social muito forte”, disse.

    Desde que o atual governo assumiu, prometia que a retomada seria liderada pelos investimentos. O resultado do primeiro trimestre contraria o discurso da gestão. E, para Esther, isso não deve mudar.

    “Ninguém investe porque o governo aprovou ou não uma medida no Congresso. A pessoa investe se tiver alguém comprando o produto dela. Então, enquanto não retomar mesmo o crescimento, o investimento não vai voltar tão cedo. A gente está com uma capacidade ociosa enorme. Então o que o governo chama de investimento não é investimento, é um capital especulativo financeiro, que pode vir, sim, porque você aprovou uma reforma que protege exatamente o capital especulativo e não o produtivo”, encerrou.

    Fonte: Portal Vermalho, por Joana Rozowykwiat. Foto: PT no Senado

  • O desastre brasileiro ganha contornos cada vez mais preocupantes. Incapaz de uma articulação política que viabilize a governabilidade, formado por uma equipe que só tem feito dificultar e comprometer a governança, em menos de cinco meses o governo Bolsonaro agravou consideravelmente a crise política e econômica.

    Os últimos dados do IBGE, divulgados na sexta-feira, não deixam dúvida. Um em cada quatro brasileiros está subempregado. São 28,4 milhões de pessoas subutilizadas. Muita gente. No último trimestre, encerrado em abril, a taxa de desemprego subiu para 12,5%, elevando para 13,2 milhões o número de desempregados.

    Acrescente ao triste quadro mais 4,9 milhões de desalentados, pessoas que desistiram de procurar emprego. Para agravar ainda mais a delicada situação, o IBGE confirmou a queda de 0,2% no PIB, no último trimestre.

    Com a economia em frangalhos, a desestabilização política se aprofunda. O governo insiste no projeto neoliberal. Corta recursos de importantes instituições, inclusive na educação e saúde. Anuncia a extinção de direitos trabalhistas e políticos, além de restrições às liberdades. O povo começa a ocupar as ruas. O Brasil ferve.

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • O boletim Focus do Banco Central (BC) divulgado nesta segunda-feira (20) derrubou pela 12ª vez consecutiva a previsão de crescimento da economia em 2019.A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,45% na semana passada para 1,24% – um variação drástica nas apostas em apenas uma semana, além de um resultado mísero. O boletim é divulgado semanalmente pelo BC, reunindo a mediana das previsões de 100 instituições financeiras para a economia.

    As apostas já vinham sendo reduzidas desde o começo do ano, mas começaram a despencar quando os dados de emprego, produção, comércio e serviços do primeiro trimestre do ano passaram a indicar que o PIB do país será negativo neste início de mandato de Jair Bolsonaro.

    De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil chegou a março com 13,4 milhões de pessoas desempregadas, muitas procurando emprego há mais de dois anos. 

    Também apurado pelo IBGE, a pesquisa mensal da produção industrial de março registrou queda de 6,1% no volume produzido pelas indústrias brasileiras, em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano até março, a produção industrial recuou 2,2%.

    Já as vendas do Comércio Varejista amargaram um resultado de queda de 4,5% em março ante o mesmo mês do ano passado. Na mesma comparação, o setor de Serviços, que atualmente responde por 75,8% do PIB, desabou 2,3%. 

    Acompanhando essas variáveis, o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) apurou que o PIB do país caiu 0,68% nos primeiros três meses do ano na comparação com o trimestre anterior.

    À luz desses resultados e da manutenção de uma política econômica que está levando o país para o buraco, não tardou para que os bancos Itaú e Bradesco passassem a admitir em seus relatórios que a soma dos 12 meses do ano não dará ao Brasil mais do que 1% de crescimento. 

    Com informações de Hora da Povo

  • Muito ainda precisa ser mudado no país. Estudo do IBGE mostra que se pelo menos quatro formas de trabalho fossem remuneradas poderiam agregar valor ao PIB (Produto Interno Bruto). A pesquisa cita os cuidadores de idosos, pessoas que fazem trabalho voluntário e as que se dedicam aos afazeres domésticos.

    São cerca de 148 milhões de pessoas sem renda atualmente no país. Com o mercado de trabalho deteriorado e o aumento expressivo da informalidade, as pessoas têm se virado como podem. O Brasil não oferece nenhum tipo de subsídio para pessoas que cuidam de idosos por conta própria como familiares, por exemplo.

    Ou donas de casa que exercem jornada dupla e chegam a trabalhar até 7,5 horas a mais do que os homens, segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Assim, sem perspectiva de mudanças, brasileiros continuam reféns da estagnação.

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • A Itália entrou oficialmente em recessão técnica depois que seu Produto Interno Bruto (PIB) recuou dois trimestres consecutivos.

    No quarto trimestre do ano, o PIB caiu 0,2%, depois de uma queda de 0,1% no terceiro trimestre.

    Uma recessão técnica é definida por dois trimestres consecutivos de queda do PIB.

    O primeiro-ministro Giuseppe Conte disse na quarta-feira que esperava uma contração da economia no quarto trimestre, mas afirmou que espera voltar a crescer no segundo trimestre de 2019.

    Em todo o ano de 2018, o crescimento foi de 0,8%. Antes da queda do PIB no terceiro trimestre do ano passado, a economia italiana teve 14 trimestres consecutivos de pequenos aumentos.

    O recuo da produção foi atribuído pelos analistas a fatores como a desaceleração da economia europeia, especialmente da Alemanha, tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos e relutância das empresas italianas em investir.

    O cenário italiano, deprimente, é um sinal de que a União Europeia ainda não superou a crise econômica que irrompeu em 2011 no rastro da Grande Recessão dos EUA, deflagrada no final de 2007. O declínio do capitalismo europeu é acompanhado de uma grave crise social, ofensiva contra o Estado de Bem Estar Social e ascensão política da da extrema direita, e com ela da intolerância, voltada principalmente contra imigrantes, ou seja da xenofobia.

    Com agências

  • O governo e a mídia hegemônica vendem a falsa ideia de que sem reforma da Previdência a economia continuará estgnada e o desemprego em alta, a reforma seria o remédio sagrado para todos os males do Brasil, repetindo por sinal o discurso que embalou a aprovação da reforma trabalhista, cujo saldo é a crescente precarização do mercado de trabalho e redução dos salários e direitos. Estudo de Marcelo Manzano mostra que a proposta da atual equipe econômica sobre a Previdência também apresenta efeitos negativos sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho. Leia abaixo:

    Por Lucas Vasques, no Forum  

    O projeto de reforma da Previdência, elaborado pelo governo de Jair Bolsonaro, vai gerar, entre outros resultados negativos, meio milhão de novos desempregados todo o ano, ao longo de uma década. A conclusão é de um estudo realizado pelo economista Marcelo Manzano, doutor em desenvolvimento econômico pela Unicamp.

    “O estudo procura fazer uma estimativa dos efeitos negativos que a eventual aprovação da reforma da Previdência provocará sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho. Nossa avaliação é que por conta da redução dos benefícios previdenciários e assistenciais haverá uma queda significativa do consumo agregado, levando a uma perda de potência do crescimento econômico. Consequentemente, a economia deixará de gerar cerca de 500 mil postos de trabalho por ano”, explica Manzano, que também é coordenador do curso de pós-graduação da Maestria Estado, Governo y Politicas Publicas da Flacso/Brasil e pós-doutorando do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp.

    Manzano revela que chegou a esse número observando os dados apresentados pelo próprio ministro da Economia, Paulo Guedes. “Ele anunciou que o governo pretende economizar aos cofres públicos R$ 870 bilhões em dez anos, apenas com as mudanças nas regras do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da aposentadoria rural. O resto viria da reforma do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), isto é, dos regimes próprios dos servidores públicos”, relembra.

    O economista considera que, segundo cálculos do próprio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), as transferências de renda para os aposentados ou para os beneficiários da seguridade social têm um elevado efeito multiplicador da renda, “que varia de 0,53% a 1,74% a depender da metodologia e do estrato de renda do beneficiário, isto é, ao receberem seus benefícios, por serem em grande maioria famílias de baixa renda, gastam em um curtíssimo prazo o que receberam e, assim, dinamizam a demanda agregada via consumo”.

    Portanto, prossegue Manzano, é possível dizer que, “supondo um corte de 87 bilhões por ano no valor total dessas transferências, estaremos diminuindo a renda disponível das famílias pobres no mesmo montante, promovendo uma contração do consumo e consequentemente retirando cerca de um ponto percentual do PIB por ano”.

    “Com isso, dada que a chamada elasticidade emprego-produto (i.e., a quantidade de empregos gerados para cada ponto percentual de crescimento do PIB) tem oscilado em torno de 0,5 a 1,4, na melhor das hipóteses estaremos deixando de criar meio milhão de postos de trabalho em cada um destes 10 anos”, completa o economista

    Mais procura e menos vagas

    O estudo do economista também apontou que, caso a reforma proposta pelo governo seja aprovada, haverá mais gente no mercado procurando emprego e menos vagas disponíveis.

    “A questão é que se você retira renda das famílias mais pobres, estas famílias terão que buscar novas ocupações para suprir esse estrangulamento que será produzido pela reforma. Por exemplo, um filho que estava fazendo faculdade ou terminando o ensino médio, poderá ser pressionado a contribuir com a renda da família, fazendo um bico ou procurando um emprego. Da mesma forma, uma mãe ou um pai que estejam fora do mercado de trabalho para cuidar de um filho pequeno ou de um idoso acamado, vão tentar encontrar uma solução (pedir ajuda a outro filho, a um parente ou a um vizinho) para que possam voltar ao mercado de trabalho”, projeta.

    Em um contexto de contração do volume de postos de trabalho, esse aumento da demanda por empregos vai resultar em maiores taxas de desocupação e de subutilização da força de trabalho. “Em outras palavras, por um lado haverá menos emprego por conta da queda do consumo agregado e, por outro, haverá mais gente precisando trabalhar em razão da contração da renda familiar”.

    Avós e netos

    Outro efeito perverso da proposta do governo, segundo Manzano, é que a equipe econômica quer desobrigar as empresas que contratam pessoas aposentadas a contribuir para o FGTS, bem como da eventual multa de 40% no caso de demissão.

    “Na prática, o que o ministro da Economia está propondo é um sistema que tornará vantajoso às empresas contratar pessoas aposentadas, gerando um duplo efeito negativo: primeiro, vai novamente trazer mais gente para dentro do mercado de trabalho, aumentando a disputa por um dado volume de vagas de emprego. Segundo, os mais velhos, avós, já aposentados e com a vida ganha, poderão ‘roubar’ as vagas que poderiam ser ocupadas pelos seus filhos ou netos, que supostamente estão em um momento da vida em que a falta de uma renda mensal é muito mais grave e desestruturante”, completa Manzano.

  • As perspectivas para a economia brasileira não são nada boas. A recessão continua, a estimativa de crescimento é pífia e o desemprego não para de crescer. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país tem 13,1 milhões de pessoas de fora do mercado de trabalho. Mas, o que está ruim, pode piorar.

    Mesmo com o cenário de "terra arrasada", o governo federal insiste em tentar empurrar a reforma da Previdência, que acaba com o direito à aposentadoria do trabalhador. Se aprovada, a proposta vai agravar o quadro. A previsão é de que a economia nacional perca R$ 87 bilhões por ano e, ao menos, 5 milhões fiquem desempregados em 10 anos.

    O PIB (Produto Interno Bruto) deve cair em 1 ponto percentual. A informação não é para causar terror. Mas, para alertar. Pela PEC (Proposta de Emenda à Constituição), o trabalhador terá de contribuir por 40 anos ao INSS para ter direito ao valor integral da aposentadoria.

    Não é só isso, os benefícios previdenciários devem ser calculados sobre a média de 100% das contribuições, rebaixando ainda mais o valor final. O BPC (Benefício de Prestação Continuada) seria desvinculado do salário mínimo e não teria a correção monetária.

    Tudo isso, causaria impacto na renda das famílias brasileiras, prejudicando o mercado interno. A tendência é o cidadão reduzir o consumo ao máximo. Resultado: muitas empresas vão fechar as portas e milhões de pessoas demitidas. Para completar, um item da reforma desobriga as empresas a pagarem a multa de 40% em caso de demissão sem justa causa, facilitando os desligamentos.

    Com informações de bancariosbahia.org.br

  • Indicadores antecedentes revelados nesta quinta-feira (28) pelo IBGE mostram crescimento tímido no 1.º trimestre. Estagnação é o produto final da restauração neoliberal imposta pelo golpe de 2016, que agora está sendo aprofundada pelo governo da extrema direita.

    Depois de um ano fraco – o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% em 2018, a mesma expansão do ano anterior – os primeiros indicadores de 2019 já mostram que a economia brasileira segue com um ritmo ainda lento neste primeiro trimestre.

    A fraqueza atual da economia fica evidente pelos indicadores antecedentes já disponíveis da indústria e do comércio – aqueles que são utilizados para medir a "temperatura" da atividade. Por ora, esses números mostram apenas uma recuperação das perdas observadas no fim do ano passado ou um crescimento modesto; o que, na avaliação dos analistas, não indica uma atividade econômica em forte aceleração. Não se alcançou sequer as modestas taxas de crescimento do período anterior à recessão de 2015/2016, que subtraiu 7,4% do PIB e foi a maior da história.

    Indicadores

    O que revelam alguns indicadores antecedentes dessazonalizados, ou seja, sem os efeitos típicos de cada mês:

    A confiança do consumidor medida pela FGV subiu 3,9% em janeiro, mas caiu 0,5% em fevereiro;

    O fluxo de veículos leves e pesados nas estradas teve um desempenho tímido em janeiro e cresceu 1,2% e 1,8%, respectivamente, após ficar praticamente estável em dezembro;

    A produção de papel ondulado (usado pela indústria em embalagens, e por isso um indicador relevante da atividade econômica) avançou 1,1% em janeiro e não compensou a queda de 1,8% em dezembro;

    A venda de veículos teve alta de 2,9% em janeiro, recuperando pouco a queda de 2,7% de dezembro;

    A produção de veículos cresceu 2,7% em janeiro, depois de recuar 5% em dezembro.

    Os últimos números de 2018 já mostraram uma atividade lenta, sobretudo com a piora do setor industrial. Com essa herança lastimável, a maioria dos analistas passou a estimar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mais próximo de 2% neste ano, abaixo da estimativa inicial de alta de 3%. Como em 2017 e 2018 a tendência é de seguidas revisões para baixo das estimativas de expansão as atividades feitas no mercado.

    "Houve uma frustração da atividade econômica no fim do ano passado. A indústria de transformação, que já vinha perdendo gás, sofreu com a crise da Argentina", afirma Silvia Matos, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

    A Argentina - um dos principais parceiros comerciais do Brasil - enfrenta uma severa crise econômica, o que tem prejudicado a venda de produtos manufaturados brasileiros. No ano passado, o Brasil exportou US$ 14,951 bilhões para o país vizinho, abaixo dos US$ 17,618 bilhões apurados em 2017.

    A atividade econômica do primeiro trimestre também deve ser prejudicada por uma menor contribuição do agronegócio. Com um clima ruim, a safra atual deve ser menor do que a de anos anteriores. No último levantamento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou que a safra 2018/19 de soja vai chegar a 115,34 milhões de toneladas, 3,3% inferior ao produzido no ciclo de 2017/18.

    "Neste ano, dada essa redução, não vai haver o forte impulso do agronegócio no PIB do primeiro trimestre", afirma Artur Passos, economista do banco Itaú.

    Base Fraca

    Numa análise fria, as previsões para o PIB do primeiro trimestre até podem sugerir uma melhora da atividade na comparação com o quarto trimestre, quando o Brasil cresceu 0,1%. Para os três primeiros meses de 2019, bancos e consultorias estimam um avanço de até 0,8%, mas esse desempenho pode ser explicado mais pela fraca base de comparação do que por uma aceleração da economia.

    "Estamos com uma previsão de 0,8% (de crescimento no primeiro trimestre). Dá impressão de que está tudo bem, mas é que o quarto trimestre foi bem ruim, por isso esse número mais forte", afirma o economista-chefe da consultorias MB Associados, Sergio Vale.

    Neoliberalismo

    Os ideólogos neoliberais prometiam que as reformas promovidas pelos golpistas lideradas por Michel Temer iam despertar a confiança dos investidores e promover a retomada do crescimento e sobretudo do emprego. Mas não foi isto que ocorreu. A mudança da legislação trabalhista piorou o quadro do mercado de trabalho, ampliando a precarização, e não trouxe novos empregos.

    Já o novo regime fiscal, com congelamento dos gastos públicos primários por 20 anos, colocou lenha na fogueira da estagnação, deprimindo os investimentos públicos e inviabilizando uma retomada sustentável da produção. Mas o pensamento dominante, bombardeado diuturnamente pela mídia burguesa, sustenta que é preciso preservar neste caminho aberto pelos golpistas, de restauração neoliberal, alegando no momento que é indispensável realizar a reforma da Previdência, proposta sob medida para atender os interesses dos banqueiros e grandes capitalistas.

    Com informações do G1

  • O capitão-presidente confessa "não entender" de economia, que compara a um transatlânco, e diz que leva o Brasil à uma posição de direita.


    Por José Carlos Ruy*

    O mantra dos economistas neoliberais compara a administração da economia de uma nação à atividade de uma dona de casa que controla a economia do lar. Este é um mite repetido à exaustão em ambientes conservaores.

    Este mito é posto em xeque quando o presidente Jair Bolsonaro confessa, sem ruborizar, não entender de economia. 

    "Já falei que não entendia de economia?", disse ele a jornalistas que o questionavam sobre o péssimo desempenho do PIBdivulgado nesta quarta-feira (29) pelo IBGE, indicando que o Brasil entrou em recessão. O IBGE mostrou uma queda de 0,2% do PIB no primeiro trimestre de 2019.

    Em sua desfaçatez o capitão-presidente foi adiante e, numa referência escusa tentou culpar os governos do PT, em especial p da presidenta Dilma Roussef, pela diminuição do PIB, e reafirmou seu apoio ao contestado Paulo Guedes, ministro da Economia. "Quem entendia afundou o Brasil, eu confio 100% na economia do Paulo Guedes", disse. E voltou a defender o caminho que vai aprofundar ainda mais a crise econômica, aumentar a pobreza e destruir o mercado interno: a reforma da Previdência que, no momento, figura como carro-chefe de sua atuação no comando do país. Em que se sente - como se conclui das declarações que fez ao jornal argentino "La Nacion" - como o capitão de um navio em dificuldades. Mudar o rumo da economia "é como um transatlântico", disse. E reconheu estar "levando nossa economia para a centro-direita” - um eufemismo para descrever a flexão que seu governo tenta fazer para a direita.

    Há uma pergunta a fazer ao capitão-presidente: de que é que ele entende? Se não entende de economia, como é que se sente à vontade para propor e defender, enfaticamente, uma reforma da previdência que, se se tornar realidade, vai prejudicar a vida de milhões de brasileiros e favorece apenas um punhado de ricaços e de especuladores finaneiros? 

    Não se espera de um presidente da República que entenda, em detalhe, os mistérios da economia. Não é tarefa dele.

    O nome que os clássicos davam à ciência da produção e da distribuição dos bens era economia-política. Com razão - não era apenas o arremedo de matemática "distributiva" em que o conservadorismo transformou-a desde o final do século XIX. Incluia também as relações de poder - a política - entre os membros de uma sociedade, aplicadas na produção dos bens e na fixação da parte que cabe a cada um na distribuição. Continua sendo economia-política com este sentido que envolve a produção, a distribuição e a força da cada setor da sociedade para abocanhar um pedaço maior ou menor da riqueza produzida.

    Assim, espera-se de um presidente da República que, pode-se dizer, atue para regular estas relações políticas entre as várias forças sociais, impedindo que a ganância dos muitos ricos espolie os mais pobres. 

    Deste ponto de vista, se espera de um presidente que cumpra as leis e faça garantir os direios (sociais, políticos e econômicos) de todos. 

    Não é o que Bolsonaro sinaliza - ao contrário, mesmo sem "entender" de economia, sua opção, como homem do governo, é favorecer os muito ricos, brasileiros e estrangeiros, mesmo que à custa do empobrecimento dos brasileiros. 

    Na metáfora preferida dos neoliberais, é como se uma dona de casa desse mais comida e agasalhos para um filho, deixando os demais à míngua. 

     

     *José Carlos Ruy é jornalista, escritor e colunista do Portal Vermelho

  • O salário mínimo dos brasileiros poderia ser ainda menor sem a atual política de valorização, implantada em 2004 no governo Lula, como ressalta o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio. Atacado nessa terça-feira (26) pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, que vê o reajuste anual calculado a partir da variação do Produto Interno Bruto (PIB) e pela inflação do ano anterior como uma “punição” aos empresários, o salário mínimo poderia ser de R$ 573, ante o valor atual de R$ 998.
    “Há um aumento de R$ 425 decorrente da política de valorização do salário-mínimo, justamente esse aumento que o vice-presidente critica”, afirma o diretor técnico em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.
    Pela proposta de Mourão, a manutenção do valor básico aconteceria a partir da correção da inflação, a despeito do fato de o salário mínimo no Brasil ainda estar distante do valor considerado ideal, como indica o Dieese. De acordo com a entidade, o piso nacional deveria ser de R$ 3.960,57, valor estimado para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas.
    Clemente defende a manutenção da política de valorização como fundamental para que o salário mínimo cresça e esteja mais próximo do que garante a Constituição. "(A manutenção da política atual) faz a economia crescer, enfrenta as desigualdades, diminui as injustiças e faz com que a economia tenha uma dinâmica mais produtiva", pontua o especialista do Dieese, acrescentando que em abril, quando o governo deverá encaminhar as diretrizes para o orçamento da União de 2020, será possível saber se a intenção do governo de Jair Bolsonaro pela revisão se confirmará.
     
    Fonte: ctbminas.blogspot.com
  • Governo Jair Bolsonaro, que vem acumulando fracassos na área econômica, já está jogando para baixo as previsões da economia; segundo estimativas do mercado financeiro, o PIB tende a cair e registrar um desempenho negativo no primeiro trimestre, algo que não acontece desde o último trimestre de 2016, depois do golpe contra Dilma Roussef, quando o recuo foi de 0,6%; as previsões seguem-se às notícias sobre o fraco desempenho do PIB em fevereiro, que recuou 0,73% em fevereiro, e 13,1 milhões de desempregados

    Segundo dados do Banco Central, a queda do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) que funciona como uma prévia do PIB, em fevereiro foi a maior desde maio de 2016. Em janeiro, o IBC-Br havia registrado uma contração de 0,31%. Para os bancos Itaú Unibanco, Santander e Fator, estas projeções devem levar a uma queda no PIB do primeiro trimestre.

    Segundo análises do banco Fator, a queda deve chegar a 0,2% no trimestre quando em comparação com último trimestre do ano passado. O Itaú anunciou a revisão de suas projeções na última sexta-feira, de uma alta de 0,3% para uma queda de 0,1% - o que derrubou a projeção anual de crescimento de 2% para 1,3%. Já o Bradesco, avalia que a retração da economia ao longo do primeiro trimestre deste ano deve ser de 0,1%.

    Pessimismo generalizado

    De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, os analistas apontam que os principais sinais do fraco desempenho da economia estão no baixo consumo de energia, queda na confiança de empresários e investidores, menor uso da capacidade instalada das empresas, estagnação da indústria, estabilidade no consumo do varejo e queda na atividade do setor de serviços. Um cenário de pessimismo generalizado.

    O desempenho objetivo da economia vai na contramão das expectativas otimistas do governo e seus apoiadores e também significa a antítese do que preconizavam os neoliberais. Prometeram que o novo regime fiscal e a malfadada reforma trabalhista, ambos impostos pelo golpista Temer, iriam despertar a confiança dos investidores e estimular a criação de empregos. Mentiram e continuam mentindo em relação à Previdência.

    O congelamento dos gastos públicos primários resultou em cortes nos investimentos, o que contribuiu fortemente para a estagnação das atividades produtivas. Já a reforma trabalhista reduziu salários, impactando negativamente o mercado interno e a arrecadação de tributos, e aprofundou a precarização do mercado de trabalho. O desemprego não cedeu. Somado à subocupação, castiga mais de 27 milhões de brasileiros e brasileiras.

    O estado depressivo da economia é uma obra do golpe de 2016, que foi coroado com a eleição de Jair Bolsonaro. A orientação ultraliberal de Paulo Guedes tende a agravar o problema, sentido principalmente pela classe trabalhadora na forma do desemprego, subocupação e cortes de salários e direitos.

    O Brasil só vai conseguir sair do pântano com uma mudança radical da política econômica, resgatando a capacidade de investimentos e o protagonismo do Estado no desenvolvimento, valorizando o trabalho e colocando em primeiro plano a defesa dos interesses e da soberania nacional, ao contrário do capitão Bolsonaro, que se comporta como um peão de Donald Trump no xadrez da geopolítica regional e mundial ao mesmo tempo em que pratica uma política perversa contra o povo brasileiro.

    Com informações do 247