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Ter, Jun

Polícia Militar

  • Este foi um domingo (4) como poucos para a jovem democracia brasileira - da última vez que centenas de milhares saíram para gritar “Diretas Já!” pelas ruas de São Paulo, estavam também vivendo um regime de exceção, e igualmente temiam as agressões dos militares. Os 100 mil que caminharam entre a Av. Paulista e o Largo da Batata em 2016, no entanto, protestaram contra Temer a plenos pulmões, e exigiram uma nova eleição presidencial. Se impuseram diante de um governo que desconhece o conceito de cidadania.

    A dupla Temer-Alckmin havia “proibido” o protesto na quinta-feira (1), é bom lembrar. Temer chegou ao ponto de autorizar o uso das Forças Armadas contra quem ousasse chamá-lo de “golpista”, e Alckmin disponibilizou sua Tropa de Choque para garantir o silêncio. Em resposta, foram sumariamente ignorados pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que continuaram a organização do evento. Coube ao prefeito Fernando Haddad procurar o secretário de Segurança Pública do estado, Mágino Barbosa Filho, para lembrá-lo que um governo não tem o poder de proibir uma manifestação.

    O ato deste domingo em nada lembrou os cinco anteriores, que aconteceram em todos os dias da semana e foram classificados de “grupos pequenos de não mais que 40 a 100 vândalos” pelo presidente Temer. A começar porque as 100 mil pessoas presentes dizimaram aquela avaliação torpe, tanto em números, quanto em comportamento. Não houve qualquer tentativa de vandalização ou enfrentamento por parte dos manifestantes. A presença de famílias inteiras, com crianças de colo, idosos e até cachorros, deu um tom otimista ao evento.

    Entre as lideranças políticas, compareceram figuras como Eduardo Suplicy (ex-senador), Ivan Valente (deputado federal), Luiza Erundina (deputada federal), Alexandre Padilha (ex-ministro da Saúde de Dilma), Lindbergh Farias (senador pelo RJ), Guilherme Boulos (coordenador do MTST) e Adilson Araújo (presidente da CTB).

    “O ‘Fora Golpista’ passou a ser uma questão de sobrevivência. A classe trabalhadora, que luta por direitos sociais, precisa cumprir o seu papel nessa fase importante da luta política nacional”, explicou Araújo, em vídeo ao vivo (abaixo). “Vai ser muito importante levantar essa bandeira para fazer prevalecer as conquistas da classe trabalhadora. Nenhum direito a menos! Vamos juntos nessa luta, nessa caminhada!”, concluiu.

    Alcance nacional

    Muitas outras cidades aderiram aos protestos contra o golpe. Em Curitiba (PR), o quinto dia de luta levou 7 mil a gritarem o “Fora Temer” e pedir novas eleições, marcando uma contagem crescente de participantes. Ali, quem se destacou foi o movimento feminista, que conduziu a manifestação do início ao fim.

    Salvador (BA) também marcou um comparecimento relevante, com cerca de 5 mil pessoas, que andaram entre o Campo Grande e o Farol da Barra. A deputada federal Alice Portugal, candidata a prefeita da cidade pelo PCdoB, também participou do ato, e fez coro aos que lembravam dos 92% de desaprovação que Temer sofre entre os soteropolitanos.

    Já o Rio de Janeiro aproveitou o clima de resistência propício do Ocupa MinC para realizar uma caminhada até o Canecão, onde artistas resistem há mais de 100 dias contra Michel Temer. A marcha começou no início da tarde, perto das 13h, em frente ao Copacabana Palace, com cerca de 5 mil pessoas. A deputada federal e candidata à prefeitura Jandira Feghali foi uma das lideranças do ato, e fez um discurso enfatizando a necessidade de novas eleições diretas: “Neste momento, a única coisa que pode salvar o processo democrático é convocar uma eleição para a presidência da República", disse. Ela estava acompanhada por Marcelo Freixo, também candidato à prefeitura - um gesto de pluripartidarismo que não passou despercebido.

    Florianópolis teve participação também, mas na sexta-feira. 48 horas antes, mais de 13 mil pessoas atravessaram a cidade para gritar contra o golpe de Estado e exigir eleições.

    diretas ja 2016 florianopolis rio salvadorDa esquerda para a direita: Florianópolis, Rio de Janeiro, Salvador (Fotos: NINJA)

    Fora do Brasil, Paris e Nova Iorque tiveram concentrações relevantes, e Barcelona aproveitou o seu Dia do Brasil para denunciar a crise política. Em Nova Delhi, na Índia, o mesmo aconteceu durante o Brics Film Festival.

    Violência gratuita e baixaria da PM

    Infelizmente, a noite teve uma conclusão desagradável para quem chegou ao Largo da Batata, em São Paulo. Foram mais de 5 km de caminhada para chegar ali, por volta das 20h45. Apesar de terem sido provocados diversas vezes pela PM ao longo do trajeto, não houve um episódio sequer de violência entre os paulistanos. Os policiais chegaram a atravessar com o batalhão armado bem no meio da manifestação, e depois apagaram as luzes no túnel da Rebouças. Tudo o que conseguiram foi ouvir palavras de ordem ainda mais vibrantes. Já no Largo, os líderes das Frentes fizeram seus discursos de encerramento e pediram uma dispersão pacífica.

    Mas paz não era o que a PM queria, e o que seguiu foi um espetáculo de repressão arbitrária por parte da Tropa de Choque.

    Em poucos minutos, os tanques do Choque ocuparam o Largo e começaram a disparar canhões de água aleatoriamente. Os soldados primeiro fecharam o metrô Faria Lima para os manifestantes, e em seguida começaram a atirar balas de borracha e bombas de gás em todas as direções, causando pânico. Os ataques de gás acertaram inclusive o deputado federal Paulo Teixeira e Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia. 

    repressao largo da batataA Tropa de Choque atacou de forma completamente gratuita os manifestantes, enquanto se dispersavam. Feriram 12 pessoas (Foto: AFP)

    A atitude beligerante despertou reações violentas em alguns manifestantes, que foram então detidos por “vandalismo”. E novamente os brutamontes atacaram os jornalistas que registravam os excessos, incluindo um da rede britânica BBC.

    Questionado, o comandante da segurança, Henrique Motta, disse apenas que não controlava as ações do Choque. O Choque, por sua vez, respondeu que a corporação atendia um pedido do Metrô, que teria reportado ações de vandalismo na estação. A assessoria de imprensa do Metrô, no entanto, negou qualquer comunicação com a Polícia ou vandalismo registrado. Nesse jogo de empurra, as bombas continuaram a explodir.

    No final dessa baixaria, o Grupo de Apoio ao Protesto Popular (GAPP) confirmou ferimentos em 12 pessoas: 3 alvejados por balas de borracha, 4 atingidos por estilhaços de bomba, 5 com dificuldades respiratórias graves por conta do gás. Entre os últimos, estava um cadeirante, que entrou em estado de pânico e não conseguiu se empurrar para longe das explosões.

    Prisões arbitrárias, negação do direito de defesa

    Mais tarde, descobriu-se que a mesma PM apreendera sem qualquer razão alegada 27 jovens que estavam a caminho do ato, por volta das 16h30, e que manteve-os encarcerados por mais de 6 horas sem acusação formal. Negou-lhes também o acesso a advogados. O defensor público Marcelo Carneiro Novaes, barrado na tentativa de defendê-los, disse aos Jornalistas Livres: “Em 32 anos de advocacia, é a primeira vez que vejo um advogado não conseguir ingressar num prédio público onde são exercidas as atividades da polícia judiciaria”. Ele se declarou “espantado” com o comportamento da PM.

    O coronel Motta nega que a atitude tenha sido política: “Estava apenas fazendo o meu trabalho”. Para o sociólogo Sérgio Amadeu, no entanto, a PM paulista vem apresentando um perfil cada vez mais próximo de uma polícia política, aliada de Geraldo Alckmin. “Claramente, a polícia age de modo idêntico àquele que enfrentei no regime militar. Todavia, na época da ditadura, os advogados podiam falar com os presos. Vivemos um Estado de exceção”, analisou em seu perfil no Facebook.

    Talvez o maior dos mistérios, diante desse desastre de atuação da PM, tenha sido a imagem escolhida pela Globo News para ilustrar o confronto: uma vidraça quebrada em um estabelecimento na avenida Paulista. Assim a rede justificou o que a PM fez: em decorrência de uma ação isolada, há 5 quilômetros do local de confronto.

    Seria uma surpresa, se não fosse a mesma corporação que negou a existência das Diretas em 84.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Mais de 3 mil estudantes e docentes tomaram as ruas do centro da capital paranaense, Curitiba, neste domingo (9) contra a reforma do ensino médio (medida provisória 746/16) e as mudanças na legislação estadual propostas pelo governador Beto Richa (PSDB) (saiba mais aqui).

    “Os Trabalhadores e trabalhadoras da educação pública do estado saíram às ruas em apoio aos estudantes que já ocupam escolas contra essa reforma autoritária e elitistas do ensino médio”, dia Francisco Manoel de Assis França, o Professor Kico, da CTB-PR Educação.

    Camila Lanes convoca estudantes a ocuparem as escolas para defender a educação 

    A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes explica que a juventude se mobiliza em todo o país até “a MP 746 (reforma do ensino médio) ser retirada de pauta e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 241 engavetada definitivamente”.

    A União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) repudia também “as declarações do governador Beto Richa que desqualificam a luta dos estudantes e busca deslegitimar as ocupações, desconhecendo que as ocupações são uma reação à forma com a educação é tratada” pelo poder público.

    Manifestação dos secundaristas paranaenses no domingo em Curitiba  

    Lanes define os dois projetos do governo golpista como ataques aos direitos das filhas e filhos da classe trabalhadora. “Somos contra a MP 746 porque queremos participar das discussões sobre o nosso futuro e não queremos aprender somente a somar, subtrair e apertar botões. Queremos viver, amar e participar das decisões sobre o nosso país”.

    Por isso, diz ela, as mobilizações dos estudantes estão apenas no começo. “A tendência é crescer e passarmos de 150 escolas ocupadas em todo o país já neste fim de semana”. Até o momento já são 94 escolas ocupadas em alguns estados.

    A estudante Suany Scrassacata afirma ao G1 ser contra a retirada de sociologia, filosofia, artes e educação física do currículo escolar. “A gente está sofrendo um retrocesso. Tem escola pública fechada, por falta de estruturação. Nisso, ninguém trabalha, ninguém vê. Eles querem impor a escola sem partido, sem ao menos arrumar as nossas escolas. A estrutura das nossas escolas está caindo aos pedaços”.

    Já o professor Kico conta que os docentes, além de apoiarem essas bandeiras da juventude em defesa de uma educação pública inclusiva, estão contra o projeto do Executivo paranaense que corta verbas e salários dos servidores (leia mais aqui).

    Lanes conta ao Portal CTB que há escolas ocupadas no Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, São Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso. E crescendo porque a “PEC 241 é o principal mecanismo dos golpistas para acabar com os sonhos de uma geração inteira”.

    Tropa de choque ameaça jovens em São Paulo 

    Cercados pela tropa de choque da Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin, também do PSDB, os estudantes que ocupavam a Escola Estadual Caetano de Campos decidiram desocupar na noite do sábado (8).
    Mas “continuaremos firmes na mobilização para a resistência ao desmonte da educação pública”, afirma Emerson Santos, o Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes).

    E para piorar, os universitários paulistas prometem manifestação em São Paulo nesta terça-feira (11) porque o Ministério da Educação não está horando o compromisso com as universidades referente ao programa Financiamento Estudantil (Fies). A presidenta da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), Flávia Oliveira, disse à jornalistas Laís Gouveia que a situação preocupa. “Desde que Temer assumiu, a transferência não é feita para as universidades, e tem muitas delas que sobrevivem com 97% da sua arrecadação através do Fies, ou seja, se não há o pagamento, muitas instituições de ensino superior fecharão as portas. Na PUC São Paulo, por exemplo, o governo deve R$ 8 milhões em repasses e a reitoria transfere esse problema para os estudantes bolsistas, alegando que, se não houver o pagamento, os beneficiários terão que pagar suas mensalidades por conta própria”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Exército não põe fim à crise (Foto: Gabriel Lordelli/EFE)

    Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras no Espírito Santo (CTB-ES), Jonas Rodrigues de Paula, o caos que vive o estado é culpa de ajuste fiscal neoliberal. “O ajuste fiscal efetuado pelo governador Paulo Hartung (PMDB) é o principal causador dessas crise. O arrocho salarial e a recessão atingiram níveis insuportáveis. Ninguém aguenta mais essa situação".

    De acordo com De Paula, a mídia burguesa festejou muito o duro ajuste fiscal feito no estado e muitos o colocaram com exemplo para o país. “Já pensou essa violência em escala nacional?”, questiona o cetebista. “Não há força de segurança que segure”.

    Violência aumenta

    O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Guarapari, Walace Belmiro Fernaziari, mais conhecido como Barão, foi assassinado na madrugada desta quinta-feira (9) e já somam 101 assassinatos em seis dias de paralisação da Polícia Militar do estado, de acordo com o G1, o que dá mais do que 16 homicídios por dia, a maioria constituída de trabalhadores negros e pobres.

    Com o assassinato do Barão, o Sindicato dos Rodoviários da Grande Vitória determinou paralisação por tempo indeterminado no transporte na região, por falta de segurança. “A população, especialmente a mais pobre, continua refém da violência e o simples ato de sair para a rua está sendo perigoso”, diz Érika Piteres, secretária da Mulher, da CTB-ES.

    A partir desta quarta-feira à noite, o Exército enviou diversos blindados para a Grande Vitória. Mesmo assim, de acordo com informações da coordenadora do coletivo de Educação da CTB-ES, Josandra Rupf, a população continua refém dos traficantes que brigam por territórios.

    Segundo a imprensa local e dirigentes sindicais a situação continua muito tensa em muitos locais. O movimento liderado pelas mulheres dos policias resiste e tem o apoio de grande parte da população.

    A Mídia Ninja desafiando o medo saiu à rua de Vitória na madrugada desta quinta com um carro projetava nos prédios e nas casas a hashtag #VitóriaSemMedo. Sob o aplauso de muitas pessoas (veja o vídeo abaixo).

     

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Enquanto a Polícia Militar do Distrito Federal reprimia com violência mais de 3 mil indígenas que se manifestavam pacificamente em Brasília, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), finalmente concedia a liberdade a Luiz Batista Borges, preso arbitrariamente desde 14 de abril de 2016.

    Por unanimidade, a Câmara Criminal de Goiás decidiu a favor do habeas corpus de Borges. “Como não poderia deixar de ser, os juízes deram de goleada. O resultado foi 5 a 0 a favor do último preso político de Goiás”, afirma Ailma Maria de Oliveira, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Goiás (CTB-GO).

    “Dessa vez a justiça triunfou, ao menos temporariamente”, complementa. Isso porque Borges continua respondendo a processo sob a acusação de formação de quadrilha, entre outras acusações.

    De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Goiás, Borges ficou encarcerado por um ano, pelo simples fato de lutar pela transformação da Usina Santa Helena, uma das maiores devedoras da União, em assentamento da reforma agrária.

    O MST lembra também de Natalino de Jesus e Diessyka Lorena, “igualmente perseguidos no mesmo processo e que se encontram privados de sua plena liberdade”. Para Oilveira, Borges e os outros respondem a processo mesmo sem ter cometido crime, pois lutar não é crime”.

    Portal CTB

  • Ao se aproximar do desfile oficial do Dia da Independência, nesta quarta-feira (7), em São Luís, os manifestantes do Grito dos Excluídos, que neste ano adotaram o “Fora Temer” e a bandeira das Diretas Já contra o golpe parlamentar que afastou Dilma da Presidência, quase foram impedidos de continuar o percurso pela Polícia Militar.

    Os organizadores fizeram um vídeo sobre o entrevero, que foi superado após negociação com a PM e o protesto pôde continuar livremente. Como deve ser em qualquer democracia. e os centenas de militantes puderam realizar o protesto sem violência.

    Veja como a PM do Maranhão age com espírito democrático 

    Portal CTB

  • A Casa Fora do Eixo Amapá, centro de ativismo e cultura em Macapá e sede da Mídia NINJA no estado, foi atacada durante a noite de ontem (8) na realização do projeto Domingo na Casa, conhecido evento cultural da cidade.

    O público do evento e os moradores da Casa passaram por momentos de terror, com a invasão do espaço por diversos policiais fora do horário de serviço e também soldados fardados que apontaram armas, gritaram, agrediram com socos e chutes, ofenderam verbalmente, num verdadeiro linchamento moral contra as pessoas e o espaço, sem qualquer medida legal, sem mandado de busca ou qualquer prerrogativa jurídica para a ação.

    O motivo alegado para a truculência da PM foi de ter sido acionada para conter uma suposta "perturbação do sossego público”. A casa e todos seus cômodos foram revistadas minuciosamente, dos quartos ao porão, e nada foi encontrado.

    Um participante do evento foi detido, assim como o músico, articulador do Fora do Eixo no Amapá e produtor cultural Otto Ramos. Ambos foram conduzidos ao CIOSP (Centro Integrado de Operações e Segurança Pública) e permaneceram detidos em celas, seminus, por mais de uma hora, até a chegada do delegado para colher os depoimentos e a denúncias que serão formalizadas contra os envolvidos dentro dos marcos da lei e da garantia dos direitos constitucionais.

    Passadas as horas de terror, seguiram as atividades culturais.

    "A onda conservadora que assola o Brasil e o mundo autoriza a violência e normaliza casos como esses, em que a Polícia se sente no direito de invadir um espaço de resistência e atacar pessoas sem se preocupar com as consequências. Continuaremos na luta contra o autoritarismo, o abuso de poder e a força das armas. O Fora do Eixo e a Mídia NINJA reforçam seus valores pacíficos, a importância das ações culturais e engrossa o coro pela desmilitarização da polícia brasileira, uma das que mais mata e morre no mundo. Não vão nos intimidar", escreveu o Fora do Eixo.

    Da Mídia NINJA

  • Temer ouviu de novo uma sonora vaia em Maracanã lotado na abertura das Paralimpíadas Rio 2016

    O presidente golpista Michel Temer teve o que merece. No desfile militar em comemoração do Dia da Independência nesta quarta-feira (7), teve que ouvir “Fora Temer” na arquibancada em Brasília, logo pela manhã.

    Asssista o protesto durante o desfile militar na capital federal 

    A noite na abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, quando o presidente do Comitê Paralímpico Internacional, Philip Craven, anunciou o nome de Temer para declarar os jogos abertos, uma sonora vaia tomou conta do Maracanã, Temer falou mais rápido que o velocista jamaicano Usain Bolt.

    Segundo o instituto DataTemer não foi uma sonora vaia, foram alguns apupos. Confira! 

    As apresentadoras do programa "Saia Justa", do canal pago GNT criticaram a repressão policial à manifestação pelo "Fora Temer" e por Diretas Já no domingo (4) no Largo da Batata, em São Paulo. Elas denunciaram que existem diversos vídeos que comprovam a falácia dos argumentos utilizados pela Polícia Militar.

    Assista

    Texto da atriz Natália Rizzo diz tudo sobre a situação política do país. “Não se faz política sem discussão”, diz ela. A “ditadura morava nas nossas casas” e agora a “mídia nadando de braçadas, como quem não quer nada presidindo o país sem presidente”.

    Ouça a atriz Natália Siufi Rizzo declamando 

    E continua: “O país Estado ausente, pau mandado do exterior” porque “difícil é expulsar multinacionais” num país "onde preta e pobre é estuprada”. Por isso, complementa ela, é necessário “organizar outro mundo possível que tenha amores e fortaleça o público”.

    Veja Fábio Porchart 

    Já o ator gravou vídeo onde ironiza a figura do presidente sem votos. Diz que o “Temer tem mania de diminuir as coisas”, porque o golpista falou que só tinham 40 pessoas protestando contra ele nas ruas do país. “O mandato da Dilma ele diminuiu 2 anos”. Para o ator, “a versão do Temer de 'Ali Babá e os 40 ladrões' voltou Carandiru e Bangu 2”.

    Acompanhe também uma versão atualizada do Hino Nacional que prestitiga o "Fora Temer"

     

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro (CTB-RJ) manifesta, através da presente nota, seu total repúdio à prisão da liderança do MTST, Guilherme Boulos. A medida, tomada pelo governo tucano de Geral do Alckmin (PSDB), consiste em mais uma afronta ao livre direito de manifestação e aos direitos humanos promovida pelo governador.

    Nos solidarizamos com o MTST e com toda a Ocupação São Matheus, que resistiram bravamente à mais uma truculenta ação de reintegração de posse promovida pelo governo de São Paulo. Boulos foi preso ao fazer a mediação entre o movimento de ocupação e a ação do Estado. Sua prisão é totalmente arbitrária e ilegal e, demonstra, mais uma vez o grave estado de Exceção que vivemos.

    O Governo do Estado de São Paulo tem um grave histórico de abusos contra os movimentos sociais: foi assim contra os professores, foi assim contra os estudantes e, também é assim com os trabalhadores sem-teto. A prática do Governo de São Paulo é a de usar, sempre, da força contra os movimentos sociais e nós, da CTB-RJ, repudiamos esse método truculento.

    Em defesa de democracia e pelo livre direito de manifestação!

    Não à prisão, libertem imediatamente Guilherme Boulos.

    Ronaldo Leite
    Presidente da CTB-RJ
    17/01/2017

    Abaixo, a íntegra da nota do MTST sobre a prisão do companheiro Guilherme Boulos:

    Nota do MTST sobre o Despejo de 700 famílias da ocupação colonial e a injusta prisão de Guilherme Boulos

    No despertar da manhã de hoje, centenas de policiais do batalhão de choque da polícia militar de São Paulo cercaram o terreno onde mais de 700 famílias estão ocupadas a mais de um ano no Jd. Colonial, zona leste de São Paulo.

    Cerca de 3 mil pessoas: homens, mulheres, crianças, idosos, deficientes que foram jogados na rua por uma decisão judicial que considerou apenas os interesses do proprietário de um latifúndio urbano que só servira antes das pessoas morarem ali para especulação imobiliária..

    A todo o momento, o MTST procurou alternativas para evitar o despejo, evitando assim um massacre de pessoas pobres que nada mais estavam que lutando pelo direito constitucional da moradia.

    Infelizmente, nossos esforços foram em vão e a PM de Alckmin levou a frente uma ação desumana contra as famílias da ocupação Colonial.

    Sem respostas favoráveis do poder público e do judiciário, os moradores se viram sem alternativas e partiram para a resistência a ordem de despejo

    Mesmo a ocupação Colonial não sendo uma ocupação do MTST, o companheiro Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST, acompanhou o processo desde o início a convite dos representantes da ocupação Colonial, na tentativa de encontrar um desfecho favorável para as famílias da ocupação.
    No entanto, a PM de Alckmin, de forma autoritária, resolver prender o companheiro Guilherme Boulos sob a acusação de desobediência civil e por participar e organizar manifestações contra as medidas de retirada de direitos do governo ilegítimo de Michel Temer.

    A prisão do Guilherme Boulos, assim como o despejo das famílias da ocupação Colonial são uma demonstração do modus operandi político criminalizatório em voga contra os movimentos sociais, contra os pobres, contra os direitos sociais e os serviços públicos.
    Um verdadeiro absurdo, uma vez que Guilherme Boulos esteve o tempo todo procurando uma mediação para o conflito.
    Neste momento, o companheiro Guilherme continua detido no 49ª DP de São Mateus.

    Não aceitaremos calados que além de massacrarem o povo da ocupação Colonial, jogando-os nas ruas, ainda queiram prender aqueles que tentaram ajuda-los.

    Continuaremos acompanhando as famílias e lutando contra esse despejo injusto.

    Movimento dos Trabalhadores Sem Teto

    Da CTB-RJ

  • A canção “Chapa” de autoria do rapper paulistano Emicida ganha clipe com a participação das Mães de Maio e viraliza na internet.

    O rapper conta ao Ponta Jornalismo que “os trabalhadores têm que agir, mano. Esse estalo, eu tive quando aquele moleque de 17 anos tomou um tiro de um policial, no Jardim Brasil, e ainda teve forças pra perguntar por que o cara tinha atirado nele” (leia a entrevista completa aqui).

    Ele se refere ao adolescente Douglas Rodrigues, morto por um PM em 2013, sem ter esboçado nenhuma reação à abordagem policial. Fato muito comum na periferia de São Paulo. Por isso, o clipe também apresenta dados da violência policial.

    Participam do vídeo cinco mulheres que contam suas histórias.  “Você vê, né, mano, a história dos filhos dessas senhoras é parecida. Parece que, se você não souber, é uma história só. Saiu de casa, foi abordado e… [faz sinal de tiro com as mãos]”, diz ele.

    O movimento Mães de Maio foi criado em 2006. Porque entre os dias 12 e 21 de maio houve ação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a PM saiu às ruas e matou 564 pessoas. A falta de solução para essa chacina de “suspeitos”, deu origem ao movimento (saiba mais pelo Facebook do grupo aqui)

    crimes de maio 1

    “O Mães de Maio é um movimento de mulheres donas de casas, mas que aprendeu, ao longo desses anos, a trabalhar com esse sistema. E quando as donas de casa saem de suas casas e começam a militar perante o Brasil, acabam ultrapassando as fronteiras. O nosso grito é um grito que tem que ecoar porque nosso país é um país omisso”, Débora Maria Silva, fundadora do movimento.

    Chapa é um menino morto pela polícia. Os dados apresentados pelo vídeo são tão fortes quanto a letra da música. Em 10 anos, a PM paulista matou quase 12.000 jovens, na maioria absoluta negros, pobres, moradores da periferia, desarmados e sem passagem pela polícia.

    Assista o clipe 

    Chapa (Emicida)

    Chapa, desde que cê sumiu

    Todo dia alguém pergunta de você

    Onde ele foi? Mudou? Morreu? Casou?

    Tá preso, se internou, é memo? Por quê?

    Chapa, ontem o sol nem surgiu, sua mãe chora

    Não dá pra esquecer que a dor vem sem boi

    Sentiu, lutou, ei "Jhow" ilesa nada,

    Ela ainda tá presa na de que ainda vai te ver

    Chapa, sua mina sorriu, mas era sonho

    Quando viu, acordou deprê

    Levou seu nome pro pastor, rezou.

    Buscou em tudo, Face, Google, IML, DP

    (E nada)

    Chapa, dá um salve lá no povo

    Te ver de novo faz eles reviver

    Os pivetin' na rua diz assim:

    Ei tio, e aquele zica lá que aqui ria com nóiz, cadê?

    Chapa pode pá, to feliz de te trombar

    Da hora, mas deixa eu fala prucê

    Isso não se faz, se engana ao crê

    Que ninguém te ame e lá

    Todo mundo temendo o pior acontecer

    Chapa, então fica assim, jura pra mim que foi

    E que agora tudo vai se resolver

    Já serve, e eu volto com o meu peito leve

    Até breve, eu quero ver sua família feliz no rolê

    Mal posso esperar o dia de ver você

    Voltando pra gente

    Só voz avisar o quanto ama-te

    Você de um riso contente

    Vai ser tão bom, tipo São João

    Vai ser tão bom, que nem reveillon

    Vai ser tão bom, Cosme e Damião

    Vai ser tão bom, bom, bom

    Chapa, desde que cê sumiu

    Todo dia alguém pergunta de você

    Onde ele foi? Mudou? Morreu? Casou?

    Tá preso, se internou, é memo? Por quê?

    Chapa, ontem o sol nem surgiu, sua mãe chora

    Não da pra esquecer que a dor vem sem boi

    Sentiu, lutou, ei "Jhow" ilesa, nada

    Ela ainda tá presa na de que ainda vai te ver

    Chapa, sua mina sorriu, mas era sonho

    Quando viu, acordou deprê

    Levou seu nome pro pastor, rezou.

    Buscou em tudo, Face, Google, IML, DP

    (E nada)

    Chapa, dá um salve lá no povo

    Te ver de novo faz eles reviver

    Os pivetin' na rua diz assim:

    Ei tio, e aquele zica lá que aqui ria com nóiz, cadê?

    Chapa pode pá, to feliz de te trombar

    Da hora, mas deixa eu fala prucê

    Isso não se faz, se engana ao crê

    Que ninguém te ame e lá

    Todo mundo temendo o pior acontecer

    Chapa, então fica assim, jura pra mim que foi

    E que agora tudo vai se resolver

    (Vô menti prucê não mano

    Às vez eu acho de bobeira um retrato lá em casa

    Olho não aguenta não, enche de água)

    Mal posso esperar o dia de ver você

    Voltando pra gente

    Só voz avisar o quanto ama-te

    Você de um riso contente

    Vai ser tão bom, tipo São João

    Vai ser tão bom, que nem reveillon

    Vai ser tão bom, Cosme e Damião

    Vai ser tão bom, bom, bom

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Movimentos sociais, partidos políticos, centrais sindicais e movimento estudantil repudiam a excessiva violência da Polícia Militar do Distrito Federal, sob as ordens do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) contra os manifestantes desta terça-feira (29), em Brasília, contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que congela o orçamento da educação e saúde públicas por 20 anos.

    No vídeo do Mídia Ninja, cinco policiais armados espancam um rapaz, inclusive já imobilizado. O policial grita com parlamentares que o comandante da operação está madando avançar sobre os manifestantes (assista abaixo).  

    Os Jornalistas Livres mostram depoimentos de jovens, no qual uma menina do Oiapoque, no Amapá reclama que “hoje, infelizmente, fomos tratados como marginais” por uma polícia totalmente despreparada. Mas “nós estamos reivindicando inclusive os próprios direitos deles", finaliza. Em outro vídeo a violência policial fica patente (assista a seguir os dois vídeos). 

     

    “Fomos duramente reprimidos sem nenhuma justificativa”, diz Carina Vitral, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE). “Quem está aqui hoje são estudantes de todo Brasil, pais de família, crianças, gente que não pode se defender”.

    Vitral denuncia a tamanha covardia como a de hoje, jogar tantas bombas em pessoas que protestavam pacificamente”. Já Ana Júlia Ribeiro acredita que a PM do DF se mostrou totalmente despreparada.

    “A polícia agiu de forma despreparada e desproporcional. Haviam vários grupos de estudantes de diversos estados do país, estudantes que viajaram durante horas para se manifestar democraticamente e pacificamente”, diz ela.

    A estudante paranaense, ao contrário do que noticiou a mídia comercial, afirma que “os próprios estudantes além de ter ajudado a socorrer os manifestantes tentaram fazer com que algumas pessoas se acalmassem para não depredar o patrimônio público".

    Ela argumenta ainda que "não sabemos se essas pessoas fazem parte de algum grupo radical ou se estavam infiltradas", por isso, "insistimos que o movimento estudantil é um movimento pacífico e democrático”.

    A secretária da Mulher da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio de Janeiro (CTB-RJ), Kátia Branco conta que o aparato policial transformou Brasília numa praça de guerra. “Estava tudo ocorrendo com muita tranquilidade até que os policiais partiram para cima dos manifestantes e de maneira ostensiva, aí a correria foi geral”, denuncia.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Isabella Lanave

  • "O prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde o juiz Sergio Moro é professor, em Curitiba, foi ocupado na noite desta quinta-feira (3) pelos estudantes em protesto contra a PEC 55/241, que congela investimentos por 20 anos, e a MP 746 que reforma o ensino médio no país", informa o Blog do Esmael.

    Veja como foi a ocupação 

    O estudante Célio disse que ocuparam o prédio hisórico da UFPR, justamente para fortalecer "o movimento de ocupações contra o desastre que significa a PEC 55 (ex 241) para as áreas sociais no país, principalmente porque acaba com a educação pública e visa a privatização do ensino médio e superior". Para ele, é importante "aglutinar forças para o dia nacional de paralisações que ocorrerá na sexta-feira (11) em todo o país".

    Governo paulista e a PEC da Morte

    A repressão aos estudantes continua intensa. A Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin levou para a delegacia estudantes e jornalistas que ocupavam o Centro Paula Souza, sem mandado judicial. O Mídia Ninja produziu um vídeo onde os detidos fizeram um jogral para dizer que “há anos não vemos estudantes, jornalistas e manifestantes sendo presos sem mandato. De maneira truculenta e contra qualquer tipo de legalidade constitucional. A ditadura Temer está se instalando e a forma como Geraldo Alckmin tratou os estudantes na noite de hoje é a maior prova disso.Não adianta nos reprimir, não adianta nos prender, muitos morreram pelo livre direito de manifestação, e nós seguiremos resistindo!”.

    Assista 

    O Estado de Exceção avança contra a juventude que resiste. O número de escolas ocupadas cresce dia a dia. Até o momento já são 167 universidades públicas ocupadas, de acordo com a União Nacional dos Estudantes e mais de 1.200 escolas também ocupadas em todo o país.

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    Contra PEC da Morte, estudantes dão aula, mas os governantes não aprendem nada

    Portal CTB

  • Milhares de estudantes secundaristas se concentraram no vão livre do Masp, na avenida Paulista, em São Paulo, nesta segunda-feira (26), a partir das 17 horas contra a Medida Provisória 746, conhecida como Lei Alexandre Frota (precisa falar mais?) que propõe uma reforma do ensino médio (leia mais aqui).

    "Acabou a paz. Mexer com estudante é mexer com Satanás. Olha o capeta!", gritam os secundaristas, diz a Mídia Ninja. Os estudantes reclamam que nenhuma entidade do movimento educacional foi consultada sobre essa reforma, além de que ela representa o fim da educação pública (veja mais aqui).

    De acordo com os Jornalistas Livres a “reforma” do ensino médio representa um golpe na educação para os secundaristas, que acreditam numa educação democrática. "O governo Temer não nos representa. Suas propostas não nos representam! O governo ilegítimo de Michel Temer não reflete nem representa a juventude".

    Assista vídeo dos Jornalistas Livres 

    Com forte presença da Polícia Militar os estudantes saíram em passeata saiu pela Paulista rumo à sede do PMDB na avenida Brigadeiro Luís Antônio, “aos gritos de ‘Trabalhador, preste atenção: a nossa luta é pela educação’", diz a Mídia Ninja.

    Inclusive o Senado está com uma consulta pública sobre a MP 746 (vote aqui), na qual até o momento votaram a favor 2.033 e contra 44.343, vote contra você também. A pesquisadora Anna Helena Altenfelder, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, questiona em reportagem da revista Carta Escola, a “flexibilidade” nos últimos anos para os alunos decidirem o que pretendem estudar, de acordo com a MP.

    “Será uma escolha por aptidão e interesse ou será o que chamamos de uma ‘escolha forçada’, dada pelas circunstâncias e as condições sociais dos estudantes? Porque a realidade das redes não permite que todos os jovens tenham a mesma condição de escolher”, alerta.

    Portal CTB. Foto: Mídia Ninja

  • A estudante Ana Júlia Ribeiro levantou esta suspeita em seu depoimento ao Portal CTB em reportagem publicada nesta quarta-feira (30). "Não sabemos se essas pessoas fazem parte de algum grupo radical ou se estavam infiltradas", disse ela sobre supostos manifestantes atirando objetos contra a Polícia Militar. Por isso, "insistimos que o movimento estudantil é um movimento pacífico e democrático” (leia mais aqui), concluiu a secundarista de 16 anos.

    Nesta quinta-feira (1º), os Jornalistas Livres publicaram imagens que fazem aumentar as suspeitas. Com o título “Estranho, muito estranho”, o grupo divulga uma sequência de fotos onde se vê “um grupo separado da manifestação jogando um coquetel molotov na direção da PM. Esta, por sua vez, atira bombas de gás nos estudantes que estão do outro lado do gramado em frente ao Congresso”, escreve o fotógrafo Lula Marques para os Jornalistas Livres.

    Assista e comprove 

    Depois do caso do capitão do Exército Willian Pina Botelho, flagrado como agente infiltrado em manifestações em São Paulo pedindo “Fora Temer”, há que se analisar bem essas imagens. Elas são estranhas, muito estranhas e a suspeita da estudante paranaense permanece.

    A sociedade tem o direito de saber se as manifestações contra o governo estão sendo monitoradas com infiltrados, como ocorria na época da ditadura civil-militar (1964-1985). Por tudo o que se vê, torna-se mais fundamental ainda a campanha por novas eleições Diretas Já.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Mídia Ninja

  • Colégio Santa Felicidade, de Curitiba, onde o corpo do menino foi encontrado

    Educadores afirmam que a população do Paraná ficou chocada com a notícia da morte de Lucas Eduardo Araújo Mota, 16 anos, nas dependências do Colégio Santa Felicidade em Curitiba, nesta segunda-feira (24). O governador Beto Richa (PSDB) não perdeu tempo em criminalizar as ocupações.

    “A ocupação de escolas no Paraná ultrapassou os limites do bom senso e não encontra amparo na razão, pois o diálogo sobre a reforma do ensino médio está aberto, como bem sabem todos os envolvidos nessa questão”, divulgou Richa em sua nota de pesar. O que fica patente é exatamente o contrário.

    O fato mostra a falta de segurança pública no estado e que a polícia é despreparada para lidar democraticamente com a população.

    O grupo Jornalistas Livres denuncia terror no colégio onde Lucas foi encontrado 

    Ao que prontamente os movimentos sociais responderam. A APP-Sindicato dos Professores do Estado do Paraná lamentou a criminalização dos movimentos de maneira tão torpe. “Infelizmente neste momento triste, surgem tentativas de criminalização do movimento legítimo dos estudantes e vinculação do sindicato ao episódio. A APP-Sindicato repudia tais ações. Assim como a sociedade paranaense, esperamos a apuração do caso pelos órgãos competentes”.

    Nesta terça-feira (25), a Polícia Militar do estado apreendeu um adolescente de 17 anos que confessou o crime. De acordo com o secretário de Segurança Pública, Wagner Mesquita os jovens consumiram droga e se desentenderam. O jovem morto tentou se refugiar na escola onde foi assassinado. O Ministério Público do Paraná passou a acompanhar as investigações.

    O Ocupa Paraná divulgou nota repudiando a criminalização das ocupações de escolas contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 e a reforma do ensino médio. “Apesar das diversas correntes de ódio que tomaram conta do estado no dia de hoje, nós do movimento Ocupa Paraná não queremos e nem vamos culpabilizar ninguém pelo acontecido. Neste momento queremos apenas prestar solidariedade à família de Lucas, família que perde um dos seus para o ódio, para a intolerância e para a violência”.

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    A PEC 241 e a reforma do ensino médio destroem os sonhos de uma geração inteira

    Em defesa da educação, milhares de estudantes fazem manifestações pelo Brasil afora

    As entidades máximas do movimento estudantil também rechaçaram a utilização política da fatalidade. “É importante destacar que as manifestações com ocupações de escolas se iniciaram em todo o país há mais de um mês contra a proposta de Medida Provisória 746 e a Proposta de Emenda Constitucional 241 e, desde o início, são pacíficas e abertas diálogo. Os estudantes se organizam, votam em assembleia, dividem-se em grupos de trabalho e mantém a ordem e a limpeza dentro das instituições”, diz trecho do texto assinado pela União Nacional dos Estudantes, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e Associação Nacional dos Pós-graduandos.

    Os Advogados e Advogadas pela Democracia reclamaram de que foram impedidos pela Polícia Civil de acompanhar os depoimentos prestados pelos adolescentes. Depois de muita reclamação conseguiram entrar na escola onde ocorreu o crime.

    A advogada Tania Mandarino conseguiu entrar na escola e conversou com 12 alunos, que relataram a ocorrência de uma briga no colégio e que o suposto agressor/assassino seria um jovem que não teria relação com o colégio e seus alunos. "Tudo indica que o ódio contra as ocupações funcionou: temos um cadáver", diz.

    “Mas a tragédia não parou o movimento, nem colocou a sociedade paranaense contra o movimento das ocupações de escolas para defender a educação pública”, diz a estudante Arizla Nathally Fernandes de Oliveira, de Quatro Barras, interior do estado.

    Tanto que ocorre na quarta-feira (26), às 8h da manhã, na capital Curitiba, a Assembleia Estadual das Escolas Ocupadas para avaliar e decidir os novos rumos do movimento.

    Profissionais da educação

    Integrantes do núcleo Educação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Paraná (CTB-PR) informam que ocorre uma reunião da comissão dirigente da greve nesta terça-feira (25).

    ASSEMBLEIA DOS PROFESSORES BRUNNO COVELLO 4

    “A APP-Sindicato analisa as medidas cabíveis contra o posicionamento do governador Richa, que criminaliza a greve e se recusa ao diálogo”, afirma Francisco Manoel de Assis França, conhecido como professor Kico.

    Assista entrevista com dirigente da APP-Sindicato para a TV Tarobá, de Cascavel 

    De acordo com o educador de Curitiba, a paralisação atinge cerca de 70% da categoria e a “intransigência do governo faz o movimento crescer mais rapidamente. Estamos parados contra o calote que sofremos, contra a PEC 241 e contra os desmandos do governo estadual”, diz.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O fotógrafo Sérgio Silva levou um tiro de bala de borracha trabalhando na cobertura de um protesto em 13 de junho de 2013 na capital paulista. Ele perdeu o olho esquerdo e entrou com uma ação na Justiça por indenização.

    Nesse dia outros 15 jornalistas também foram feridos na repressão policial. Mas o comandante Benedito Meira achou que os ferimentos em jornalistas aconteceram por causa dos “riscos da profissão” e julgou a ação da Polícia Militar normal.

    O juiz Olavo Zampol Júnior, da 10ª Vara da Fazenda Pública, foi ainda mais longe. Para ele, “ao se colocar entre os manifestantes e a polícia, permanecendo em linha de tiro” ele "assumiu o risco de ser alvejado por alguns dos grupos em confronto (polícia e manifestantes)”.

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    Para o secretário  de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Carlos Rogério Nunes, essa é “mais uma decisão equivocada da Justiça, porque o fotógrafo estava trabalhando, além de que a PM foi truculenta na ação”.

    Era uma das manifestações do que ficou conhecido como  a Jornada de Junho, contra o aumento das tarifas no transporte público. Na repressão policial foram usadas balas de borracha contra os manifestantes, além de spray de pimenta e gás de efeito moral.

    A partir do acidente, Silva tornou-se ativista de campanhas contra a violência policial. Chegou a entregar uma petição ao secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira pedindo a proibição do uso de bombas de efeito moral e balas de borracha em manifestações.

    Inclusive a Anistia Internacional já cobrou da Justiça o reparo ao fotógrafo, que deve recorrer da decisão da primeira instância. "A Justiça não pode agir às cegas, tem que compreender a natureza do trabalho jornalístico e manifestações pacíficas não podem ser reprimidas numa democracia", conclui Nunes.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com agências

  • Representantes dos movimentos sociais, entre eles a CTB, acompanhados pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP), concederam uma coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (5), no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, para denunciar a ação truculenta da polícia militar (PM) contra manifestantes e jornalistas desde que o governo Temer Golpista assumiu o comando do país.

    Os parlamentares, que participaram do ato contra o golpe realizado no domingo (4) e que reuniu mais de 100 mil, mostraram sua indignação com a ação violenta da polícia que partiu para cima da população que protestava pacificamente já no fim do percurso, no Largo da Batata, disparando bombas. O ex-ministro Roberto Amaral chegou a ser atingido no braço por estilhaços.

    “Queremos proteção da polícia e o direito à manifestação do pensamento”, expressou Teixeira. O secretário de Políticas Sociais da CTB e integrante da frente Povo Sem Medo, Rogério Nunes, concorda: “É injustificável que o governador do Estado [Geraldo Alckmin] em consonância com o Ministro da Justiça [Alexandre de Moraes] aja com violência contra a população. Reiteramos nossa indignação”, expressou o sindicalista.

    Na oportunidade, Lindbergh informou que entrará com uma representação na Organização dos Estados Americanos (OEA) contra a atuação da PM. Ele ainda lembrou da violência contra os profissionais da comunicação. O fotógrafo Sérgio Silva ficou cego após ser atingido por uma bala de borrachadurante protesto do Passe Livre em 2013 e foi considerado culpado por estar na linha de tiro. “Temos que falar para o Brasil e para o mundo que os jornalistas também estão sendo vítimas. Isso não é normal”, disse.

    Outra denúncia realizada durante a coletiva foi da prisão de 26 jovens, antes da manifestação de domingo começar, sob a acusação de que “pretendiam praticar atos de violência” por portarem gazes, curativos, vinagre e máscaras de proteção eles foram encaminhados ao Deic (Departamento De Investigações Sobre Crime Organizado).

    O ex-senador Eduardo Suplicy leu uma carta assinada por ele e mais dois parlamentares e enviada ao governador e ao secretário de segurança do estado na qual afirma: “Consideramos um exagero a conclusão dos delegados de que aqueles jovens iriam participar de ações violentas no protesto (...) pois a manifestação foi inteiramente pacífica e aqueles jovens nos asseguraram que se tivessem a oportunidade de participar da manifestação também teriam agido pacificamente”, diz o documento.

    Os adultos detidos participam, nesta segunda (5), de uma audiência de custódia no Fórum da Barra Funda e os adolescentes no Fórum da Infância e Juventude do Brás. Os próximos atos organizados pelas frentes Brasil Popular (FBP) e Povo Sem Medo (FPSM) ocorrerão nos dias 7 e 8 de setembro. “Vamos dar uma aula de democracia para esse governo ilegítimo”, afirmou Edson Carneiro Índio, que também representou a FPSM. Lideranças da FBP reforçaram a convocatória para os próximos atos. 

    Érika Ceconi - Portal CTB 

  • As mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fazem protesto pelo país afora contra o projeto de privatização da água em curso no país. Na manhã desta terça-feira (20), 600 mulheres, de acordo com o MST, ocuparam a sede da Nestlé em São Lourenço (MG).

    Elas acusam a Polícia Militar (PM) de ter apreendido as chaves de nove veículos e de ter mantido as mulheres trancadas nos ônibus. “Imagina você ser obrigada a comprar em garrafinhas toda a água para matar a sede durante o dia. Ninguém aguentaria isso. É o que querem as empresas reunidas nesse momento naquele Fórum”, aponta Maria Gomes de Oliveira, da direção do MST.

    Ela se refere ao Fórum Mundial da Água, das grandes corporações que querem dominar as águas do planeta, que ocorre em Brasília. Na capital federal acontece também o Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama 2018), que faz contraponto ao Fórum dos empresários, com a participação de entidades do mundo inteiro que entendem a água como um direito da humanidade (leia mais aqui).

    Veja as mulheres sendo liberadas pela PM  

    Segundo o blog Vi o Mundo, “os policiais apreenderam as chaves dos ônibus e mantiveram as 600 mulheres presas dentro dos veículos por cerca de 1 hora. Eles insistiam em revistar e fichar todas. Também proibiram fotos e vídeos, ameaçando pegar os celulares”.

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    Contra privatização, mulheres realizam ocupação em Minas Gerais e Bahia

    Frente Nacional de Saneamento está de volta

    Também pela manhã, cerca de 2 mil mulheres sem-terra ocuparam a sede da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), no município de Paulo Afonso (BA). Informações do MST garantem que a PM “invadiu um dos portões da empresa e, sem diálogo, jogou bombas de gás lacrimogênio contra as manifestantes. Duas mulheres ficaram feridas e outras passaram mal devido ao efeito do gás”.

    Também houve ocupação em Canindé de São Francisco (SE), onde 300 mulheres sem-terra ocupam a portaria da Usina de Xingó desde o início da manhã. “Elas cobram uma reunião com a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para tratar da questão do perímetro irrigado da região”, destaca o Portal Fama2018.

    O Fama 2018 começou no sábado (17) e termina na quinta-feira (22) - Dia Mundial da Água. José Mairton Barreto, diretor de Saneamento e Meio Ambiente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema-SP) afirma que “a água não pode ser tratada como fonte de renda porque é vital para a humanidade continuar existindo e não pode ser propriedade de alguns grupos econômicos”.

    Portal CTB com Portal Fama2018 e MST

  • Ana Júlia diz o que os progressistas gostariam e os conservadores não querem ouvir

    A estudante que empolgou as cabeças progressistas do país com seu discurso em defesa das ocupações de escolas no Paraná, Ana Júlia Ribeiro, mais uma vez fala o que todos os defensores de uma educação pública de qualidade gostariam e os conservadores precisam ouvir, desta vez em audiência pública sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 (ex-PEC 241), no Senado Federal.

    Com a história na mão

    Ela afirma que as ações dos estudantes são vistas como “baderna”, mas que na verdade é pela educação pública.  Diz ainda ser a favor de mudanças na educação, mas que a sociedade possa debater, que o movimento estudantil possa participar. “Estamos lá porque acreditamos no Brasil”.

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    “As mãos de vocês estão sujas com o sangue do Lucas”, diz estudante aos deputados paranaenses

    No final, ela falou contra a onda de repressão, que se espalha pelo país, aos ocupantes de escolas e afirma que “estamos lá na paz”. A menina de 16 anos afirma com firmeza que “vamos desenvolver métodos de desobediência civil, nós vamos levar a luta estudantil para frente, nós vamos mostrar que não estamos aqui de brincadeira, e que o Brasil vai ser um país de todos”. Para ela, quem votar a favor da PEC do Fim do Mundo estará com as “mãos sujas por 20 anos” (acompanhe abaixo a fala da estudante).

     

    Na contramão

    Conservadores agem à revelia do Estado Democrático de Direito. Em diversos estados a repressão ao movimento dos secundaristas contra a PEC 55 e a reforma do ensino médio, mostra a verdadeira face do governo golpista contra a democracia, a inteligência e o bom senso.

    O juiz Alex Costa de Oliveira, da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios chegou ao absurdo de autorizar o uso de técnicas de tortura contra estudantes.

    "Autorizo expressamente que a Polícia Militar utilize meio de restrição à habitabilidade do imóvel, tal como, suspenda o corte do fornecimento de água; energia e gás (...) restrinja o acesso de terceiro, em especial parentes e conhecidos dos ocupantes", determina.

    Em seu ofício (veja foto abaixo), o juiz autoriza o corte de água, luz e gás das unidades de ensino, além de impedir o acesso de familiares e amigos. Autorizou inclusive a utilização de "instrumentos sonoros contínuos, direcionados ao local da ocupação, para impedir o período de sono".

    juiz autoriza tortura estudantes df

    Sem intimidar-se, centenas de estudantes do DF, ocuparam a reitoria da Universidade de Brasília (UnB), no campus Plano Piloto, na noite desta segunda-feira (31) para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 (ex-241), que congela os investimentos em educação e saúde por 20 anos. Aos gritos de "recua, direita recua. É o poder popular que tá na rua" (veja vídeo abaixo).

    Jovens algemados como criminosos

    Mesmo sem autorização judicial, na quinta-feira (27), chamada pela direção da escola, a Polícia Militar invadiu a Polícia Militar, em Miracema, interior do Tocantins, e deteve estudantes. Como se fossem bandidos, os jovens foram algemados e levados para a delegacia da cidade. No dia seguinte, a Justiça determinou a liberação de todos.

    estudantes algemados tocantins

    Estudantes de Tocantins foram presos e algemados (reprodução / Facebook / Gleisi Hoffmann)

    No Paraná, estado com o maior número de escolas ocupadas, grupos fascistas, liderados pelo Movimento Brasil Livre (MBL) agem com violência tentando desocupar a escolas. Eles atacam “as escolas com pedras, com ameaças", diz Camila Lanes, presidenta da união Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

    Pelo país, “a gente vê casos como o atropelamento de um estudante em um ato; a gente vê casos, como na Bahia, de agressões físicas e ameaças feitas por membros desse movimento contra estudantes; a gente vê casos, como aqui em Brasília, em que o Movimento Desocupa tentou invadir uma escola pelo telhado”, afirma a líder estudantil.

    Na quinta-feira (27), em Chapecó, em Santa Catarina, a PM catarinense invadiu a ocupação da escola Irene Stonoga com fuzis em punho, acompanhada da direção da escola. A imprensa local afirma que direção manteve os estudantes presos entre as grades do corredor até os policiais chegarem.

    Em Bocaiúva, Minas Gerais, estudantes e educadores da Escola Estadual Dr. Odilon Loures se unem contra a PEC do Fim do Mundo e tomam as ruas da cidade, contra o congelamento de investimentos em educação e saúde públicas(veja foto abaixo).

    protesto bocaiuva mg

    Estudantes e educadores de Bocaiúva contra a PEC da Maldade

    A estudante Clara Stempkowski diz, para a Ubes, que “foi muito assustador para nós, todos estávamos muito amedrontados, eu nunca havia visto uma arma daquele porte, não sabia o que fazer, fiquei tremendo por horas até conseguir me acalmar”.

    Do Paraná vem a boa notícia. Ao saberem da intenção do MBL de desocupar à força o do Colégio Estadual Pedro Macedo, em Curitiba, pais de alunos, professores e vizinhos da escola saíram em defesa dos estudantes e expulsaram os fascistas. Alunos fazem o mesmo para defenderem seus colegas do Núcleo Regional de Educação, na capital paranaense (assista abaixo). 

    Já em São Paulo a PM é acusada de carregar uma lista com fotos e nomes de secundaristas e apoiadores do movimento”, diz Liliane Almeida, do GGN. “Ao ser abordado, o jovem é obrigado a reconhecer os colegas apresentados nas imagens. Quem não consegue, é espancado”, afirma a repórter.

    pm paulista prende estudante

    Com a violência costumeira, a PM de Geraldo Alckmin ataca jovens inocentes (foto: jornal GGN)

    Ela conta o caso “de um estudante de Paraisópolis, pego dentro de uma estação da CPTM e levado até uma pequena sala com dois policiais, sem identificação, que o interrogaram apresentando fotos de outros estudantes que o jovem precisava reconhecer dando nomes e endereços. Como o rapaz, de apenas 16 anos, se recusou a passar informações, foi brutalmente espancado até perder a consciência”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A Polícia Militar reprimiu manifestação promovida pelos estivadores em Santos, litoral sul de São Paulo, nesta manhã no Dia Nacional de Luta, que leva milhares às ruas de todo o país.

    De acordo com os Jornalistas Livres, a tropa da PM usou balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio contra a manifestação pacífica, que reivindica o arquivamento da PEC 287, conhecida com reforma da previdência.

    Assista vídeo dos Jornalistas Livres: 

    Portal CTB

  • O filósofo Leandro Karnal publicou nesta terça-feira (6) um texto intitulado “O limite da liberdade de expressão” em resposta ao professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) Jairo José da Silva, que defendeu a violência policial nos atos pelo “Fora Temer”.

    Silva escreveu em seu Facebook: "Uma garota ficou ferida na esbórnia pró-Dilma em São Paulo. Pode ficar cega. Se for petista é uma boa notícia, mas não vai fazer muita diferença, já que são cegos como toupeiras”.

    professor menna perdeu olho fascista

    Insano. A que ponto chega a mentalidade fascista. Desejar o mal para uma pessoa, só porque ela pensa diferentemente. Silva se refere à jovem Deborah Fabri atingida por estilhaços de bomba de gás lançada pela Polícia Militar em manifestação contra o governo golpista. O professor e filósofo Karnal escreveu uma resposta suficiente para fazer corar Silva, se ele ainda contar com alguma consciência.

    Diz que “posso, com bons argumentos, ser contra o partido A ou B. Posso condenar quem depreda patrimônio público ou privado. Posso ser do PSOL ou do DEM. A sociedade precisa desta diversidade de posicionamentos. Nunca posso defender violência contra uma pessoa. Nada justifica isto” (leia a íntegra abaixo).

    O limite da liberdade de expressão

    Conquistamos com dificuldade a liberdade de expressão. Ela é um direito constitucional e um esteio do pacto social. A própria lei já estabelece limites: não posso defender ou incitar crime. Não posso, em nome da liberdade de expressão, defender racismo ou violência contra mulheres ou pedofilia. A liberdade é ampla, mas não absoluta.

    O professor Jairo José da Silva é titular da Unesp e com consagrada carreira acadêmica. Tudo indica tratar-se de pesquisador sério e reconhecido em muitos bons centros. Isto não impediu de afirmar algo muito difícil no seu Facebook. Diante do fato de uma aluna Deborah Fabri, de 19 anos, ter sido atingida no olho por bala de borracha e ter perdido a visão, o docente comentou que era uma notícia potencialmente boa que ela ficasse cega.

    Posso discordar das manifestações. Posso, com bons argumentos, ser contra o partido A ou B. Posso condenar quem depreda patrimônio público ou privado. Posso ser do PSOL ou do DEM. A sociedade precisa desta diversidade de posicionamentos. Nunca posso defender violência contra uma pessoa. Nada justifica isto. Este é o limite da liberdade de expressão, pois além deste limite começa o mundo da barbárie. Todos podemos dizer coisas que, refletindo melhor, pensamos ser um equívoco. Cabe, então, veemente pedido de desculpas. Até ele ocorrer, somos coautores da violência defendida. Violência é o fim do diálogo. Como professor, fico intensamente chocado quando alguém se alegra com uma aluna perdendo a visão. Fico mais chocado com alguém que, tendo os dois olhos, seja tão cego.

    Temos um longo caminho pela frente. Aprender a ser crítico sem destruir, aprender a ser policial sem cegar, aprender a discordar sem apoiar violência e, acima de tudo, aprender a dialogar.

    Portal CTB

  • De acordo com o grupo Bonde Mídia, de Campinas, no interior de São Paulo, um “mar de gente” tomou as ruas da cidade no ato “Fora Temer” nesta quinta-feira (1º)

    O grupo diz que “a Polícia Militar estima que 2 mil pessoas estiveram presentes no ato. O vídeo do Bonde Mídia dá uma noção exata do tamanho do protesto”.

    Assista

     

    O grupo Democratize, que compartilhou o vídeo, conta inclusive que “formado por uma imensa maioria de jovens, o protesto reuniu movimentos sociais, partidos políticos e estudantes. O ato pedia, entre outros pontos, a imediata destituição do presidente Michel Temer e convocação de eleições gerais contra o golpe”.

    Pelas imagens, percebe-se que o governo golpista não vai ter vida fácil. As manifestações crescem na mesma proporção em que aumenta a repressão. Na capital paulista, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) proibiu manifestação na avenida Paulista no domingo (4) e o presidente golpista Michel Temer autorizou a utilização até das Forças Armadas.

    Juristas garantem que a Constituição garante a liberdade de manifestação, sema  necessidade de autorização e os manifestantes mostram-se dispostos a prosseguir.

    Portal CTB

  • Mais uma vez, a Polícia Militar de Pezão, Dornelles e Picciani, reprimiu com violência estudantes e servidores que faziam um grande ato contra a privatização da CEDAE. O ato, convocado pelo MUSPE, teve a participação de diversas categorias e presença ativa da juventude. A CTB-RJ participou do ato. A repressão policial, acima de todos os limites, dessa vez deixou marcas mais profundas nos cidadãos do Rio de Janeiro: Mais de 15 feridos, sendo um deles, um estudante com o intestino perfurado por uma bala.

    Mais de 3 mil trabalhadores da CEDAE se concentraram desde as 10 horas da manhã. A partir de meio-dia os servidores públicos do MUSPE chegaram e aconteceu um grande ato com diversas lideranças sindicais fazendo uso da palavra. O Presidente da CTB-RJ, Ronaldo Leite, alertou para os riscos da privatização da companhia:

    “A CEDAE pertence ao povo do Rio de Janeiro e não pode ser privatizada. Todas as iniciativas de privatização geraram piores serviços e aumento dos custos. Os trabalhadores da CEDAE e o povo do Rio de Janeiro irão impedir a privatização por uma CEDAE pública e indivisível.”

    Por volta das 14h, o projeto de lei começou a ser apreciado pelo Plenário da Câmara e, por volta das 17 horas os vetos foram vencidos e as cercas de 200 emendas começaram a ser votadas. O Secretário de Finanças da CTB-RJ, Mário Porto, comentou os próximos passos do movimento:

    “A informação que tivemos de dentro da ALERJ foi de que o colégio de líderes vai se reunir segunda-feira para apreciar a emenda. A votação está marcada para terça-feira. Fizemos uma assembleia agora à noite com os trabalhadores da CEDAE e encaminhamos o estado de greve permanente. Também marcamos uma assembleia para segunda-feira, que deve deliberar sobre uma paralização unificada em todo o Rio de Janeiro para estarmos de prontidão na terça-feira na porta da ALERJ.”

    Estudante é baleado

    A Polícia Militar do Rio de Janeiro mais uma vez abusou da violência e do uso desproporcional da força contra os manifestantes no fim da tarde. Enquanto os vetos eram derrubados e as emendas começavam a ser debatidas, blindados, helicópetos, canhõs d’água e todo o aparato repressor do Estado se voltou sobre a população que lutava pelo seu patrimônio.

    O confronto transformou o Rio de Janeiro numa verdadeira praça de guerra e deixou um saldo de mais de 15 feridos, entre eles o estudante secundarista de 18 anos, Carlos Henrique Sena, baleado pelo que a assessoria da Polícia Militar define como sendo uma bala de borracha e teve seu fígado e intestino atravessados pelo projétil. O estudante do Colégio Herbert de Souza foi levado ao Hospital Souza Aguiar, sendo operado por volta das 20h e não corre risco de morte.

    Projeto recebe 207 emendas

    O projeto de lei que autoriza a venda da Cedae para garantir um empréstimo de R$ 3,5 bilhões ao Rio já recebeu 207 emendas. Ele foi colocado em primeira discussão na noite desta quinta-feira, na ALERJ. A sessão foi uma manobra do presidente da Casa, Jorge Picciani, para que 27 vetos fossem apreciados antes de o projeto ir a plenário (o que é obrigatório pelo regimento da casa). A sessão foi prorrogada até a meia-noite. Os deputados aprovaram a prorrogação porque a alternativa seria convocar uma sessão extraordinária na sexta.

    Dentro da Alerj, o clima também foi de enfrentamento. Assim como na quarta-feira, a oposição tentou obstruir a votação. Parlamentares usaram o tempo para fazer discurso e tentar atrasar a sessão extraordinária que iria apreciar os vetos do governo para projetos já sancionados. Apesar da movimentação, os vetos acabaram sendo votados. Abaixo, a lista de vetos aprovados e vetados esta tarde na ALERJ.

    Vetos derrubados

    Foi derrubado com 53 votos o veto total ao projeto de lei 1.843/16, do deputado André Ceciliano (PT), que determina que as distribuidoras de combustíveis exijam documentos que comprovem a regularidade fiscal e ambiental dos veículos que transportam gasolina, álcool e diesel.

    Com 49 votos sim, foi derrubado o veto parcial ao projeto de lei 2.057/16, do Executivo, que deu origem à Lei 7.426/16, que fez mudanças nos planos de carreira dos servidores técnico-administrativos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

    Derrubado com 58 votos sim o veto total ao projeto de lei 2.034/13, do deputado Jânio Mendes (PDT), que determina que os contratos de convênio dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) municipalizados deverão manter o sistema de educação integrada e em tempo integral.

    Derrubado com 46 votos o veto total ao projeto de lei 507/15, dos deputados André Ceciliano, Waldeck Carneiro e Zeidan (todos do PT), Carlos Minc (sem partido), Zaqueu Teixeira (PDT) e do ex-deputado Dr. Sadinoel. O texto cria um programa de apoio técnico para melhorar a eficiência dos municípios para arrecadação de tributos.

    Vetos Mantidos

    – Veto total ao projeto de lei 164/15, do deputado licenciado André Lazaroni, que determina que aparelhos eletrônicos que alteram o IMEI (sigla em inglês para Identificação Internacional de Equipamento Móvel) dos telefones celulares dependam de autorização específica da Polícia Civil para serem comercializados.

    – Veto total ao projeto de lei 1.486/16, do deputado Waldeck Carneiro (PT), que determina que os profissionais de educação física registrados junto ao Conselho Regional de Educação Física (CREF) tenham direito à meia entrada nos ingressos de eventos esportivos realizados em arenas e estádios públicos.

    – Veto total ao projeto de lei 1.437/12, dos deputados Rosenverg Reis (PMDB) e Enfermeira Rejane (PCdoB), que determina a instalação de postos de serviço de enfermagem nos cemitérios localizados no estado.

    – Veto total ao projeto de lei complementar 23/16, do deputado Luiz Paulo (PSDB), que cria um fundo suplementar, de caráter provisório e temporário, para capitalizar o Rioprevidência, responsável pelo pagamento de servidores inativos e pensionistas do estado.

    – Veto parcial ao projeto de lei o projeto de lei 1.583/16, que deu origem à Lei 7.427/16, de autoria dos deputados Flávio Serafini, Marcelo Freixo, Wanderson Nogueira (todos do PSol), Comte Bittencourt (PPS), Waldeck Carneiro (PT), Dr. Julianelli (Rede), Bruno Dauaire (PR) e Tio Carlos (SDD). O texto vincula a data do pagamento de bolsistas da graduação, pós-graduação e residentes ao pagamento dos servidores ativos e inativos do estado. O artigo vetado pelo governador estipula que, a partir de 2019, o reajuste das bolsas seja vinculado às datas e à uma média dos percentuais dos pisos salariais aprovados por lei estadual.

    – Veto parcial ao projeto de lei 2.008/16, do Executivo, que deu origem à Lei 7428/16, que criou o Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal (FEEF). As empresas que recebem ou venham a receber incentivos fiscais do estado do Rio são obrigadas a destinar 10% do valor do benefício para o Fundo. O artigo vetado pelo governador determinava que o Executivo divulgasse a lista dos 100 maiores benefícios fiscais concedidos. Apesar de ter sido mantido o veto, um inciso que excluías empresas de reciclagem foi derrubado.

    – Veto parcial ao projeto de lei 1.839/16, do deputado Edson Albertassi (PMDB), que deu origem à Lei 7.432/16, estipulando que as financeiras que tenham convênio com o estado para fornecer empréstimo consignado com desconto em folha não possam negativar o nome de servidores e inativos, quando o motivo da inadimplência for comprovadamente por falta de pagamento dos salários. Os artigos vetados determinavam a modificação dos contratos já em vigor para a inclusão da regra.

    – Veto total ao projeto de lei 2.870/14, do deputado Dica (PTN), que determina que estabelecimentos bancários e cooperativas de crédito tenham em suas instalações condições adequadas e eficientes de segurança contra roubos, sequestros e extorsões.

    – Veto total ao projeto de lei 699/15, deputado Jorge Picciani (PMDB), que proíbe as agências bancárias de oferecer empréstimos aos idosos nos caixas eletrônicos.

    Da CTB-RJ

  • A Polícia Militar dispersou de forma brutal a manifestação organizada na cidade do Rio de Janeiro, que aconteceria agora às 18h na Cinelândia. Com uso de bombas de gás e balas de borracha, os PMs miraram o palco montado pelas centrais sindicais, onde dezenas de lideranças e artistas se alternariam ao microfone. A manifestação já aglomerava mais de 30 mil pessoas. O repórter José Roberto Medeiros, da CTB-RJ, descreve o clima tenso que se instalou:

    Os sindicalistas que falavam no momento das agressões tentaram apaziguar os policiais, lembrando-os que o protesto é também pelo direito deles, mas a resposta da corporação foi mais uma rajada de bombas. Gradativamente, o cerco foi tornando-se mais agressivo, até tornar-se correria. Inconformados, os manifestantes passaram a entoar gritos pelo fim da Polícia Militar.

    “O governo não respeita o nosso povo. Temos na manifestação jovens, mulheres, pessoas da terceira idade, trabalhadores, e mesmo assim nos atacam!”, lamentou Alexandre Dionil, sindicalista da CTB envolvido na manifestação. Ele gravou o vídeo abaixo, no qual é possível ouvir as bombas e tiros no trecho final.

    A agressão é especialmente deprimente diante do enorme trabalho de mobilização promovido pelos movimentos sociais ao longo de abril, inclusive dentro das corporações de segurança pública. Nos dias anteriores à manifestação, os ativistas fluminenses fizeram panfletagens por todo o estado, num esforço abrangente para conscientizar a população das reformas.

    Dezenas de categorias se prepararam para este ato, que tinha tudo para ser histórico. Diversos municípios realizaram seus próprios atos. Para o dirigente da CTB-RJ, José Carlos Madureira, tudo até aqui era um “sucesso geral”.

    Portal CTB

  • As manchetes que deram notícias da greve geral do dia 28 último, apontam para a conduta agressiva da polícia com táticas de dominação e apavoramento que inibiu, feriu e dispersou a população que tomou pacificamente às ruas em protestos as últimas reformas do governo.

    Existe nessa conduta, algo de arbitrário construído culturalmente e atribuído ao papel da polícia como aplicadora da lei e da ordem e as relações de dominação, onde o uso não comedido da força física, por parte de policiais militares em algumas operações de policiamento ostensivo, resulta em proliferação de conflitos e violência, e o cidadão ao invés de se sentir protegido percebe esta instituição como arma adicional contra si.

    A polícia, em seu nascedouro como instituição que fazia parte da construção da cidade, foi criada para se ocupar dos vilarejos que cresciam desordenados, o cuidador da polis, garantia todo tipo de serviço, desde comunicar enfermidades às autoridades da coroa como ajudar nas práticas mercantis. Nesse seguimento, desde a Idade Média até o século XVI o governo soberano do príncipe, vai se desenvolver primeiro sobre as coisas sobre um território, depois sobre os súditos que nele habitam, sendo a lei o exercício da soberania e o que permitirá alcançar qualquer finalidade de controle. Nesse caso a polícia se detinha do cuidado dos pobres e dos trabalhadores e os mantinha regulados em prol da segurança e tranquilidade da nobreza.

    Essa polícia já nasceu micropolítica pelo viés temerário da ocupação dos territórios que circundava a nobreza, que por temer pela própria segurança, atribuíram a este espaço, um poder disciplinar que era amplamente exercido por estes policiais.

    A vigilância, ferramenta biopolítica de contenção, tem como alvo principal a população pobre e trabalhadora, e se efetiva através de um conjunto de mecanismos que o poder dispõe para se exercer, o que pode ser descrito como técnicas de poder-saber, nesse sentido, polícia, população e segurança, vão se organizando simultaneamente e no conjunto deste engendramento o medo é a produção e as normas a fórmula que norteia o comportamento da população. A produção dos corpos pelas técnicas disciplinares do poder-saber pressupõe que determinadas práticas policiais obedeçam ao princípio da autorização que possibilita e reforça os efeitos do poder legítimo.

    Com o sucesso deste dispositivo as atribuições não demoraram a aumentar e a polícia já nas práticas de contenção coercitivas já naturalizadas culturalmente, tinha também por ofício se ocupar daqueles sem rumo, perdidos pelas ruas dos territórios da realeza, os “vagos” ou ”vagabundos”, os errantes. Nesse contexto, para aqueles que não se encaixavam ou não atendiam ao chamado da norma, do policiamento e da segurança lhes era aplicado à punição da vigilância pela posse do seu corpo pelo governo e para exemplo e suplício em praça pública. Agora o governo também defende o indivíduo do outro indivíduo que não serve para a cidade, e o sentimento de medo alterado em sua estrutura, se volta para o medo dos seus semelhantes.

    Não é difícil entender como estratégias de policiamento chegou até a modernidade pela instauração dessa policia. O vínculo entre polícia e cidade foi tão forte que regulamentou a maneira como os homens podiam e deviam se reunir, se comunicar, coabitar, intercambiar, coexistir, circular, falar, vender e comprar que não pode absolutamente ser dissociada de uma teoria e de uma prática governamental nos espaços urbanos como escopo de mantença da ordem e do cuidado da tranquilidade da cidade. Assim, nas malhas da rede política do poder de polícia e em defesa da sociedade a polícia procedeu no dia 28, como sempre historicamente procedeu através dos tempos, com práticas culturalmente naturalizadas de dominação, coerção e violência dentro da norma disciplinar, autorizativa, reguladora e governamental sobre os corpos manifestantes da população pobre e trabalhadora que nesse dia ocupara as ruas para protestar.

    Por Márcia Ferreira é vice-presidente do Sindicato dos Servidores Civis do Ministério da Defesa (Sinfa-RJ)


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Desde sábado (4), familiares de policiais militares acampam em frente aos quarteis da PM do Espírito Santo, impedindo os soldados de trabalharem, segundo os policiais.

    Na segunda-feira (6), o governador em exercício César Colnago (PSDB) encerrou o diálogo, exigindo a volta ao trabalho e pediu ao governo federal tropas para fazer a segurança nas ruas.

    A partir da manhã desta terça-feira (7), 1.000 homens do Exército e 200 da Força Nacional de Segurança Pública estão nas ruas das grandes cidades.

    “A situação da segurança pública em nosso estado está precária já faz tempo”, diz Jonas Rodrigues de Paula, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Espírito Santo (CTB-ES).

    Já foram registradas 68 mortes no estado. Também ocorreram inúmeros saques a lojas e supermercados, que fecharam as portas e ataques a ônibus, que só voltaram a circular nesta manhã. "O que envidencia a crise instaurada no país", afirma De Paula.

    Para o presidente da CB-ES, o governo tem obrigação de manter a paz na sociedade capixaba. “A proteção da vida das pessoas e da classe trabalhadora, que é quem mais paga o pato nas crises, é a questão mais importante neste momento crucial”.

    Além disso, A CTB-ES divulgou nota na segunda (6) onde afirma que “não é marginalizando um movimento legítimo e, além disso, negar-se às negociações com os servidores públicos, que alcançaremos justiça social” (leia a íntegra aqui).

    A violência campeando nas ruas apavorou a população. Escolas ficaram sem aula, postos de saúde fechados, assim como grande parte do comércio.

    Uma idosa que acompanhava a irmã em um posto de saúde disse ao G1 que “ninguém teve sossego aqui. Chegaram dois esfaqueados, depois chegaram mais três baleados. Invadiram o posto, roubaram a televisão da pediatria e para fechar as portas foi uma dificuldade”.

    Na segunda-feira mesmo, o desembargador Robson Luiz Albanez decretou a paralisação ilegal e determinou multa de R$ 100.000 por dia às entidades sindicais dos policiais. As entidades recorreram dessa liminar nesta terça-feira.

    O representante da Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo, major Rogério Fernandes Lima, disse ao G1 que os grevistas foram notificados da liminar na segunda, no final da manhã.

    Ele garante, porém, que os advogados das entidades representativas dos trabalhadores e trabalhadoras, “se reuniram e apresentarão uma defesa” nesta terça, recorrendo da decisão do desembargador.

    “Nós acreditamos no Estado Democrático de Direito e entendemos que as associações de classe não podem ser responsabilizadas pela multa aplicada pela justiça porque não fomos nós que organizamos o movimento de impedimento dos policiais saírem para as ruas”, afirma Lima.

    Ele diz ainda que “é preciso deixar claro que as associações fizeram uma interlocução com o governo do estado desde o ano de 2015, apresentamos propostas que não oneram os cofres públicos e não recebemos nenhuma resposta do governo".

    Os PMs reivindicam aumento nos salários, pagamento de benefícios e adicionais e criticam as más condições de trabalho. Dizem que recebem “o pior salário do Brasil”. O piso salarial da categoria é de R$ 2.740 para um efetivo de 10.000 trabalhadores e trabalhadoras.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências. Foto: Estadão