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Sáb, Mar

PSL

  • #NósSim: mulheres contra o atraso e por igualdade entre os gêneros

    Sábado, 29 de outubro de 2018: este dia entrou para a História. Certamente, será lembrado quando relatadas, no futuro, as eleições gerais deste ano. Pela TV não se viu, pelos jornais tampouco, só entendeu mesmo a grandiosidade que este evento representou quem esteve lá.

    A caminhada foi longa aqui em São Paulo, do Largo da Batata até a Avenida Paulista, mulheres de todas as idades, credos, cores, vestimentas, com seus companheiros ou companheiras, com amigas e amigos, com seus filhos, sozinhas, todas caminhando juntas em um uníssono: #EleNão.

    Ato que não foi só contra o inominável, o recado foi para qualquer um que pense como ele: não aceitamos mais o machismo, a violência, o assédio em qualquer de suas variantes, não aceitamos mais ganhar menos, não aceitamos que nos matem. Dados divulgados pelo TSE dão conta de que 52% do eleitorado é feminino, ou seja, somos parte importante na decisão das eleições e do futuro político do país.

    Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, no mesmo 29/09, Brian Winter editor-chefe da revista norte-americana Americas Quarterly, demonstra seu temor de que a campanha feita contra o inominável possa ter mesmo terrível fim da eleição de Donald Trump. Em sua argumentação, traça um paralelo com a campanha norte-americana que foi recheada de manifestos de intelectualidade, de artistas, as marchas do #NeverTrump, ou seja, todos atacaram o candidato e pouco se falou sobre propostas, especialmente econômicas.

    Com a devida vênia, há diferenças. Primeiramente não é possível tratar de pautas nacionais importantes com o inominável, porque ele terceiriza a discussão para seu guru, Paulo Guedes. Suas propostas registradas em plano de governo são mirabolantes. Ele não é Trump. David Trump tem uma máquina nas mãos chamada Partido Republicano, o inominável somente o desconhecido PSL. Em si, ele é somente um vetor, orientado para canalizar as opiniões de um estrato da sociedade brasileira, elitista e ultraconservadora, não é um candidato em sua essência, só capturou o ódio e a subjetividade de parte do eleitorado brasileiro.

    Movimentos exitosos e que arrastaram multidões gigantescas no último sábado provaram para a sociedade e brasileira e para o mundo que estamos atentas, mobilizadas e decididas. Elevamos o debate nacional e carregamos uma única e enorme bandeira contra o atraso e por um futuro de desenvolvimento e justiça social.

    Cristiane Oliveira é secretária-executiva, pós-graduanda em Direito e Processo do Trabalho e assessora da Secretaria-Geral da CTB.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Altamiro Borges: Bolsonaro despenca. Como o fascista reagirá?

    Por Altamiro Borges*

    Pesquisa Ibope divulgada quarta-feira (20) confirma uma acelerada queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Em menos de três meses, o “capetão” já perdeu 15 pontos de prestígio na sociedade. A proporção de quem considera a sua gestão ótima ou boa despencou de 49% em janeiro para 34% em março. Esse índice vexatório equivale à taxa do odiado José Sarney em março de 1987, quando já tinham decorridos dois anos de mandato do primeiro presidente civil depois do fim da ditadura militar.

    Como observa José Roberto de Toledo, da revista Piauí, “em comparação com outros presidentes eleitos, o começo da passagem de Bolsonaro pelo Palácio do Planalto é o pior já registrado. Nos seus primeiros mandatos, Dilma, Lula, Fernando Henrique e Collor sustentaram taxas mais altas do que os 34% de Bolsonaro nos meses iniciais. A popularidade deles só ficou abaixo desse patamar nos segundos mandatos de FHC e Dilma, quando os presidentes já acumulavam mais de quatro anos de desgastes”.

    O índice de confiança no novo presidente também derreteu. Caiu de 62% em janeiro para 49% agora – uma perda de 13 pontos. Ao mesmo tempo, a desconfiança pulou de 30% para 44%. “Quem mais desconfia do presidente são os nordestinos e os moradores de grandes cidades. Entre esses, a desconfiança é majoritária: 53% não confiam nele. É uma má notícia para Jair Bolsonaro, porque os movimentos de opinião pública costumam migrar das capitais para o interior, e não o contrário”.

    De acordo com a pesquisa, quem ainda sustenta a confiança no presidente-capetão são os evangélicos, os mais ricos, os homens e os moradores do Sul. Estes segmentos seguem acreditando no demagogo direitista, mas essa fé cega pode não durar muito tempo. O Ibope não revelou as razões que levaram à rápida queda de popularidade, mas pesquisas de outros institutos apontam pelo menos três motivos – segundo a análise equilibrada do jornalista José Roberto de Toledo:

    “Sua vizinhança com a milícia no Rio de Janeiro e as denúncias de corrupção envolvendo seu filho Flávio, a falta de medidas práticas que tenham resultado em diminuição da violência urbana e, finalmente, o destempero demonstrado pelo presidente em suas manifestações públicas, principalmente por meio do Twitter durante o Carnaval. Tudo isso, somado ao cenário de estagnação da economia, aponta para dificuldades adicionais quando o governo começar a se movimentar para aprovar a reforma da Previdência, que vai desagradar a várias camadas da população”.

    Diante desse cenário bastante adverso – que pode abortar seu mandato ou “sangrar” sua gestão –, fica a pergunta: como reagirá o presidente conhecido por seus arroubos autoritários? Eleito pelo PSL, o Partido Só de Laranjas, Jair Bolsonaro não tem mais como se travestir de paladino da ética. O seu governo – que reúne milicos ressentidos, abutres financeiros, corruptos velhacos, fanáticos religiosos e milicianos fascistas – não tem nada a oferecer à sociedade, seja no quesito da retomada da economia ou da melhoria na segurança pública. A tendência, portanto, é que ele reforce seus traços fascistas, dando carne aos leões.

    O movimento sindical, o mundo da cultura e os agentes da educação, entre outros setores sociais, já estão sentindo essa mão pesada, que deve se enrijecer no próximo período. A unidade na resistência democrática é cada dia mais urgente!

    *Jornalista, presidente do Centro de Debates da Mídia Alternativa Barão de Itararé

  • Altamiro Borges: O netinho de Lula e o ódio fascista

    Por Altamiro Borges

    Qualquer ser humano com um mínimo de dignidade ficou triste e abatido com a morte prematura do menino Arthur Araújo, de 7 anos, neto do ex-presidente Lula. Mas os fascistas, os que cultivam o ódio e a violência, não são seres humanos. Não dá nem para chamá-los de vermes, já que estes têm função na natureza. Cínicos, eles berram “Deus acima de todos”. No fundo, eles veneram o demônio, a morte. Para estes psicopatas deveria servir a lição do Papa Francisco: “Quando você comemora a morte de alguém, o primeiro que morreu foi você mesmo”. Em vida, esses milicianos laranjas deveriam pagar por seus crimes. No poder, Hitler e Mussolini festejaram a morte de milhões de pessoas indefesas. Ao final, eles foram devidamente punidos!

    Logo que a notícia da morte por meningite meningocócica do garoto foi estranhamente postada por um colunista de O Globo, na manhã desta sexta-feira, o ódio ao ex-presidente Lula saiu do esgoto. Dezenas de leitores deste jornal – que ajudou a chocar o ovo da serpente fascista com sua criminalização da política e sua satanização das esquerdas – fizeram questão de postar seus comentários asquerosos. Muitos desses babacas desalmados são apenas massa de manobra da cloaca burguesa, que nunca tolerou o “reformismo brando” do ex-presidente que tirou milhões de brasileiros da miséria. Manipulados, eles acreditam que todos os males da humanidade – inclusive sua imbecilidade e nulidade – são culpa de Lula. Por isso, festejaram a morte do neto Arthur Araújo, da esposa Marisa Letícia e do irmão Genivaldo Inácio da Silva, o Vavá, no mês passado.

    No clima de ódio e irracionalidade que corrói a sociedade, eles inclusive já não se escondem no anonimato, como é o caso da “youtuber” Alessandra Strutzel. Logo após a notícia da morte, a figura escrota postou uma foto de Lula com Arthur e a frase sádica: “Pelo menos uma notícia boa”. Diante da reação de um seguidor – “Qual é a notícia boa?” –, a doente respondeu: “Um filho da puta a menos”. O seguidor replicou: “Acho que você não entendeu. Quem morreu foi o neto, uma criança de 7 anos”. E a tréplica da fascista bem que justificaria um processo na Justiça e uma severa punição: “Entendi sim. Pensa, iria crescer com exemplo do avô, um filha da puta a menos para roubar nosso país”. Na sequência, como todos os covardes fascistas, ela pediu desculpas e alegou que “com a postagem que fiz, eu só queria saber como as pessoas reagiriam”.

    O pior neste dia triste não foram os comentários escrotos no jornal O Globo ou as postagens da “youtuber” babaca. O mais lastimável foi a postura do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente do laranjal da República. Diante de uma enquete sobre a liberação de Lula para acompanhar o enterro do neto, o que é previsto na legislação, o “pimpolho” do fascista respondeu: “Lula é preso comum e deveria estar num presídio comum. Quando o parente de outro preso morrer, ele também será escoltado pela PF para o enterro? Absurdo até se cogitar isso, só deixa o larápio em voga posando de coitado”. Para quem tem um pai que disse que não o visitaria no presídio da Papuda, é compreensível o rancor deste fascistinha!

    Em tempo: Qual seria sua atitude diante da prisão de algum membro da famiglia Bolsonaro – seja devido aos vínculos com as milícias assassinas do Rio de Janeiro; ao uso de dinheiro público no emprego de laranjas; ou por apologia ao estupro e a violência; ou por outros crimes?

    Postado por Altamiro Borges

  • Bolsonaro comprará o silêncio de Bebianno?

    Por Altamiro Borges*

    Como diria o ex-juiz Sergio Moro, atual superministro do governo em chamas: ainda não há provas, mas cresce a convicção de que Gustavo Bebianno venderá muito caro o seu silêncio sobre as sujeiras da campanha que resultaram na vitória da extrema-direita nas eleições do ano passado. Na tarde de domingo (17), o provável defecado da Secretaria-Geral da Presidência já havia abrandado sua bronca contra o "desleal", "fraco" e "louco" Jair Bolsonaro – segundo desabafos vazados pela imprensa. Em entrevista a Danilo Martins, da TV Globo, ele afirmou no maior cinismo que "agora é hora de esfriar a cabeça" – isto após ter colocado fogo no bordel, que reúne o que há de pior na política nativa, como milicos ressentidos, abutres rentistas, corruptos velhacos, fanáticos religiosos e fascistas malucos.

    Ainda segundo a reportagem, Gustavo Bebianno "foi abordado por jornalistas no hotel onde mora, em Brasília, quando saía para o almoço. Ele deu a declaração diante de perguntas sobre se falaria a respeito de sua eventual demissão do cargo. 'Agora é hora de esfriar a cabeça', afirmou o ministro. Bebianno viveu uma semana de crise dentro do governo, após denúncias de candidaturas 'laranjas' no PSL e um episódio de atrito entre ele e o filho do presidente, Carlos Bolsonaro. Integrantes do governo dão como certo que o presidente vai exonerar o ministro. Aos jornalistas que o aguardavam no hotel, ele disse que, por ora, não vai se pronunciar sobre o caso. 'Daqui a alguns dias', afirmou".

    A aparente calma de Gustavo Bebianno não combina com as notícias que circularam durante todo o domingo – tendo como centro de irradiação o próprio Grupo Globo. A primeira bomba foi disparada pelo Blog de Lauro Jardim, que postou que o defecado revelou a amigos que estava "perplexo" com o tratamento recebido e que se arrependera de ter comandado a campanha do capitão. "Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro", desabafou. Ele ainda relativizou o papel do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, na crise. "O problema não é o pimpolho. O Jair é o problema. Ele usa o Carlos como instrumento. É assustador”, afirmou a um aliado. Ainda segundo o blog hospedado no jornal O Globo, ele disse ao mesmo interlocutor: “Perdi a confiança no Jair. Tenho vergonha de ter acreditado nele. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil”.

    Na sequência, o Blog do Camarotti, hospedado no G1, revelou que Gustavo Bebianno “demonstrou profundo arrependimento em ter trabalhado ativamente pela eleição do presidente Jair Bolsonaro... 'Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro. Nunca imaginei que ele seria um presidente tão fraco', disse para um aliado, numa referência à influência dos filhos do presidente nos rumos do governo, especialmente do vereador Carlos Bolsonaro. Nessas mesmas conversas, Bebianno demonstra preocupação com o efeito desse protagonismo familiar nas decisões do país. E reconhece que o governo Bolsonaro precisa descer do palanque para administrar o Executivo", relata Gerson Camarotti, que também é comentarista da GloboNews.

    Após o impacto das postagens dos jornalistas globais, Gustavo Bebianno se apressou em desmentir os vazamentos dos bombásticos desabafos e veio com a conversa de que "é preciso esfriar a cabeça". O aparente recuo fez crescer a suspeita de que há algo de podre sendo negociado nos porões do Palácio do Planalto. Quando surgiram as denúncias do desvio de grana para candidatos do PSL – já batizado de Partido Só de Laranjas –, circulou a conversa de que Gustavo Bebianno, presidente da legenda na campanha eleitoral, ganharia um cargo numa empresa estatal para ficar quieto.

    Um carguinho numa estatal?

    Matéria publicada no Estadão no sábado até problematizou sobre a possível negociata, alertando que "o ministro da Secretaria-Geral da Presidência não pode assumir cargo de direção em estatais do governo. A possibilidade foi aventada depois que o presidente Jair Bolsonaro ofereceu a ele um cargo na máquina federal fora do Palácio do Planalto, como compensação à sua saída do primeiro escalão do governo... O artigo 17 da Lei 13.303/2016 impôs critérios claros para a escolha de pessoas para cargos de diretoria, presidência e membros de Conselho de Administração de estatais, e o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência não cumpre essas regras".

    "Os indicados para as estatais, segundo a lei, não podem ter atuado, nos últimos 36 meses, 'como participante de estrutura decisória de partido político ou em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de campanha eleitoral". A lei também impede a indicação de "ministro de Estado' e de 'dirigente estatutário de partido político'. É o caso de Bebianno, que, além de ministro, foi presidente do PSL, partido político do presidente Jair Bolsonaro, entre março e outubro de 2018". O alerta do Estadão não serve muito para os milicianos e laranjas do atual governo. Sabe-se lá o que rolou – ou está rolando – no bordel em chamas de Brasília.

    *Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

  • Bolsonaro vai degolar o filhote Carluxo?

    Por Altamiro Borges*

    O vereador Carlos Bolsonaro, chamado pelo pai de pitbull ou 02 e pelos mais íntimos de Carluxo, está na mira dos carreiristas que chegaram ao poder na carona de Jair Bolsonaro. Em entrevista à rádio Jovem Pan na terça-feira (19), Gustavo Bebianno, o defecado ministro da Secretaria-Geral da Presidência, resolveu concentrar a sua artilharia no “pimpolho” e aliviar a barra do “desleal” presidente. A mídia também garante que a bronca contra os filhos do “capetão” cresce entre os generais, que a cada dia concentram mais poder no Palácio do Planalto. Há boatos de que o mimado Carluxo poderá ser degolado em breve pelo pai, que adora posar de valentão, mas se acovarda diante de qualquer intempérie.

    Na entrevista à Jovem Pan, Gustavo Bebianno destilou veneno contra o “pimpolho”, que o chamou de “mentiroso” nas redes sociais e precipitou sua exoneração. “Fui demitido pelo Carlos Bolsonaro”, garantiu. Em outro trecho, ele afirmou que o rapaz “tem um nível de agressividade acima do normal, é um destruidor de reputações”. Para ele, no período em que retirou a bolsa de colostomia, o presidente foi manietado pelo filho. “Minha indignação é ter servido como um soldado leal, disposto a matar e morrer, e no fim da linha ser crucificado, levando um tiro nas costas, sendo tachado de tudo o que há porque o senhor Carlos Bolsonaro fez macumba psicológica na cabeça do pai... Ele vive de teorias da conspiração, vive dentro de uma caixa”.

    Deixando uma suspeita no ar, Gustavo Bebianno disse na entrevista que tem sofrido ameaças após ter criticado o “pimpolho”. “Tem muito valentão de internet, valentões de celular. São covardes que atacam em grupo ou pelas costas”, acusou. No final, o defecado sugeriu que o capetão deve se afastar imediatamente do filho. “Como todo ser humano, ele (Jair Bolsonaro) é falível. E existe uma falha no que diz respeito ao comportamento do Carlos. Na minha opinião o presidente tinha que dar um basta nisso. Se o Carlos fosse meu filho estaria preocupado, porque ele coleciona inimigos”.

    A pressão dos milicos

    De fato, Carluxo parece colecionar inimigos. Em menos de dois meses, vários frequentadores dos porões de Brasília já pedem sua cabeça. O general Hamilton Mourão, o ambicioso e habilidoso vice-presidente da República, não nutre qualquer simpatia por nenhum dos “pimpolhos”. A preocupação dos milicos, que agora ocupam quase totalmente o Palácio do Planalto – com o oitavo ministro indicado após a queda de Gustavo Bebianno –, é que os filhos do capitão estraguem rapidamente seu projeto de poder. Segundo artigo de Igor Gielow, publicado na Folha nesta quarta-feira (20), “o agravamento da crise política levou três expoentes da ala militar do governo ao encontro de Jair Bolsonaro (PSL) para expressarem a queixa do setor sobre a influência dos filhos do presidente e sobre a inoperância da articulação com o Congresso”.

    “Segundo relato, os generais da reserva e ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Fernando Azevedo (Defesa) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo) pediram um freio de arrumação. A Folha ouviu descrições da conversa segundo as quais o risco de perda de apoio entre a ala militar foi comentado”. A preocupação dos generais, que são apresentados ilusoriamente como o setor que dá racionalidade ao novo governo, é que a crise política – que teve início com as denúncias contra o PSL (Partido Só de Laranjas) – adquira maior velocidade.

    “O fato de o presidente estar exposto e, pior, a possibilidade de haver gravações de fato comprometedoras, é considerado um desastre. Como a crise começou em uma questão partidária, o laranjal do PSL, os generais atribuem ao papel de Carlos, filho do presidente que disparou o episódio que levou à demissão de Bebianno ao dizer que ele havia mentido, a chegada dela à sala de Bolsonaro... Os militares nunca aceitaram o que consideram intromissão dos filhos políticos do presidente em assuntos de Estado. Assim, a confusão do caso Bebianno foi uma oportunidade para levar a cobrança de afastamento dos filhos de forma mais incisiva, e não indiretamente, como antes”.

    Será que o presidente-capetão vai se acovardar e degolar Carluxo? A conferir nos próximos dias.

    *Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

  • CCJ da Câmara pode ser instalada na quarta (13); PEC da Previdência no horizonte

    O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) poderá ser instalada nesta quarta-feira (13). É o primeiro passado para iniciar no Parlamento o processo de discussão da PEC 6/19 sobre a reforma da Previdência.

    Segundo Maia, com a definição da data de instalação, os líderes partidários já poderão indicar nomes para compor o colegiado a partir desta segunda (11).

    Apesar da disposição de Maia, há problemas a serem superados. Segundo o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), mesmo com a instalação da CCJ, a Previdência não vai andar na Casa antes de o governo encaminhar proposta que mexe na aposentadoria dos militares. O governo sinalizou que a proposta tratando dos militares será encaminhada até o dia 20.

    Militares

    Diante dessa situação, a tendência é que qualquer debate formal em torno da reforma só comece mesmo depois de o governo cumprir o que prometeu quando enviou a PEC 6/19. Ou seja, que enviaria, até o dia 20 de março, proposta cujo conteúdo trata da aposentadoria dos miliares das FFAA.

    A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), confirmou que o deputado Felipe Francischini (PSL-PR) será o presidente da CCJ. Bia Kicis (PSL-DF) será a vice-presidente.

    Reunião de líderes

    Maia se reúne, nesta segunda (11), 18 horas, na residência oficial, com líderes partidários para definir a pauta de votações no semestre.

    A bancada do Solidariedade, composta por 15 parlamentares e liderada pelo pernambucano Augusto Coutinho, reúne-se, nesta terça-feira (12), às 14 horas no plenário 16, para debater a proposta de reforma da Previdência (PEC 6/19).

    Guedes no Senado

    O ministro da Economia, Paulo Guedes, deverá participar de sessão temática no plenário nesta quarta-feira (13). O convite foi feito pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e pelos líderes partidários.

    Para a próxima semana está previsto um encontro com os 27 governadores, representantes da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Confederação Nacional de Municípios (CNM) e com os prefeitos das capitais para discutir o pacto federativo e temas como a cessão onerosa do pré-sal.

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), por seu turno, anunciou, no última dia 27, que vai aguardar a instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados para criar a comissão especial do Senado que vai acompanhar as discussões da proposta da reforma da Previdência (PEC 6/19) enviada pelo governo ao Congresso no dia 20 de fevereiro.

    O propósito dessa comissão, segundo Alcolumbre é acompanhar os debates na Câmara, a fim de que quando a proposta chegar no Senado já seja conhecida pela Casa.

    As centrais sindicais reforçaram a convocação unitária do Dia Nacional de Luta contra a reforma da Previdência proposta por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Será no dia 22, sexta-feira da próxima semana, quando deverão ocorrer manifestações em todo o território nacional.

    Fonte: Diap

  • Conheça as 17 medidas do novo governo para o Brasil

    Em sete dias de gestão o governo Jair Bolsonaro coleciona retrocessos, ataques a direitos, diminuição do salário, ataques as liberdades democráticas e muito bate cabeça de suas principais cabeças.

    Selecionamos 17 para começar:

    1) Garfou 8 Reais do Salário Mínimo aprovado pelo Congresso;

    2) Extinguiu Secretaria da Diversidade, Alfabetização e Inclusão do MEC, para reimplantar o preconceito e impedir o ensino crítico;

    3) Proibiu a Funai de demarcar áreas indígenas, que agora será feita pelo Ministério do Agronegócio;

    4) Anunciou liberação a posse de armas e disse que vai tornar esse “direito” vitalício;

    5) Anunciou que vai impor a prisão de condenados em segunda instância, atropelando o STF;

    6) Extinguiu os Ministérios do Trabalho, da Cultura, das Cidades, Esportes e Integração Racial;

    7) Esvaziou a Comissão da Anistia, remetendo-a para o patético Ministério da Damares;

    8) Liberou as chefias do Itamaraty para nomeações políticas, quebrando uma tradição secular da diplomacia profissional brasileira;

    9) Anunciou que vai privatizar Eletrobras, apesar do veto do Congresso ao processo de capitalização da estatal;

    10) Comprometeu-se com os EUA para atacar Venezuela, Cuba e Nicarágua;

    11) Colocou a reforma contra os Aposentados no topo da agenda de governo;

    12) Confirmou a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, mostrando que é submisso a Trump e ofendendo a comunidade árabe;

    13) Reprimiu seus próprios apoiadores na posse e censurou violentamente a cobertura da imprensa;

    14) Anunciou demissão sumária de servidores que criticaram suas políticas em redes sociais privadas;

    15) Extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), que orienta o combate à fome e o Bolsa Família;

    16) Acabou com o Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transportes e tirou do Senado a aprovação dos diretores do DNIT;

    17) Fez um acordão com os partidos políticos que ele tanto criticou, para que o PSL apoie a reeleição de Rodrigo Maia e ganhe cargos na Câmara.”

  • Efeito Bolsonaro: simpatizantes criam jogo onde a ordem é matar estudantes, mulheres, negros e gays

    Uma produtora criou um jogo para computador que incita a violência. O objetivo do “herói” do jogo chamado Bolsomito 2k18 é matar estudantes, mulheres, negros, gays e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Partido dos Trabalhadores (PT), do candidato à Presidência Fernando Haddad.

    “O jogo é um verdadeiro incitamento à violência contra qualquer pessoa que pense diferente do candidato dos criadores do jogo”, diz Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB. “Essa história de propagar o porte de armas incentiva a violência e defende um retrocesso ao tempo do faroeste, com cada um por si e Deus contra todos”, complementa.

    Tenha uma ideia do que é esse "inocente" joguinho aqui.

    Carregados de preconceito e autoritarismo, os produtores do jogo dizem que ele é feito para derrotar os males do comunismo. “Seja o herói que vai livrar uma nação da miséria. Esteja preparado para enfrentar os mais diferentes tipos de inimigos que pretendem instaurar uma ditadura ideológica criminosa no país. Muita porrada e boas risadas”. Pasmem.

    A assessoria do candidato do PSL disse ao site Tech Tudo não ter “conhecimento sobre os responsáveis pelo game, e que acredita ser uma ação de opositores políticos contra o presidenciável”. Como sempre fazem para fugir da responsabilidade.

    Para Vânia, o jogo representa tudo o que Jair Bolsonaro vem pregando. “Ele só fala em criminalizar os movimentos sociais, defende a utilização de armas e uma polícia violenta”, assinala. "Até mesmo em entrevistas à TV ele ataca, xinga e nunca fala o seu programa de governo. Será que tem medo de divulgar?”

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Gustavo Bebianno foi defenestrado, mas crise política ainda não foi debelada

    Depois de muitas idas e vindas, Jair Bolsonaro decidiu exonerar no início da noite desta segunda-feira (18) o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, informou o porta-voz da Presidência Otavio Rego Barros. “Deseja sucesso em sua caminhada”, disse em lacônico pronunciamento no Palácio do Planalto.

    O porta-voz do Planalto evitou dar detalhes dos motivos da demissão de Bebianno. “Motivo de foro íntimo” do presidente Jair Bolsonaro, limitou-se a explicar o general. Alvo de denúncias que o apontam como responsável por um esquema de candidatos laranjas na campanha eleitoral do PSL, Gustavo Bebianno foi fritado e esculhambado publicamente pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que chemou o ministro de mentiroso.

    Bebianno se sentiu traído e não facilitou as coisas para seu ex-chefe, a quem teria chamado de “louco” e “desleal”. Ameaçou botar a boca no trombone e vazar os esquemas ilegais, incluindo Caixa 2, usados na bilionária campanha do capitão. Ainda não se sabe se o presidente conseguiu comprar o silêncio daquele que até poucos dias atrás era considerado o seu braço direito político.

    A demissão pode não significar o fim da crise política iniciada com as afirmações pouco diplomáticas do filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro. Se as feridas não forem curadas ou aliviadas, quem sabe com um valioso prêmio de consolação para o humilhado ministro, o episódio pode custar caro ao governo, além de comprometer a agenda de reformas neoliberais no Congresso Nacional, como sugeriu o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

    O general da reserva Floriano Peixoto Neto será o substituto de Bebianno. A indicação é mais um claro sinal de que a crise política fortaleceu o grupo dos militares, propiciando uma militarização ainda maior do governo de extrema direita encabeçado por um capitão reformado com um general quatro estrelas na vice-presidência.

    Umberto Martins

  • Mais de um milhão de mulheres aderem rapidamente a grupo contra Bolsonaro no Facebook

    A vida não anda fácil para o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro. Além de ver a sua rejeição subir nas pesquisas, mesmo após o episódio da facada que levou na quinta-feira (6), em Juiz de Fora (MG), mais de um milhão de mulheres aderiu ao grupo fechado do Facebook, Mulheres Unidas Contra Bolsonaro.

    A sua candidatura se manteve estável nas pesquisas do Ibope e do Datafolha, divulgadas recentemente, crescendo na margem de erro, mas viu sua rejeição subir consideravelmente, principalmente no eleitorado feminino.

    Nesta quarta-feira (12), o grupo superou a marca de um milhão de integrantes, cerca de 10 mil adesões por minuto. “Esse é um fato novo e alvissareiro na política brasileira”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “As mulheres estão se posicionando com firmeza contra um candidato com posições amplamente contrárias à igualdade de direitos”.

    O grupo, criado em 30 de agosto, é apartidário e pretende se contrapor ao “avanço e fortalecimento do machismo, misoginia e outros tipos de preconceitos”, diz texto de apresentação na página do Facebook.

    Isso porque “acreditamos que este cenário que em princípio nos atormenta pelas ameaças as nossas conquistas e direitos é uma grande oportunidade para nos reconhecer como mulheres”, complementa o texto de apresentação.

    Para participar do grupo clique aqui

    "O grupo é fechado e as pessoas que aderem precisam ser autorizadas a participar porque o candidato, segundo informações, possui mais de 400 mil robôs nas redes sociais e isso poderia comprometer o funcionamento do grupo, além da violência costumeira de seguidores do candidato extremista", explica Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ.

    Para Celina, a participação das mulheres nesta eleição é fundamental. “Somos a maioria da população e do eleitorado, temos que fazer valer a nossa voz e os nossos direitos”, diz. “A CTB luta pela igualdade de gênero e defende mais mulheres na política e no poder”.

    A publicitária Ludmila Teixeira, uma das organizadoras do grupo, diz à revista Exame que “ele representa tudo que é de atraso na luta pelos direitos das mulheres, ele ataca diretamente a licença maternidade" e defende "a diferença salarial entre homens e mulheres”.

    As mulheres compõem 52,5% do eleitorado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral e conforme a pesquisa mais recente do instituto Datafolha, o candidato do PSL é rejeitado por 49% das mulheres e com curva ascendente.

    "As manifestações misóginas, racistas e LGBTfóbicas do candidato dos banqueiros são costumeiras", reforça Celina. "Agora nas eleições tenta desmentir o que disse e vem dizendo, mas está tudo registrado".

    “Estamos a poucos dias de mudar os rumos do país”, acentua Celina. “Agora é arregaçar as mangas e trabalhar incansavelmente para elegermos candidaturas comprometidas com a classe trabalhadora, com a causa da emancipação feminina, contra o racismo e a discriminação de gênero”, conclui.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • MP-SC processa Ana Campagnolo e STF barra invasão de universidades por forças policiais

    Defensora da Escola sem partido, Ana Campagnolo defende espionagem em escolas (Foto: Facebook)

    O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) move ação contra Ana Caroline Campagnolo, eleita deputada estadual pelo PSL, em relação ao canal de denúncias criado por ela contra professoras e professores. Ela inclusive pediu para os estudantes filmarem seus mestres e enviarem os filmes para o seu canal.

    De acordo com o MP-SC, esse tipo de ação é inconstitucional. “Serviços de recebimento de denúncia somente podem ser realizados no âmbito do Poder Público, nunca por particulares. A Lei 13.608/18, por exemplo, dispõe sobre o recebimento de denúncias, com sigilo assegurado ao usuário. Este é um serviço exclusivamente público. É ilegal o uso de qualquer outro canal de comunicação de denúncias que não esteja amparado em um ato administrativo válido”, diz Davi do Espírito Santo, promotor de Justiça titular da 25ª promotoria de Justiça de Florianópolis.

    Leia a íntegra da ação aqui.

    Campagnolo apareceu na mídia no ano passado após mover ação judicial contra a sua orientadora no curso de pós-graduação da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Marlene de Fáveri, por se achar perseguida por ela em relação à suas posições ideológicas.

    Com isso, e suas práticas fascistas, conseguiu se eleger deputada estadual, mas a mídia já comprovou também que ela reclama de educadores “doutrinadores” e foi dar aula com camiseta de campanha de Jair Bolsonaro, como denunciou um ex-aluno. Além de morar em apartamento do programa petista de moradia Minha Casa, Minha Vida.

    “É inconcebível postular a vigilância de educadores e ainda mais defender o projeto Escola sem partido, que esse sim, representa doutrinação e impedimento do direito ao diálogo, à crítica e à diferença seja ideológica, seja comportamental”, afirma Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da CTB.

    Para resgatar os estragos feitos pela professora de História, o MP elaborou uma fórmula sui generis para um pedido de condenação dela por danos morais coletivos no valor de R$ 1 por seguidor que Campagnolo tem em sua página de Facebook onde fez a postagem, são 71.517 seguidores.  O dinheiro arrecadado será  destinado ao Fundo para Infância e Adolescência.

    A Ordem dos Advogados do Brasil, seção de Santa Catarina (OAB-SC) repudiou a atitude de professora de História. A entidade entende como prejudicial à ordem democrática “insuflar alunos a agirem como censores/delatores dos seus próprios professores” (leia a íntegra da nota aqui).

    Inclusive, o juiz Giuliano Ziembowicz, da Vara da Infância e da Juventude de Florianópolis, atendeu ao pedido do MP e determinou, nesta quinta-feira (31), que ela retire suas publicações da internet, com multa de mil reais por dia de descumprimento.

    De acordo com o MP-SC, a Ação Civil Pública busca “garantir o direito dos estudantes de escolas públicas e particulares do Estado e dos municípios à educação segundo os princípios constitucionais da liberdade de aprender e de ensinar e do pluralismo de ideias”.

    STF barra Invasão policial em universidades 

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    STF barra censura às universidades (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo)

    O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou nesta quarta-feira (31), a decisão da ministra Cármen Lúcia de proibir atos de fiscalização pela justiça eleitoral em universidades públicas e privadas em todo o país.

    Por unanimidade os ministros seguiram o parecer da ministra, relatora da ação, “exercício de autoridade não pode se converter em ato de autoritarismo”, disse. Para ela, "dificultar a manifestação plural de pensamento é amordaçar professores e alunos. A única força que deve ingressar nas universidades é a força das ideias".

    O julgamento foi decidido por unanimidade. Votaram a favor da decisão, além da própria Cármen Lúcia, os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Os ministros Marco Aurélio Mello e Luiz Fux não participaram.

    O ministro Celso de Mello afirmou ainda que “o Estado não pode cercear, o Estado não pode interferir, o Estado não pode obstruir, o Estado não pode frustrar e o Estado não pode desrespeitar a liberdade fundamental de expressão. Regimes democráticos, como todos sabemos, não convivem com práticas de intolerância ou comportamentos de ódio".

    Para Marilene, a decisão do STF sinaliza que o projeto Escola sem partido, se aprovado pelo Congresso Nacional, “enfrentará dificuldade na Corte pela sua inconstitucionalidade”. Ela também acredita que o STF tende a barrar “qualquer ação que dificulte o exercício pleno da cidadania e do livre pensamento no ambiente escolar, onde deve prevalecer a pluralidade e o diálogo”.

    Entenda o caso

    A decisão do STF determinou a ilegalidade da ação promovida pela justiça eleitoral, uma semana antes do pleito, determinando a invasão de dezenas de universidades em todo o país para a retirada de faixas contra o fascismo.

    Além da retirada de faixas, a polícia interrompeu aulas e debates, interrogou professores e alunos e realizou busca e apreensão de documentos, alegando infração da legislação eleitoral.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Mulheres saem às ruas e se tornam protagonistas na defesa de democracia

    O movimento de mulheres e o próprio feminismo sempre causam discussões polêmicas de toda ordem, que têm como pano de fundo suas concepções e práticas organizativas importantes para a disputa das pautas chamadas identitárias que têm sido apropriadas e ressignificadas por setores reacionários em especial no Parlamento.

    A partir de 2016, o movimento de mulheres tomou um impulso muito grande com o golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência da República. A compreensão de que todas as conquistas e avanços nas políticas para as mulheres tinham ali o viés da misoginia, que simbolizava a voz masculina, velha, branca e machista dos setores reacionários da política brasileira.

    Não foi por acaso que se tentou criar na sociedade a figura da mulher "bela, recatada e do lar" em contraposição à mulher forte, determinada, que poderia ser o que quisesse, inclusive presidenta da República. Para as parlamentares, o Parlamento passou a ser mais hostil e desrespeitoso, com demonstrações públicas de agressão e ofensas. 

    Mas o movimento cada vez mais incorporava mulheres de diferentes gerações e setores da sociedade que começaram a se declarar feministas.

    Infelizmente esse crescimento não se refletiu nas candidaturas femininas nestas eleições. Diminuiu. O que talvez reflita o sentimento de negação da política, que vem sendo ideologicamente estimulado, aliado à violência política contra as mulheres no Congresso Nacional e nos parlamentos e intituições públicas brasileiras.

    Com o espaço alavancado pela grande mídia ao candidato do PSL, como estratégia de continuação do golpe e sua influência em uma grande camada da sociedade, as mulheres, principal alvo de suas declarações virulentas, começaram a questionar o que realmente significa antipolítica de armamento e perda dos seus direitos e de suas famílias, temperada com a incitação de muito ódio e intolerância. 

    Mulheres unidas

    Através das redes sociais, conseguiram reunir mulheres de diferentes concepções políticas e que têm um objetivo em comum: impedir que seja eleito alguém que representa o que há de mais atrasado na política do nosso país com a hashtag #EleNão. Elas querem lmais que reconhecimento. Querem valorização das mulheres que não se furtam em se expor seu pensamento.

    Muitas mulheres ainda não compareceram ou se manifestaram por ainda serem reféns de lares opressores, mas os avanços já são significativos. E as manifestações em todo o país e em diversas cidades de outros países comprovam os importantes avanços na organziação e nas lutas das mulheres.

    O dia 29 de setembro de 2018, ficará marcado na história do Brasil e do mundo, como o dia em que as mulheres brasileiras tomaram nas mãos o protagonismo da defesa da democracia e de estancar o avanço do fascismo em nosso país. 

    Mas há que se ter a devida consideração com a relevância política do ato que levou multidões às ruas. Não abrimos apenas o caminho para que daqui pra frente ganhemos um reconhecimento público e sejamos orientadas a ficar a postos quando precisarem de novo.

    Não repetir o passado

    Na Segunda Guerra Mundial, com os homens tendo que se alistar e viajando para os fronts de batalha, elas foram contratadas para trabalhar em fábricas de bombas e peças de aeronaves, como guardas de ataque aéreo, para trabalhos antes realizados por homens. Ao fim da guerra, elas simplesmente foram dispensadas para que os homens assumissem os postos de trabalho.

    Se tem algo incontestável nessa conjuntura, é que não dá para ignorar a presença das mulheres na política e perpetuar a mesma prática machista do século passado, de relegar as mulheres aos espaços privados e subrepresentadas no Parlamento ou à periferia dos espaços de poder e decisão.

    Há que se reconhecer na continuação da luta, que mulheres na política são imprescindíveis e que são grandes companheiras de poder.

    Isis Tavares é presidenta da CTB-AM e secretária de Gênero da Confederação Nacionald dos Trabalhadores em Educação.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Seguidores de Bolsonaro destroem homenagem a Marielle e matam um cachorro a tiros

    Seguidores de Jair Bolsonaro riem de Marielle Franco, assassinada em 14 de março

    Dois candidatos do PSL, partido do candidato da extrema-direita Jair Bolsonaro, destruíram uma homenagem feita a vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro e postaram a foto em redes sociais. O candidato a deputado estadual Rodrigo Amorim e o candidato a deputado federal Daniel Silveira se vangloriam de destruírem a homenagem a Marielle, assassinada barbaramente em 14 de março.

    Em sua postagem, Amorim afirma que "cumprindo nosso dever cívico, removemos a depredação e restauramos a placa em homenagem ao grande marechal". E ameaça: "Preparem-se, esquerdopatas. No que depender de nós, seus dias estão contados".

    De acordo com o seguidor de Bolsonaro, a placa em homenagem a Marielle estava sobre a placa com o nome da Praça Floriano, nas proximidades da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

    “O que importa realmente na atitude desses dois candidatos do PSL é a atitude de total desrespeito à humanidade”, diz Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ. “Quem não respeita a memória de uma pessoa assassinada cruelmente, vai respeitar quem?”

    Marley e nós

    marley foi morto a tiros durante carreata na cidade de muniz ferreira foto delina maltez arquivo pessoal

    O cão assassinado com três tiros por Bolsonarista armado

    Um cachorro vira-lata foi abatido com três tiros por um integrante de uma carreata de apoio a Bolsonaro, na cidade de Muniz Ferreira, interior da Bahia, no domingo (30).

    A dona de Marley, o cão baleado, Delina Maltez afirmou ao G1 que o crime “acabou com a gente”. Ela conta que os seus quatro cães latiam com a passagem da carreata e "um homem saiu do carro e deu um tiro no pé do Marley e, depois que o cachorro correu, ele deu mais dois tiros. Eu pedi, não atire, não atire! Mesmo assim, ele deu mais dois tiros”.

    Para a polícia, o atirador disse que se sentiu ameaçado pelo cachorro. “Imagine o sujeito se sentir ameaçado em um desentendimento de trânsito ou em uma situação qualquer”, afirma Flora Brioschi, secretária de Políticas Sociais da CTB-BA. “Quem tem animal de estimação entende muito bem a dor de dona Delina e sua família”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Veja divulga áudios com troca de mensagens entre Bolsonaro e Bebianno, que foi chamado de mentiroso

    Na semana passada, o então ministro Gustavo Bebianno afirmou que havia falado três vezes com Jair Bolsonaro no último dia 12. No dia seguinte, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, disse que isso era 'mentira absoluta'. Áudios agora divulgados mostram três mensagens por WhatsApp entre ex-ministro e o presidente. Parece que quem está mentindo nesta história não é Bebeianno, que foi exonerado segunda-feira (18) pelo presidente.

    Áudios divulgados nesta terça-feira (19) pelo site da revista "Veja" apontam que no último dia 12, quando ainda estava internado em um hospital em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro trocou pelo menos três mensagens de áudio de WhatsApp com Gustavo Bebianno.

    A demissão de Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência foi anunciada na noite desta segunda (18), em razão da crise que se originou da suspeita de que o PSL, partido ao qual Bolsonaro e Bebianno são filiados, usou candidatura "laranja" nas eleições do ano passado.

    A revelação foi feita pelo jornal "Folha de S.Paulo". De acordo com a publicação, quando Bebianno presidia o PSL, o partido repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco. Segundo o jornal, o repasse foi feito quatro dias antes das eleições, e ela recebeu 274 votos – Bebbiano nega irregularidades.

    Após a reportagem da "Folha", Bebianno negou em entrevista ao jornal "O Globo" que fosse o pivô de uma crise dentro do governo e acrescentou que, somente naquele dia, havia falado com o presidente por três vezes por mensagens de WhatsApp. Na ocasião, Bolsonaro ainda estava internado em razão de uma cirurgia.

    Após a publicação da entrevista, um dos filhos de Bolsonaro, Carlos, usou uma rede social para afirmar que Bebianno mentiu ao dizer que havia falado com o presidente. "Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista”, escreveu Carlos Bolsonaro.

    Carlos, e depois o próprio Jair Bolsonaro, chegaram a divulgar um áudio no qual, segundo eles, o presidente diz a Bebianno que não podia falar com o então ministro. Mas os áudios revelados pela revista "Veja" mostram que Bolsonaro encaminhou três mensagens de áudio para Bebianno no dia 12, mesma data em que o ex-ministro disse ter falado "três vezes" com o presidente.

    Além disso, há entre os áudios outras dez mensagens trocadas entre Bebianno e o presidente nos dias seguintes.

      

    Confira as mensagens:

    Mensagens do dia 12

    Nas mensagens enviadas por Bolsonaro que, segundo a "Veja", foram trocadas no dia 12, o presidente trata de um encontro marcado por Bebianno no Palácio do Planalto com um representante da TV Globo e de uma viagem que o então ministro organizava para a Amazônia.

    Segundo a "Veja", Bolsonaro encaminhou a Bebianno uma mensagem com a agenda de reuniões do ministro no dia 12, com a previsão de que Bebianno receberia às 16h o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. Ao receber a mensagem, segundo a "Veja", Bebianno respondeu: “Algo contra, capitão?”.

    A revista "Veja" diz que, depois de o ex-ministro insistir enviando algumas mensagens por escrito, Bebianno recebeu um áudio do presidente, em que Jair Bolsonaro declara que a Globo é uma inimiga e que, ao fazer contato com a emissora, Bebianno colocaria o presidente em posição delicada com "outras emissoras".

    Bolsonaro – “Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então não dá para ter esse tipo de relacionamento. Agora… Inimigo passivo, sim. Agora… Trazer o inimigo para dentro de casa é outra história. Pô, cê tem que ter essa visão, pelo amor de Deus, cara. Fica complicado a gente ter um relacionamento legal dessa forma porque cê tá trazendo o maior cara que me ferrou – antes, durante, agora e após a campanha – para dentro de casa. Me desculpa. Como presidente da República: cancela, não quero esse cara aí dentro, ponto final. Um abraço aí.”

    Bolsonaro – “Gustavo, uma pergunta: “Jair Bolsonaro decidiu enviar para a Amazônia”? Não tô entendendo. Quem tá patrocinando essa ida para a Amazônia? Quem tá sendo o cabeça dessa viagem à Amazônia? Um abraço aí, Gustavo, até mais.”

    Bolsonaro – “Ô, Bebianno. Essa missão não vai ser realizada. Conversei com o Ricardo Salles. Ele tava chateado que tinha muita coisa para fazer e está entendendo como missão minha. Conversei com a Damares. A mesma coisa. Agora: eu não quero que vocês viajem porque… Vocês criam a expectativa de uma obra. Daí vai ficar o povo todo me cobrando. Isso pode ser feito quando nós acharmos que vai ter recurso, o orçamento é nosso, vai ser aprovado etc. Então essa viagem não se realizará, tá OK? Um abraço aí, Gustavo!”

    Nas demais mensagens reveladas pela revista "Veja", Bolsonaro fala com Bebianno a respeito da notícia da "Folha" sobre os supostos candidatos "laranja" do PSL e diz que "não vai dar certo" a tentativa de "empurrar" para o "colo" dele "essa batata quente", em referência ao assunto.

    Bolsonaro afirma ainda que essa suposta tentativa é uma "desonestidade e falta de caráter". Na resposta, Bebianno se defende e explica que ele não era o responsável pelas campanhas estaduais do PSL, e sim pela campanha de Bolsonaro.

    Na sequência do áudio, o ex-ministro afirma que Bolsonaro "está bem envenenado", e que, por isso, é melhor que os dois conversem "depois" pessoalmente. "A minha consciência está tranquila, o meu papel foi limpo, continua sendo", completou.

    Veja a íntegra das mensagens do dia 13 em diante:

    Parte 4 - Bolsonaro diz que Bebianno não falou com ele nenhuma vez no dia 12

    Bolsonaro – “O Carlos incitando a saída é mais uma mentira. Você conhece muito bem a imprensa, melhor do que eu. Agora: você não falou comigo nenhuma vez no dia de ontem. Ele esteve comigo 24 horas por dia. Então não está mentindo, nada, nem está perseguindo ninguém.”

    Parte 5 - Bebianno afirma que há "várias formas de se falar" e cita as três vezes em que trocou mensagens com Bolsonaro

    Bebianno – “Há várias formas de se falar. Nós trocamos mensagens ontem três vezes ao longo do dia, capitão. Falamos da questão do institucional do Globo. Falamos da questão da viagem. Falamos por escrito, capitão. Qual a relevância disso, capitão? Capitão, as coisas precisam ser analisadas de outra forma. Tira isso do lado pessoal. Ele não pode atacar um ministro dessa forma. Nem a mim nem a ninguém, capitão. Isso está errado. Por que esse ódio? Qual a relevância disso? Vir a público me chamar de mentiroso? Eu só fiz o bem, capitão. Eu só fiz o bem até aqui. Eu só estive do seu lado, você sabe disso. Será que o senhor vai permitir que eu seja agredido dessa forma? Isso não está certo, não, capitão. Desculpe.”

    Parte 6 - Bebianno relembra o presidente de episódios em que esteve ao lado dele e pergunta o que fez de errado

    Bebianno – “Eu só prego a paz, o tempo inteiro. O tempo inteiro eu peço para a gente parar de bater nas pessoas. O tempo inteiro eu tento estabelecer uma boa relação com todo mundo. Minha relação é maravilhosa com todos os generais. O senhor se lembra que, no início, eu não poderia participar das reuniões de quarta-feira, porque os generais teriam restrições contra mim? Eu não entendia que restrições eram aquelas, se eles nem me conheciam. O senhor hoje pergunte para eles qual o conceito que eles têm a meu respeito, sabe, capitão? Eu sou uma pessoa limpa, correta. Infelizmente não sou eu que faço esse rebuliço, que crio essa crise. Eu não falo nada em público. Muito menos agrido ninguém em público, sabe, capitão? Então quando eu recebo esse tipo de coisa, depois de um post desse, é realmente muito desagradável. Inverta. Imagine se eu chamasse alguém de mentiroso em público. Eu não sou mentiroso. Ontem eu falei com o senhor três vezes, sim. Falamos pelo WhatsApp. O que é que tem demais? Não falamos nada demais. A relevância disso… Tanto assunto grave para a gente tratar. Tantos problemas. Eu tento proteger o senhor o tempo inteiro. Por esse tipo de ataque? Por que esse ódio? O que é que eu fiz de errado, meu Deus?”

    Parte 7 - Bolsonaro diz que Bebianno tentou "pregar" uma nota em site

    Bolsonaro – “Ô, Gustavo, usar da… Que usou do Whatsapp para falar três vezes comigo, aí é demais da tua parte, aí é demais, e eu não vou mais responder a você. Outra coisa, eu sei que você manda lá no Antagonista, a nota (sobre Bolsonaro não atender Bebianno) foi pregada lá. Dias antes, você pregou uma nota que tentou falar comigo e não conseguiu no domingo. Eu sabia qual era a intenção, era exatamente dizer que conversou comigo e que está tudo muito bem, então faz o favor, ou você restabelece a verdade ou não tem conversa a partir daqui pra frente.”

    Parte 8 - Bolsonaro diz que é falta de caráter querer envolvê-lo em caso de candidata de Pernambuco

    Bolsonaro – “Querer empurrar essa batata quente desse dinheiro lá pra candidata em Pernambuco pro meu colo, aí não vai dar certo. Aí é desonestidade e falta de caráter. Agora, todas as notas pregadas nesse sentido foram nesse sentido exatamente, então a Polícia Federal vai entrar no circuito, já entrou no circuito, pra apurar a verdade. Tudo bem, vamos ver daí… Quem deve paga, tá certo? Eu sei que você é dessa linha minha aí. Um abraço.”

    Parte 9 - Bebianno nega que tenha vazado para a imprensa que tentou ligar para Bolsonaro

    Bebianno – “Capitão, a nota do Antagonista que o senhor tá me acusando de ter plantado… Se o senhor olhar bem, eu localizei aqui e mandei pro senhor. Eu não plantei nada. Ela replica o que a Folha falou. Está escrito aqui: “segundo a Folha, segundo a Folha, o ministro Gustavo Bebianno tentou ligar para Jair Bolsonaro neste domingo para explicar o caso, mas o presidente não atendeu”. Quem mencionou isso não foi o Antagonista, foi a Folha. O Antagonista simplesmente replicou. Então, capitão, eu não plantei nada em lugar nenhum, tá? Abraço."

    Parte 10 - Bolsonaro acusa Bebianno de ter vazado para a imprensa que tentou ligar para o presidente

    Bolsonaro – “Bebianno, olha como você entra em contradição. Que seja a Folha. Se foi uma tentativa tua pra mim e eu não atendi… Eu não liguei pra Folha, eu não ligo pra imprensa nenhuma. Quem ligou foi você, quem vazou foi você. Dá pra você entender o caminho que você está indo? E você tem que fazer uma reflexão para voltar à normalidade. Deu pra entender? Vou repetir: se você tentou falar comigo, um pra um, se alguém vazou pra Folha, não fui eu, só pode ser você. Tá ok?”

    Parte 11 - Bebianno nega novamente que tenha vazado para a imprensa tentativa de falar com Bolsonaro

    Bebianno – “Não, capitão, não é isso, não. Eu não tentei ligar pro senhor, eu não falei, não vazei nada pra ninguém. Eu nem tentei ligar pro senhor. O senhor mandou um recado que era pra eu não ir ao hospital. Não fui e não liguei pro senhor nenhuma vez. Deixei o senhor em paz. É… Se eu tentei ligar uma ou duas vezes, também não me lembro pelo motivo que foi, é… Não é isso, não, capitão, tá? Eu não vazei nada pra lugar nenhum, muito menos pra Folha, com quem eu praticamente não falo. Abraço, capitão.”

    Parte 12 - Bebianno nega envolvimento com escolha de candidata laranja

    Bebianno – “Em relação a isso, capitão, também acho que a coisa está… Não está clara. A minha tarefa como presidente interino nacional foi cuidar da sua campanha. A prestação de contas que me competia foi aprovada com louvor, é… Agora, cada Estado fez a sua chapa. Em nenhum partido, capitão, a nacional é responsável pelas chapas estaduais. O senhor sabe disso melhor do que eu. E, no nosso caso, quando eu assumi o PSL, houve uma grande dificuldade na escolha dos presidentes de cada Estado, porque nós não sabíamos quem era quem. É… Cada chapa foi montada pela sua estadual. No caso de Pernambuco, pelo Bivar, logicamente. Se o Bivar escolheu candidata laranja, é um problema dele, político. E é um problema legal dela explicar o que ela fez com o dinheiro. Da minha parte, eu só repassei o dinheiro que me foi solicitado por escrito. Eu tenho tudo registrado por escrito. Então é ótimo que a Polícia Federal esteja, é ótimo que investigue, é ótimo que apure, é ótimo que puna os responsáveis. Eu não tenho nada a ver com isso. É… Depois a gente conversa pessoalmente, capitão, tá? Eu tô vendo que o senhor está bem envenenado. Mas tudo bem, a minha consciência está tranquila, o meu papel foi limpo, continua sendo. E tomara que a polícia chegue mesmo à constatação do que foi feito, mas eu não tenho nada a ver com isso. O Luciano Bivar que é responsável lá pela chapa dele. Abraço, capitão.”

    Fonte: G1