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Qua, Jun

Secretaria Estadual de Educação

  • A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) inicia sua campanha salarial com uma grande assembleia, a partir das 14h, na Praça da República, onde fica a sede da Secretaria Estadual de Educação, no centro da capital paulista.

    Os professores e as professoras reivindicam um aumento emergencial de 16,6%, para repor a inflação acumulada de 2 anos, período no qual os docentes paulistas estão sem nenhum reajuste. De acordo com a Apeoesp a defasagem salarial dos profissionais da educação está em pelo menos 75,33%.

    A assembleia também debaterá a efetivação do Plano Estadual de Educação, sobre a equiparação salarial dos docentes com outras categorias que tenham nível superior. Por isso, a implementação da Meta 17 está na pauta.

    Asssista protesto bem humorado de estudantes contra a Escola sem Partido em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo, ocorrida nesta quinta-feira (25): 

    Para Francisca Seixas, secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp, “essa assembleia marca o início de uma campanha que pode fortalecer a nossa luta em defesa de uma educação pública com mais qualidade no estado”.

    Exatamente por isso, depois da assembleia haverá apresentação do documentário “A Escola Toma Partido”, do cineasta Carlos Pronzato, com posterior debate sobre o projeto reacionário “Escola sem Partido”, que tramita no Congresso Nacional.

    a escola toma partido cartaz

    “Esse projeto agride todos os níveis de bom senso e de inteligência na educação”, destaca Seixas.

    Estarão no debate a Bebel (Maria Izabel Noronha), presidenta da Apeoesp; Angela Meyer, da direção executiva da União da Juventude Socialista; Madalena Guasco Peixoto, coordenadora-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino; Débora Goulart, professora doutora da Universidade Estadual Paulista e Carlos Pronzato.

    O debate também poderá contar com a presença da convidada de honra, Nita Freire, viúva e sucessora legal da obra do pedagogo Paulo Freire.

    Pronzato destaca o importante apoio da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil nesse filme, assim como na obra anterior "Acabou a Paz, Isto Aqui Vai Virar o Chile, Escolas Ocupadas em São Paulo".

    Serviço:

    A Escola Toma Partido

    Ficha Técnica:

    Direção, Produção e Roteiro: Carlos Pronzato
    Edição: Renato Bazan
    Câmera e Entrevistas: Carlos Pronzato
    Consultoria: Severino Honorato
    Assistência de Produção: Teo Cháves
    Pesquisa: Nil Azevedo
    Designer: Ricardo Malagoli
    Assessoria de Imprensa: Carola Beresi González
    Ano: 2016
    Duração: 50 minutos
    Realização: La Mestiza Audiovisual
    www.lamestizaaudiovisual.blogspot.com

    Sobre Carlos Pronzato

    Argentino residente no Brasil, Carlos Pronzato é poeta e cineasta dedicado especialmente a temas sociais e políticos. Suas obras audiovisuais e literárias destacam-se pelo compromisso com a cultura, a memória e com o protagonismo popular. Dentre seus mais de 50 documentários destacam-se "O Panelaço, a rebelião argentina", "Bolívia, a guerra do gás", "A Bahia de Euclides da Cunha”, "Buscando a Salvador Allende", "Carabina M2, uma arma americana, Che na Bolívia", “Madres de Plaza de Mayo, verdade, memória e justiça”, "Marighella, quem samba fica quem não samba vai embora", “A Rebelião dos Pinguins, estudantes chilenos contra o sistema”, "Pinheirnho, tiraram minha casa, tiraram minha vida", "Mapuches, um povo contra o Estado", "A partir de Agora, as Jornadas de Junho 2013", "Dívida Pública Brasileira, a Soberania na Corda Bamba". Entre outras importantes distinções recebeu, em 2008, o prêmio da Clacso (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais) e em 2009, na Itália, o prêmio Roberto Rossellini.

    Portal CTB

  • Ao comentar reportagem sobre a situação das escolas paulistas, feita pela rádio CBN, das Organizações Globo, Francisca Pereira da Rocha Seixas, secretária de Assuntos Educacionais e Culturais do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), assinala que a situação é de “total precariedade”.

    De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), um profissional da rede estadual paulista ganha em média, R$ 3,1 mil por mês, enquanto a média nacional das redes estaduais se aproxima dos R$ 3,4 mil mensais.

    E o piso salarial da categoria, em São Paulo, é de R$ 2,2 mil mensais, constatado pela reportagem, Francisca conta ainda que as escolas estão em “completo abandono, principalmente na periferia, onde a demanda por vagas é muito maior”.

    Ela questiona também como pode “o estado mais rico da nação pagar tão pouco às educadoras e educadores?” Outro problema muito grave, segundo a sindicalista, é a superlotação de salas.

    Logo após o vitorioso movimento de ocupação de escolas pelos estudantes secundaristas paulistas em 2014 e 2015, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) fechou 2,8 mil salas de aula no estado, segundo a Rede Escola Pública e Universidade.

    Para piorar a situação do magistério da rede pública estadual, os profissionais que têm jornada de 20 horas semanais recebem R$ 1,1 mil por mês. De acordo com a reportagem da CBN, Há vinte anos, o professor recebia entre cinco e seis salários mínimos. Hoje, não passa de dois. A inflação do período foi de 240%, mas o salário subiu cerca de 150%”.

    A reportagem cita um levantamento do Instituto Locomotiva, de 2016, mostrando que “mais de 50 mil professores do estado se afastaram por transtornos psíquicos”, sendo que, “metade deles já foi vítima de agressão verbal ou física”.

    O professor de Geografia, Gabriel Freitas conta que é obrigado a “tomar estabilizante de humor, antidepressivo e fazer psicoterapia para dar uma aliviada em toda essa carga”, por causa da jornada de trabalho exaustiva e ao grande numero de alunos.

    Francisca, que também é secretária de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), confirma que a sobrecarga de trabalho, os baixos salários e a violência a que as educadoras e educadores estão expostos, vem causando adoecimentos.

    Em 2017, a Apeoesp encomendou uma pesquisa ao Instituto Locomotiva. Pelo levantamento, 51% dos profissionais da educação pública estadual disseram já ter sido vítimas de violência física ou verbal.

    Segundo a Secretaria Estadual de Educação, existem 3,7 milhões de estudantes em São Paulo e 244,9 mil educadoras e educadores, em 5,4 mil escolas estaduais.  O problema, informa Francisca, é que “as escolas estão deterioradas, têm salas superlotadas e faltam profissionais, porque ninguém mais quer ser professor nessas condições precárias e o governo não realiza concursos”.  

    De acordo com a sindicalista, o governo contrata temporários para suprir a falta de profissionais concursados, mas “eles trabalham em situação ainda mais precária, sem os mesmos direitos dos profissionais efetivos”.

    O governo de São Paulo afirma que já pagou R$ 4 bilhões em bônus às educadoras e educadores e que negocia um reajuste de 10%. Mas, diz Francisca, “em 2017, conquistamos na justiça um aumento de 10,15% e o governo não pagou. Como confiar se nem o já conquistado nós recebemos?”

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB