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“Na onda de entrega do patrimônio nacional está a proposta de privatizar as estatais brasileiras e dos estados”, afirma Alexandre Hungaro da Silva, secretário de Meio Ambiente da CTB-PR e integrante do núcleo de base cetebista contra a privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel).

Ele explica que as trabalhadoras e trabalhadores da Copel estão apreensivos. Por isso, “constituíram um Comitê Interno e procuraram os sindicatos que representam as diversas categorias para construir um movimento de resistência”.

Isso porque, “todos nós sabemos que privatização significa demissão em massa, trabalho precário, serviço prestado de má qualidade e encarecimento dos serviços ofertados”, garante Silva, que é lotado na Copel e sociólogo por formação.

“A privatização da Copel é um velho projeto do capital financeiro, e das elites paranaenses”, afirma. De acordo com Silva, algumas empresas de telecomunicações sinalizam interesse em adquirir a Copel Telecom. O que seria um sinal da proposta privatista.

Além disso, um ex-presidente da estatal do Paraná, deu entrevista à revista Exame defendendo a privatização da empresa. Por fim, diz ele, “a Copel Telecom tem feito esforços para segregar sua sede e meios digitais da Copel Geração e Transmissão, o que é um passo inicial necessário para a privatização”.

ctb pr nao privatizacao

O sindicalista lembra ainda que na eleição ao governo do estado, em 2014, Beto Richa firmou em cartório um documento afirmando que não iria privatizar a Copel, entretanto, “com o golpe de Estado de 2016, e o projeto privatista do setor elétrico pelo governo golpista, Richa volta com a proposta de privatizar a estatal tão cara ao povo paranaense”, acentua.

Silva denuncia má gestão administrativa na Copel. “A gestão da empresa tem sido problematicamente conduzida”, afirma. “Há um número excessivo de diretores e postos de comando com alto salários”, além disso, continua “duas situações administrativas potencialmente graves vieram a público recentemente, a empresa foi supostamente envolvida em negociatas em torno da PR 323, há uma situação de investimentos financeiros que não estão em conformidade com as regras de governança na Uega, a termelétrica de Araucária”.

Ele conta também que a Copel “se desfez do capital que possuía na Companhia de Saneamento do Estado do Paraná, a Sanepar”. Para Silva, “estas situações colocam em dificuldade a capacidade de financiamento da companhia, indicando sucateamento para privatizar”.

O Comitê de trabalhadoras e trabalhadores contra a prinvatização da Copel lançaram um manifesto; leia a íntegra abaixo:

O governo do Paraná prepara a venda da Copel Telecom S/A

Empregados da COPEL denunciam à sociedade paranaense que o governo do Estado do Paraná prepara a venda da subsidiária COPEL TELECOM S/A.

As empresas do setor elétrico possuíam amplas redes de fibra óptica instaladas em linhas de transmissão de alta tensão, que cumpriam o papel de permitir a comunicação entre usinas, subestações e unidades administrativas das empresas. Com o tempo estas empresas ingressaram no mercado de comunicação de dados, sendo fornecedoras de serviço para outras empresas de telecomunicações, como as operadoras de celulares. De fato, quando efetuamos uma ligação a partir de nossos aparelhos, entre uma torre e outra, os dados trafegam em redes de fibra óptica. Entretanto, o rápido crescimento e as vantagens técnicas das redes de empresas como a COPEL TELECOM e a CEMIG TELECOM têm despertado a cobiça das operadoras.

Em meses recentes diversas notícias têm sido veiculadas na imprensa aberta, noticiando o interesse de operadoras de celular em ativos das empresas de telecomunicações associadas a essas estatais. A sua privatização ocorreria antes da entrega da ELETROBRÁS e, diante do fracasso econômico e político do Golpe de Estado, antes das eleições de outubro.

As empresas de energia e telecomunicações são estratégicas para fomentar o desenvolvimento técnico e científico nacional, pois podem ser grandes indutoras de encomendas ao setor privado e auxiliar na definição de parâmetros e protocolos de evolução dos sistemas. As empresas de telecomunicações estatais são fundamentais para assegurar a privacidade de dados dos cidadãos e a soberania do Estado.

No Estado do Paraná, tudo indica que a privatização da COPEL TELECOM S/A vem sendo implementada com absoluta falta de transparência perante a sociedade. A atual administração da COPEL pretende já no mês de maio transferir os empregados da COPEL TELECOM para um do prédio atualmente ocupado pela BRF Brasil Foods S.A. na BR-277, saída para Ponta Grossa. Após isso, seguir-se-ia a segregação dos ativos das outras subsidiárias e, o que é extremamente grave, a desativação do DATA CENTER da COPEL TELECOM da Rua Padre Agostinho, além da entrega de nossos dados para empresas de hosting multinacionais. Planos de desinvestimentos de ativos da Holding COPEL têm sido elaborados e discutidos sem qualquer transparência no âmbito do CAD, ou seja, ninguém sabe quais ativos serão vendidos, ou por quanto. Inclusive consta que um ex-integrante de operadora, como a VIVO, faz parte hoje do Conselho de Administração da Companhia, bem como que contas bancárias da COPEL TELECOM S/A já teriam sido repassadas a bancos no Estado de São Paulo.

Os empregados destas empresas preparam uma ampla e vigorosa campanha de resistência e mobilização da sociedade. Consta que pretendem buscar compromissos de políticos e denunciar o arranjo que levará a monopolização e verticalização do mercado, elevação de tarifas, entrega do patrimônio público a empresas multinacionais e deterioração da qualidade dos serviços.

Estes empregados afirmam prezar pela defesa do patrimônio público no setor de energia e telecomunicações, seja por seu aspecto estratégico no desenvolvimento econômico, seja por ser dever do Estado zelar pelo caráter social destes serviços, seja ainda porque asseguram a soberania e autonomia nacionais. Se as telecomunicações assumirem unicamente o status de commodities e seguirem o paradigma do lucro dentro da globalização neoliberal, estaremos renegando o princípio do bem comum, na medida em que a especulação privilegia a grandes grupos econômicos e atropela o bem estar social. É, pois, inadmissível que na era da internet, países estrangeiros controlem o tráfego dos dados privados dos brasileiros e brasileiras, além de informações estratégicas nacionais sensíveis.

Além disso, a COPEL TELECOM S/A é uma empresa lucrativa, que vem apresentando uma rápida expansão pelo interior paranaense, tendo já levado suas redes de fibra óptica a todos os 399 municípios do Estado do Paraná. No mais, cabe dizer que a COPEL TELECOM já foi eleita a melhor operadora do Paraná e a segunda melhor do Brasil . Uma empresa privada, buscando tão somente o lucro, estaria disposta a manter os mesmos investimentos e níveis de satisfação? Caminharemos então para o sucateamento da rede e a baixa qualidade na prestação de serviços, como já vimos acontecer em outras privatizações do setor.

Cabe aos mais de oito mil trabalhadores e trabalhadoras da COPEL e seus aproximadamente sete mil terceirizados, às suas entidades sindicais, às organizações da sociedade civil, à classe política comprometida com o bem comum, e a todo o povo paranaense, somar-se a essa luta na defesa da COPEL TELECOM S/A, um dos braços mais promissores da COPEL, a maior empresa de nosso Estado e um de nossos maiores patrimônios.

Importa à sociedade deter este movimento, porque seguinte à privatização da ELETROBRÁS e da COPEL TELECOM, virá o desmanche da COPEL S/A, como um todo.

COMITÊ ENERGIA E TELECOM de empregados e empregadas contra a privatização!

Portal CTB

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