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Ter, Dez

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A candidata (com a filha Laura) reunida com lideranças estudantis no Congresso da União da Juventude Socialista (Foto: Thalita Oshiro)

Oficializada como pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB em novembro de 2017, Manuela D’Ávila vem impulsionando o debate sobre as questões de gênero, raça, e de um projeto de desenvolvimento nacional voltado para o combate às desigualdades.

Na Convenção Nacional do PCdoB, em agosto, Manuela disse que é candidata para defender o país da cobiça das grandes corporações e potências internacionais. “Eu sou candidata porque o Brasil é um sonho que pode ser realizado”, afirmou.

Aos 37 anos, a comunista gaúcha desistiu de sua pré-candidatura à Presidência para unir as forças populares e democráticas contra o golpe de Estado de 2016, que trouxe intensos retrocessos para a classe trabalhadora.

Para desespero dos golpistas, PT, Pros e PCdoB fizeram a coligação “O Brasil feliz de novo”, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva candidato a presidente. Barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula passou a responsabilidade ao ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, tendo Manuela como vice-presidenta.

“A Manu criou uma conexão muito forte entre os movimentos que defendem a cultura da paz”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

“Eles deram um golpe com a justificativa que tirariam o Brasil da crise. Mas, o que eles fizeram neste teste de governo? Agudizaram a crise. São milhares de desempregados(as), aumentou o número de jovens que abandonam a educação de nível superior e a miséria cresce cada vez mais”, afirma Manuela.

Lembrando que “as mulheres trabalhadoras estão passando pelas piores inseguranças”. Em referência ao alto índice de desemprego e subemprego, que já atinge quase 30 milhões de pessoas.

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Manuela com Fernando Haddad iniciando a campanha eleitoral (Foto: Ricardo Stuckert)

Para Celina, a campanha desenvolvida por Manuela D’Ávila inspira as mulheres a irem à luta por igualdade de direitos. “As mulheres veem nela a possibilidade de se ter mais mulheres no poder, tanto na área pública, quanto na privada”, reforça.

Formada em Jornalismo pela PUC-RS, a jovem candidata iniciou sua trajetória no movimento estudantil e já aos 22 anos assumia a vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) e, em 2004, foi eleita a vereadora mais jovem de Porto Alegre, sendo a mais votada.

A sindicalista gaúcha Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB, afirma que ela serviu de inspiração desde esse tempo. Luiza conta que começou a se envolver na política “de forma mais intensa” quando Manuela foi candidata a vereadora. “Em Porto Alegre, a Manu já havia iniciado essa mudança. Eu e milhares de jovens gaúchos fizemos a reflexão: a política pode ser ocupada pela juventude”.

Aos 25 anos, ela foi eleita a deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul, e reeleita para um segundo mandato, voltando ao seu estado natal como deputada estadual, em 2014.

Em sua campanha, Manuela mostra que não será “uma vice-presidenta ornamental”, diz Elgiane Lago, secretária licenciada da Saúde da CTB. “A questão da saúde da mulher ficou para trás no governo golpista e a Manu traz esperança. Com ela podemos mudar essa triste realidade com a criação de novas políticas públicas”.

Nos debates, Manuela D’Ávila defende a revogação da reforma trabalhista e da lei do teto de gastos (Emenda Constitucional 95), além da taxação de grandes fortunas para corrigir o injusto sistema tributário brasileiro, em que os 10% mais pobres gastam 32% do que ganham com impostos enquanto que os 10% mais ricos desembolsam apenas 21%, segundo dados da Receita Federal reunidos em relatório da ONG Oxfam Brasil.

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Manuela em encontro da direção nacional da CTB, em São Paulo

A participação da candidata em uma disputa nacional também aumenta a responsabilidade e representatividade de Manuela. “Manu trouxe as questões da juventude, de gênero e de raça para o debate eleitoral”, sem cair na provocação de candidatos extremistas, defensores do ódio de da violência. “As jovens mães percebem que a política também pode ser feita por elas. Essa representação das mulheres e da juventude está mudando o cenário político nacional”.

Em tempos de destruição de patrimônios históricos, da educação e saúde públicas, dos direitos trabalhistas e de crescimento da violência contra a juventude negra, pobre e periférica, ela defende a reconstrução do país com Justiça e liberdade. Para Celina, Manuela D’Ávila incorpora “os sonhos das mulheres, das negras e negros, da juventude, dos povos indígenas, da população LGBT e, essencialmente, da classe trabalhadora, de voltarmos a ter uma vida com respeito às diferenças e aos interesses nacionais”.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB


 Matéria pulbicada na revista Mulher de Classe, edição número 9, de setembro de 2018.

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