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Arte do cartunista Latuff

Nesta quinta-feira (11) - Dia do Estudante -, a juventude tomou as ruas das maiores cidades brasileiras em defesa de uma educação voltada para o desenvolvimento autônomo do país e dos filhos e filhas da classe trabalhadora.

“Queremos uma escola de qualidade, voltada para a nossa realidade, não esse fragmento de educação que temos atualmente”, diz Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Ela explica que a juventude quer que “a escola seja reinventada e inovada, uma escola sem mordaça”.

Diz ainda que a maioria dos governadores quer privatizar a educação, assim como é intenção do Ministério da Educação golpista de acabar com os ensinos médio e superior gratuitos. "Nós entendemos que educação dever ser democrática, laica e plural. Além do que não aceitamos tratar a educação como mercadoria", afirma Lanes.

A professora Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), concorda com a líder estudantil. “Importante a manifestação dos estudantes e ainda mais importante saber que eles são contra essa infâmia de ‘Escola Sem Partido’ e defendem que o ensino seja voltado para a realidade das crianças e jovens e as aulas ministradas com liberdade”, afirma.

Betros cita ainda os Dez Mandamentos do Professor, criado pelo professor de História da América da Universidade de Estadual de Campinas (Unicamp), Leandro Karnal (veja aqui). “Com propostas bastante inovadoras, o Karnal coloca o cerne da questão para desenvolvermos uma educação que contemple o livre pensar”.

“Karnal defende uma escola plural, onde os estudantes sejam permanentemente ouvidos e orientados pelos professores a buscar o conhecimento e cria uma consciência crítica de tudo o que nos cerca”, reforça Betros.

Ela cita também a entrevista concedida por ele ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura de São Paulo, onde Karnal execrou o projeto reacionário. “Escola Sem Partido é uma asneira sem tamanho, é uma bobagem conservadora, é coisa de gente que não é formada na área” (saiba mais aqui).

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Para Lanes, “é humilhante saber que dentro do Congresso Nacional há projetos de lei que desqualificam nossos professores e tentam impor censura aos docentes e aos estudantes”. Ela critica os parlamentares conservadores que “têm medo de debater a questão de gênero nas escolas e assim perpetuam a violência contra as mulheres”.

Já a professora sindicalista afirma que o projeto “Escola Sem Partido” não tem fundamento pedagógico nenhum e visa apenas e tão somente a doutrinação da juventude por valores misóginos, machistas, homofóbicos e ultrarreacionários”.

Inclusive pra combater esse projeto, foi criada a Frente Escola Sem Mordaça (veja página aqui) para informar sobre o debate em torno do tema.

Por isso, diz Lanes, “estamos nas ruas como forma de resistência aos projetos que acabam com a nossa democracia e com os direitos da classe trabalhadora e, no Dia do Estudante, defendemos uma escola que dialogue com o que nós precisamos para termos condições de construir um futuro de justiça, de igualdade e de respeito”.

O Senado mantém aberta uma consulta pública sobre o Projeto de Lei do Senado 193/2016, de autoria do senador Magno Malta (PR-ES), na qual os votos contra o “Escola Sem Partido” estão em 190.851 e a favor da mordaça aos professores e estudantes 180.433 (até o fechamento desta matéria).

“Nenhum professor ou professora que tenha compromisso com a educação, seja de esquerda ou de direita, pode apoiar a Lei da Mordaça”, sintetiza Betros. “Não existe educação, sem liberdade, sem diálogo”.

escola sem mordaca 1

Saiba porque foi criado o Dia do Estudante

Em 1927, o 11 de agosto, foi instituído como o Dia do Estudante no Brasil. Data dedicada à criação das duas primeiras faculdades do país, a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco, e a Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, em São Paulo, em 1827. Por isso, 100 anos depois criou-se o Dia do Estudante. Por causa desse dia, os estudantes de Direito criaram o “Dia do Pendura”, quando iam aos restaurantes e bares pediam refeições e saiam sem pagar a conta. 

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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