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Em entrevista à revista CartaCapital, Alexandre Felix Campos, investigador da Polícia Civil de São Paulo, afirma que parte dos policiais estão com sede de sangue em vingança à Constituição, promulgada em 1988, que limitou  a ação da polícia.

“Como perderam o poder de fazer o que bem quisessem, sem punição, como acontecia na ditadura, o policial entende que, há 30 anos, vive sufocado por uma ideologia comunista”, diz Campos.

Esses policiais, segundo o investigador, acreditam que se Jair Bolsonaro for eleito poderão voltar a agir sem limites. “Eles acham que com a vitória do Bolsonaro tudo vai voltar a ser como antes – e eles vão se vingar do tempo que passou sufocado”.

Para Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB, a situação é muito perigosa porque “a polícia brasileira já é uma das que mais mata no mundo, imaginem se tiverem autorização para matar?”, questiona.

Ela concorda com o Pastor Sargento Isidório, deputado estadual mais votado na Bahia, que abandonou Bolsonaro por causa da pregação da violência e da mentira. “O Pastor Isidório disse que policiais não são assassinos, são pais de família, mas alguns parecem esquecer disso e veem os pobres, pretos e moradores da periferia como inimigos”, define Vânia.

Já Campos, que está há 23 anos na Polícia Civil, acredita que a formação da polícia precisa se modernizar e se moldar a uma sociedade democrática. “Culturalmente, a nossa polícia é formada com o viés do jagunço, aquele cara que é formado para ser um cão de guarda de uma elite”.

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Mas o grupo de Policiais Antifacismo defende mudanças para melhorar as condições de trabalho de vida dos policiais e de toda a sociedade. “Os muitos crimes de ódio realizados por apoiadores do candidato do PSL não podem ser tratados como casos isolados, mas como frutos do discurso irresponsável e violento do próprio presidenciável. Os danos à segurança e à ordem pública já são muitos e ainda serão sentidos por muito tempo, mesmo após as eleições”, diz manifesto dos Policiais Antifascismo.

A onda de violência está tamanha que em poucos, dias três LGBTs sofreram ataques fatais por bolsonaristas. Na segunda-feira (22), uma travesti foi assassinada a facadas em Santo André, no ABC Paulista, aos gritos de “Bolsonaro, Bolsonaro vai matar viado”, afirmam testemunhas.

No sábado (20), antes da exaltação ao ódio feita por Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo, a transexual Laysa Fortuna, de 26 anos, foi morta a facadas em Aracaju, Sergipe, aos gritos de “prostituta, vagabunda e Bolsonaro presidente”.

Na madrugada da terça-feira (16), a travesti Priscila foi morta também a facadas no Largo do Arouche, São Paulo. Uma testemunha ouviu de seu apartamento diversos gritos de “prostituta, vagabunda e Bolsonaro presidente”.

Além desses assassinatos, muita violência ocorre contra mulheres, LGBTs, negros e refugiados no país por seguidores dos Bolsonaro, que ameaçam juízes do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior Eleitoral e jornalistas, além de ativistas e todas as pessoas que pensam diferente deles.

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“A postura irresponsável do candidato da extrema-direita à Presidência e a exaltação da utilização de armas, além da LGBTfobia apavoram a todas e todos”, acentua Vânia. “A sociedade precisa se organizar e enfrentar essa barbárie ou a nação brasileira corre risco de sucumbir ao fundamentalismo e ao ódio”.

Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

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