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Na última semana, uma declaração do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra, chocou e causou revolta nos brasileiros que acompanharam o noticiário. Defensor da Reforma Trabalhista, Gandra disse em uma entrevista, no último dia 6, ao jornal Folha de São Paulo, que a redução de direitos é necessária para garantir que haja emprego no Brasil.
 
“Se eu não admitir que isso aqui [direitos] não pode crescer, nunca vou atingir o pleno emprego. Nunca vou conseguir combater desemprego só aumentando direito. Vou ter que admitir que, para garantia de emprego, tenho que reduzir um pouquinho, flexibilizar um pouquinho os direitos sociais”, disse o ministro ocupante do cargo mais importante da Justiça do Trabalho.
 
A atitude do ministro motivou as bancadas do PT, PSB, PCdoB e REDE a pedirem, em nota, a renúncia ao cargo de Ives Gandra. As siglas oposicionistas repudiaram as declarações “absurdas” proferidas por Gandra contra a classe trabalhadora, nas últimas semanas, em jornais e revistas do País. Os líderes das bancadas afirmam que o ministro, ao invés de se colocar ao lado dos trabalhadores, defende a redução de direitos trabalhistas para supostamente “garantir empregos”.
 
“Esse entendimento falso e arcaico contraria os princípios contidos nas convenções da OIT e os modernos estudos internacionais sobre o tema, segundo os quais não há correlação empírica entre flexibilização trabalhista e geração de empregos, mas há relação entre diminuição de direitos laborais e aumento da desigualdade social e da precariedade no mercado de trabalho”, diz a texto.
 
O documento foi assinado pelos senadores Lindbergh Farias (PT/RJ), Lídice da Mata (PSB/BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) e Randolfe Rodrigues (REDE/AP).
 

"É um absurdo abrir as páginas de notícias e ter o presidente da Justiça do Trabalho no Brasil dizendo que é preciso diminuir os direitos trabalhistas para gerar emprego no Brasil. É escandaloso isso. Eles querem uma sociedade que volte ao passado, onde os trabalhadores trabalhavam num sistema de super exploração. Nós não vamos concordar nem nos intimidar com isso", disse a senadora Lídice.

Vanessa Grazziotin disse não se conformar com o fato de o presidente do tribunal que tem o papel de defender os trabalhadores ser favorável a mudanças na legislação que beneficiam apenas os patrões. Grazziotin afirmou ainda que, ao falar com o jornal, Ives Gandra reconheceu não haver na reforma qualquer conquista para os trabalhadores.

"O mínimo que o senhor deveria fazer era renunciar o seu posto de presidente do Tribunal Superior do Trabalho. Lhe conheço pessoalmente, ministro. Lhe respeito muito. Lhe respeitava até esse momento, porque vossa excelência não respeitou o povo brasileiro", declarou a senadora em discurso no Senado.

De Brasília, Ruth de Souza - Portal CTB (com agências)

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