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A alta classe média e a burguesia, com a cumplicidade da mídia golpista, transformaram o juiz Sergio Moro, algoz de Lula e agora ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, numa espécie de herói da luta pela moralidade pública, um cidadão que deve ser considerado acima de qualquer suspeita e também acima do comum dos mortais, a quem se permite o privilégio de extrapolar os limites da Lei.

Mas para quem analisa com maior senso crítico e rigor os fatos e enxerga além da cortina de fumaça com que a mídia entretém a chamada opinião pública, a reputação do chefe da República de Curitiba, que se tornou ministro de um governo de extrema direita, é bem outra. É o que nos sugere a entrevista do jornalista estadunidense Brian Mier, autor do livro “Vozes da esquerda brasileira”, à rede de notícias independente “Real News Network”.    

”Em primeiro lugar, Moro é um agente político da direita que está trabalhando em parceria com o Departamento Americano de Justiça", alerta o escritor. Esta estranha e perigosa relação do juiz curitibano com autoridades da maior potência imperialista do mundo, que esteve por trás do golpe militar de 1964 e deixou também suas impressões digitais no golpe de Estado de 2016, deveria despertar indignação ou pelo menos curiosidade nos grandes meios de comunicação nativos, que todavia fingem desconhecer os fatos, conspirando para acobertá-los e manter de pé a falsa narrativa da direita neoliberal sobre os dramas políticos brasileiros e seus personagens.

O Portal CTB reproduz abaixo o resumo da entrevista com Brian Mier, feito por Sergio Albuquerque e publicada originalmente no Portal GNG.

A rede independente de notícias “Real News Network” (12/2) explicou aos americanos a segunda condenação de Lula pela pupila do ex-juiz Sérgio Moro, Gabriela Hardt. A rede informou que a julgadora recusou-se a ler qualquer tipo de defesa. Greg Wilpert, editor-gerente da Real News, entrevistou Brian Mier, editor do site de notícias “Brasil Wire” e autor do livro “Voices of the Brazilian Left” (“Vozes da esquerda brasileira”).

Relações perigosas com os EUA

O relato de Mier foi revelador:

“… (Moro) construiu o caso com constante suporte do Departamento Americano de Justiça. Patrick Stokes voou a Curitiba algumas vezes. Eles utilizam táticas do Departamento de Justiça, principalmente baseando a condenação inteira em um acordo de delação, como o Departamento fez contra o Senador Ted Stevens em 2009 no Alasca, em caso que foi posteriormente anulado”.

Mais à frente na entrevista, Wilpert arguiu o editor e autor sobre a “imparcialidade de Moro”, e sua sucessora, Hardt. ”Ela, de alguma forma, é melhor que ele? questionou. Mier respondeu: ”Em primeiro lugar, Moro é um agente político da direita que está trabalhando em parceria com o Departamento Americano de Justiça, e o tem feito por anos. Ele não tem nenhuma imparcialidade”. Sobre sua sucessora, o editor comentou: “ela jogou fora 1146 páginas de evidências provando a inocência de Lula que foram submetidos pela defesa. Ela nem mesmo olhou para elas”, anotou Mier.

Não vou comentar a explicação do caso de Atibaia ao público norte-americano. Apenas comunico que o editor, que mora no Brasil, ficou perplexo com o fato do filho de um antigo amigo de Lula (Jacob Bittar) ter sido apontado como falso dono de um sítio que na verdade pertenceria a Lula, de acordo com seus acusadores. Contrariando toda a documentação do registro de imóveis, e sem nenhuma prova de que Fernando Bittar, um bem sucedido homem de negócios e proprietário do Sítio em Atibaia, não é o dono efetivo e legal do imóvel. Lula foi condenado “porque passava os natais lá com a família desde os anos de 1970”, declarou o editor ianque.

Investigador-chefe, promotor e juiz

A próxima pergunta de Wilpert revelaria o comportamento do Judiciário Brasileiro no caso de Lula:

“Neste caso, Moro teve papel de investigador-chefe e promotor, além se ser o juiz. Isto soa muito estranho para o público nos Estados Unidos, onde esses papéis tendem a ser separados. Como isso funciona no Brasil, e como pode alguém como Lula ter um julgamento justo em tais circunstâncias?”

Mier respondeu que o nosso país “é um dos únicos, senão o único, a aplicar as leis como a Inquisição”. Sobre a atuação de Moro, Mier disse que “isso não é comum no Brasil”, quando comentou o triplo papel do magistrado – agora ministro. No caso de Lula, tudo foi consentido. O que fez o entrevistado comparar nossa Justiça à Inquisição. Ela comportou-se assim com Lula. Como a Inquisição da Hierarquia Católica – o “Santo Ofício” e seus “familiares”, há séculos atrás.

Lula só terá chance de justiça com a mudança do regime, concluiu o entrevistado.

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