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Ter, Jun

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Aumenta rapidamente em nosso meio a inquietante percepção de realidade quanto ao que deve representar para os trabalhadores e trabalhadoras de nosso país o governo eleito em outubro último.

O eleitor de Bolsonaro – aquele que orgulhosamente seguia o pato da Fiesp, vestia a camisa canarinho e, estupidamente, envergava os símbolos nacionais em defesa de uma candidatura que enunciava alto e claro que o trabalho não poderia ser um óbice ao capital – esperava o quê? Que o candidato, eleito e empossado, não voltaria a lembrá-lo de que teria de escolher entre direitos e emprego?

Não é momento para uma viagem ao passado recente, nem para lamentos por arroubos cometidos, mas, para entender que a situação presente irá piorar… e muito! Compreender, agora, talvez não seja tão simples como era compreender a natureza do cenário que levou à vitória um candidato tão limitado, que não tinha sequer um programa de governo que lhe fosse compreensível e que ele conseguisse defender. Isto, entre outros motivos, porque aversão a movimentos LGBTs, paixão por armas e arraigada disposição de agradar ao mercado (mesmo que ele não tenha muita noção do que seja isso) não pode ser traduzido por “ter um programa de governo”.

Eleito e sem programa, ele continua a atuar como candidato, e vai continuar mostrando-se como é, limitado e perdido em meio aos três pilares que foram construídos ao seu redor, fruto de seus próprios movimentos: a vertente Militar, berço e DNA de sua estreita visão de mundo; a vertente Econômica liberal, cujo maestro e Cæsar surgiu da adoração do mercado à sua figura e atende pelo nome de Paulo Guedes; e a vertente Judiciária, que atende pelo nome de Sérgio Moro.

Da primeira, resta-nos a esperança de que surja resistência ao esfacelamento de tudo que seja estratégico em nosso país. Na verdade, esperança, e não certeza, haja vista o aparente conformismo público, com a parca reação a que percamos a Embraer para a Boeing e aceitemos coturnos norte-americanos em Alcântara ou qualquer outro lugar em território brasileiro, sem falar no continuado desmonte da Petrobras – para citar apenas alguns exemplos.

Da segunda vertente, teremos a garantia de que o apetite para reduzir o custo do trabalho será insaciável. Terá a concentração de renda como altar, a socialização dos prejuízos como oração e o lucro como hóstia.

Da terceira, receberemos a consolidação do estado policial; da criminalização da discordância; da punição rigorosa a quem se dispuser a resistir à opressão e à Casa Grande. Já vivemos a política que garante aos amigos tudo e aos inimigos a lei. Mas, não se equivoquem. O critério para a definição de amigos será, ainda, mais e mais elaborado e restrito. E a lei, bem, a lei sempre faz por merecer uma interpretação…

Como veem, companheiros, vai ficar pior. É só esperar.

Por enquanto, o que temos é um horizonte tênue e distante da proa. E tudo indica que a visibilidade deve piorar à nossa frente.

Para quem duvida, basta ver o que nos aguarda: inúmeros projetos de lei ordinária e complementar tirando-nos férias e 13º salário, penalizando aposentadorias e dando-nos mais limitações para questionarmos na Justiça quaisquer absurdos cometidos pelo empregador. Considerando o perfil que o brasileiro – este mesmo que segue o patinho da Fiesp – escolheu pelo voto para compor a Câmara e o Senado federais, a aprovação do que o capital deseja, nessas duas Casas Legislativas, não será problema.

Apesar de tudo, acreditamos que toda e qualquer categoria que permanecer unida e com disposição de luta terá melhores condições de resistir ao contínuo extermínio de direitos. Talvez uma ou outra não consiga salvar tudo e muito menos avançar, mas a resistência já será um consolo para quem possuir cabeça e coragem.

Entretanto, a maioria dos trabalhadores terá mesmo grandes prejuízos! Será a vez e hora dos maus sindicalistas demonstrarem cabalmente para que servem, conduzindo suas categorias para assinaturas de Acordos Coletivos de Trabalho indecentes, desnecessários ou impróprios para atender às demandas de quem eles representam. Contudo, é um ótimo momento para a base representada, que não seja frágil e frouxa, aliar-se a diretorias que queiram lutar.

Todavia, mencionamos acima que o horizonte está ainda longe da proa, e não vamos nos surpreender se este governo sabotar a cabotagem brasileira e afogar a bandeira nacional no apoio marítimo. Aí, amigos, não esperem patinhos amarelos como os da Fiesp boiando ao lado de nossas plataformas, aguardando serem tripulados pelos camisas canarinho. Não esperem, porque estes não virão.

Comecem praticando a luta. Possibilidades de treinos não faltam. O melhor deles a Abeam nos oferece. Aproveitem e bom combate!

 

Severino Almeida Filho

Presidente do SINDMAR e da CONTTMAF

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