Venezuela registra novo tremor enquanto número de mortos chega a 1.450 e operações de resgate continuam

 


A Venezuela voltou a enfrentar momentos de tensão nesta segunda-feira (29), após um novo tremor de terra de magnitude 4,6 atingir a região norte do país. O abalo sísmico foi registrado às 7h, no horário local, com epicentro em Caraballeda, cidade localizada no litoral do estado de La Guaira, a aproximadamente 30 quilômetros da capital Caracas.

Embora o novo tremor tenha provocado preocupação entre a população, as autoridades informaram que não houve registro imediato de novos danos estruturais ou vítimas decorrentes desse evento. Ainda assim, o episódio reforça o clima de insegurança vivido pelos venezuelanos desde a sequência de fortes terremotos que atingiu o país na última semana.

Os terremotos principais, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram na quarta-feira (24) e desencadearam uma série de réplicas que continuam sendo registradas diariamente. Na sexta-feira (26), outro tremor de magnitude semelhante foi sentido em diversas regiões. Já no domingo (28), novos abalos de magnitudes 4,2 e 4,5 voltaram a assustar moradores e dificultaram ainda mais os trabalhos de resgate.

Número de vítimas continua aumentando

As consequências da tragédia continuam se agravando. O mais recente balanço divulgado pelas autoridades venezuelanas aponta que o número de mortos chegou a 1.450 pessoas, um aumento em relação aos 1.430 óbitos registrados anteriormente.

Além das vítimas fatais, o desastre deixou pelo menos 3.150 pessoas feridas e afetou diretamente cerca de 12.721 famílias, muitas das quais perderam completamente suas residências ou foram obrigadas a deixar áreas consideradas de risco.

O impacto humano da tragédia é considerado um dos maiores já registrados na história recente da Venezuela. Autoridades classificam o episódio como o desastre natural mais devastador enfrentado pelo país.

Enquanto isso, milhares de pessoas seguem vivendo em abrigos temporários ou improvisando locais seguros para permanecer longe de construções comprometidas pelas fortes vibrações do solo.

Buscas por sobreviventes continuam

Mesmo após vários dias desde os terremotos principais, as equipes de resgate permanecem trabalhando de forma ininterrupta na tentativa de localizar sobreviventes entre os escombros.

No domingo, as autoridades informaram que 33 pessoas foram retiradas com vida de edifícios destruídos. Em diversos locais, os socorristas utilizam ferramentas manuais para remover concreto e estruturas metálicas, já que máquinas pesadas podem representar risco para pessoas ainda soterradas.

As operações enfrentam enormes dificuldades. Além do calor intenso registrado nas áreas afetadas, os profissionais lidam com estruturas extremamente instáveis e com o avanço da decomposição dos corpos, fatores que tornam o trabalho ainda mais complexo e perigoso.

Apesar dos desafios, o governo venezuelano determinou que as buscas não serão interrompidas enquanto houver qualquer possibilidade de encontrar sobreviventes.

Infraestrutura severamente comprometida

Os danos materiais provocados pelos terremotos são igualmente expressivos.

Segundo o levantamento oficial, 774 edifícios sofreram danos estruturais ou desabaram completamente. Desse total:

  • 189 construções foram totalmente destruídas;
  • 585 apresentaram danos parciais que exigirão avaliações técnicas antes de qualquer utilização.

A tragédia também comprometeu serviços essenciais.

Entre as estruturas afetadas estão:

  • 38 hospitais;
  • 44 centros comerciais;
  • 1.645 outras edificações públicas e privadas.

O impacto sobre o sistema de saúde obrigou a transferência de 527 pacientes internados em hospitais de La Guaira para unidades médicas localizadas em Caracas, numa tentativa de aliviar a sobrecarga hospitalar e garantir atendimento adequado às vítimas.

Milhões de pessoas foram afetadas

Estimativas das Nações Unidas indicam que até 6,8 milhões de pessoas podem ter sido afetadas, direta ou indiretamente, pelos terremotos.

Além dos danos físicos, a população enfrenta problemas relacionados ao fornecimento de serviços básicos, dificuldades de deslocamento, interrupções em atividades econômicas e medo constante diante da possibilidade de novas réplicas.

Especialistas alertam que tremores secundários podem continuar ocorrendo durante semanas ou até meses, aumentando os riscos para edifícios já comprometidos.

Governo amplia ações de emergência

Diante da gravidade da situação, o governo venezuelano anunciou novas medidas para enfrentar a crise humanitária.

Entre elas está a criação de uma comissão responsável por realizar inspeções em residências, prédios públicos e demais estruturas atingidas pelos terremotos. O objetivo é identificar quais imóveis ainda oferecem condições de uso e quais deverão ser demolidos.

Outra iniciativa prevê a organização de abrigos temporários para acolher famílias que perderam suas casas, além da elaboração de um plano para reconstrução das áreas mais afetadas.

Centros de atendimento médico continuam funcionando em regime especial, enquanto postos destinados ao recebimento de doações seguem operando para atender vítimas e voluntários envolvidos nas operações de socorro.

Brasil reforça ajuda humanitária

O Brasil ampliou sua participação nas ações internacionais de apoio à Venezuela enviando, no domingo (28), um quarto avião com ajuda humanitária.

A aeronave partiu do Aeroporto Internacional de Guarulhos transportando 35 bombeiros militares dos estados de São Paulo e Minas Gerais, que seguiram para La Guaira, considerada a região mais atingida pelos terremotos.

Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, dois brasileiros estão entre as vítimas da tragédia.

Equipes brasileiras atuam desde sábado

A missão brasileira teve início logo após a chegada das primeiras equipes ao território venezuelano.

Os profissionais concentram suas atividades principalmente no município de Vargas, em La Guaira, realizando buscas por desaparecidos e apoio às operações de resgate.

Mesmo enfrentando dificuldades logísticas e condições extremamente adversas, as equipes brasileiras conseguiram retirar pelo menos duas pessoas com vida dos escombros e participaram da tentativa de resgatar uma criança presa sob uma construção destruída.

As operações são coordenadas pelo diretor de Preparação e Socorro da Defesa Civil Nacional, Armin Braun.

Primeira missão levou cães farejadores

A primeira missão enviada pelo Brasil partiu na sexta-feira (26), saindo da Base Aérea de Guarulhos.

Na ocasião, foram mobilizados 44 profissionais dos Corpos de Bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de integrantes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e técnicos especializados em telecomunicações.

A aeronave também transportou seis cães farejadores, equipamentos de busca e resgate, ferramentas especializadas e materiais destinados ao apoio das operações em áreas de difícil acesso.

Posteriormente, novos voos ampliaram o envio de bombeiros, hospital de campanha, medicamentos, purificadores de água e diversos insumos utilizados no atendimento às vítimas.

Brasileiros foram retirados da Venezuela

Além da ajuda humanitária, o governo brasileiro também realizou uma operação para retirar cidadãos brasileiros que estavam na Venezuela durante a emergência.

Treze brasileiros procuraram a Embaixada do Brasil em Caracas após o fechamento do aeroporto comercial da capital venezuelana.

Eles retornaram ao Brasil em uma aeronave da Força Aérea Brasileira que havia transportado equipamentos de socorro ao país vizinho e faria a viagem de volta sem passageiros.

A ação buscou garantir o retorno seguro dos brasileiros diante das dificuldades provocadas pela interrupção parcial das operações aeroportuárias.

Cooperação internacional cresce

A resposta internacional à tragédia continua sendo ampliada.

Segundo informações das autoridades venezuelanas, aproximadamente 2.624 socorristas estrangeiros participam das operações de emergência no país.

Essas equipes contam com:

  • 137 cães de busca e resgate;
  • 49 veículos especializados;
  • cerca de 84,8 toneladas de equipamentos, medicamentos e materiais cirúrgicos.

Ao todo, aproximadamente 30 países enviaram ajuda humanitária.

Delegações da Índia, Costa Rica, Vietnã, Cuba e República Dominicana já chegaram ao território venezuelano para reforçar as buscas.

O Paraguai também anunciou o envio de 32 militares especializados em operações de salvamento em áreas afetadas por desastres naturais.

A cooperação internacional tornou-se fundamental diante da dimensão da tragédia, permitindo ampliar a capacidade operacional das equipes que atuam nas áreas mais atingidas.

Campanha de doações é lançada em São Paulo

Com o objetivo de fortalecer o trabalho dos profissionais que atuam diretamente nas áreas de desastre, o Consulado-Geral da Venezuela em São Paulo iniciou uma campanha específica para arrecadar equipamentos destinados exclusivamente às equipes de socorro e aos voluntários.

Nesta primeira etapa, a mobilização concentra esforços na coleta de materiais considerados essenciais para as operações de resgate.

Entre os itens solicitados estão:

  • capacetes de proteção;
  • lanternas;
  • luvas de proteção;
  • óculos de segurança;
  • botas de borracha;
  • tendas.

O consulado informou que, neste momento, não está recebendo doações de água, alimentos, medicamentos, roupas ou dinheiro, concentrando a campanha apenas em equipamentos que possam auxiliar diretamente os profissionais que trabalham nas áreas devastadas.

As doações podem ser entregues na sede do Consulado-Geral da Venezuela, localizada no bairro Paraíso, na cidade de São Paulo.

Desafio humanitário permanece

Mesmo com a chegada constante de ajuda internacional, a Venezuela ainda enfrenta um enorme desafio para reduzir os impactos da maior tragédia natural de sua história recente.

As buscas continuam em ritmo intenso, enquanto milhares de famílias aguardam notícias de parentes desaparecidos.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que as sucessivas réplicas mantêm elevado o risco de novos desabamentos, exigindo atenção permanente das equipes de emergência.

Nos próximos dias, os esforços estarão concentrados não apenas na localização de sobreviventes, mas também na assistência humanitária, recuperação dos serviços essenciais, reconstrução da infraestrutura e acolhimento das milhares de pessoas que perderam suas casas.

A mobilização conjunta entre autoridades venezuelanas, organismos internacionais e países parceiros demonstra a dimensão da resposta necessária para enfrentar uma tragédia que já deixou milhares de vítimas e continua exigindo uma complexa operação humanitária em larga escala.

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