Presidente classifica novas tarifas dos Estados Unidos como um “erro estratégico” e defende soberania brasileira; crise diplomática com a Argentina também se agrava
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros e classificou a medida como um “erro estratégico”. Em artigo publicado no The Washington Post, Lula afirmou que o Brasil permanece aberto ao diálogo, mas criticou decisões unilaterais que, segundo ele, podem prejudicar tanto os Estados Unidos quanto a relação entre os dois países.
No texto, o presidente também rejeitou tentativas de utilizar a relação bilateral para fins ideológicos ou eleitorais. Lula defendeu a soberania nacional e afirmou que o Brasil não será derrotado por informações falsas. A manifestação ocorreu em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington e às disputas políticas que antecedem as eleições brasileiras de outubro.
A resposta do governo brasileiro ocorre paralelamente a uma nova crise diplomática com a Argentina. No sábado (25), o presidente argentino Javier Milei participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro e fez ataques contra Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em reação às declarações, o Itamaraty convocou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli. O diplomata deve retornar a Brasília para reuniões com o governo brasileiro, em um movimento que sinaliza o agravamento das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina.
A escalada também provocou reação do STF. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, repudiou as declarações de Milei e reafirmou a autonomia do Judiciário brasileiro, defendendo que as relações entre Estados sejam conduzidas com civilidade.
Com as duas frentes de tensão abertas, o governo Lula procura combinar defesa da soberania, resistência a pressões externas e atuação diplomática. De um lado, Brasília contesta as medidas comerciais adotadas por Trump; de outro, responde institucionalmente às declarações de Milei e sinaliza que ataques às autoridades brasileiras terão consequências diplomáticas.

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